Normas atuais quanto ao jejum e abstinência

2010 fevereiro 15
by Rafael Vitola Brodbeck

Jejum: fazer apenas uma refeição completa durante o dia e, caso haja necessidade, tomar duas outras pequenas refeições que não sejam iguais em quantidade à habitual ou completa. Não fazer as refeições habituais, nem outros petiscos durante o dia (nem mesmo cafezinho, chimarrão etc). Estão obrigados ao jejum os que tiverem completado dezoito anos até os cinqüenta e nove completos. Os outros podem fazer, mas sem obrigação. Grávidas e doentes estão dispensados do jejum, bem como aqueles que desenvolvem árduo trabalho braçal ou intelectual no dia do jejum.

Abstinência: deixar de comer carnes de animais de sangue quente (bovina, ovina, aviária, bubalina etc), bem como seus caldo de carne. Permite-se o uso de ovos, laticínios e gordura. Estão obrigados à abstinência os que tiverem completado quatorze anos, e tal obrigação se prolonga por toda a vida. Grávidas que necessitem de maior nutrição e doentes que, por conselho médico, precisam comer carne, estão dispensados da abstinência, bem como os pobres que recebem carne por esmola.

—-

Quarta-feira de Cinzas: jejum e abstinência obrigatórios.

Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor: jejum e abstinência obrigatórios.

Demais dias da Quaresma, exceto os Domingos: jejum e abstinência parcial (carne permitida só na refeição principal/completa) recomendados.

Dias assinalados pelo calendário antigo como Sextas-feiras das Têmporas: jejum e abstinência recomendados.

Dias assinalados pelo calendário antigo como Quartas-feiras das Têmporas e Sábados das Têmporas: jejum e abstinência parcial recomendados.

Demais sextas-feiras do ano, exceto se forem Solenidades: abstinência obrigatória, mas não o jejum. Essa abstinência pode ser trocada, a juízo do próprio fiel, por outra penitência, conforme estabelecer a conferência episcopal (no Brasil, a CNBB estabeleceu qualquer outro tipo de penitência, como orações piedosas, prática de caridade, exercícios de devoção etc).

10 Responses leave one →
  1. 2010 fevereiro 15

    Caríssimos no Cristo, Laudetur Dominus!

    Rafael, belíssima iniciativa! O jejum e a abstinência são ótimos exercícios para ajudar a espiritualidade, principalmente na luta cotidiana individual contra o pecado.

    Só a título de esclarecimento, para quem ainda não sabe o que são as têmporas citadas no texto:

    “Quatro têmporas ou só têmporas se chamam a quarta-feira, a sexta-feira e o sábado das 4 semanas seguintes: primeira da quaresma, primeira de pentecostes, terceira de setembro e terceira de dezembro; nestas semanas há jejum.” (Tirado daqui)

    Vale lembrar que estas mesmas instruções se encontram no Catecismo Maior de São Pio X (Questões de 493 a 504), porém aqui nesta postagem, além de atualizadas, elas estão melhor explicadas.

    Pax et Salutis

  2. 2010 fevereiro 15
    João Marcos permalink

    Valeu mesmo pela extrema utilidade pública deste post!

    Teria como vc mandar a fonte dessas normas? Onde está dito isso? Confio no que escreveu, sei da sua seriedade, mas gostaria de mandar para meus amigos junto com a fonte normativa.

    Algumas dúvidas:

    1) o que são as “Têmporas” mencionadas no texto?

    2) o que seria “árduo trabalho intelectual”? Vc poderia citar exemplos do que seria e do que não seria (coisas do cotidiano mesmo)? Falo isso porque tem dias no estágio, principalmente quando aparece muito processo e peças para razões ou contrarrazões recursais que me queimam os neurônios, e não sei se enquadraria nesse árduo trabalho intelectual (apesar de eu simplesmente “apagar” de cansaçomental quando entro no ônibus de volta pra casa!!!)

    3) Eu sempre soube que não se pode fazer jejum no domingo, mas qual o motivo? Na época da quaresma, tbm não se deve fazer abstinência aos domingos?

    4) Suspender doces, refrigerantes, chocolates e afins entra na classificação de abstinência, ou essa é restrita à carne?

    5) Sobre o tema, em seus aspectos práticos, conheço apenas o livro do Mons. Jonas Abib (Práticas de Jejum). Vc teria alguma outra indicação?

    Um forte abraço

    João Marcos

  3. 2010 fevereiro 15
    Rafael Vitola Brodbeck permalink

    1) Sobre as Têmporas: http://www.presbiteros.com.br/index.php/missas-para-diversas-necessidades/ e http://www.portal.ecclesia.pt/ecclesiaout/liturgia/liturgia_site/dicionario/dici_ver.asp?cod_dici=442 e http://www.derradeirasgracas.com/4.%20CURSO%20DE%20LITURGIA%20-%20Pe.%20Reus/LITURGIA%20-%20PARTE%20III.%20.htm e http://subsidioliturgico.blogspot.com/2009/12/o-brilho-das-quatro-temporas.html

    2) Os moralistas citam como exemplos de trabalho intelectual ou braçal árduos o de um advogado que deve preparar uma petição, o de um juiz em pleno dia de audiência, o policial em sua investigação ou de serviço na manutenção da ordem, o pedreiro na construção civil etc. Não há listas. A Igreja não procede assim. O contrário seria puritanismo. É a tua consciência, analisando os princípios, que os aplicará ao caso concreto. Não gosto de bancar a consciência dos outros, nem sou confessor ou direção espiritual, mas um simples leigo, mas, estando na tua posição, eu teria motivos justos para crer estar dispensado da penitência.

    3) Nunca foi prática da Igreja latina o jejum aos Domingos. No tempo do calendário e do direito antigos, quando vigorava a abstinência parcial e o jejum em toda a Quaresma, os Domingos ficavam de fora. O Domingo, na tradição patrística é a “Pequena Páscoa Semanal”, dia de alegria.

    4) Não é abstinência, mas é uma generosa mortificação, feita facultativamente.

    5) O livro do Mons. Jonas, sobre o assunto, é bom. Procura na Editora Quadrante, que vais achar outros sobre o tema.

    Enfim, sobre as fontes, estão no Del Greco, no Código de Direito Canônico de 1983. Obviamente, falo aqui das práticas obrigatórias. As recomendas estão na tradição da Igreja ou no cotejo com o Código de 1917.

  4. 2010 fevereiro 15
    João Marcos permalink

    Valeu!

    Té mais

    João Marcos

  5. 2010 fevereiro 17
    Luís Guilherme permalink

    Segundo o CIC de 1917, bebidas são permitidas entre as refeições. Dado que bebidas doces são capazes de matar a fome, é claro que elas estão fora. Mas um café sem açúcar, um chimarrão, um chá (igualmente sem açúcar) não considero que sejam inadequados ao dia de jejum.

  6. 2010 fevereiro 17
    Angélica permalink

    Não entendi se podemos nos alimentar de carne de peixe ás sextas feiras do ano.Pode?Um dos últimos padres que confessei falou que peixe também é carne e fiquei na maior dúvida,se pode ou não comer peixe também.Quando como deixo de comer sobremesa,chocolate,etc…

  7. 2010 fevereiro 18
    Rafael Vitola Brodbeck permalink

    LG, sim o de 1917 dizia isso, mas o atual silencia e permite apenas água no jejum eucarístico. Conjugando o silêncio com a norma do jejum eucarístico, temos uma opção de interpretação possível a condenar as bebidas. Mas é uma opção entre outras.

    Angélica, a resposta à tua pergunta está no texto. Eu falei “animais de sangue QUENTE”. Peixe é de sangue FRIO.

  8. 2010 fevereiro 19
    Felipe permalink

    Tenho 18 anos e sou muito magro. Posso optar por fazer apenas as refeições comuns normalmente (café da manhã, almoço e janta), jejuando apenas em relação aos lanches e petiscos durante o dia?

  9. 2010 março 3
    Luís Guilherme permalink

    Vitola, valeu a explicação! De fato, podemos

    1) Usar outra norma de jejum atual para ocupar o silêncio deixado a respeito do jejum quaresmal; (foi o que você optou)
    2) Usar a lei antiga onde a nova se omite; (foi o que eu optei)
    3) Ainda haveria uma terceira opção, que é agir segundo tradicionalmente se agiu; (mas, neste caso concreto, isso igualaria a (1) ou (2)).

  10. 2010 abril 3
    Décio Maróstica permalink

    Bom dia.
    Gostei de suas explicações. Ainda tenho uma dúvida, pois já ouvi em algum lugar (não sei precisar se na igreja, palestra ou retiro): existe alguma relação entre a abstinência de carne e a abstinência carnal (ato sexual) para os casados, evidentemente.
    No AT, em determinados dias, era proibido comer carne vermelha de mamíferos, pois eles copulavam e daí se tornarem impuros e deixarem as pessoas impuras.
    Penso que não deve ter relação com isso, pois o matrimônio é santificado e sinal da união de Cristo com a Igreja.
    Poderia me dar mais explicações?

    Obrigado. Deus lhe pague. Amém.

    Décio

Deixe uma resposta

Note: You can use basic XHTML in your comments. Your email address will never be published.

Subscribe to this comment feed via RSS