Na pornografia pode, no tribunal não…
Vários órgãos públicos brasileiros se defrontam, hodiernamente, com o tema dos crucifixos em suas paredes. Impregnados de um pernicioso princípio laicista, que quer não a tolerância aos vários cultos, mas, na prática, a instauração da não-religião e a oficialização do ateísmo, alguns deles inclusive já proibiram que ele, o Cristo Crucificado, morto pelos pecados dos homens, esteja em seus prédios. Invocam, muito forçosamente interpretada, a separação entre Igreja e Estado no Brasil.
Interessante é o caso, todavia, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. No início do ano passado, o Desembargador Luiz Sveiter tomou posse como presidente do referido colegiado e, como uma de suas primeiras ações, mandou retirar os crucifixos da corte. Aquele que é o Supremo Juiz, Criador do Céu e da Terra, não seria mais o grande inspirador das decisões dos homens. Ora, impedir que os crucifixos estejam no tribunal – e em qualquer órgão público do país – é ignorar a história e a cultura de nossa pátria. É desrespeitar a religião da esmagadora maioria do povo brasileiro, e jogar no lixo a riqueza da simbologia em troca da excessiva e fria austeridade de matriz notadamente puritana – vejam “A Festa de Babette” e façam a analogia…
Um ano depois – na verdade, faltaram dois dias para fechar um ano completinho –, o mesmo tribunal, pelo Órgão Especial, tomou decisão diametralmente oposta quando se tratava de usar os mesmos símbolos religiosos pelas escolas de samba do Rio de Janeiro. Na verdade, a Câmara de Vereadores da Cidade Maravilhosa, mediante a Lei Municipal 4.483/07, proibiu o uso de alguns símbolos religiosos, entre os quais o crucifixo, pelas agremiações carnavalescas, sob pena de perder a subvenção paga pela Prefeitura. O sentido da norma em tela é impedir a profanação das imagens, o uso irreverente, misturando Cristo e Nossa Senhora com mulatas seminuas e letras de moral duvidosa. O que fez o tribunal? Considerou a lei inconstitucional, o que significa dizer que as escolas de samba podem, à vontade, colocar seios, nádegas e “perseguidas” lado a lado com Jesus Cristo, a Virgem Maria e São Longuinho.
E por que isso? Porque na cabeça desse povo, os santos, as imagens, o crucifixo, são meramente a representação de nossa cultura, a expressão de nossa identidade pátria e, portanto, podem ser usados. É por tal argumento que a atriz Carol Castro fotografou nua, na Playboy, usando um terço e não achou nada de errado… É por isso que uma “rainha de bateria” disse no Caldeirão do Huck que levava uma estampa de São Jorge quando pisava na passarela e o guardava na minúscula calcinha, junto às partes baixas – e ainda foi clara quando afirmou que coloca “o santinho na ‘santinha’”, batizando com um apelido inverossímil sua cavidade reprodutiva.
As símbolos das outras religiões são só dessas religiões, mas os símbolos católicos são de todo mundo, já que todos são batizados, se dizem católicos, e nossa cultura é, ainda que alguém esperneie, profundamente irrigada pelo catolicismo.
Quer dizer, o crucifixo nas paredes do TJ do Rio não pode, mas na Sapucaí pode. O crucifixo a inspirar os julgadores cariocas não pode, mas a “acompanhar” a celebração da luxúria e da pornografia pode.
Tristes tempos os nossos. Não se quer mais dar a Jesus Cristo o seu lugar de direito. Ele, Rei universal, foi destronado por nós, que deveríamos ser seus súditos. Talvez estejamos agindo como aqueles romanos que, na sua Paixão, lhe deram uma coroa não de ouro ou cravejada de jóias, mas de espinhos que lhe fizeram sangrar a fronte. E já que ele não tem mais lugar entre os magistrados do TJ, lhe arrumaram um jeito de habitar a rua da devassidão.





Rafael, algo que me deixa profundamente irritada é ver como estes camaradas conseguem ser tão subversivos e ignoram a crença do povo. Manipulam a fé como se estivessem jogando video game. Querem definir onde pode ter tal símbolo religioso, como se o Divino estivesse à mercê deles. Não foi Cristo que disse a Pilatos que se o Pai não desse a Pilatos o poder, ele não teria (qdo PIlatos disse a Jesus que tinha o poder de livrá-lo)? Estes medíocres acreditam que receberam o poder de Deus para definir onde Ele pode ou não estar.
Mas o que esperar desats atitudes pornográficas onde, anos atrás, mostraram os sete pecados capitais como as setes maravilhas do mundo?
Tão pedindo para ser queimado no inferno de roupa e tudo. E o pior: se não se converterem, serão mesmo!
A cada dia que passa, mas o homem aumenta a chaga do Sacratíssimo Coração de Jesus.
Que possamos fazer mtos atos de contrição.
como sempre mais um excelente artigo, Rafael. Vou divulgá-lo no meu blog.
abraço e fica com Deus.
Ótimo post, Sr. Rafael. Estou planejando umas atualizações para o meu blog (Firma fide credo! – http://firmafidecredo.blogspot.com/ -) e vou escrever algo sobre este assunto também, fazendo referência a este e outros posts sobre o tema. Vivemos uma situação realmente preocupante…
parabens ao tribunal! sendo coerente com a manuntenção do estado laico mas sem sensurar a livre a expressão da população! coisas assim que ainda dão esperança de que não acabaremos em uma ditadura lulista!
Parabéns pelo excelente texto, Rafael.
Esveiter é maçon declarado.
Eu faço meu estágio no MP-RJ desde fevereiro de 2008, todo esse tempo dentro do prédio do TJ-RJ. Os crucifixos NÃO FORAM RETIRADOS de todas as salas de audiências ou plenários de júri. O que efetivamente aconteceu de sério foi a transformação da capela do TJ em um espaço ecumênico.
Pelo que sei, a questão dos símbolos religiosos ficou a critério dos envolvidos no TJ. Se o juiz quiser ter um crucifixo na sua sala de audiência, ele tem; se não, é retirado. O mesmo eu tenho percebido em outras dependências, apesar de, nesses lugares, já ser muito raro símbolos religiosos antes mesmo do Luiz “i got the power” Zveiter ter assumido a presidência do TJ-RJ.
O plenário do júri ao qual estou vinculado tem um belo crucifixo, que, ao menos, para mim (e acho que também para o Ives Gandra), simboliza bem o que pode acontecer quando se julga errado.
A morte de Cristo, fazendo uma leitura puramente jurídica, foi o maior erro judiciário da História da humanidade. Julgado em duas instâncias (Sinédrio e Pilatos), com direito a conflito de competência (Pilatos e Herodes); recebeu, inicialmente, uma condenação pelo Sinédrio (órgão colegiado) e depois uma decisão non liquet de Pilatos (este não julga a causa, por medo, lava as mãos e joga a decisão para o povo); o povo, democraticamente, por esmagadora maioria (obviamente manipulada pelos fariseus), mandam Cristo pra Cruz; e isso tudo para pagar por pecados que não eram de Jesus!!! Pior, perante o Sinédrio foi condenado por blasfêmia (Ele que era o próprio Deus), e por usurpação perante a justiça romana (Rei dos Judeus, no lugar de César, sendo que Cristo havia deixado claro que seu reino não era deste mundo).
Talvez, por isso, Santa Faustina diz que as 15hs daquela Sexta-Feira fatídica a misericórdia de Deus prevaleceu sobre a justiça de Deus, pois quem deveria estar ali na cruz não era Cristo, mas nós… só que, na sua infinit misericórdia, Deus entregou seu filho por nós… talvez seja disso que esses “politicóides” querem privar.
Té mais
João Marcos
Belo texto.
fausto.
Ninguém está acima da lei dos homens, mas esse Zveiter parece que está, alguém disse que no carnaval pode misturar religião com bundas de fora e a globo, mais satânica do que ela não existe e não sou extremista , não gosto da globo simplismente por não gostar, é que ela só mostra ao povo o que intesssa a ela. O estado é laico, e a maioria do povo é o que? Porque ele não se atreve com a imponência natural dos juízes e dizem a um muçulmano que Alá não presta, é uma farsa, dizem , quero ver. Agora, uma coisa que me deixa curioso, porque ateus perdem tempo postanto num site católico?