VS Blog - O seu canal de informação católica » Liturgia http://blog.veritatis.com.br VS Blog - O seu canal de informação católica Mon, 12 Apr 2010 19:04:39 +0000 http://wordpress.org/?v=2.8.4 en hourly 1 Missa Afro = Inculturação? http://blog.veritatis.com.br/index.php/2010/03/01/missa-afro-inculturacao/ http://blog.veritatis.com.br/index.php/2010/03/01/missa-afro-inculturacao/#comments Tue, 02 Mar 2010 00:28:45 +0000 Maite Tosta http://blog.veritatis.com.br/?p=1711 Se fizermos uma pesquisa rápida no You Tube com os termos “Missa Afro”, teremos um retorno de várias páginas de vídeos, dentre os quais, destaquei, com indignação, os vídeos abaixo.

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Os defensores da chamada “Missa Afro” dizem ser uma inculturação a fim de contemplar a cultura afro-brasileira, mas, e, nisso concordo com D. Estêvão Bettencourt, “o espetáculo daí resultante não atingiu a sua finalidade, que era elevar as mentes a Deus em atitude de oração; lembrou muito mais os festejos folclóricos do nosso povo, associados a Carnaval e a cultos não cristãos”.

A inculturação tem como finalidade transmitir as verdades do evangelho, apresentando-as de forma que os destinatários as possam compreender e viver, aproveitando as expressões culturais de povos não-europeus, que guardam, assim, sua identidade. Não é tarefa das mais fáceis, podendo fácilmente descambar para o abuso, como se pode verificar dos vídeos.

Inculturar é assumir, dentre os elementos da cultura (linguagem, gastos, símbolos…) de cada povo, aqueles que possam ser veículos fiéis e dignos da fé católica, não deteriorada nem adulterada. (…)Quaisquer que sejam os gestos e sinais aplicados à Liturgia, deverão sempre contribuir para que se levem as mentes a Deus numa atitude de oração e adoração. Caso este objetivo não seja atingido, mas, ao contrário, se provoque dispersão e perplexidade entre os fiéis, os símbolos não podem ser considerados autênticos.*

Não, o Concílio Vaticano II não chancela a – desculpem o termo, mas é o que cabe na minha indignação – palhaçada que são as Missas Afro:

“A Igreja não deseja impor na Liturgia uma forma rígida e única para aquelas coisas que não dizem respeito à fé (para aquelas coisas que dizem respeito a fé, não pode haver flexibilização) ou ao bem de toda a comunidade. Antes, cultiva e desenvolve os valores e os dotes de espírito das várias nações e povos. O que quer que nos costumes dos povos não esteja ligado indissoluvelmente a superstições e erros, Ela o examina com benevolência e, se pode, o conserva intato. Até, por vezes, admite-o na própria Liturgia, contanto que esteja de acordo com as normas do verdadeiro e autêntico espírito litúrgico (ou seja, o que é superstição, erro e contrário à fé e ao espírito litúrgico, não pode ser inserido na liturgia !)” (Constituição Sacrosanctum Concilium n° 38).

Importante ainda destacar o que diz a Instrução Varietates Legitimae, que trata do assunto (n° 30 e 37):

Para preparar una inculturación de los ritos, las Conferencias episcopales deberán contar con personas expertas tanto en la tradición litúrgica del rito romano como en el conocimiento de los valores culturales locales. Hay que hacer estudios previos de carácter histórico, antropológico, exegético y teológico. Además, hay que confrontarlos con la experiencia pastoral del clero local, especialmente el autóctono . El criterio de los «sabios» del país cuya sabiduría se ha iluminado con la luz del Evangelio, se rá también muy valioso. Asimismo la inculturación tendrá que satisfacer las exigencias de la cultura tradicional aun teniendo en cuenta las poblaciones de cultura urbana e industrial.

Las adaptaciones del rito romano, también en el campo de la inculturación, dependen únicamente de la autoridad de la Iglesia. Autoridad que reside en la Sede apostólica, la ejerce por me dio de la Congregación para el culto divino y la disciplina de los sacramentos (Somente a Santa Sé, pela Congregação para o Culto Divino e  Disciplina dos Sacramentos pode autorizar a inculturação) (78); y, en los límites fijados por el derecho, en las Conferencias episcopales (79) y el obispo diocesano (80). «Nadie, aunque sea sacerdote, añada, quite o cambie cosa alguna por iniciativa propia en la liturgia»** (81). La inculturación, por tanto, no queda a la iniciativa personal de los celebrantes, o a la iniciativa colectiva de la asamblea (82) (Ou seja, não é assim, à la vonté !).

As Missas Afro que se vêem aos montes por aí não cumprem nenhum dos requisitos para a inculturação, não podendo ser consideradas como tal. São fruto do desconhecimento do verdadeiro espírito da liturgia e da desobediência das normas prescritas pela Santa Sé.

Voltando à pesquisa no YouTube, o que mais revolta é que muitos dos vídeos postados o foram por padres, ou seja, aqueles que deveriam ser os guardiões da Sagrada Liturgia são os primeiros a promover os abusos. Nesse Ano Sacerdotal, rezemos pelos nossos sacerdotes e cuidemos dos nossos seminários, para que sejam formados sacerdotes mais conscientes de sua responsabilidade com a Liturgia.

*Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS” – D. Estevão Bettencourt, osb. – Nº 403 – Ano 1995 – Pág. 560

**Ninguém, ainda que seja sacerdote, adicione, retire ou modifique coisa alguma por iniciativa própria na liturgia.

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Não à civilização do grito e do barulho http://blog.veritatis.com.br/index.php/2010/02/25/nao-a-civilizacao-do-grito-e-do-barulho/ http://blog.veritatis.com.br/index.php/2010/02/25/nao-a-civilizacao-do-grito-e-do-barulho/#comments Fri, 26 Feb 2010 01:54:28 +0000 Rafael Vitola Brodbeck http://blog.veritatis.com.br/?p=1704 Que época barulhenta a nossa. Jovens gritam mais do que antes. Os próprios adultos, comportando-se de modo irracional e “macaquesco”, parecem não ter consciência de sua maturidade biológica, e agem como adolescentes. As diversões quase todas são barulhentas. E se antes ouvíamos som alto em casa ou no carro fechado – confesso, gosto de rock, blues, jazz e música campeira em volumes mais expressivos –, agora somos obrigados a ouvir pelas ruas, nos carros com porta-malas abertos e vidros baixos – e não o bom rock, o bom blues, o bom jazz e a boa música campeira, mas os terríveis axés, pagodes, forrós, tchês e pseudo-funks.

Os escritórios e gabinetes de trabalho são barulhentos. As pessoas ainda têm a mania de andar sempre com aparelhos de mp3 nos ouvidos, sempre desatentas ao mundo. Fora a mal-educada cultura de serviços de telemarketing em sempre interromper o justo sossego com ofertas imperdíveis. Aliás, já que tocamos em oferta, quem não se estressa com as propagandas de certas lojas na TV, em que até a fala é “gritada”, e parece que os anunciantes estão se “esganiçando”, como dizemos no sul?

Tal fato não é produto do acaso. Vivemos em uma sociedade que tem por base ideológica o esquecimento do pensamento e o desprezo da própria consciência. “É proibido proibir”, diziam em 1968, e isso forjou toda uma geração. Desejando tolher aquela que mais proibiria – a consciência –, as pessoas passaram a refugiar-se no barulho. O grito é o modo mais eficaz de inibir a auto-reflexão, de impedir que a voz da consciência nos diga o que fazer o que não fazer. Gritando, submetendo-me ao barulho diuturno, vivendo em um ritmo frenético entre trabalho e lazer agitado e, quando estou em casa, com a novela ou o filme ou o jornal sempre ligados, calo a consciência. Impeço-a de me proibir, de me pautar, de me fornecer os dados necessários de uma moral objetiva para meu comportamento. Se a consciência e a moralidade tentam falar comigo, enclausuro-me no barulho para que não ouça sua voz. A suavidade da voz da consciência é nublada pela ensurdecedora algazarra moderna. Como C.S. Lewis, autor das Crônicas de Nárnia, fazia soar pela boca do diabo-tio ao diabo-sobrinho, em forma de “conselho”: quando alguém está perto de pensar em Deus, distrai-o com qualquer coisa… E o barulho faz isso!

É muito sintomático. Nossa sociedade, ao abandonar seus valores mais profundos de cristianismo e moral, está doente. E o remédio, que é o silêncio, é escondido justamente para que de nossos males não nos curemos. Um triste “dilema Tostines”: estamos eticamente doentes porque gritamos e não queremos a quietude, ou gritamos e não queremos a quietude porque estamos eticamente doentes?

O que me deixa assustado é perceber que mesmo aqueles locais em que se poderia encontrar uma esperança parecem aderir aos costumes do tempo. Quantas e quantas igrejas são abertas, em cada esquina, que, a pretexto de louvar a Deus, despejam toneladas de decibéis em nossos ouvidos, como se Cristo fosse surdo para ouvir os clamores dos que se lhe pretendem fiéis!

E até mesmo nas igrejas católicas do Brasil, nem sempre encontramos a paz exterior que tanto conduz à paz interior. Contrariando a tradição da Igreja e as próprias determinações do Papa, o que é mais tristemente comum em nossas liturgias é o terrível espalhar de “bateção de palmas”, de gritos aleluiáticos, de sermões aos berros! O coro gregoriano, a melodiosa polifonia, e mesmo os cantos populares mais sóbrios e tradicionais, foram substituídos, mesmo que em flagrante desobediência às normas litúrgicas que nos chegam de Roma, por bandas de pop-rock, com suas guitarras, baterias e violões estridentes, com seus microfones altíssimos, com suas músicas agitadas e que fazem o povo pular, não rezar. Letra religiosa não é sinônimo de profundidade espiritual nem de calmaria. Sem falar dos “vamos saudar a Cristo com uma salva de palmas”, tornando a adoração a Deus, que deveria ser, conforme o Evangelho, em espírito e em verdade, em uma festa mundana, com critérios profanos. A falsa alegria, outrossim, substitui a piedosa e lenta recitação do terço, o diálogo alegre e superficial toma o lugar do confessionário, a oração gritante e acompanhada de palmas e bateria ocupa o que antes eram as horas tranqüilas em frente ao sacrário. É Adélia Prado, a grande poetisa brasileira, que fala que precisa sair da igreja para rezar?

Ensina D. Antônio Vitalino, Bispo português, que

“a atitude de escuta e o silêncio (…) fazem parte da oração autêntica” e que “vivemos num tempo de barulho, de palavreado, de demagogia, de processos infindáveis, em que os sofismas das palavras procuram escamotear e ocultar os fatos, criando realidades virtuais contra as vítimas reais”.

Sirva esta Quaresma para buscar o silêncio. Mas, como, se em nossos templos nem sempre a ajuda necessária está à disposição?

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Diversos grupos e soluções diante da crise litúrgica http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/12/09/diversos-grupos-e-solucoes-diante-da-crise-liturgica/ http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/12/09/diversos-grupos-e-solucoes-diante-da-crise-liturgica/#comments Wed, 09 Dec 2009 12:18:21 +0000 Rafael Vitola Brodbeck http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/12/09/diversos-grupos-e-solucoes-diante-da-crise-liturgica/ Diante da atual crise litúrgica, com aberrações gritantes, falsas concepções acerca da liturgia católica, bagunças nas Missas, debates quanto a mutilações e acréscimos feitos pela própria autoridade eclesiástica no texto do rito, levantam-se inúmeras propostas quanto ao que fazer. As sugestões, tendências teológicas, inclinações canônicas, e preferências pessoais (baseadas ou não na realidade dos fatos), são muitas. Podem, todavia, ser agrupadas, nesse quesito, em cinco grupos:

1. Os tradicionalistas

Segundo este grupo, a solução seria simplesmente retornar à última versão do Missale Romanum codificado por São Pio V, i.e., ao texto previsto em 1962, antes da reforma litúrgica de Paulo VI. Percebem os defensores de tal tese que os missais de 1962 e de 1970, embora conservem uma essência comum, são distintos por vários acréscimos feitos, bem como mutilações e adaptações, tanto no Ordinário quanto no Próprio. A linguagem, dizem, também teria mudado. Mais ainda: o modo como foi feita a reforma do Missale Romanum, em 1970, não teria respeitado o princípio do desenvolvimento harmônico, e, portanto, tratar-se-ia mais de um rito fabricado do que uma continuidade do rito romano clássico.

Parcela dos defensores dessa tese admitem que, enquanto não se chega à situação ideal de generalizar a prática da hoje chamada forma extraordinária a ponto de se tornar o rito normativo, possa-se tolerar o rito novo.

2. Os reformistas

São os que percebem que o rito novo possui várias lacunas, como, por exemplo, a exclusão das Orações ao Pé do Altar e do Último Evangelho, de certos paramentos como o manípulo ou o pluvial no Asperges antes da Missa Dominical, a simplificação por demais radical do Ofertório, a eliminação do lecionário de São Jerônimo, a mudança brusca no calendário e em certas orações do Próprio etc. Sabem também que o desenvolvimento harmônico não foi observado em sua confecção.

Todavia, vários pontos positivos existem no rito novo, segundo este grupo: a possibilidade de se usar canto gregoriano e incenso em todas as Missas e não só nas cantadas e solenes (embora, ironicamente, na prática, se tenha excluído de nossas paróquias tanto um quanto outro), a cessação da artificial duplicação de certas cerimônias, o Ite Missa Est depois da Bênção Final, as Orações dos Fiéis, a Procissão do Ofertório, o Salmo Responsorial como opção ao Gradual, o aumento de leituras bíblicas, o Próprio para os dias de semana do Advento e mesmo novas leituras nas férias do Tempo Comum, a simplificação na gradação das festas, a valorização do Domingo etc.

Alguns sentem falta também de rubricas mais precisas e duras, que eliminem qualquer possibilidade de dupla interpretação, para que não se as possa invocar para celebrar uma liturgia de qualquer modo. A exclusão prática do latim e a popularização do “versus populum” também são pontos negativos levantados pelos reformistas.

O que propõem com base em suas teses? A chamada “reforma da reforma”. Manter os pontos positivos da reforma de Paulo VI em seu Missale Romanum de 1970, mas incorporar aqueles elementos que não se deveriam ter perdido e que se encontravam no de 1962. E que isso seja feito de modo harmônico. Primeiramente, é preciso que o rito anterior tenha ampla liberdade e divulgação, e que os padres que celebram no novo se deixem influenciar pela mente do antigo, pelos costumes, pela piedade, pelo silêncio, e tais valores sejam transportados para o novo. Depois, que se obrigue a celebrar, mesmo no novo rito, “de costas”, “versus Deum”, e ao menos certos trechos em latim. Alguns clamam que uma Missa de Domingo seja em latim, no mínimo. Terceiro, que opções sejam dadas, pelo Papa, para incorporar, aos poucos algumas cerimônias que não se deveriam ter mudado por ocasião da reforma. O resultado será que o rito antigo será a base para um rito romano unificado e que tenha os pontos positivos do novo. Em um modo de falar, teríamos o desenvolvimento harmônico do rito antigo. Por outro ponto de vista, teríamos o novo indo beber no antigo.

Enquanto a “reforma da reforma” não é feita (ao menos não como implementação de um novo código de rubricas), dedicam-se a promover, num grau maior ou menor: a) a maior disseminação possível da forma extraordinária (rito romano antigo); b) a celebração da forma ordinária (rito romano moderno) em estrita obediência às rubricas atuais, com toda a solenidade possível (belos paramentos, cantos gregorianos, polifonia sacra, música popular mais sóbria e tradicional, diáconos, incenso, Missas pontificais com o Bispo de dalmática por baixo da casula e todo o cerimonial); c) a popularização do latim e do “versus Deum” mesmo nas Missas da forma ordinária, inclusive com eventuais Missas totalmente em latim.

3. Os idealistas

Para esses, o rito novo, de Paulo VI, não precisa de reforma alguma. Está perfeito. Tudo aquilo que tradicionalistas e reformistas enxergam como mutilações ou indevidas adaptações, foi bem feito. Nada de “Orações ao Pé do Altar” ou de “Último Evangelho” mesmo. Advogam um rito romano “puro”, medieval, desfeito de tudo o que consideram “estilo barroco” ou intromissão espúria do rito galicano. Alguns são fortemente influenciados pela heresia do arqueologismo, condenada por Pio XII, embora nem todos a ela prestem adesão.

Uns poucos, mais radicais, defendem o “versus populum” como a melhor das posições, e não admitem o latim em hipótese alguma nas Missas ordinárias. A maioria, entretanto, quer esse rito “puro”, mas com boas doses de latim, de gregoriano, de incenso, e “versus Deum”.

4. Os ultramontanos radicais

Para eles, o que o Papa decretar está correto, e não se preocupam com a profundidade da discussão. Não tanto por desinteresse ou por não serem experts na questão, mas por uma visão um tanto simplória e legalista das coisas. O Papa proibiu o rito antigo? Ótimo! O Papa liberou? Ótimo! O Papa reformou a liturgia? Ótimo! Não reformou? Ótimo!

É uma distorção da virtude da obediência e do princípio de andar no passo da Igreja.

5. Os revolucionários

Para eles, a crise litúrgica não é verdadeira crise. O problema é justamente a insistência dos conservadores (tradicionalistas, reformistas, idealistas e ultramontanos radicais).

Nesse grupo estão os liberais, os modernistas, os que acham que mesmo o Missale Romanum de 1970 fez pouco, e o tem apenas como um guia. Vão sempre além: aposentam a casula, ignoram o latim e o canto gregoriano, advogam o folk-pop e o rock romântico açucarado na Missa, sequer cogitam celebrar com incenso, consideram uma piada de mau gosto o “versus Deum”, colocam aqui e acolá elementos não previstos (cartazes na procissão de entrada, uma árvore no altar quando o Evangelho fala da videira e dos ramos, aplausos ritmados acompanhando as músicas), colocam leigos para fazer funções sacerdotais, rompem completamente com a tradição litúrgica, defendem a “Missa afro”, a “Missa crioula”, a “Missa funk”.

Claro que nem todos defendem todos esses bizarros elementos. Sua mentalidade é tão liberal que se dão ao luxo de escolher, entre os acima listados e outros mais (pois distorcem a sadia criatividade e mesmo o princípio da “actuosa participatio”), os elementos que vão adotar ou que acham corretos.

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Pessoalmente, estou no grupo 2, dos reformistas. E tu?

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O erro racionalista e a reforma litúrgica http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/12/07/o-erro-racionalista-e-a-reforma-liturgica/ http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/12/07/o-erro-racionalista-e-a-reforma-liturgica/#comments Mon, 07 Dec 2009 20:17:43 +0000 Rafael Vitola Brodbeck http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/12/07/o-erro-racionalista-e-a-reforma-liturgica/ Quando se fala em algumas impropriedades da forma moderna do rito romano, é comum levantar-se o argumento de que não se observou o princípio do desenvolvimento harmônico da liturgia, ou o de que, em nome de uma suposta pureza do rito, a partir de um erro denominado “arqueologismo”, eliminou-se uma série de acréscimos (legítimos!) de origem galicana ou mesmo oriundos da piedade individual. Tudo isso está absolutamente certo, é verdade, mas creio que um outro viés deveria ser mais trabalhado: o de que alguns aspectos da reforma litúrgica levada a cabo por Mons. Anibale Bugnini, e sua implantação prática nas paróquias, foram influenciados pelo racionalismo.

O sacerdote australiano Pe. John Parsons, vivamente empenhado na chamada “reforma da reforma”, explica, em um apêndice da grande obra do Pe. Thomas M. Kocik sobre o tema, o quanto o racionalismo está na gênese da ânsia por uma Missa “ideal”. De fato, o idealismo das formas “puras” corresponde à mesma matriz ideológica do racionalismo, do Iluminismo, que rechaça a tradição por vê-la envolvida no que entende ser um repositório de superstições.

Ademais, certas simplificações feitas por Bugnini não estavam na linha da eliminação de duplicidades superficiais pedida pelo Concílio, mas obedeciam a uma agenda que não conseguia entender o valor dos símbolos, dos sinais. Se o homo modernus não entende os símbolos profundos da liturgia romana tradicional, eles devem ser retirados: eis o mote que acompanhou boa parte dos executores da reforma. Ora, isso é uma sandice. Então, em um país de esmagadora maioria de analfabetos, iríamos eliminar as letras, os sinais de pontuação, a gramática? Se a resposta ao analfabetismo é a alfabetização, a resposta a um século que não lê os símbolos é ensinar-lhes o seu significado, não propor seu banimento!

O homem advindo do racionalismo não entende os símbolos, não é capaz de aprofundar no belo, vê o fausto e o esplendor como farisaísmo estéril ou triunfalismo e, diante desse quadro, certos membros do Concilium de Bugnini, propuseram o aniquilamento de tudo aquilo que a modernidade não entenderia. Daí, a exclusão dos altares laterais, a falta de ênfase no dogma da transubstanciação, a eliminação de certos sinais que davam o claro caráter sacrifical da Missa, a mentalidade de que a liturgia bem feita excluiria a devoção popular, a obrigatoriedade prática de celebrar versus populum, o impedimento de recitar o Cânon em vox submissa, a verdadeira cruzada contra o latim etc.

Com efeito, embora muitos desses pontos não estejam presentes no código de rubricas do Missale Romanum de 1970, estavam no ethos dos que implementaram a reforma. O racionalismo é a origem de muitas daquelas posturas já identificadas com o arqueologismo litúrgico.

Para o racionalismo, disseminado mesmo entre católicos a partir do jansenismo do século XVIII – e o herético Sínodo de Pistóia, com suas proposições litúrgicas condenadas, está aí para provar –, a multiplicação de altares laterais era produto do sentimentalismo, as Missas votivas eram uma forma de superstição, o Cânon em silêncio um obscurantismo, o padre a celebrar versus Deum estaria “de costas para o povo” – eis aqui também uma distorção dos valores democráticos. Tudo isso deveria ser reprimido.

Finalmente, após a primeira e a segunda fases do movimento litúrgico de Dom Guéranger, OSB, que muito contribuíram para uma vivência mais apurada, entre os fiéis, do dom de nossa liturgia romana, os racionalistas, imbuídos desses conceitos amalgamados com um estilo peculiar de catolicismo, e alimentados pelo arqueologismo, propuseram sua revolução. Foi a terceira fase do movimento litúrgico que, ao lado de excelentes contribuições, que nos deram os valiosos pontos positivos da reforma de Paulo VI (como um maior ciclo de leituras bíblicas no lecionário, a possibilidade de se usar canto gregoriano e incenso mesmo em Missas rezadas, um tesouro de hinos, antífonas, coletas e prefácios pré-tridentinos e que não constavam do Missal compilado por São Pio V, a procissão do ofertório, um mais amplo uso do vernáculo, a ênfase no gregoriano como canto oficial do rito romano, a restauração das preces dos fiéis, a recolocação do Ite Missa est para depois da bênção, a homilia ou sermão como cerimônia integrante da liturgia e não uma interrupção da Missa, a simplificação na gradação de festividades, a mudança mesmo em Missas simples e rezadas, como ensina o Mons. Peter Elliott, de um tablado restrito no qual ficava o padre para um espaço aberto de celebração no presbitério, etc), trouxe enormes desvantagens ao culto católico. Esses racionalistas e arqueologistas se aproveitaram das diretivas do Concílio Vaticano II e da depressão de Paulo VI, ocasionada por sua quebra de autoridade diante de um episcopado rebelde que não aceitou sua reafirmação da ortodoxia em matéria de moral sexual, e da sua confiança nos oficiais do comitê para a reforma litúrgica, para colocar o cavalo de Tróia dentro dos muros da Igreja.

Não fosse o corajoso basta de Paulo VI, impedindo uma revolução ainda maior na liturgia, e desautorizando mudanças mais radicais que Bugnini – que foi mandado por Paulo VI para o Irã, em um ato que foi interpretado por cardeais mais ortodoxos como uma punição – e seus sequazes tentavam fazer passar, estaríamos hoje diante de um seco, frio e absolutamente racionalista culto católico.

A reforma teve elementos racionalistas, mas graças a Deus e ao Papa Paulo VI – e depois às correções de João Paulo II –, não tantos quanto os modernistas queriam. Todavia, se na própria reforma litúrgica, o radicalismo dos racionalistas foi barrado, na sua implementação em nossas paróquias, a crise atingiu proporções apocalípticas.

A frieza racionalista caiu como uma bomba no dia-a-dia dos fiéis católicos: de uma hora para outra, houve padres que até mesmo retiraram não só os altares laterais como removeram todas ou quase todas as imagens dos santos das igrejas; o órgão foi banido e trocado pelos violões da música romântica e folk; as piedosas letras dos cantos gregorianos, das polifonias sacras de forte inspiração bíblica, e dos cânticos populares mais tradicionais foram substituídas por outras de gosto duvidoso; o celebrante deu as caras para o povo como se fosse um animador de auditório – e, de fato, poucos são os padres que conseguem manter a concentração e a piedade versus populum. Com o tempo, a casula foi abandonada, à revelia das normas que obrigavam ao seu uso, os paramentos adquiriram uma simplicidade que beirava ao simplório e sem aquela nota de sacralidade e distinção próprias de nossa visão católica das coisas.

Claro que essas coisas todas na implementação da reforma não estavam por esta prevista. Em nenhum momento, mandou a Igreja que se aposentasse o canto gregoriano, a casula, as seis velas nas Missas solenes, o latim… Ocorre que o racionalismo não estava presente somente nas novas normas, mas em toda uma mentalidade que, ignorando as sadias normas que procuravam manter um mínimo de nossa tradição litúrgica romana, radicalizava a reforma. Não contentes com as rubricas, que já não estavam recheadas de arqueologismo e simplificações em demasia, os revolucionários fizeram, em cada paróquia, a sua própria reforma.

Se o novo rito tinha alguns defeitos, o modo como muitos o colocaram em prática foi ainda pior. Não se nega que há problemas na reforma litúrgica, porém o que temos em nossas igrejas não é culpa da reforma e nem mesmo pode ser chamado de Novus Ordo, de Missa nova: é uma sua distorção.

É bem possível celebrar a Missa do rito novo com toda a sobriedade e sacralidade, com canto gregoriano, incenso, versus Deum, toda ela em latim etc, atestando a continuidade do Missale de Paulo VI com o rito romano clássico. Sem embargo, não se pode negar a presença, como atestado, da mentalidade racionalista, ainda que ela esteja muito mais na criminosa implementação que alguns padres e Bispos puseram em marcha contra as orientações dos Papas e as normas de Roma.

Uma eventual e necessária “reforma da reforma”, que coloque como ponto de partida a co-existência dos dois ritos, o novo e o antigo, o moderno e o tradicional, e propugne, em harmônico desenvolvimento, por um acréscimo dos elementos positivos do Missal de Paulo VI ao Missal clássico de São Pio V, em uma unificação da liturgia romana, não poderá desconsiderar também a rejeição da ideologia por trás dos pontos negativos do novo Ordinário. E nessa ideologia, não poucos pontos da filosofia racionalista estão presentes.

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A Primeira e Última Eucaristia? http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/11/22/a-primeira-e-ultima-eucaristia/ http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/11/22/a-primeira-e-ultima-eucaristia/#comments Sun, 22 Nov 2009 14:28:27 +0000 Pedro Ravazzano http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/11/22/a-primeira-e-ultima-eucaristia/ Hoje, pela manhã, fui à Santa Missa, solenidade de Cristo Rei. Uma data tão importante para a Igreja deve ser celebrada com toda a solenidade – no duplo sentido, normas e estética. Agora pensem, meu caros, que nessa Celebração também se realizou a Primeira Comunhão de algumas crianças. Se a festa já era boa, agora ficou melhor! Deus se alegra com os pequeninos que comungam do Seu Corpo e Sangue pela primeira vez. Cristo Rei estava lá para acolhê-los nessa data tão festiva.

Entretanto, o que deveria ser uma festa bonita, sagrada, envolta num espírito de contemplação e mística, parecia uma feira! Claro que as Missas são válidas, mas não podemos negar que os efeitos de uma liturgia bem e mal celebrada diferem, e muito. Que tais Sacerdotes não queiram seguir as normas, as rubricas, que queiram romper com a Tradição, até entende-se, afinal são modernos (+ istas), acompanham os tempos (sic!), dizem. Mas até mesmo o bom gosto estético não passa ileso pelo crivo do oba-oba? Qualquer pessoa sensata que estava naquela Missa, com fotógrafos participando da procissão de entrada, momentos da Celebração dedicados às fotos, confusão e desorganização, percebia a desordem.

Se ninguém sabe que a Missa é a Renovação do Sacrífico, é porque tais Celebrações dizem o contrário. Enxergar a realidade sacrificial numa Santa Missa dessa é absolutamente impossível. Pena das crianças que foram usadas como pretextos para a transformação e corrupção do correto decoro litúrgico.

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Escândalo: Diretório Litúrgico francês exclui santos padroeiros e inclui novos festas judaicas, muçulmanas e protestantes http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/11/17/escandalo-diretorio-liturgico-frances-exclui-santos-padroeiros-e-inclui-novos-festas-judaicas-muculmanas-e-protestantes/ http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/11/17/escandalo-diretorio-liturgico-frances-exclui-santos-padroeiros-e-inclui-novos-festas-judaicas-muculmanas-e-protestantes/#comments Tue, 17 Nov 2009 18:08:27 +0000 Rafael Vitola Brodbeck http://blog.veritatis.com.br/?p=1515 Não pude deixar de “furtar” do sempre pertinente Pe. Clécio:

Dom Robert Le Gall, Arcebispo de Toulouse (não deve ser confundido com seu colega Patrick Le Gal) é presidente da Comissão Episcopal para Liturgia. Uma entidade cujo nome tão somente deveria gelar a espinha de todo bom católico.

Nesta condição, lhe incumbe a honra de supervisionar e de dar o imprimatur ao Missal dominical para a França, com o elenco das festas fixas e móveis [o correspondente ao Diretório Litúrgico publicado pela CNBB, n.d.t].

A primeira surpresa na edição do próximo ano, informa-nos Periepiscopus retomando um artigo de J. Madiran, é a supressão, ou seja, o desaparecimento silencioso dos santos padroeiros da França (a título de informação: N. S. da Assunção, Santa Joana D’Arc e Santa Teresinha do Menino Jesus). Um pouco como se entre nós o Missal se esquecesse que São Francisco de Assis seja o Padroeiro da Itália [como se N. S. Aparecida fosse excluída dos calendários litúrgicos no Brasil, n.d.t].

Mas o que é fabuloso é a inserção no Missal de uma lista, tão exótica quanto incongruente, de novas festas e comemorações, chamemo-las assim. As sitações que seguem foram traduzidas fielmente do texto original deste “Missal” (podemos ainda chamá-lo assim?). Julgai vós mesmos:

29 de novembro de 2009: “Na comunidade muçulmana, Aid al Kabir, festa do sacrifício do carneiro que Abraão imolou no lugar de seu filho”.

12 a 19 de novembro: “Festa judaica de Hanucá que comemora a vitória dos Macabeus e a nova dedicação do altar do templo de Jerusalém depois de sua profanação no ano 160 antes de nossa era”.

18 de dezembro: “Festa de ano-novo para a comunidade muçulmana”.

27 de fevereiro de 2010: “Festa judaica de Purim em que a comunidade faz memória do jejum de Ester, quando o povo foi libertado do projeto de extermínio dos hebreus no exílio na Pérsia”.

Página 192: “Faz catorze séculos, em 610, Maomé, então simples mercador começou a pregar a fim de reconduzir o povo de Meca à religião do único Deus e ensiná-los a submissão à vontade divina”.

21 de março: “Coleta para a CCFD” [o bastante politizado Comitê Católico contra a Fome e para o Desenvolvimento].

19 de maio: “Festa judaica de Shavuot, festa das colheitas e do dom da Lei”.

12 de agosto: “começa para os muçulmanos o mês de jejum do Ramadã”.

18 de setembro: “a comunidade judaica celebra o grande perdão, Yom Kippur, o dia mais solene do ano consagrado à expiação dos pecados”.

23 de setembro a 1º de outubro: “na comunidade judaica, festa de Sucot ou dos Tabernáculos que comemora a estada no deserto durante o Êxodo”.

Último domingo de outubro: “Festa da Reforma” [reforma protestante, naturellement].

E então nos espantamos se, na França, o catolicismo esteja se extinguindo nos últimos anos?

Fonte: Messa in Latino

Tradução: OBLATVS

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Entrevista sobre liturgia (rito tradicional, reforma da reforma, Vaticano II etc) com o Prof. Mauro Gagliardi, do Ateneu Regina Apostolorum, dos Legionários de Cristo http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/10/22/entrevista-sobre-liturgia-com-o-prof-mauro-gagliardi-do-ateneu-regina-apostolorum-dos-legionarios-de-cristo/ http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/10/22/entrevista-sobre-liturgia-com-o-prof-mauro-gagliardi-do-ateneu-regina-apostolorum-dos-legionarios-de-cristo/#comments Fri, 23 Oct 2009 02:26:45 +0000 Rafael Vitola Brodbeck http://blog.veritatis.com.br/?p=1427

Liturgia, fonte de vida

Uma perspectiva teológica para a práxis litúrgica

Por Antonio Gaspari
ROMA, quinta-feira, 22 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Acaba de chegar às livrarias italianas o livro de Mauro Gagliardi, Liturgia fonte di vita – Prospettive teologiche (Fede & Cultura).

Trata-se de um livro que tem o mérito de propor uma visão da liturgia principalmente em uma perspectiva teológica e que procura responder às perguntas sobre o fundamento da liturgia, indicando uma práxis celebrativa mais em consonância com os sagrados mistérios.

No prólogo do livro, Dom Mauro Piacenza, secretário da Congregação para o Clero, escreve que o autor “oferece uma aproximação teológica da liturgia consistente e ao mesmo tempo acessível”, também porque “o Concílio Vaticano II recorda que a aproximação da liturgia é, antes de mais nada, de cunho teológico”.

O arcebispo secretário da Congregação para o Clero indica que, “entre os principais elementos que qualificam o sacerdócio, está, sem sombra de dúvida, o serviço litúrgico e, de forma muito especial, o ministério do altar” e, por isso, “compreender teológica e espiritualmente o sentido da liturgia significa compreender verdadeiramente o próprio sacerdócio”.

“É nossa vocação – conclui Dom Piacenza – que o presente livro possa realmente contribuir para esta necessária descoberta do fato de que o sacerdote é, antes de mais nada, um homem escolhido pelo Senhor para estar diante d’Ele e servi-lo.”

Mauro Gagliardi, nascido em 1975, foi ordenado presbítero em 1999, na arquidiocese de Salerno. Doutor em Teologia (Gregoriana, Roma, 2002) e em Filosofia (L’Orientale, Nápoles, 2008), desde 2007 é professor na Faculdade de Teologia do Ateneu Pontifício Regina Apostolorum de Roma.

Desde 2008, é consultor do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice. Publicou vários livros, artigos e contribuições a miscelâneas, tanto na Itália como fora dela. Sobre a relação entre teologia e liturgia, ele concedeu esta entrevista a Zenit.

-Por que um professor de teologia como você decidiu escrever um livro sobre liturgia?

-Gagliardi: Eu diria que há vários motivos, alguns dos quais são circunstâncias e outros tocam mais o objeto de estudo teológico. Nos últimos anos, eu me dediquei, por uma série de acontecimentos ocasionais, a aprofundar no estudo na liturgia. No começo, meus estudos estavam dirigidos quase exclusivamente à teologia dogmática, que é meu principal campo de especialização e de ensino. Um dia, durante meu último ano de doutorado em teologia, caíram em minhas mãos alguns livros que me encheram de curiosidade: apresentavam o tema da liturgia de uma forma distinta daquela com que eu estava acostumado. Sua leitura foi apaixonante e, a seguir, a de outros análogos. Comecei, assim, a formar uma cultura litúrgica.

Resumindo, estas obras constituíam uma aproximação da liturgia não somente do ponto de vista histórico – que, no entanto, não se descuidava – mas também do teológico. O que eu nunca havia conhecido bem era uma teologia da liturgia e, quando esta saiu ao meu encontro, eu a acolhi com alegria, quase de forma natural.

Depois li e reli o excepcional livro do cardeal Ratzinger, Introdução ao espírito da liturgia, e outros ensaios seus em matéria litúrgica. Acho que li todos, várias vezes. Em 2007, publiquei um livro sobre a Eucaristia (Introduzione al Mistero eucaristico. Dottrina – Liturgia – Devozione), no qual desenvolvi tanto o aspecto dogmático como o litúrgico e o espiritual do grande Sacramento do Altar.

De fato, minha aproximação continuava sendo teológico-dogmática, mas agora, graças aos novos estudos, eu podia ver melhor o vínculo fecundo entre doutrina, liturgia e devoção. Por outro lado, o livro saiu quase ao mesmo tempo que a exortação apostólica Sacramentum Caritatis, que trata sobre a Eucaristia, precisamente desenvolvendo estas três dimensões. Isso foi, para mim, uma confirmação autorizadíssima do estudo que havia feito para escrever o livro.

Em 2008, fui nomeado consultor do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice. Também por este motivo, meu estudo no âmbito litúrgico continua e se aprofunda, ainda que tenha de dividir-se na prática com a pesquisa no âmbito dogmático, que obviamente devo continuar.

Expondo estas circunstâncias, penso ter explicado também por que um dogmático se interessou pela liturgia: acontecimentos concretos me levaram a isso, mas estes acontecimentos não faziam outra coisa que estimular em mim o interesse por aspectos ainda não desenvolvidos e que estão conectados com o próprio dogma.

No caso específico do meu último livro, a ocasião me foi proporcionada por um convite a dar um seminário monográfico intensivo, dentro do curso internacional para os formadores de seminários, uma importante iniciativa organizada há 20 anos pelo instituto Sacerdos, todos os anos, em Leggiuno, província de Varese (Itália). O curso oferece a reitores, professores, pais espirituais e formadores dos seminários do mundo inteiro um programa amplo e muito bem estruturado de formação e de atualização, sobre os temas relacionados à formação dos futuros sacerdotes.

Em julho de 2008, falei sobre a liturgia durante 3 dias a esses irmãos sacerdotes, procedentes dos cinco continentes, e também a um bispo oriental que participava do curso; e percebi o seu grande interesse pelo corte teológico que dava à minha exposição. Os dados bíblicos, históricos e filológicos certamente contam e eu tentava que não faltassem, junto às análises de casos concretos, mas o interesse era suscitado sobretudo pela compreensão teológica da liturgia. Após esta experiência positiva, decidi organizar minhas anotações e o livro nasceu.

-Em um mundo que parece cada vez mais secularizado, por que um livro sobre a liturgia?

-Gagliardi: Eu diria que é o contrário, que precisamente porque frequentemente o mundo moderno – pelo menos o mundo ocidental – parece cada vez mais afastado da fé e da religião, é necessário recordar alguns pontos firmes e, entre eles, certamente está o culto divino, a sagrada liturgia.

Às vezes, acredita-se que, diante dos desafios da “cidade secular”, também o cristianismo, se quiser ser aceito, deve se secularizar. Não posso aqui, obviamente, entrar em detalhes sobre um tema tão amplo. Mas para a liturgia vale um discurso semelhante.

Parece que, em muitos casos, existiu uma tendência a secularizar a liturgia, quase “desmistificá-la”, torná-la menos divina e mais humana, de forma que as pessoas pudessem reconhecer-se mais nela, de acordo com a mentalidade e a cultura típicas da nossa época. Está claro que a liturgia se forma e muda, através dos séculos, também com base na influência das culturas. É necessário, no entanto, verificar prudentemente quando se trata de mudanças homogêneas com a tradição e, portanto, positivas, falando em geral, e quando isso não acontece.

Também neste caso, é impossível entrar aqui em detalhes, mas à sua pergunta eu respondo que, precisamente em um mundo que parece com frequência afastado de Deus, é necessária ainda mais uma liturgia verdadeiramente divina e sagrada.

Não é correto dizer – como se fez frequentemente – que hoje os problemas da Igreja seriam outros. O culto que devemos dar publicamente a Deus, e a forma correta de fazer este culto, são de capital importância para o homem de toda época, sejam quais forem os problemas que ele tiver de enfrentar. E mais ainda, pensando bem, é difícil encontrar um problema que seja mais importante para o homem que sua relação com Deus, na qual a liturgia sagrada é o momento culminante.

-Quais são os temas relevantes tratados no livro? O que você pretende comunicar aos leitores? Que objetivos quer alcançar?

-Gagliardi: Começo pela última pergunta e respondo simplesmente que o que me proponho, quando estudo, leciono ou escrevo, é a busca pessoal da verdade e sua consequente difusão. Por isso, nunca me proponho idear algo novo, algo que ninguém soube ou disse antes. Tento dizer de forma clara e, na medida do possível, de forma nova, o que a Igreja sempre soube e continua incessantemente ensinando e aprofundando no desenvolvimento de sua vida.

Com relação aos temas do meu livro, tratei, no relativo aos temas fundamentais e gerais, do conceito de liturgia, do papel do sacerdote ministro e dos fiéis na celebração, da forma como a liturgia é para nós fonte de vida, isto é, manancial de graça, da santificação litúrgica do tempo e do espaço, da dinâmica teológica da Eucaristia, da beleza litúrgica, assim como da relação entre liturgia e ética e liturgia e devoção, concluindo sobre a formação litúrgica. Além disso, propus um capítulo com uma breve história da reforma litúrgica a partir do Concílio de Trento até nossos dias. No livro, encontram-se também diversos temas específicos e concretos, como a orientação da oração litúrgica, a língua a ser usada na celebração, a melhor postura para receber a Santa Comunhão etc.

-Ainda existe muita polêmica sobre o êxito da reforma litúrgica pós-conciliar. Você poderia nos ilustrar os termos do debate e qual é seu parecer ao respeito?

-Gagliardi: Sobre os termos da questão, dito muito resumidamente: após o Vaticano II, uma comissão dedicada a isso trabalhou para levar a cabo a reforma geral da liturgia, pedida pelo Concílio. Os resultados concretos desta reforma, segundo admitiram o então cardeal Ratzinger e outros muitos especialistas, não correspondem em todos os detalhes concretos ao texto da Sacrosanctum Concilium.

Aqui, as posturas divergem: uns falam de traição ao Concílio e, ainda mais, à Igreja e à sua imemorial tradição litúrgica, e desejariam uma anulação completa da reforma, à qual seguiria uma restauração da liturgia à situação de 1962, quando não antes.

Outros, pelo contrário, tendem quase a fazer uma canonização da reforma, da maneira como se levou a cabo e dos resultados, e se mostram às vezes inclusive agressivos quando alguém lança a hipótese, certamente não de anulá-la, mas somente de revisá-la e corrigi-la.

Ambas as posturas, a meu ver, estão equivocadas. E estas perspectivas nos impedem também de avaliar de forma correta algumas importantes decisões que o Santo Padre tomou. Contudo, existe uma terceira via, que é a correta, e que consiste em favorecer o desenvolvimento homogêneo da tradição litúrgica da Igreja.

-Segundo uma sondagem recente, 2 de cada 3 praticantes iriam à Missa tridentina pelo menos uma vez por mês se a tivessem em sua paróquia, mas parece que vários bispos e párocos não gostam muito deste rito. É verdade? O que você pensa disso?

-Gagliardi: Eu li sobre esta sondagem recente, levada a cabo por Doxa, uma conhecida sociedade que trabalha no setor. Os resultados deveriam, portanto, corresponder à situação real, na medida em que isso é possível em uma sondagem.

Desde a publicação do motu próprio Summorum Pontificum, há mais de dois aos, muitas vezes os jornais, revistas e sites mostram notícias de declarações e/ou decisões de membros do clero, que parecem ir em uma direção diversa da desejada pelo documento pontifício. Neste sentido, pode-se dizer que uma parte, que eu não saberia quantificar, de bispos e sacerdotes parece não estar entusiasmada com a ideia de ver uma nova difusão da celebração da Missa segundo o uso mais antigo. Os motivos desta postura podem variar e está claro que aqui não podemos fazer uma análise profunda.

Minha opinião é que, se o Santo Padre decidiu favorecer, através da sua decisão, os que desejam celebrar ou participar da forma mais antiga do rito romano, aqueles que não amam especialmente esta forma – e, portanto, não desejam valer-se pessoalmente da faculdade concedida – não deveriam colocar obstáculos à realização de uma normativa que, tendo emanado da Suprema Autoridade, tem valor para toda a Igreja. Certamente, pode haver casos particulares, em que os amantes do rito de São Pio V tenham pretensões excessivas.

Estes casos devem ser avaliados individualmente por parte dos bispos, que continuam sendo, em suas dioceses, os principais responsáveis pela vida litúrgica (e é preciso recordar que compete a tais bispos velar não somente por estes casos, mas também pela observância estrita das normas fixadas nos livros litúrgicos pós-conciliares). Parece-me, contudo, que os casos de excessos por parte dos que valorizam o rito mais antigo são menos frequentes que as declarações e ações para desanimar a celebração deste rito. Brevemente, eu diria que é essencial que ninguém anteponha sua autoridade particular ou sua visão pessoal às decisões do Santo Padre, que é o centro da unicidade visível da Igreja.

-Muitos fiéis lamentam um empobrecimento da atual práxis celebrativa. Que conselhos você daria para renovar e tornar mais bela e intensa a liturgia?

-Gagliardi: Há muitos conselhos, que exponho em meu livro e, portanto, para responder à sua pergunta, o melhor que posso fazer é recomendar sua leitura. Contudo, posso dizer ao menos que na base das muitas coisas que se pode fazer ou renovar – tanto no âmbito mais geral quanto no mais detalhado -, penso que existe uma verdade teológico-litúrgica em torno da qual gira todo o resto: o protagonista da sagrada liturgia não é o indivíduo nem a comunidade – estes, no entanto, têm um papel relevante -, mas o Deus trinitário e seu Cristo. Tudo está aqui.

Isso é verdadeiramente essencial. Cada gesto, cada disposição, cada atitude do corpo e do espírito, cada objeto utilizado na liturgia devem ser uma manifestação deste fato: não celebramos nós mesmos ou nossa comunidade. Nosso culto está dirigido a Deus Pai, através de Jesus Cristo, no Espírito Santo. Este culto em espírito e verdade nos santifica e nos abre à vida eterna.

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Bater ou não bater palmas na Missa fará diferença em nossa vida espiritual? http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/10/09/bater-ou-nao-bater-palmas-na-missa-fara-diferenca-em-nossa-vida-espiritual/ http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/10/09/bater-ou-nao-bater-palmas-na-missa-fara-diferenca-em-nossa-vida-espiritual/#comments Fri, 09 Oct 2009 14:37:29 +0000 Rafael Vitola Brodbeck http://blog.veritatis.com.br/?p=1387 Sim, fará. Lembram do ditado “lex orandi, lex credendi”? A lei da oração é a lei do que se crê?

Nossas atitudes na Missa refletem o que cremos a respeito dela, o conceito que da Missa temos. Assim, uma atitude pouco relacionada com o aspecto sacrifical da Santa Missa mostra que não temos assim tanta convicção de que seja realmente um sacrifício. Às vezes temos essa idéia de que é um sacrifício apenas no discurso, sem aprofundar realmente as conseqüências dessa fé.

“Eis o meio mais adequado para assistir com fruto a Santa Missa: consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes diante do altar como o faríeis diante do Trono de Deus, em companhia dos santos anjos. Vede, por conseguinte, que modéstia, que respeito, que recolhimento são necessários para receber o fruto e as graças que Deus costuma conceder àqueles que honram, com sua piedosa atitude, mistérios tão santos.” (São Leonardo de Porto Maurício. Tesouro Oculto)

Reflitam nas palavras de São Leonardo de Porto-Maurício, sobre o melhor modo de assistir a Missa: como se estivéssemos indo ao Calvário. Não fui eu quem disse!

Tudo, na Missa, deve se ordenar para o essencial. Nada deve fugir a isso, sob pena de esquecermos que a Missa é um sacrifício.

A melhor forma de transmitir a Fé Católica, a Tradição e, principalmente, aquilo que é a Santa Missa, ou seja, seu caráter sacrifical tanto esquecido pela desobediência do princípio descrito no parágrafo anterior, é a fiel observação de certas normas, expressas nos documentos eclesiais e nas rubricas dos livros litúrgicos. No rito romano, os livros por excelência, onde se encontram os formulários da Missa e o modo de oferecê-la, são o Missal Romano e o Pontifical Romano, ambos restaurados e reformulados após o Concílio Vaticano II, para

“exprimirem mais claramente as realidades sagradas que significam” (Constituição Apostólica de Sua Santidade, Paulo VI, “Missale Romanum”, de 3 de abril de 1969)

O uso adequado dos paramentos, o correto oferecimento da Missa, e a obediência irrestrita às rubricas não devem ser causa para que pensemos estarmos atrelados a uma forma fria de religiosidade. Pelo contrário, essa fidelidade, por apontar para o sacrifício, a ele se ligar, e por melhor demonstrar ao povo esse caráter da Santa Missa – eis a razão do seguimento de certas normas – dá a legítima idéia de submissão, piedade e unção, além daquilo que é mais substancial: protege a Missa de falsos conceitos daquilo que ela não é, e inculca na mente dos católicos e dos não-católicos aquilo que ela é – um verdadeiro e real sacrifício, o mesmo do Calvário, oferecido por Cristo para o perdão dos nossos pecados.

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Continua a campanha pelos missais em latim http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/09/25/continua-a-campanha-pelos-missais-em-latim/ http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/09/25/continua-a-campanha-pelos-missais-em-latim/#comments Fri, 25 Sep 2009 18:01:35 +0000 Rafael Vitola Brodbeck http://blog.veritatis.com.br/?p=1218 Para doar qualquer quantia, basta clicar no botão:

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Modernidade e senso do ridículo http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/09/21/modernidade-e-senso-do-ridiculo/ http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/09/21/modernidade-e-senso-do-ridiculo/#comments Mon, 21 Sep 2009 16:29:22 +0000 Rafael Vitola Brodbeck http://blog.veritatis.com.br/?p=1299 Li em vários lugares que algumas igrejas estão implantando, pretensamente por razões de segurança, um sistema de “velas eletrônicas”. Consistiria tal artifício em uma máquina, na qual o fiel depositaria uma moeda de determinado valor, fazendo o mecanismo “acender” uma “vela”. Não há fogo, não há chama, não há cera. A tal “vela” é um cilindro com luz elétrica na ponta.

Ora, isso é a prova cabal da total falta de senso do ridículo. Como católico, não posso deixar de me insurgir contra um descalabro de tal proporção.

Já não basta, à revelia das orientações da Santa Sé, aposentarem os órgãos e substituírem por bandas de rock, deixarem de lado as melodias gregorianas e polifônicas para inserirem letras teológica e espiritualmente pobres, de gosto estético duvidoso, quando não heréticas. Não basta, contrariamente ao que manda a Igreja, deixarem as batinas, as camisas clericais, as casulas, os incensos, a sacralidade na Missa, a tradição litúrgica. Não, isso não basta. É preciso inovar mais. Sem constante mutação, ignorando completamente o que o Papa Bento XVI chama de “hermenêutica da continuidade”, não pode haver a sonhada revolução que os modernistas, progressistas e “teólogos da libertação” de toda ordem implantam, no mínimo desde os anos 70 cá na Terra de Santa Cruz.

Ora, a vela “tradicional”, se é que podemos chamar assim – dado que só existe um tipo de vela, e a eletrônica não é e nunca vai ser uma vela – tem uma força simbólica impressionante. Não se trata de mero apego ao passado, arcaísmo, birra. O tema é mais profundo. A cera que derrete representa que nos consumimos diante do Senhor, que só podemos cumprir nossa missão quando nos esvaziamos, quando morremos para nós mesmos. A vela só ilumina se vai morrendo: assim é conosco, em analogia com a parábola do grão que é lançado à terra pelo semeador, morre e, de sua semente, sai o trigo. A vela só tem sentido quando vai lentamente se apagando, e, para que se apague, deve iluminar. Para que dê luz, deve, aos poucos, consumir-se, apagar-se, diminuir-se. Sentido absolutamente cristão.

Que coisa mais estranha uma “vela” que não se extingue! Representa, quiçá, uma vontade nada religiosa, quase atéia, de não morrer, de não se sacrificar por Deus e pelo próximo. É isso que indica a “vela eletrônica”.

Querem preservar o patrimônio histórico de uma igreja centenária? E o patrimônio espiritual da Igreja, com “i” maiúsculo, que é bimilenar? Adaptar a linguagem da pregação, atualizar-se nas mais modernas técnicas de gerenciamento de grupos, de administração paroquial, usar sistemas de vigilância, luzes elétricas, alto-falantes, internet, tudo isso é lícito. É saber discernir os sinais dos tempos. Mas, sacrificar a piedade?

Há outras formas de defender a paróquia de incêndios. O Vaticano e outras igrejas na Europa, tão ou mais antigas do que as nossas, não precisaram apelar para essa legítima dessacralização.

Quando a vela de verdade se apaga para dar lugar a esse esdrúxulo sistema, é como se a fé católica fosse morrendo no coração do povo. Pergunto-me se não é isso que querem seus inimigos, ainda que, infelizmente, ministros ordenados da Igreja Católica…

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