VS Blog - O seu canal de informação católica » Blumenau http://blog.veritatis.com.br VS Blog - O seu canal de informação católica Mon, 12 Apr 2010 19:04:39 +0000 http://wordpress.org/?v=2.8.4 en hourly 1 Avacalhação litúrgica em Blumenau http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/06/29/avacalhacao-liturgica-em-blumenau/ http://blog.veritatis.com.br/index.php/2009/06/29/avacalhacao-liturgica-em-blumenau/#comments Mon, 29 Jun 2009 18:28:33 +0000 Marcio Antonio Campos http://blog.veritatis.com.br/?p=628 Hoje, dia de São Pedro e São Paulo, conto aqui um episódio que revela no que se transforma quem não segue o que o Papa, sucessor de Pedro, diz, seja diretamente, seja por intermédio de seus subordinados na Cúria Romana.

Na noite do domingo retrasado, dia 21, fui com minha namorada à paróquia onde costumamos assistir missa quando estamos em Blumenau. Para nossa surpresa (não apenas nossa, aliás), estava tudo escuro e fechado. Dada a hora, só nos restou ir à catedral de Blumenau, que teria missa começando meia hora mais tarde. Fomos com o pé atrás, pois o pároco da catedral é o padre João Bachmann, que já conhecíamos de outros carnavais: em uma missa a que fomos em sua antiga paróquia, há alguns anos (era sétimo dia de um parente de um amigo da família de minha namorada), os abusos litúrgicos foram extremos, a ponto de, após a consagração, o padre João substituir praticamente todo o restante da Oração Eucarística por uma música de uma dupla sertaneja que estava lançando um CD.

Mas, antes do relato sobre a missa na catedral, vale a pena recordar algumas palavras do nosso saudoso Papa João Paulo II.

Por isso, sinto o dever de fazer um veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebração eucarística. Constituem uma expressão concreta da autêntica eclesialidade da Eucaristia; tal é o seu sentido mais profundo. A liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios. O apóstolo Paulo teve de dirigir palavras àsperas à comunidade de Corinto pelas falhas graves na sua celebração eucarística, que tinham dado origem a divisões (skísmata) e à formação de facções (’airéseis) (cf. 1 Cor 11, 17-34). Actualmente também deveria ser redescoberta e valorizada a obediência às normas litúrgicas como reflexo e testemunho da Igreja, una e universal, que se torna presente em cada celebração da Eucaristia. O sacerdote, que celebra fielmente a Missa segundo as normas litúrgicas, e a comunidade, que às mesmas adere, demonstram de modo silencioso mas expressivo o seu amor à Igreja. (Ecclesia de Eucharistia, 52; negritos meus)

O próprio Concílio Vaticano II, que tantos padres muderrrrninhos distorcem para justificar suas aberrações litúrgicas, já era bem claro a respeito do modo correto de celebrar a missa:

ninguém mais, mesmo que seja sacerdote, ouse, por sua iniciativa, acrescentar, suprimir ou mudar seja o que for em matéria litúrgica. (Sacrosanctum Concilium, 22, negritos meus)

Nossos temores foram confirmados logo no início da missa, com a bateção de palmas no canto de entrada. E logo veio aquele irritante “Em nome do paaaaaaaaaaai, em nome do fiiiiiiiiiiiilho…”, o que é claramente proibido. Aqui, o permitido é apenas fazer o sinal da cruz enquanto o padre canta “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, a que respondemos, cantando, o “amém”. Mas, para o padre João, não bastava errar cantando aquele “em nome do paaaaai” apenas uma vez; o sacerdote estendia o canto, pedindo várias repetições, apenas para mostrar seus dotes de animador de auditório com frases do tipo “agora, mais uma vez”, “estendendo os braços”… isso se verificou várias vezes ao longo da missa.

Para quem promove esse tipo de coisa, usar o “glória, glória, ao Pai criador, ao Filho redentor e ao Espírito, glória” é fichinha. Mas o que a Igreja diz a respeito?

O Glória é um antiquíssimo e venerável hino com que a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro. Não é permitido substituir o texto deste hino por outro. (Instrução Geral do Missal Romano, 53, negritos meus)

E assim seguiu a missa, entre cantoria (sempre com muitas palmas e as frases de incentivo do padre), inclusive com cantos fora dos momentos determinados: no meio da oração eucarística, após o memento dos mortos, o padre João puxa um “Com minha Mãe estarei”. É um hino lindo, mas não no meio da oração eucarística! Não podia faltar o Pai Nosso de mãos dadas e o pedido para que o povo rezasse, junto com o padre, algumas orações exclusivas do sacerdote. Aliás, o que é que a Igreja diz sobre isso?

Entre as partes da Missa que pertencem ao sacerdote, está em primeiro lugar a Oração eucarística, ponto culminante de toda a celebração. (…) O carácter “presidencial” destas intervenções exige que elas sejam proferidas em voz alta e clara e escutadas por todos com atenção. (Instrução Geral do Missal Romano, 30 e 32, negritos meus: ora, se devemos escutar o padre, é porque não podemos ficar rezando junto com ele)

E aí veio a hora da comunhão, com aquela horda de ministros extraordinários. Há incontáveis trechos de documentos da Igreja que regulam a participação desses leigos. Vamos citar aqui apenas alguns:

O ministro extraordinário da sagrada Comunhão poderá administrar a Comunhão somente na ausência do sacerdote ou diácono, quando o sacerdote está impedido por enfermidade, idade avançada, ou por outra verdadeira causa, ou quando é tão grande o número dos fiéis que se reúnem à Comunhão, que a celebração da Missa se prolongaria demasiado. (Redemptionis Sacramentum, 158)

Ah, mas tinha muita gente na igreja? Sim, tinha. Mas não o suficiente para que a comunhão demorasse demais se apenas o diácono e o padre João distribuíssem a Eucaristia. Vejam o que diz outro documento:

Para não gerar confusão, devem-se evitar e remover algumas práticas que há algum tempo foram introduzidas em algumas Igrejas particulares, como por exemplo:
— o comungar pelas próprias mãos, como se fossem concelebrantes;
(…)
o uso habitual de ministros extraordinários nas Santas Missas, estendendo arbitrariamente o conceito de “numerosa participação”. (Instrução acerca de algumas questões sobre a colaboração dos fiéis leigos no sagrado ministério dos sacerdotes, artigo 8, negritos meus)

Ou seja, não se pode alegar o número de pessoas presente todo domingo para justificar o uso dos ministros extraordinários; a presença numerosa precisa ser incomum para haver essa justificativa.

Além disso, os ministros extraordinários estavam levando o Santíssimo Sacramento em recipientes de vidro (ou cristal, não tive como saber). Vá lá que Blumenau tenha vários fabricantes de cristal, mas novamente a Igreja é clara a respeito dos vasos sagrados:

reprove-se qualquer uso, para a celebração da Missa, de vasos comuns ou de escasso valor, no que se refere à qualidade, ou carentes de todo valor artístico, ou simples recipientes, ou outros vasos de cristal, argila, porcelana e outros materiais que se quebram facilmente. (Redemptionis Sacramentum, 117, negritos meus)

E, após a bênção final, o padre João resolveu expor o Santíssimo Sacramento no ostensório e passar com Jesus Sacramentado pela Igreja. Até aí tudo bem. O problema foi que, em vez de as pessoas se ajoelharem, de o coral entoar um belo canto eucarístico, o que aconteceu? As pessoas se aglomeravam no corredor central, querendo a todo custo deixar sua impressão digital no ostensório (e o padre aparentemente não se opunha a isso), enquanto outras simplesmente iam embora para conseguir tirar o carro antes dos outros (a saída do estacionamento da catedral é um tanto complicada mesmo).

Surpresa? Nem tanto. Afinal, se as pessoas tratam o sacrifício do Calvário de modo irreverente (melhor dizendo, são levadas a tratar assim a Missa por padres relapsos), como é que vão se portar com reverência durante a exposição do Santíssimo?

Aliás, o padre ainda anunciou que no próximo dia 1.º ele iniciará a celebração, toda primeira quarta-feira do mês, da “Missa carismática”. Ele não detalhou muito, mas acho que dá pra imaginar. Mais palmas, mais cantos, gente gritando xalandricáxalandricáalalaiêalalaiê pelos cantos, essas coisas. Engraçado… pra que precisamos inventar Santas Missas “especiais”, categorizar o sacrifício de Cristo?

O pior é que a catedral apenas eleva ao quadrado, ou ao cubo, práticas que minha namorada e eu vemos também em outras paróquias daquela diocese. E eu, obviamente, já reclamei ao bispo. Troquei e-mails com dom Angélico Bernardino por um tempo. Ele me dizia que na diocese de Blumenau não se toleravam abusos litúrgicos e que os padres recebiam formação constante. Mas os abusos continuavam acontecendo, e eu continuava lembrando-o disso. Dom Angélico, inclusive, foi o responsável por trazer o padre João, o campeão do abuso litúrgico em Blumenau, para a catedral… agora dom Angélico é emérito, e foi substituído por dom José Negri. Duvido que ele não saiba da bagunça litúrgica que o padre João promove. Mas por via das dúvidas estamos atrás dele também.

Nesse ano sacerdotal, precisamos mesmo rezar muito pelos padres. Para que nossos sacerdotes sejam santos e reverentes para com o Santo Sacrifício da Missa. Não precisa celebrar em latim ou no rito tridentino (embora fosse bom); bastava respeitarem as normas da Igreja à qual eles juram obediência. Já teríamos um aumento de reverência sem precedentes.

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