Avacalhação litúrgica

2009 novembro 28

Hoje fui numa Missa de Primeira Comunhão. Esta simplesmente transpôs os limites do abuso litúrgico atingindo uma nova categoria; avacalhação litúrgica. Se alguma criança ali presente acreditava na Eucaristia eu viro adventista de sétimo dia, e falo isso sem medo de julgar a consciência. Daí podem concluir o nível da celebração. Teve direito a aplausos em todos os momentos, era só alguém falar no microfone “Hoje o dia está quente” ou “Vocês são imbecis” que já se ouviam o estalar de mãos. Além disso, os cânticos eram simplesmente ridículos, piegas e sem o mínimo sentido teológico. Tudo refletia desordem e desorganização, o Padre inventava de mudar a posição das crianças e criava baboseiras no meio da celebração – se baboseiras programadas já são tristes imaginem baboseiras arranjadas?! Ademais, o povo era mais educado numa feira do que na Missa; conversaram no ato penitencial, conversaram no glória, conservaram no ofertório, conversaram na consagração, conversaram no Pater, conversaram até mesmo na benção final. Assumo que achava engraçado quando o Padre tinha que repetir as orações ou pedia silêncio, afinal ele era o principal promotor do caos. Obviamente, a Igreja era uma dessas feitas a facão, feia de doer e com uma acústica péssima; não conseguia diferenciar uma palavra humana de um mugido.

O Sacerdote era uma caricatura. Além de incitar esses abusos, ele mesmo debochava, indiretamente, do que fazia. Pedia que as crianças respondessem às orações, dizia que estavam desatentas e relapsas, aí os pais, amigos, davam risadas, como se a pouca atenção ao mistério celebrado fosse a coisa mais natural do mundo.

Pobre dessas crianças. Como acreditar na Eucaristia quando a celebração diz justamente o contrário? Como fazer com que uma criança adore o Corpo de Cristo se na Missa, na renovação do Sacrifício, a assembleia, o Sacerdote, tratam com descaso e pouco – ou nenhuma – reverência? O ensino se faz na prática, com atos de piedade e contemplação. Na catequese horas e horas são gastas para ensinar que na Eucaristia Cristo Se faz presente integralmente, mas todo esse esforço é jogado no ralo quando na Missa, as mesmas pessoas que assim ensinaram, sequer tratam com dignidade, contrição e piedade o Senhor eucarístico.

Hoje foi um dos piores dias da minha vida!

22 Responses leave one →
  1. 2009 novembro 28
    vinícius permalink

    Já passei por algo parecido. Tomei uma atitude bem simples: sai da igreja. Muito simples. Se agente não pode fazer muita coisa, pelo menos não somos coniventes com este tipo de blasfêmia.

  2. 2009 novembro 28

    “não conseguia diferenciar uma palavra humana de um mugido”.

    Mas, havia algum mugido?

    Lamento por esse dia em sua vida.

  3. 2009 novembro 29
    João Marcos permalink

    Pior é o que eu vou passar nos próximos dias.

    Geralmente quando eu toco em alguma celebração, eu tenho me esmerado em escolher bem os cantos que unam os recursos da música moderna (no caso específico, toco guitarra) com o sensus eclessiae, unindo de forma a garantir, pelo menos quanto à música, um ar mais propício à oração.

    (Observação: toco guitarra e gosto muito de rock, mas na missa não toco rock e não uso distorção)

    Só que eu aceitei tocar numa celebração e, só agora, descobri que fecharam a lista sem me consultar. Ou seja, impuseram os cantos sem se preocupar com quem vai tocar!!! To tentando mudar a stuação, pois escolheram um canto de Santo muito agitado, além da letra não ser a do missal (to querendo mudar para o Santo é o Senhor do Padre Cleidimar). E isso com a aprovação dos padres!!!

    É frenético. E não tem como eu não tocar, pois não tem quem me substitua nessa altura do campeonato (e, com toda a humildade, mas sem falsa modéstia, melhor eu que sei algo de liturgia do que alguém que nada sabe).

    Rezem por mim, porque se eu não conseguir reverter a situação, vou ter que me segurar para, na santa obediência, fazer o menos errado possível.

    Um desabafo: tenho 24 anos, e o que mais sinto é que a minha geração foi prejudicada por um protestantismo na liturgia arrebatador. Nossa fé acabou sendo protestantizada demais, nossa liturgia foi protestantizada, e agora estamos tendo que lutar para recuperar as coisas. E o pior, tomando cuidado para, na hora de arrancar o joio, não arancar o trigo junto. E isso é doloroso!!!

    Té mais

    João Marcos

  4. 2009 novembro 29
    Chirlei permalink

    Pedro, eu comungo de sua decepção em relação aos excessos que mormente se cometem na Sagrada Liturgia. O Mistério Pascal não é contemplado com a merecida referência por parte de muitas pessoas, inclusive por alguns sacerdotes. Essas pessoas transformam o Sacrifício perpetuado no Altar em espetáculo, de modo que sua sacralidade é olvidada. Nesse ponto, é preciso concordar com você.

    Pax Domini!

  5. 2009 novembro 29
    Leonardo permalink

    Os fiéis do interior vêem menos essas coisas, porque no interior mais pobre não há tanto materialismo como nas gerações mais novas e mais secularistas das capitais, mas eu sofria muito com isso no centro-sul de BH. Eu nem sofria por mim, eu tinha tanta vergonha do desprezo a Nosso Senhor que não conseguia olhar na direção do altar. Uma coisa que incentivava era os tais cultos para festejar as formaturas. Posteriormente, tudo passou a ter o culto à vaidade das formaturas: coroação de Nossa Senhora, Primeira Eucaristia e até casamentos. O pessoal quer foco, palco, luz sobre si e muita algazarra. Os filhos refletem a egolatria dos pais. A belezura de seus anjinhos cultua a pretensa superioridade de seu ego inflado, respaldado por certo dinheiro ligado a alguma exploração. É a geração-xuxa mostrando a que veio. Na verdade, são piores que os vendilhões do Templo, são como vendilhões da própria Vítima. Subtraíram a Vítima e se colocaram no lugar, parecendo-lhes que Deus ainda fica devendo por estarem ali, ostentando um “oba-oba” para o “cara lá de cima”. Agora no Natal, acontece demais nas casas até de famílias católicas. Parece que, para eles, no Natal, Deus vem quitar um pouco da sua dívida pelas carências humanas. São todos uns coitadinhos e são tão vitimados, apesar de serem tão bonitinhos, que o Deus malvado não tem direito de querer correção nenhuma acerca de nada. É o egocentrismo de todo o liberalismo humano. Deus anda com menos cartaz, por exemplo, que a “mãe-terra”, diante da qual nunca poderá ser tão passivamente benfeitor. E, aí, ainda vêm os padres açucarados para as senhoritas que muito se deram, mas que não foram escolhidas… Precisamos de muuuita paciência! A culpa não é só dos padres, ninguém pode esquecer do método dos psicólogos segurarem seus clientes, entre tantos outros.

  6. 2009 novembro 29
    Ricardo permalink

    Eu sei bem o que é isso.

    Há algum tempo, fazia leituras nas missas da minha paróquia. Eu era um “ministro da palavra”, título dado pelo padre.

    Quando aceitei, pensei que poderia ajudar os outros “ministros” e também o ministro verdadeiro. Quanto estava enganado!

    Participei de um circo de vaidades, no qual tinha tantas aberrações durante a Santa Missa, que acredito, que outro lugar tenha tantos absurdos.

    Minha saída se deu, quando teve uma missa encerrando um retiro de jovens, na qual o padre, ao som do Zaqueu, pediu para os jovens e em seguida a assembleia, para subirem nos bancos da Igreja e entoarem a referida música.A partir deste momento, resolvi deixar o apostolado.

    Quando o padre soube que saí, disse a outras pessoas que eu devia explicações a ele, que queria saber meus motivos; como não soubesse…Resolveu dedicar a falar mal de minha pessoa.

    Marquei um horário e fui conversar com ele em sua sala(ou consultório psicológico). Ele disse que ficara sabendo que eu não estava gostando das celebrações que ele conduzia, ao que respondi que era verdade. A partir disso, ele veio com a enxurrada de acusações de tradicionalismo, alegando que eu tinha aspirações pré conciliares, que a Igreja na Europa está vazia por conta de pessoas como eu, que eu era mais sacerdote que ele, que existe a minha verdade e existe a dele, e blá, blá, blá…

    No meio da conversa, ele disse que tinha o aval do bispo para realizar as catástrofes na Missa. Até o momento, estou confirmando que é fato, pois relatei tudo e nada tem sido feito, aliás, o bispo respondeu meu e-mail, afirmando ter feito um artigo para alertar os padres , no entanto, penso que foi só para dar uma satisfação a um fiel, porque na prática, nada mudou.

    Bom…, fora isso, segue uma perseguição, direcionando homilias para mim e fazendo fofocas para me espezinhar.

    Estou longe de ser a personificação da pureza e da santidade, mas quero e preciso de uma celebração decente.

  7. 2009 novembro 30

    Tambémn faço como o Vinicius: deixo a igreja e volto em outro horário de missa mais “calma”.

    Meu irmão é professor de história nas séries finais do ensino fundamental e abismado, contou que alunos da 5ª série/6º ano não sabiam quem era Jesus Cristo! E a grande maioria é “católico” e participa da catequese!!!

    Ele perguntou se os alunos “zoneavam” na catequese, recebeu como resposta: “bem mais que na escola”. E voce deve saber como anda a educação em nosso país, não?

  8. 2009 dezembro 1
    Leandro permalink

    Infelizmente, caro Leonardo, no interior também vemos estas algazarras. Eu é que achava que aqui era pior…
    Deus me perdoe se estou sendo injusto, mas temos um problema: O Padre Israel, da paróquia Santa Ana, de Limeira, só falta celebra a Missa de cabeça para baixo!
    -Conta piadas na Homilia: “No encontro do AA o líder pegou um ovo cozido sobre um prato e jogou cachaça em cima, ao que o ovo começou a derreter. E disse ‘é isto o que acontece com seu estômago’, e o bêbado falou: ‘credo, então eu nunca mais como ovo!’.” Obs: não tinha nada a ver com o resto da Homilia!
    -Toda santa Missa é feita comunhão em duas espécies: e é o fiel quem pega a Partícula na própria mão e molha no Sangue. Parece difícil de acreditar, mas é verdade. E, no final da comunhão, sempre há gotas do Sangue sagrado derramadas em volta do ministro, que posteriormente poderão ser pisoteadas.
    -Canta músicas de louvor e adoração, para bater palimnha, durante a Missa toda. Por exemplo: na hora da Oração Eucarística, no Santo Santo eles cantam: “Eu celebrarei cantando ao Senhor e com ele me alegrarei (2x) Eu o louvo e adoro porque tem triunfado…” (sic).
    -Aí, no meio da Oração Eucarística, troca as palavras, fala “Deus todo amoroso” em vez de “Deus todo poderoso”.
    -No meio da homilia, ele ordena “quem é jovem gritaaaaa!” e todo mundo “AAAAHHH”!
    -O Pai-Nosso (de mãozinhas dadas, é claro) é sempre cantado “Paaaai, meu pai do céu, eu quase me esqueci que o teu amor vela por mim….”

    As poucas vezes que participei de uma missa lá foram suficientes…

  9. 2009 dezembro 1
    Michele Madalena permalink

    Ricardo,
    é triste mesmo quando a preseguição vem de dentro da própria Igreja Católica. Eu já participei do grupo de liturgia da minha paróquia (que de liturgia católica passa bem longe), grupo esse unicamente para escrever os comentários da Missa (coisa que o padre poderia muito bem fazer sozinho).Eram propagadas algumas heresias (quando era eu quem lia os comentários, modificava o que podia na hora da leitura), além da briga de egos.Era a coordenadora do grupo que não ia pra Missa à noite no domingo, pois segundo a própria “ia bombar na boate”. Ela, inclusive,ia de saia curtíssima para a própria Igreja, chegando até a entrar na sacristia(não sei como ela tinha coragem!). Era outro participante que zombava de mim e de minha irmã do altar, conversando com outro coroinha e rindo.O padre, embora não seja um TL, é muito frouxo e não guia sua paróquia.Infelizmente estamos passando por uma profunda crise, mas perseveremos.
    Saí do grupo de liturgia também por motivos parecidos com os seus. Algumas pessoas já não me suportavam, e assim como você, também pensava que conseguiria contribuir bastante, mas me enganei.
    Hoje em dia prefiro contribuir com o silêncio, através do exemplo de conduta, mas não mais me envolvendo nesses assuntos.
    Espero que sua situação já esteja melhor na paróquia.
    Salve Maria!!

  10. 2009 dezembro 1
    João Marcos permalink

    Eu tomei minha decisão: depois desta celebração maluca que tocarei no próximo dia 12/12, irei me afastar da respectiva paróquia, me radicando de vez em outra que já estou servindo a algum tempo e que, apesar dos problemas, respira ares mais sacros.

    Não vou ficar me desdobrando para fazer da minha música o melhor possível para embelezar uma liturgia em que os próprios padres não respeitam. Não vou ficar maquiando com o meu acerto o erro dos outros.

    Talvez, na hora que a malfada paróquia virar o caos total, com todo mundo debandando, alguém faz alguma coisa, se possível tranformando ela em diocesana (em que, além da formação ser melhor, é mais fácil pressionar os bispos para a troca dos padres).

    Saio da minha antiga paróquia com muita tristeza, pois foi lá que aprendi a ser católico. Mas, infelizmente, não a reconheço mais, está pior que igrejinha de garagem.

    Té mais

    João Marcos

  11. 2009 dezembro 1
    Pedro permalink

    Uma pergunta, amigos. Não tem nada a ver com a avacalhação litúrgica, mas diz respeito ao sacramento da penitência. Eu li pelo CDC que é obrigatória que as confissões sejam realizadas pelo confessionário, sendo permitidos apenas em casos extraordinários que a confissão pudesse ser feita de outra maneira.

    Minha pergunta é se uma confissão feita numa saleta, ou seja, sem confessionário, perde o seu valor e eficácia por causa desse detalhe… em nenhuma igreja aqui de minha cidade tem confessionário e quando eu fui dizer que o confessionário é obrigatório a pessoa que me atendeu disse que é sinal de humildade a pessoa se confessar olhando para o padre… na hora meu sangue ferveu, mas eu me controlei…

    Grato!

  12. 2009 dezembro 1
    Pedro permalink

    A questão é que eu vou voltar para a Igreja depois de muito tempo como ateu e como eu preciso me confessar, eu temo fazer uma confissão nula pela ausência do confessionário, que por ser obrigatório, fez com que o temor de uma confissão nula invadisse minha mente…

    Futuramente eu pretendo me mudar para o Rio ou para Niterói para ter a chance de me confessar com frequencia (já que até para confissões frequentes, aqui na minha cidade é difícil, tendo que marcar antecipadamente com o padre, de acordo com a agenda dele) e também poder assistir à missa no antigo rito.

    E dessa vez eu até pensava em viajar para niterói para me confessar em uma Igreja que tivesse o confessionário, mas o fato de viajar em pecado mortal me enche de medo, fazendo com que minha única alternatica seja me confessar aqui mesmo na minha cidade…

    Por isso a minha questão sobre a validade da confissão sem o confessionário…

    e detalhe, na Igreja até tem o confessionário, mas sabe-se lá o porque eles não usam…

    Uma última questão: qual atitude eu devo tomar, caso o padre de minha cidade se negue a ouvir minhas confissões frequentemente, não digo todos os dias, mas talvez duas ou três vezes por semana?

    eu desejo me confessar frequentemente, seguindo o exemplo dos santos e os diversos documentos da Igreja que nos estimulam a isso…

    Agradeço!

  13. 2009 dezembro 1
    Rafael Vitola Brodbeck permalink

    Se há matéria, intenção, forma e ministro válidos, a confissão é válida. O confessionário é obrigatório para a LICITUDE, não para a VALIDADE. E mesmo assim essa licitude obriga ao padre, não ao fiel.

    Vai e te confessa! Se o padre não ter a absolvição, aí, sim, temos um problema.

  14. 2009 dezembro 1
    Pedro permalink

    Obrigado pela resposta. Eu temia que pelo fato de ter plena consciência de ser obrigatória a confissão no confessionário, talvez a minha confissão se tornasse nula devido a esse conhecimento. Sei que é um direito do fiel se confessar pelo confessionário, um direito negado, mas longe de mim de querer criar caso e prolongar o tempo dessa minha primeira confissão (no meu retorno à Igreja). O que eu gostaria mesmo é de me confessar o mais rapidamente possível e ficar com a consciência em paz… Lembro-me quando criança, na minha primeira confissão, foi feita numa sala na Igreja, olho no olho com o Padre. Pouco tempo depois disso, eu me tornei ateu, tendo novamente retornado à Igreja há mais ou menos um ano… uma história bem parecida mesmo com a do filho pródigo… e como a de muitas pessoas… foi a lembrança dos efeitos da Graça dessa minha primeira confissão que me fizeram retornar… enfim…

    Sinto-me mais aliviado em saber que não há problemas ao fiel no que diz respeito ao confessionário…

    Obrigado!

  15. 2009 dezembro 1

    Se quizerem ver aberrações litúrgicas visitem as dioceses do norte do paraná.
    Cada igreja é “um rito”, cada “rito” é uma coleção de avacalhações.

  16. 2009 dezembro 2
    Roberto permalink

    Bom dia, amigos, “Paz a esta casa.” São Mateus 10, 12.

    É. Dá uma dor no peito ler estas situações que passam alguns católicos com os descalabros na liturgia. É difícil permanecer na dita equipe de liturgia, mas se desistimos “o silêncio dos bons ajuda os maus”. Assim, continuemos, pois Cristo nos disse para tomarmos sua cruz, pois seu jugo é suave e o fardo leve, mas há julgo e fardo! E cruz…
    Bem, aproveito o gancho e gostaria de fazer uma perguntinha, já que no VS não é mais possível (e nem achei resposta satisfatória na busca), se possível. Pode ser trocado o Salmo por outro na liturgia? Por exemplo, utilizar o de domingo em uma terça-feira seguinte? Qual (ou quais) documento da Igreja encontramos a permissão ou proibição (ou flexibilização)?
    Se não puderem me responder, por favor me indiquem onde buscar a resposta o mais direta possível, sem interpretações pessoais.
    Desde já agradeço e Cristo Jesus, o Filho de Deus, os abençoe.
    Dominus vobiscum.

  17. 2009 dezembro 2
    Roberto permalink

    Mais uma vez, bom dia e que a Paz permaneça …
    Desculpem-me o retorno, mas esqueci de uma coisa.
    Minha dúvida agora vai para o Rafael, pois é da área dele (Direito).
    Não entendo bem como, no caso acima do Pedro (seja bem-vindo novamente!) ou outra qualquer, uma situação pode ser ílicita, mas válida. A ilegalidade (ilicitude) não torna o ato nulo ou anulável?
    Puxa, realmente não consigo entender.
    Ficarei muito grato se me clarear esta questão.
    E que o Mestre Divino abençoe a todos …

  18. 2009 dezembro 2
    Magna permalink

    Por exemplo, Roberto (alguém me corrige se eu estiver errada): um confessor que esteja em pecado mortal, e algum fiel o pede para se confessar, ele não pode recusar ao pedido. Faz tudo corretamente para se dizer que houve o sacramente da penintênica (matéria, forma, intenção), porém está em pecado mortal que o torna indigno. O sacramento é valido devido estas três coisas que citei, porem ilícito devido a indignidade do confessor. Podemos citar isto também na Santa Missa.
    Sobre esta questão sobre ilicitude/validade foi assim que me explicou certa vez um sacerdote.

  19. 2009 dezembro 3
    Roberto permalink

    Boa tarde, Magna, a Paz esteja contigo.
    Desculpe-me, mas a situação que você citou, o padre em pecado, pelo que sei não torna ilícito qualquer dos sacramentos (penitência/reconciliação, eucaristia, etc.).
    Abraços e Cristo Jesus, o Filho de Deus, a abençoe.

  20. 2009 dezembro 4
    Leonardo permalink

    Em Direito temos algo legal (vindo da lei) e algo legítimo (vindo do assentimento social). Um governo pode ser legal (eleito), mas não legítimo (porque a maioria dos eleitores se absteve de votar, por exemplo). Creio que no Direito Canônico (que ainda não estudei) deve ocorrer algo parecido: um sacramento válido é eficaz e perpétuo, porém, pode ser ilícito apenas quanto à ilegitimidade (falta de sinceridade do celebrante ou dos celebrantes – estes, se no matrimônio, por exemplo). O ilícito aqui não seria a mesma coisa que ilegal, mas mais próximo do ilegítimo (uma verificação que sempre depende da sinceridade ou da pureza de intenção).

  21. 2009 dezembro 4
    Magna permalink

    Caro Roberto, observe o que eu encontrei aqui no site.
    “Ilícito é o ato válido, i.e., não nulo, mas realizado em desacordo com a lei.”
    Então, quer dizer, que se numa igreja existe um confissionário, e o confessor não faz uso dela por nenhum motivo justificável, então seria a confissão ilícita?

    Código do Direito Canônico
    964 § 1. O lugar próprio para ouvir confissões é a igreja ou oratório.

    § 2. Quanto ao confessionário, estabeleçam-se normas pela Conferência dos Bispos, cuidando-se porém que haja sempre em lugar visível confessionários com grades fixas entre o penitente e o confessor, dos quais possam usar livremente os fiéis que o desejarem.

  22. 2009 dezembro 17
    Leandro permalink

    Só uma correção quanto ao meu comentário acima… o padre da paróquia Santa Ana, de Limeira, que incorre em muitos abusos litúrgicos, chama-se Isaías, e não Israel. Desculpem pela gafe.

    Porém, como eu dizia, aqui no interior a coisa tá feia mesmo. Na paróquia Santa Luzia, o padre manda rezar o pai-nosso balançando os braços, na paróquia Sagrada Família cantam a música Anunciação (tu vens) de Alceu Valença na entrada da missa, ao ritmo de palmas e tal…

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