O aborto volta – volta? – mas ainda falta muito mais…
O Secretário de “Esquerdos Desumanos”… cof, cof! ou melhor, “Direito Humanos” do Governo (porque são “direitos humanos” só do Governo mesmo…), o Ministro Paulo Vannuchi, se reuniu com Dom Dimas Lara Barbosa, Secretário Geral da CNBB. Da reunião, ficou decidido que vão haver alterações no tema do aborto no Programa Nacional de Direitos Humanos, o PNDH-3.
“Por determinação expressa do presidente, vamos alterar a formulação do Programa no que diz respeito ao aborto. Esse é o ponto que se tem clareza de que haverá alteração“, disse o Vannuchi. “Na construção de um PNDH, é muito importante que exista a construção de consensos amplos, é a defesa da vida. A ideia de aperfeiçoamento está aberta para outros tópicos, e isso pode ser abordado através de cuidados de linguagem; ao invés de fazer afirmações taxativas, adotar a forma de ‘promover debate sobre’, aprofundando a discussão“, afirmou ainda.
Segundo notícia da Canção Nova – donde também foram retiradas as frases do Vannuchi, acima -, “Dom Dimas também indicou que cerca de 80% das diretrizes do Programa fazem parte das lutas tradicionais da CNBB. ‘Talvez o problema tenha sido colocar no mesmo Programa outros temas que ainda não são consenso, mas fruto da luta de apenas alguns segmentos da sociedade’“.
Comento:
1) O aborto volta só para a cartilhinha do PT… volta? Não podemos ser ingênuos. Que alterações vão ser feitas? O aborto será mesmo retirado do texto ou substituído por um eufemismo do tipo que comunas gostam – como, p.ex., “direitos reprodutivos plenos“? Sinceramente, o Governo pode até voltar atrás por ora – eu acho mais provável substituir por um eufemismo, mas vamos lá… -, porém, o abortismo continuará fazendo parte da ideologia petista. Não esqueçamos disso.
2) Vannuchi fala de uma “determinação expressa do Presidente“. Faz parecer que o Presidente não queria o aborto no texto e por isso “determinou expressamente” sua retirada. Dias atrás Vannuchi chegou a dizer que “a culpa era somente dele, nem de Lula, nem de Dilma” de se ter incluído o aborto no PNDH-3. Doce ilusão… É o “efeito teflon” que o Lula conseguiu criar, segundo o qual nenhuam sujeira, nenhuma culpa, nenhum peso se agarra à couraça santa e imaculada do Presidente comunista. Vannuchi de uma forma vergonhosa assume para si as culpas que são de Lula também: “fui eu, não ele”. E além de tudo quer estender o “efeito teflon” a Dilma – Deus nos livre! Agora vem com essa: Lula “determinou expressamente” a retirada do aborto. Que bom o Lula, não é? Mas não vamos olvidar a trajetória petista – e de Lula – de defesa do abortismo e das bandeiras anti-vida. Querem um exemplo? A aprovação da manipulação de células-tronco embrionárias, episódio n oqual o PT fez um lobby ativo e patrulhamento ideológico dos opositores pró-vida. Mais um? A expulsão do Deputado Luiz Bassuma porque não se adaptava à agenda abortista do PT. Para mais informações, leiam o artigo “Lula, o PT e o Aborto – Um ciclo vicioso“, que publiquei no Site Veritatis Splendor. Não se iludam senhores: a “determinação expressa” de Lula contra o aborto não é por santidade; o Presidente – e Dilma com ele, ambos responsáveis – viram o mal que isto poderia ocasionar em ano eleitoral – se há uma coisa profundamente rechaçada no Brasil, é o aborto. A “determinação expressa” é só tentativa de ligar aquele velho e maldito “efeito teflon” que livrou Lula do Mensalão e Dilma dos Cartões Corporativos. Quere msaber qual a verdadeira “determinação expressa”? A do Diretório Nacional do PT, conclamando à legalização irrestrita do aborto.
3) Dom Dimas conseguiu algo sobre o aborto – ao que parece, mas os problemas são diversos, como saliento nos nn. 1 e 2. Muito bom! Felicitações a Sua Excelência! Mas há muito mais, Excelência: é preciso mostrar oposição firme e vigorosa às medidas anti-família e destruidoras do matrimônio, bases da sociedade; às ofensas à liberdade de expressão, ao ódio à propriedade privada e à intolerância religiosa promotora do ateísmo, colimada no repúdio aos símbolos religiosos cristãos, expressão das raízes cristãs de nossa sociedade. Dom Dimas foi otimista demais: 80% das diretrizes do Programa são válidas? Acho que é o contrário, Excelência: 80% das diretrizes do Programa não condizem com o Cristianismo e carregam em si as sementes do totalitarismo e de uma ideologia marxistóide e anticristã. É o que parecem indicar os 67 Bispos que assinaram declaração contra o PNDH-3. 80% do PNDH-3 é deplorável. Talvez até 100%.
4) O que precisa ser entendido é que questões como estas – vida, família, matrimônio, direito à propriedade privada, liberdade religiosa dos cristãos, etc – fazem parte da lei natural eterna e imutável, dada pelo Criador, e não estão sujeitas a debate. Não podemos cair nessa conversinha do Governo de que “é preciso abrir o debate”: eles só aceitam debate para eles, já sabendo aonde querem chegar; eles não buscam a Verdade sobre as coisas, mas o que a ideologia deles apregoa. Estas questões não estão sujeitas a debate e nem deveriam ser cogitadas para aprovação em lei. Dom Dimas Lara precisa propagar isto também, e não falar em temas que “ainda não são consenso”: o que ofende a Lei de Deus, à lei natural, nunca poderá ser consenso, simplesmente porque nunca estará em debate.





Prezado Taiguara, Laudetur Dominus!
Dom Dimas deixa transparecer sua mentalidade laicista ao dar a entender que o que importa é o consenso. Talvez, para ele, o consenso seria a nova moral.
Além deste fato – que já é bastante grave! – Dom Dimas esquece que há consenso que acontece naturalmente como fim de um debate civilizado e há consenso que é imposto por alguém mais poderoso. É evidente que não é possível surgir um consenso em um debate com os inimigos da Igreja – e que, por isso mesmo, não pode ser civilizado – logo o consenso teria que ser imposto e, neste caso, seria arbitrário. Mas parece que a arbitrariedade de um “consenso” deste tipo não preocupa D. Dimas.
Como faz falta um bispo mais “clericalista” em nossos tempos!
Pax et Salutis