A Primeira e Última Eucaristia?

2009 novembro 22
by Pedro Ravazzano

Hoje, pela manhã, fui à Santa Missa, solenidade de Cristo Rei. Uma data tão importante para a Igreja deve ser celebrada com toda a solenidade – no duplo sentido, normas e estética. Agora pensem, meu caros, que nessa Celebração também se realizou a Primeira Comunhão de algumas crianças. Se a festa já era boa, agora ficou melhor! Deus se alegra com os pequeninos que comungam do Seu Corpo e Sangue pela primeira vez. Cristo Rei estava lá para acolhê-los nessa data tão festiva.

Entretanto, o que deveria ser uma festa bonita, sagrada, envolta num espírito de contemplação e mística, parecia uma feira! Claro que as Missas são válidas, mas não podemos negar que os efeitos de uma liturgia bem e mal celebrada diferem, e muito. Que tais Sacerdotes não queiram seguir as normas, as rubricas, que queiram romper com a Tradição, até entende-se, afinal são modernos (+ istas), acompanham os tempos (sic!), dizem. Mas até mesmo o bom gosto estético não passa ileso pelo crivo do oba-oba? Qualquer pessoa sensata que estava naquela Missa, com fotógrafos participando da procissão de entrada, momentos da Celebração dedicados às fotos, confusão e desorganização, percebia a desordem.

Se ninguém sabe que a Missa é a Renovação do Sacrífico, é porque tais Celebrações dizem o contrário. Enxergar a realidade sacrificial numa Santa Missa dessa é absolutamente impossível. Pena das crianças que foram usadas como pretextos para a transformação e corrupção do correto decoro litúrgico.

3 Responses leave one →
  1. 2009 novembro 23

    Caro Pedro, Laudetu Dominus!

    Espero que você não pense que eu estou te perseguindo, ou algo assim… :)

    Mas, veja bem: no último parágrafo de seu texto você diz: “[s]e ninguém sabe que a Missa é a Renovação do Sacrífico, é porque tais Celebrações dizem o contrário”. Na verdade, “ninguém sabe que a Missa é a Renovação do Sacrífico” porque isto não é ensinado, de uma maneira geral! Faz algumas décadas que isto deixou de fazer parte da formulação convencional das catequeses sobre a Missa. Até mesmo o atual CIC começa a falar do sacerdócio comum, da participação dos fiéis na liturgia para só depois e em míseros três parágrafos fazer um referência ao sacrifício. O fato de que a celebração, enfim, não mostra que é a actualização do Sacrifício do Senhor é uma conseqüência disto não ser ensinado. Primeiro, deixa-se de ensinar; depois a Missa vira bagunça.

    Penso que, para ajudar a esclarecer um problema, deve-se entender corretamente e detalhadamente sua cadeia de causas e conseqüências. Senão, nossas opiniões não passam de meras expressões de perplexidade, sem eficácia enquanto contribuição para o conhecimento ou a solução do problema.

    Pax et Salutis

  2. 2009 novembro 24
    Leonardo permalink

    Sabe o que fizeram? Roubaram sob as nossas barbas muito boa parte de nosso patrimônio de 2000 anos. E colocaram no lugar do divino, tão inusitadamente rico e belo, o humano – sabidamente – a partir de nós mesmos, tão pobre e feio.

    Um clamor pela exposição da riqueza divina na Santa Missa:

    Deus é o mais belo e o mais rico.

    Sendo sempre humilde, simples e despojado, Deus assim fica sempre mais rico e belo.

    Tínhamos para todos desta sua beleza na Igreja e apenas para festejar a linda pobreza de Deus.

    De um Deus que se fez pobre para tornar os homens ricos.

    Ricos do quê? Ricos de Deus e das coisas de Deus. Convidados à partilha do Céu já aqui na terra.

    Algo de Deus que o homem vislumbra e adora, mas nem sequer pode explicar. Para a adoração de Deus, a qual não podemos conter em nós.

    Aí, vieram os revolucionários orgulhosos e invejosos. Eles trataram de se infiltrar na Igreja para tirar de muitos, ou de quase todos, o que era para todos.

    Tiraram de nós a beleza da adoração de Deus para a celebração de Seu Sacrifício. Um patrimônio mais que milenar e riquíssimo, dirigido a Deus, mas que volta ao homem.

    Distorceram e o dirigiram quase que apenas para o homem. Como se celebrar Deus na sua rica pobreza fosse acolher o homem na sua miséria vazia e feia.

    Daí, foi um só passo para que nos mantivéssemos tentando celebrar o homem no lugar, no espaço e na hora de celebrar a Deus. E descambando cada vez mais.

    Deus na sua misericórdia, sempre se dando, Se mantém lá, forçado a Se compor ante a expressão de tanta miséria humana que cada um pode reconhecer em si mesmo.

    Mas, nós que precisamos da Transfiguração da aparência humana do Senhor para celebrarmos sua glória divina, reunindo na Igreja sua beleza ofertada em dois mil anos,

    acabamos desprovidos de sua percepção, celebrando pateticamente a miséria humana como se fosse reflexo de Deus.

    Agora, aqui estou eu, farto da miséria humana e necessitado do frescor do orvalho divino para me consolar e quase que nem tenho mais quem o possa aspergir sobre mim.

    Misericórdia de nós Senhor que, de uma certa forma, desde que nascemos, fomos exilados da sua Excelência dentro da sua própria Casa.

  3. 2009 novembro 24
    Leonardo permalink

    Em todas as paróquias de minha cidade Deus é subtraído da reverência que lhe é devida na Santa Missa. Dizendo, assim, a maioria das pessoas religiosas entende esta chamada como algo de um antigo autoritarismo icompatível com a estratégia de atração que exige um acesso carregado de carinho a Deus e desde Deus. O homem moderno é melindroso e centrado em si mesmo, se Deus não for apenas um Consolador para ele, não o atrai, dizem. Fui queixar com meu pároco e ele me disse: “não, nada disso, Deus entende e tem o coração grandioso, não posso tolher a expressão de cada um por um legalismo na Liturgia”. Mas, o que constato é o seguinte: na verdade, tiramos Deus quando não o reverenciamos na consideração de sua glória e com toda sua beleza. Precisamos da Transfiguração de Jesus como fonte de segura esperança e como consolação. Mas também como referência que nos forma e que sustenta nossa alegria. É por isso que Deus deixou de ser nosso herói, e menos ainda que nosso pai terreno é nosso herói na infância e, assim, cada vez menos aceitamos que Deus nos corrija e seja nosso formador através da sua autoridade, pela qual até sua ira é misericórdia conosco. Quem mais se confunde é o humilde. Fica perdido na Santa Missa e até acuado pela obrigação de reverenciar os outros, seus meros semelhantes. Tudo encenação, porque sem Deus no seu devido lugar, a garantir que seremos unidos por sua glória e que Ele vence as divisões, ficamos paparicando por ideologia que valoriza o esforço humano para a auto-justificação de cada um. Vejo com tristeza que os pobres quase que passaram a “celebrar” sua própria “missa” dentro da Santa Missa, porque se tornou absurda a autoridade do Sacerdote. No entanto, o Sacerdote é o Cristo na Santa Missa e, perdendo o sacerdote, perdemos Cristo.

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