Algumas palavras sobre modéstia e recato
Os profetas, os doutores da Igreja, os Padres, e todos os santos sempre aconselharam os fiéis a se vestirem com pudor e modéstia. O modo como nos vestimos é um reflexo de nossa vida íntima. O exterior reflete o exterior, diz o adágio. O modo como nos vestimos, nossa aparência, o tipo de vestuário que utilizamos, são como mensagens que enviamos aos outros, dando informações preciosas a nosso respeito: nossas intenções, nossas particularidades, nossas crenças mais profundas, nosso estilo de vida. O recato no vestir é, pois, uma mensagem poderosa que mandamos a todos: somos sérios, consideramos importante a castidade, queremos agradar a Deus, e consideramos que o corpo não deve ficar tão exposto. Não deixa, pois, o jeito de nos vestirmos, de ser um verdadeiro apostolado silencioso, influenciando a todos, e mostrando princípios importantíssimos que informam o ser humano. E se esse recato vai acompanhado da beleza das vestes e da elegância, isso é mais benéfico ainda, pois estamos deixando bem claro que se pode ser modesto, ter pudor, sem parecer uma “Maria-mijona”, pode-se ter recado e amor pela castidade exterior, sem que tenhamos um aspecto “apagado”.
Evidentemente, não há um código católico de vestimenta. E isso nem seria possível, pois a Igreja trabalha com princípios, não com listas de “pode” e “não pode”. As circunstâncias nos fazem aplicar os princípios do pudor aos casos concretos. Claro que não há aqui qualquer relativismo: a moral é absoluta, o pudor é objetivo. Mas a aplicação desse pudor varia conforme a cultura, o tipo de evento, a combinação entre as roupas, o corpo da mulher que o veste, e até mesmo, a “postura” e o temperamento da pessoa.
Igualmente evidente, todavia, que algumas roupas são, em geral, imodestas. Shorts muito curtos, minissaias, decotes profundos, blusas que não cobrem a barriga, calças justíssimas sem a devida cobertura, transparências indevidas, não são adequadas à mulher recatada. Não há um código, repetimos, nem uma lista. Mas a aplicação dos princípios à realidade concreta nos diz isso. É uma conclusão inevitável: certas roupas podem ser pudicas ou não conforme as circunstâncias, porém outras na maioria das vezes (ou na totalidade) são imodestas. O melhor critério para esse discernimento é a formação da consciência e a diária pergunta, diante do espelho: “Será que agrado a Deus com essa roupa?”
Enfim, é bom perceber que nem toda roupa imodesta é esteticamente feia, e nem toda roupa modesta é sempre bela e elegante. É possível, assim, ser imodesta e brega, imodesta mas esteticamente bonita e na moda, bem como modesta e brega, e modesta com elegância. No conflito entre a modéstia e a imodéstia, deve aquela sempre prevalecer, ainda que a custas de parecer brega, embora o ideal seja a busca de conjugar a modéstia com o vestir contemporâneo: noutros termos, ser recatada mas na moda, preservar o pudor porém mantendo a elegância.





Olá, Aline!
Eu discordo de você em alguns pontos do seu texto.
Em primeiro lugar, eu compreendo que existem, sim, regras práticas e objetivas para a modéstia. Considero essas regras as determinações do Cardeal Donato Sbaretti, Prefeito da Congregação do Concílio, na Festa da Sagrada Família (12 de janeiro de 1930) emitiu a seguinte regra sobre o que constitui a modéstia no vestir:
“Um vestido não pode ser chamado decente se é cortado na largura de mais de dois dedos sob o poço da garganta, que não cubra os braços pelo menos até os cotovelos, e mal chegue até um pouco abaixo dos joelhos. Além disso, os vestidos de materiais transparentes são impróprios.” (retirado de http://www.modaemodestia.com.br/index.php/estudo/50-Moda-e-Moral/128-estabelecendo-normas-praticas-para-a-modestia)
Sinceramente, eu não tenho conhecimento suficiente acerca da hierarquia da Igreja pra compreender exatamente o quanto essas regras são “oficiais”. Porém, considero esse pequeno conjunto de regras valiosíssimo, porque, por incrível que pareça, nos dão liberdade de movimento e nos deixam realmente seguras e protegidas. Blusas com decotes cortados mais de dois dedos sob o poço da garganta facilmente deixam os seios (ou parte deles) à mostra quando nos abaixamos um pouco pra pegar algo ou cumprimentar alguém, ou então quando estamos sentadas e outras pessoas nos olham de cima. Vestidos e saias que não cubram minimamente os joelhos, mesmo quando estamos sentadas, deixam as coxas à mostra quando nos sentamos, quando estamos sentadas em frente a outras pessoas nos deixam correndo o risco de ficar bastante expostas, sem falar nos momentos em que subimos uma rampa ou uma escada. Talvez para nós, mulheres, e até para muitos homens que tem um bom controle sobre seus impulsos, a visão de uma pequena parte dos seios ou das coxas seja algo banal. Porém, existem muitos homens sem o devido controle de seus impulsos sexuais, que estão lutanto arduamente para atingirem a pureza de coração, e que sofrem bastante com essa mesma pequena visão de seios e coxas, ou com algo da visão de um tecido mais transparente ou que marque as roupas íntimas, ou com a visão de uma mulher de frente-única ou tomara-que-caia sentada no banco à sua frente, que aos seus olhos parece nua. A única dessas regras que eu não compreendo bem, e aí sim por ser uma questão mais cltural, acredito eu, é a regra que diz respeito aos braços, que devem estar cobertos até o cotovelo. Ainda assim, prefiro me propor à odebiência e lutar para alcançar esse ponto.
De resto, todas essas regras apenas nos deixam mais seguras e nos fazem agir com misericórdia para com aqueles homens que estão lutando para atingir a pureza de coração, e que se perturbam frente a essas visões. Então, ainda que talvez não sejam “oficiais”, porque não divulgá-las e considerá-las como um bom guia?
Em segundo lugar, discordo que a única pergunta que devemos nos fazer ao escolher uma roupa seja “será que agrado a Deus com essa roupa?”. É claro que Deus deve estar em primeiro lugar sempre no nosso pensamento e nas nossas intenções. Porém, hoje em dia o nosso olhar está tremendamente viciado pela visão constante de modas imodestas, e muitas vezes, ao nos perguntarmos se nossa roupa agrada a Deus com uma certa pressa na correria do dia a dia, podemos deixar de nos abrir para prestar atenção a certos detalhes. Por isso, acredito que a pergunta que pode realmente nos abrir os olhos, além de colocar Deus em primeiro lugar, seja “essa roupa me deixará segura em qualquer situação, ou ela pode me deixar exposta de alguma forma?”.
Em terceiro lugar, sim, eu concordo que se pudermos associar modéstia a elegância, estaremos agindo muito bem. Porém, pensar nos termos “Maria-mijona” e em aspecto “apagado” é perigoso, justamente porque o nosso olhar está muito viciado por modas imodestas. Muitas vezes, exatamente aquilo que torna uma combinação de roupas perfeitamente modesta é o que aos nossos olhos dá a essa mesma combinação o ar de “apagada” ou “Maria-mijona”! Estamos acostumadas a ver decotes um pouco maiores, saias um pouco mais curtas, cortes um pouco mais justos e marcando mais o corpo. Quando atentamos para modéstia e passamos a querer usar decotes mais fechados, saias mais longas e cortes menos justos, imediatamente os nossos próprios olhos e os olhos de outros nos denunciam como “apagadas” ou “Maria-mijonas”! Porque justamente os detalhes que aproximam um traje da perfeição em termos de modéstia é que hoje são associados ao aspecto “apagado” ou de “Maria-mijona”! Por isso acho tão perigoso pensar nesses termos, dessa forma. Acredito que o nosso olhar precisa ser purificado, nosso senso de estética precisa ser “desviciado” das visões imodestas.
Quero deixar bem claro que eu mesma estou longe de conseguir colocar tudo isso em prática ou de estar sempre segura e protegida pelas minhas roupas. Isso porque eu estou no início da minha caminhada, faz apenas alguns meses que eu conheci a importância da modéstia, e ainda estou no processo de adaptar o meu guarda-roupas e “desviciar” o olhar. Porém, são exatamente essas regras que eu uso pra me guiar e pra melhorar um pouquinho por vez, tendo como objetivo um dia poder segui-las sempre, porque acredito na importância e até mesmo na praticidade delas.
Por fim, quero dizer que, apesar das discordâncias de hoje, admiro muito o trabalho do Veritatis Splendor, tanto do site quanto do blog. Os conteúdos postados por vocês me ajudam muito na minha caminhada de fé, pois sempre recorro ao site para sanar dúvidas e buscar explicações. Agradeço e parabenizo a vocês pelo trabalho!
Abraços, Thais.