Comentários a uma reação à conversão dos anglicanos
A conversão de um grande grupo tradicional anglicano à Igreja Católica, anunciada recentemente, encheu de alegria todos aqueles que, em toda a cristandade, preocupam-se com a desunião entre os cristãos e são comprometidos com o verdadeiro ecumenismo (que não deve ser confundido com irenismo nem relativismo, mas sim como o retorno à verdadeira e única fé). Todavia, nem todos os católicos ficaram contentes com a notícia. Um exemplo dos mais eloqüentes desse descontentamento foi dado por Dom Lourenço Fleichman, OSB, que publicou artigo com duras críticas à decisão da Santa Sé de abrir as portas aos “filhos pródigos” anglicanos. Com relação ao referido artigo, publicamos aqui comentários do professor Carlos Ramalhete, um dos mais conhecidos e experientes apologistas brasileiros. Cremos que os comentários do prof. Ramalhete a alguns trechos do texto em questão contribuirão para uma melhor compreensão desse acontecimento tão importante para o diálogo ecumênico, o qual tem sido enfaticamente defendido e encorajado pelo Papa Bento XVI.
Seguem, abaixo, os comentários do prof. Ramalhete (em azul), bem como os respectivos trechos do artigo de D. Lourenço. (Obs.: os comentários do prof. Ramalhete foram extraídos de uma lista de discussão, e por isso têm um tom mais coloquial e menos formal do que o de um texto científico ou de um artigo apologético propriamente dito.)
“À primeira vista um indivíduo que se converte de uma seita deveria simplesmente ser admitido à Profissão de Fé em uma paróquia católica, principalmente em se tratando de uma seita de rito latino.”
Pois não se trata de indivíduos, sim de “comunidades eclesiais” (termo político para o que é basicamente uma montoeira de gente organizada hierarquicamente como se fossem uma Igreja Particular – dioceses, paróquias, etc. – sem o serem de fato). Eles estão sendo chamados a voltar em bando, como em bando saíram. E mais do que uma Profissão de Fé simples, o que eles fizeram foi assinar cada página do Catecismo. Se o “Fermento dos fariseus” não gosta do Catecismo, é problema lá dele. Trata-se, contudo, de uma enorme e explícita Profissão de fé, fruto legítimo do Magistério ordinário, e assinar cada página dele é prova de assentimento ainda maior que rezar o Credo. Afinal, é perfeitamente possível fazer uma Profissão de fé à qual se dá, por astúcias e restrições mentais, um sentido bem diverso do que ela deveria ter. É este mesmo o caso do Sr. Fleischman, que diz rezar pelo Papa nas Missas que celebra mas se arvora em juiz da Santa Sé, não em seu súdito e filho.
“Dentro da prática milenar da Igreja, se exigiria, além da clara profissão de fé católica, a Abjuração ao erro.”
Mais uma vez, isto foi feito e provavelmente será reiterado quando da formalização da admissão dos anglicanos. Os padres terão que ser ordenados, etc. Se não houvesse abjuração do erro, eles não assinariam o bendito Catecismo nem aceitariam a ordenação verdadeira.
Nisso o Küng está sendo mais honesto ao afirmar que a Santa Sé está dando um tapa na cara do anglicanismo ao na prática deixar de reconhecer a Comunhão anglicana como sujeito de diálogo.
“Não há patrimônio específico anglicano fora da heresia.”
Besteira das graúdas. A Igreja na Inglaterra foi arrancada da Igreja universal, carregando consigo milhares de práticas piedosas e de tradições espirituais que foram em grande medida mantidas mesmo enquanto a hierarquia cismática chafurdava no erro. A presença católica na Inglaterra deveu-se basicamente aos heróicos esforços de padres estrangeiros, principalmente jesuítas, que entraram clandestinamente naquele país. Estes padres, evidentemente, não estavam a par das tradições locais. O resultado é que há muita coisa católica inglesa que só sobreviveu no meio anglicano e desapareceria completamente se os anglicanos não voltassem para a Igreja.
“Ao deixar a heresia, os anglicanos deveriam reencontrar-se com o patrimônio litúrgico e espiritual da Igreja Católica. Se é Católico, é universal, serve para todos os povos.”
Isto tem mão dupla: se é Católica, é universal, é composto de todos os povos, cada um com suas tradições e espiritualidades sadias. Não é correto querer fazer com que os ingleses abandonem práticas santas que datam da evangelização daquelas terras, exatamente como seria absurdo querer que os brasileiros abandonássemos Nossa Senhora Aparecida por ser este título nacional, não universal.
Aliás, diga-se de passagem, é até engraçado que quem afirma uma besteira dessas seja um sujeito que se veste como monge beneditino, quer ser chamado de “dom”, mas não vive em comunidade e se faz de “pároco” de uma capela. Se a catolicidade da Igreja é bastante para abrigar algo tão insólito quanto ele (que – e estou elogiando – faz em muito lembrar os clérigos acéfalos que vagavam pela Europa antes de Trento; o Frei Tuck de Robin Hood é um seu antecessor…), ela pode e deve abrigar as práticas tradicionais da catolicidade inglesa que agora voltam do exílio.



Marcos Grillo, não é só Dom Lourenço Fleichman, OSB, que está falando besteiras sobre esse maravilhoso fato da volta dos anglicanos à Igreja Católica. Muitos católicos leigos, líderes ou participantes de liderança em paróquias, e por isso mesmo achando-se entendidos se alguma coisa, estão dando pitaco e dizendo que agora a Igreja virou bagunça, pois aceitou padres casados e bispos gays !!!
Quanta desinformação e desinteresse da parte destes. E vai querer explicar pra ver!
O Ramalhete para criticar tinha de partir para a baixaria pura e simples? Ele não se veste como monge, ele é um monge. E é Dom de fato, pois é sacerdote validamente ordenado. E os monges sacerdotes são chamados de Dom. Vocês bem mereciam um processo judicial para serem obrigados a provar o que insinuam.
Veritatis… cada vez mais sujo!!!
Errata:
“Dom Lourenço Fleichman, OSB”
Nem Dom, nem OSB.
Errata da errata:
Dom sim, pois é monge e padre validadamente ordenado. OSB pois é beneditino. Seu mosteiro não o conta como de fora, mas seus inimigos sim.
Ramalhete e Veritatis = gente suja, de métodos baixos. Catolicismo passou longe daqui.
O tal “apologeta”, dito tão entendido das coisas da fé católica, demonstra total ignorância em não saber que se deve tratar com reverência um sacerdote do Altíssimo … deveria provar o que fala antes de sair escrevendo bobagens por aí.
Sinceramente, não merece a mínima credibilidade quem faz “apologética” dessa maneira … e muito menos quem dá cartaz e publica este tipo de lixo apologético.
E reafirmo as palavras do post anterior:
“Dom sim, pois é monge e padre validadamente ordenado. OSB pois é beneditino. Seu mosteiro não o conta como de fora, mas seus inimigos sim.”