A pretexto do Congresso Eucarístico de Brasília
Congresso Eucarístico Internacional, Barcelona, 1952 – Os anos passaram e a Eucaristia continua merecedora da mesma reverência e dignidade.
Sabemos que ano que vem, de 13 a 16 de maio, Brasília sediará o 16º Congresso Eucarístico Nacional.
Sabemos também que haverá espaço para a celebração da Santa Missa em vários ritos orientais, o que é absolutamente louvável.
Só não sabemos algumas coisas…
1. As Missas do Congresso EUCARÍSTICO serão respeitosas para com a EUCARISTIA? Ou seja, seguirão as rubricas FIELMENTE? Ou serão como a esmagadora maioria das Missas no Brasil, em que o Missal Romano é quase que rasgado em nome de uma perniciosa criatividade que desonra nossas mais caras tradições litúrgicas?
2. Haverá espaço para a Missa “tridentina”, i.e., para a forma extraordinária do rito romano, em latim, versus Deum? Quem sabe até celebrada de modo pontifical por um Bispo ou Arcebispo? Dom Fernando Rifan, quem sabe?
3. E a Missa “nova”, pós-conciliar, a forma ordinária do rito romano? Além de bem celebradas (tomara!) em vernáculo, será que teremos Missas “novas” em latim? Tenho medo da falsa dicotomia “Missa tridentina em latim e bem celebrada X Missa nova em vernáculo e bagunçada”… Teremos o latim, a língua da Igreja, também no rito romano moderno?
São perguntas que ficam, e clamam por uma resposta…





Temo, muito infelizmente, que a resposta seja não para as três perguntas.
http://www.cnbb.org.br/ns/modules/news/article.php?storyid=2709
A CNBB busca vivenciar o espírito natalino mas começa esquecendo-se da caridade de Cristo, que cobre todas as coisas, simbolizada na liturgia pela casula. Se em sua própria sede não dão exemplo de zelo pela liturgia, não será no Congresso.
Essa é a triste realidade da nossa Conferência Episcopal.
Lendo este discurso abaixo do Papa Paulo VI talvez compreenda melhor alguma coisa:
http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/audiences/1969/documents/hf_p-vi_aud_19691126_it.html
Audiência do Papa Paulo VI, em 26/11/69
“Qui, è chiaro, sarà avvertita la maggiore novità: quella della lingua. Non più il latino sarà il linguaggio principale della Messa, ma la lingua parlata. Per chi sa la bellezza, la potenza, la sacralità espressiva del latino, certamente la sostituzione della lingua volgare è un grande sacrificio: perdiamo la loquela dei secoli cristiani, diventiamo quasi intrusi e profani nel recinto letterario dell’espressione sacra, e così perderemo grande parte di quello stupendo e incomparabile fatto artistico e spirituale, ch’è il canto gregoriano. Abbiamo, sì, ragione di rammaricarci, e quasi di smarrirci: che cosa sostituiremo a questa lingua angelica? È un sacrificio d’inestimabile prezzo. E per quale ragione ? Che cosa vale di più di questi altissimi valori della nostra Chiesa? La risposta pare banale e prosaica; ma è valida; perché umana, perché apostolica. Vale di più l’intelligenza della preghiera…”
“Aqui, é claro, será percebida a maior novidade: a da lingua. Não mais o latim será a lingua principal da Missa, mas a lingua falada. Para quem conhece a beleza, a potência, a sacralidade expressiva do latim, a substituição pela lingua vulgar é certamente um grande sacrifício: perdemos aquela [lingua] dos séculos cristãos, tornamo-nos quase intrusos no recinto literário da expressão sacra, e assim perderemos grande parte daquele estupendo e incomparável fato artístico e espiritual, que é o canto gregoriano. Temos, sim, razão para lamentarmo-nos, e até mesmo de espantarmo-nos: o que irá substituir a lingua angélica? É um sacrifício de preço inestimável. E por qual razão? O que vale mais do que esses altíssimos valores da Igreja? A resposta parece banal e prosaica; mas é válida, porque é humana, porque é apostólica. Vale mais a compreensão da oração…”
Caro Sr. Rafael,
Entendo e compartilho seus anseios – principalmente porque moro em Brasília, mas me parece que vives em outro mundo.
Se tem algo mais improvável que uma Santa Missa no Rito Gregoriano, no CEN, é uma Missa Nova em latim.
In Cor Jesu,
Não vivo em outro mundo, meu caro. Tu é que não entendeste a ironia e a “cobrança” da postagem..
É óbvio que é quase impossível isso, mas não podemos deixar de desejar, ora bolas!
Eu também moro em Brasília e não acho impossível, pois já existem dois lugares em que se celebra o rito tridentino. Aliás, com plena aprovação do arcebispo e do bispo emérito. Segundo me consta, o próprio arcebispo designou especialmente a paróquia S. Pedro de alcântara para celebrar no rito extraordinário. Um ano seguinte ao motu proprio, o Instituto bíblico, no centro de Brasília é o segundo local a abrigar a tradição católica ao celebrar no rito extraordinário.
Além disso, na comunidade católica da Universidade de Brasília, já estamos rezando o cordeiro de Deus em latim e o kyrie. Isso num lugar onde mais de 80% é jovem.
será que estamos falando mesmo da mesma cidade?
Por favor vamos manifestar o nosso pedido para a celebração do Rito Tridentino no Congresso Eucarístico pelo “fale conosco” no site do congresso:
http://www.cen2010.org.br/index.php?option=com_contact&Itemid=3
Mesmo aqueles que não moram (ou estarão) em Brasília estariam fazendo um grande favor! Não custa tentarmos.
Obrigado,
Alvaro
ps.
A proposito, na programação constam que serão celebrados os seguintes ritos:
Católico Oriental Ucraniano; Católico Oriental Maronita; Católico Oriental Armeno; e, Católico Oriental Melquita.
Todos na Paróquia Nossa Senhora do Lago, no Lago Norte.
Caro Vinícius,
Pessoamente, aproveito muito pouco os dois locais que oferecem o rito Gregoriano em Brasília. No horário em que ele ocorre – 17hs, em ambos lugares – estou dando catequese para adultos em minha paróquia.
De todo modo, conheço bem a história do rito Gregoriano em Brasília.
Os pedidos de fiéis ligados a tradição, para que o rito fosse celebrado aqui, eram antigos e lícitos. Sempre foi negado. Durante alguns anos, anteriores ao MPSP, o Revmo. Pe. João Batista, de Anápolis, oferecia o rito, numa casa de leigos, no Lago Sul. Por motivos óbvios, o público era muito reduzido.
Já nesta época, o rito era oferecido de forma particular – e eventualmente pública, com certa irregularidade – na capela do Instituto Bíblico de Brasília.
Após o MPSP, V.Ex.Revma. o Sr. Arcebispo designou a paróquia São Pedro de Alcântara para celebrar o rito Gregoriano.
Na época, ele começou a ser celebrado, após pedido de um grupo de fiéis, por um padre em uma paróquia de Taguatinga. Lá, foi suprimido.
Persiste na Paróquia São Pedro de Alcântra, domingo, 17hs.
Vá no sítio da Arquidiocese de Brasília, link horários de missas.
Não encontrará lá tal missa.
Muito menos a missa que ocorre na capela do IBB, que não é juridicamente submetido a arquidiocese.
Aliás – já que moras em Brasília, qual o grau de dificuldade que um sujeito, residente no Gama, p.ex., teria, para chegar a Paróquia São Pedro de Alcântara, num domingo as 17hs?
Enorme, concorda?
Mas fujamos um pouco da questão de exceção do rito Gregoriano.
Vamos para a Missa Nova.
Esqueça a UnB. Falemos de sua e de minha paróquia.
Se filmarmos uma missa em minha paróquia, e um ofício herético qualquer, sem áudio, fica difícil saber o que é o que.
Não existe, em Brasília, duas missas iguais.
Há uns 2 anos atrás, na catedral, havia missas celebradas “conforme as rúbricas do missal”, ou muito próximas disso, todas em vernáculo.
Hoje nem isso.
E, nas visitas episcopais as paróquias, o que vejo é sempre a missa “muito próxima as rúbricas” sendo encampada por todos os abusos usuais nas paróquias.
Se na UnB – onde me forme e hoje trabalho – estão rezando umas orações em latim, Deo Gratias!
Mas a realidade dos 99% de católicos do DF é diversa.
Externamente, a maioria das missas se parece com ofícios protestantes e – pior de tudo – o povo adora e nem sabe disso.
Em uma formação que tive, em 2007, logo após a publicação do MPSP – que aliás ninguém comentou aqui – um padre muito ligado a arquidiocese criticou veementemente o desejo dos fiéis em pedir o rito antigo – qualificou-o como nostálgico e disse que “o rito romano é o de Paulo VI”. Com todas as letras.
Outro dia, fui a uma missa em uma paróquia da Asa Sul, que foi celebrada por um padre castelhano, que não conhecia o português. Celebrou em espanhol.
O povo achou “lindo”.
Vá fazer a mesma coisa em latim.
O povo, via de regra, abomina o latim.
Por tudo isso, sou mais pessimista e cético que o Sr. e me arrisco a palpitar: não haverá missa Gregoriana, ou nova, em latim, no CEN.
Eu me contentaria com uma Missa conforme as rúbricas mesmo, em português.
Mas, com a presença maçica de fiéis ligados a RCC – com seus abanos, danças, palmas e etc – nas Missas, vc realmente consegue imaginar isso?
Deus queira que eu esteja errado; e que vejamos imagens como esta postada pelo Dr. Rafael.
Gustavo