O Racionalismo na Liturgia: Mysterium rationis?

2009 dezembro 11
by Taiguara Fernandes
Conta-se que Santo Agostinho de Hipona, plenamente envolvido na reflexão sobre o mistério da Santíssima Trindade, quase enlouqueceu em sua tentativa entender a Deus. Certo dia, cansado de pensar, foi caminhar à beira-mar; encontrando um menino que punha água num buraco por ele cavado, perguntou-lhe porque fazia isso. “Vou pôr o mar neste buraco”, respondeu o garoto. “Impossível”, replicou Agostinho, com piedade da pequena inocência. Ao que disse-lhe o menino, na verdade um anjo: “É mais fácil eu pôr o mar dentro deste buraco do que você compreender o mistério que quer compreender”. A cena foi retratada pelo Mestre Dughet num belo quadro.
Deus é um mistério. Podemos chegar ao conhecimento da existência de Deus e de alguns de seus atributos por meio da luz da razão natural (Conc. Ecum. Vaticano I, DS 3004), mas nunca poderemos esgotar-Lhe o mistério. A criatura não pode absorver o Criador, porque não é maior do que ele, da mesma maneira como a parte não pode ser maior do que o todo – apenas uma analogia, pois, evidentemente, o homem não é parte de Deus, o que seria Acir no panteísmo. Deus é “inefável, incompreensível, invisível, inatingível”, reza a Anáfora da Liturgia de S. João Crisóstomo. A razão humana “atinge, realmente o próprio Deus, ainda que sem poder exprimi-Lo em sua infinita simplicidade” (Catecismo da Igreja Católica, n.43), “nossas palavras humanas permanecem sempre aquém do Mistério de Deus” (id. n.42). Deus, pois, não pode ser colocado de inteiro na cabeça do homem; o homem não é maior do que Deus para absorvê-Lo por completo. Como Agostinho, nem podemos pôr o mar num buraco cavado na terra, nem podemos pôr Deus em nossa razão. Entender completamente a Deus é uma ambição orgulhosa da razão humana que nunca poderá ser satisfeita, pois Deus é maior que tudo, será sempre mysterium. Como dizia o Apóstolo, “a nossa ciência é parcial, nossa profecia é imperfeita”, “vemos como por um espelho, confusamente” (I Coríntios 13,9.12).
A Santa Missa é, primeiramente e antes de mais nada, sacrifício latrêutico, isto é, de adoração a Deus (Catecismo Menor de S. Pio X, n.657). Como tal, a Liturgia reflete em si o Mistério de Deus: sua beleza, seus símbolos, o incenso, o latim, os movimentos, os paramentos do sacerdote… Tudo na Liturgia quer, em último sentido, dar glória a Deus, adorar-lhe e refletir o Seu Mistério. É por isso que a Missa sempre foi dita “o Céu na terra”, porque refletia aos homens desta terra o Mistério da vida vindoura. É por isso também que, durante a Consagração das Espécies o sacerdote pronuncia solenemente as palavras: Mysterium Fidei! A Missa, o Sacrifício de Cristo atemporal e eterno, oferecido uma vez por todas no Calvário e renovado no Altar, é um mistério da Fé, mysterium fidei.
O estranho, contudo, é que o sacerdote precise indicar em alto e bom som na forma nova do Rito Romano que aquilo se trata de mysterium fidei, mistério da fé. Na forma tradicional do Rito Romano, segundo o Missal de 1962, o sacerdote não dizia em voz alta, mas aos sussurros, que era mistério da fé a transubstanciação do Pão e Vinho em Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por que hoje é preciso dizê-lo explicitamente na Missa, em voz alta, para todos ouvirem e entenderem?
Por que a própria Reforma Litúrgica de 1970 foi conduzida sob influência clara do racionalismo. Mons. Bugnini e vários elementos do Concilium, a Comissão que reformou a Liturgia, estavam imbuídos da noção moderna de que a razão humana deve entender tudo e de que o que não passa pelo crivo da razão deve ser rejeitado. Assim, pois, na mente destes que reformaram a Liturgia para que o homem moderno, racionalista, entendesse que a Santa Missa era efetivamente mistério da Fé, ela deveria ser dita como tal, indicada como tal. Daí que seja preciso o sacerdote dizer em alto e bom som “Mysterium fidei” após a Consagração.
Isto não acontecia na forma tradicional do Rito Romano, dado que à época em que foi colimado definitivamente ainda perdurava a noção tomista da Razão, que não a encarava como onipotente para a compreensão de tudo, onisciente, coisa que só veio a surgir na Modernidade, com o Iluminismo.
O homem moderno parece ter uma necessidade de entender tudo, de saber de tudo. O homem moderno acha-se tão superior que não admite mistérios, não admite símbolos, não admite segredos. Hoje, efetivamente, como aos pagãos, poder-se-ia falar na “loucura da Cruz” (I Coríntios 1,18) porque, para o homem racionalista moderno, um mistério tão grandioso como a Salvação dos homens na Cruz por Cristo, como a Transubstanciação na Missa, um Deus assim tão inefável e transcendente, que não cabe na mente humana, seria uma loucura. E, infelizmente, esta mentalidade racionalista penetrou também na Reforma Litúrgica por meio daqueles que a conduziram, fazendo com que seja preciso dizer ao homem moderno que a Missa é Mysterium Fidei para que ele possa entendê-la como tal. E assim a Missa, na cabeça de muitos, deixou de ser Mysterium Fidei e passou a ser Mysterium rationis, mistério da razão; isso causa conseqüências nefastas: seria preciso adaptar a Liturgia À melhro maneira de o homem entendê-la, pois ela é um mistério de sua razão; o homem é posto no centro, e Deus daí é retirado; o antropocentrismo penetra, e com ele os abusos.
E teria sido pior, se não fossem os freios impostos pelo Papa Paulo VI, ele próprio cercado de todos os lados e debilitado, e as reformas de João Paulo II.
Reflexos do racionalismo na Reforma Litúrgica são visíveis. Na forma tradicional do Rito Romano, todo o Ofertório e o Cânon eram rezados em voz baixa, de forma que só o sacerdote o pudesse ouvir, mas não o povo. O sentido é de que esta Oração santíssima deveria ser envolvida em mistério, preservado do barulho mundano, resguardado pelo sacerdote num manto de silêncio sagrado, como era resguardada por um véu a Arca da Aliança no Templo. No Oriente ainda há Ritos cuja Consagração é celebrada em completo mistério no interior de um presbitério, sem que o povo possa vê-lo ou ouvi-lo.
Hoje em dia há quem se escandalize em saber que na Missa Tradicional o povo não ouve o Cânon. E, de fato, com a Reforma Litúrgica o Ofertório e o Cânon passaram a ser rezados em alto e bom som, para que todos pudessem ouvi-lo (no Brasil, por invenção da CNBB, o Cânon ainda é interrompido por resposta intrusas do povo, como se os fiéis precisassem intervir para que o Sacrifício seja válido!). Por que esta necessidade de que o homem escute tudo? Por que esta necessidade de que o homem saiba por seus sentidos de tudo que se passa? É o racionalismo que penetrou na Missa; o homem agora não se contenta com o Mistério, precisa ouvir tudo, saber de tudo; sua razão orgulhosa não permite que ele não saiba de tudo. Infelizmente, o racionalismo penetrou na Reforma neste ponto. O silêncio e o Mistério aí precisam ser recuperados. Este é um dos grandes diferenciais da Missa Tradicional em relação à Missa Nova: o silêncio sagrado põe o homem num clima de abertura a Deus, num clima de mistério perante um Deus que é um Mistério.
Mas não só isso. A rejeição do latim por muitos fiéis, sacerdotes e Bispos é também reflexo da penetração do racionalismo. O latim que possui profundo sentido teológico: além de ser a conexão com as inúmeras gerações passadas da Igreja, preserva melhor o sentido dos textos, protege-os das evoluções das línguas vernáculos e, assim, das corruptelas de doutrina, além de ser a língua da Igreja de Roma, o que demonstra perfeitamente a comunhão com esta Igreja, “com a qual todas as outras Igrejas devem se conformar”, segundo Santo Irineu. O Papa Beato João XXIII, na Constituição Apostólica Veterum Sapientia, dá inúmeras razões para que o latim permaneça como a língua da Liturgia. Paulo VI lamentou sua perda diversas vezes. João Paulo II quis recuperá-lo. Bento XVI permanece na luta pelo seu resgate.
O latim, por não ser uma língua do cotidiano, expressa muito bem o Mistério de Deus: inefável e incompreensível em sua Majestade, a Deus a Igreja não se dirige como se dirige ao povo, na sua língua pátria; a Igreja se dirige a Deus por uma língua própria para Ele, uma língua solene, uma língua que a razão humana tem dificuldade de entender, como tem dificuldade de entender a Deus. Por isso mesmo o latim cria um ambiente de solenidade, de transcendência, de sagrado, de Mistério. Mysterium Fidei.
Mas rejeita-se o latim, apesar de seu profundo sentido. A justificativa para essa rejeição injustificável? É comumente dito que “o povo não entende”. Esta justificativa é denúncia máxima da penetração do racionalismo na Liturgia. Por que o povo precisa entender tudo na Missa e não apenas o essencial – como de Deus não entendemos tudo, mas só o essencial, que Ele mesmo nos revelou? Por que é preciso que o povo saiba o que se diz a cada ato? Por que é necessário que o povo escute claramente cada palavra, que a razão humana entenda todo o texto, em seus mínimos detalhes? Porque, para o homem moderno, nada tem razão de ser se não passa pela sua razão; o homem moderno tem que entender tudo, sua ambição é pela onisciência. E, infelizmente, isto penetrou na Liturgia por meio da Reforma Litúrgica que, em sua condução, cedeu ao racionalismo moderno: o católico moderno precisaria ouvir e entender toda palavra na Liturgia para que ela tenha algum sentido e por isso a Liturgia tem de ser na língua do povo; e, assim, não se nota que o sentido máximo da Liturgia não está dentro da mente humana, que a Liturgia tem seu sentido maior justamente fora da mente humana, em Deus, que é Mistério.
A Reforma da Reforma, que quer o Papa Bento XVI, só poderá caminhar se pudermos reconhecer com coragem que a Reforma Litúrgica, como foi conduzida por Mons. Bugnini e a Concilium, teve sérios problemas. Um destes problemas é este que apresentamos neste artigo, o racionalismo. Outro, amplamente falado, é o do arqueologismo litúrgico. E houve outros mais. Reconhecer corajosamente estes defeitos da Reforma Litúrgica e o que precisa ser melhorado na Nova Missa é essencial para uma Reforma da Reforma, como quer o Papa, uma reforma que leve à cabo uma renovação da Liturgia em continuidade com todo o patrimônio da Igreja, como desejou realmente o Concílio Vaticano II.
Para resolver o problema do racionalismo, um dos primeiros e mais imediatos passos é a restauração do latim na celebração a Missa Nova e sua preferência em relação às línguas vernáculas. Não só isso, é preciso resgatar o silêncio sagrado, com a escolha de cantos mais serenos e condizentes com o espírito da Liturgia; o próprio Ofertório e o Cânon, se devem ser ditos em voz alta, podem ser pronunciados num tom mais baixo do que normalmente é feito ou até sem o uso do microfone, para que se relembre aquele silêncio sagrado e como a Missa é, realmente, Mistério.

Mas nada disso adiantará se não for feita uma reforma das convicções do homem moderno. É preciso que o católico moderno não caia na tentação de idolatrar-se ou idolatrar sua razão, como tristemente faz a Modernidade, em seu infeliz racionalismo. É preciso reconhecer nossa pequenez diante de Deus, a pequenez de nossa razão perante o Seu Mistério. Em suma, é preciso ter humildade. Ir à Missa com humildade e reconhecer-se pequeno, indigno. Essa é uma atitude de todo necessária para consertar este grave problema do racionalismo na Liturgia, que tantas más e graves conseqüências vem provocando. A Liturgia não é mysterium rationis ou mysterium populi: ela é Mysterium Fidei, expressão do Mysterium Dei.

6 Responses leave one →
  1. 2009 dezembro 12
    Leonardo permalink

    Eu estive uns tempos (dez anos) com alguns teólogos libertários, mas nunca fui um deles. Aquela coisa de Boff ter dito que a hierarquia da Igreja se apropriou da interpretação e do culto, assim como os capitalistas dos meios de produção, aprisionou a capacidade crítica deles e foi em cheio de encontro à revolta dos pobres. Quantas e quantas vezes, em um discurso, eu fui citar fontes ou indicar um autor ou uma obra e era o bastante para não ser ouvido. E o povo ainda fazia questão de demonstrar que não queria ouvir. Lembrava de um jargão: “muitos há que não sabem, não procuram saber e ainda têm raiva de quem sabe”. Aplicado ao racionalismo de que fala o texto acima, ainda seria um racionalismo intuitivo, um neognosticismo, pelo qual qualquer um acredita que a verdade está em si mesmo e que não tem que ouvir o Magistério da Igreja ditar a interpretação das Sagradas Escrituras. Há analfabetos entre mim que estão enclausurados nesta adoração à sua própria intuição, que não ouvem a Igreja e que me dizem que têm vergonha de aprender a ler. O que fazer por eles? Jesus mesmo disse da triste realidade do orgulho que paralisa a pessoa. Apenas oração e jejum. Jejum que incluiria a mortificação necessária como santa humilhação imprescindível a um profundo abraço na cruz que traz a conversão. Vivemos no tempo da cruz psicológica. Pior que aceitar derramar o sangue parece ser aceitar a santa humilhação que pode mudar o raciocínio e a orientação da inteligência que domina toda a vontade. Vejam os marxistas: a maioria conhece a crítica já montanhosa contra sua doutrina e sua prática, mas não dá o braço a torcer e continua manipulando com seus “dogmas” irracionais. E vão ficando cada vez mais hipocritamente (demagogicamente) patéticos, como alguns que nos governam. Queria acrescentar um lamento nas respostas do Rito Eucarístico. Na minha paróquia, há um líder do “ministério de música” (aliás, de um deles, porque cada Missa tem um, conforme é evidente de que não se orientam em conjunto) que canta as respostas e com rompante eufórico. Ele até tem voz potente e parece se delirar de ter um espaço para demonstrar seu dote artístico. Por que não canta à noite numa churrascaria? Ele simplesmente não me deixa adorar o Senhor no Altar desde a Consagração. E entre suas respostas cantadas (as quais ainda repete, ou seja, canta com “bis”) e a oração do Sacerdote fica “um sobe e desce” entre o subir ao céu recatado de Deus e o descer ao inferno da soberba histérica dos homens. É muito triste e apreensivo. Não se consegue manter a devoção e a piedade. Se Jesus, pelo Pai, chicoteou os vendilhões de ofertas, eu, por Jesus, tenho vontade de chicotear aquele “tenor de banheiro” que vende sua imagem artística enquanto Nosso Senhor, mais oculto do que nunca, de novo, redime nossa humanidade no Altar. É somente pelas garantias da fidelidade divina que sou atraído a uma Missa destas. No mais, é um combate cruento contra demônios tão defendidos pelo orgulho humano. Anjos e demônios nunca se digladiaram tanto a cada Santa Missa. Se os anjos cansassem como eu, estaríamos perdidos.

  2. 2009 dezembro 13
    Willian permalink

    “Desperta, tu que dormes!” (Efésios V, XIV)

    Lendo este artigo, me surpreendi por algum tempo. Claro, só por algum tempo. Pensei que, enfim, tinham despertado. Mas não despertaram. Será por que não querem?

    “Paulo VI lamentou sua perda diversas vezes.”???

    “…freios impostos pelo Papa Paulo VI”???

    Leiam este discurso do Papa Paulo VI:

    ***

    http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/audiences/1969/documents/hf_p-vi_aud_19691126_it.html

    Audiência do Papa Paulo VI, em 26/11/69

    “Qui, è chiaro, sarà avvertita la maggiore novità: quella della lingua. Non più il latino sarà il linguaggio principale della Messa, ma la lingua parlata. Per chi sa la bellezza, la potenza, la sacralità espressiva del latino, certamente la sostituzione della lingua volgare è un grande sacrificio: perdiamo la loquela dei secoli cristiani, diventiamo quasi intrusi e profani nel recinto letterario dell’espressione sacra, e così perderemo grande parte di quello stupendo e incomparabile fatto artistico e spirituale, ch’è il canto gregoriano. Abbiamo, sì, ragione di rammaricarci, e quasi di smarrirci: che cosa sostituiremo a questa lingua angelica? È un sacrificio d’inestimabile prezzo. E per quale ragione ? Che cosa vale di più di questi altissimi valori della nostra Chiesa? La risposta pare banale e prosaica; ma è valida; perché umana, perché apostolica. Vale di più l’intelligenza della preghiera…”

    “Aqui, é claro, será percebida a maior novidade: a da lingua. Não mais o latim será a lingua principal da Missa, mas a lingua falada. Para quem conhece a beleza, a potência, a sacralidade expressiva do latim, a substituição pela lingua vulgar é certamente um grande sacrifício: perdemos aquela [lingua] dos séculos cristãos, tornamo-nos quase intrusos no recinto literário da expressão sacra, e assim perderemos grande parte daquele estupendo e incomparável fato artístico e espiritual, que é o canto gregoriano. Temos, sim, razão para lamentarmo-nos, e até mesmo de espantarmo-nos: o que irá substituir a lingua angélica? É um sacrifício de preço inestimável. E por qual razão? O que vale mais do que esses altíssimos valores da Igreja? A resposta parece banal e prosaica; mas é válida, porque é humana, porque é apostólica. Vale mais a compreensão da oração…”

    ***

    Interessante, não?!

    Fico pensando se vocês, dos blogs (e ponham blogS nisto) e sites “Veritatis”, estão realmente sendo sinceros. E fico pensando por causa de suas posições sobre o Vaticano II e a Missa Nova, principalmente. E só penso isso por causa que parece que todos vocês tem acesso a trabalhos importantes sobre o Vaticano II e a Missa Nova. Mesmo assim vocês querem sempre fazer um tremendo malabarismo para salvar o Vaticano II e a Missa Nova. Querendo que estejam na ignorancia ainda dou sugestões que, digamos, resume o problema do Vaticano II e da Missa Nova. Leiam, o primeiro trata de um livro importantissimo que, me parece, esta sendo usado nas conversações da FSSPX com Roma e o segundo, que inclusive esta no site da Congregação do Clero, é um Dôssie interessante sobre a Missa Nova.

    Vejam:

    http://www.santamariadasvitorias.com.br/documentos/livro_de_mons_gherardini.doc

    http://www.clerus.org/clerus/dati/2007-11/23-13/DossieLitUmaBabel.html

  3. 2009 dezembro 17
    Carlos permalink

    Caro Willian, Salve Maria!

    Muito interessante esse texto de Paulo VI. E, com todo o respeito devido ao Papa, muito contraditório.

    Pois o Papa passa praticamente toda a mensagem exaltando a riqueza do Latim (beleza, potência, sacralidade), chegando a chamá-lo “língua dos anjos”, e lamentando perder o “estupendo e incomparável canto gregoriano”.

    Não obstante, ele quer perder tudo isso. E em troca de quê? Rm troca de uma coisa “banal e prosaica”: a compreensão da oração (como se o latim fosse incompreensível).

    Muito estranho…

    É como se o Papa tivesse sido obrigado a fazer o que fez. E, então, como um consolo, fez esse desabafo.

    Estranhíssimo…

    Carlos.

  4. 2009 dezembro 20

    LENDO O ARTIGO FIQUEI COM UMA DÚVIDA. NO RITO EUCARÍSTICO, VÁRIAS VEZES O POVO DEVE RESPONDER AO CELEBRANTE. PARTICULARMENTE ACHO QUE ISTO “QUEBRA” A FLUÊNCIA DA ORAÇÃO E DA INTERIORIZAÇÃO DAS PALAVRAS DO SACERDOTE. PARECE QUE EM OUTROS PAISES NÃO EXISTE ISTO. ENTENDI DIREITO ? FOI UMA INVENÇÃO DA CNBB ? MUITO GRATO

  5. 2009 dezembro 22
    Willian permalink

    Prezados, salve Maria!

    O Papa diz que será percebida a maior “NOVIDADE”, que “PERDEREMOS” o Gregoriano e que o Latim é ótimo, mas que o vernaculo “VALE MAIS”. Assim, parece-me que há contradição violenta com a Tradição da Igreja.

    Eu posso dizer, por exemplo, que é bom estar perto dos pais, mas que é melhor ainda estar perto do Pai. Está claro que eu estou dizendo que “VALE MAIS” Deus que a familia. Não tem contradição nestas minhas palavras. Posso elogiar muito os meus pais e depois dizer que Deus vale mais. Paulo VI fez isto. Ele pensou ter mais valor o vernáculo que o Latim.

    Enfim, o objetivo deste meu comentario foi mostrar aos que querem que tenham na Missa Nova o Latim e o Gregoriano que o próprio Papa Paulo VI, que fez a Nova Missa, tinha outra intenção.

  6. 2009 dezembro 27
    Teresa permalink

    Oi Leonardo:
    Escrevo para me solidarizar com voce. Não tem idéia como suas palavras encontram eco dentro de mim e certamente de muita gente mais, infelizmente espalhada.
    “É um cobate cruento de anjos e domônios” cada missa. É verdade, e esse combate acontece tambem na nossa alma, pois é impossível assistir indiferente a certas coisas. Acho que posso dizer que cada missa a gente sofre muito.
    Fiz um comentário sobre outro artigo desse mes e não vou repetí-lo, mas se o ler voce entenderá. De qualquer jeito, sinta-se acompanhado na sua tristeza, revolta, indignação, preocupação… no esmagamento de seu coração.
    É por Cristo, só isso nos consola.

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