Touradas, provas campeiras, rodeio… Moralidade e reflexões sobre seus valores e virtudes
Esse modo de lidar com os animais não é, de per si, cruel. Pode haver um ou outro que o sejam, ou mesmo a maioria, mas não a crueldade não é ontológica. Só nos chocamos, por vezes, porque estamos acostumados com o politicamente correto, o pensamento dominante que iguala homens e bichos, e às vezes nem nos damos por conta.
Aqui no RS, as provas campeiras imitam a lida de campo, a faina. E esta imita a guerra. O gaúcho é belicoso, militaresco por natureza, dado que nasceu peleando pela consolidação da fronteira. Nas provas, essa belicosidade é simbolizada. E muitos valores existem nelas: o companheirismo entre a peonada, a hierarquia (patrão, capataz, peão), a paternidade dos superiores, a humildade, a diferença entre homens e animais, o reconhecimento dos perigos da vida, o culto às tradições, a coragem (essa virtude tão esquecida em nossos tempos de amor à covardia), a disciplina, a laboriosidade, a vida em família, a técnica, a sabedoria transmitida de geração em geração (como encilhar um cavalo, como domar um potro, como laçar, e a profundida filosófica desses atos cotidianos), tudo isso é carregado de um simbolismo muito profundo que nos remete à Civilização Cristã. A prova campeira, no RS, é uma herança espanhola, um vínculo profundíssimo com a Idade Média.
Buscar a crueldade com os animais por si só é errado, mas aceitá-la, apenas, como parte de algo maior, como consequência, não é errado, nem imoral. Podem alguns não gostarem, mas não é certo envolver a moral católica nisso. É como a história do cigarro: não gosta, ok, mas não me venham dizer que é pecado, porque não é.
A caça à raposa é uma tradição igualmente cheia de significados: o esmero, o cavalheirismo, a cortesia, a delicadeza nos detalhes, a preparação, a disciplina, a distinção entre homem e animal, e, aparentemente paradoxal, a confiança entre homem e animal (seu cachorro), a técnica tradicional, tudo isso é uma gama de valores humanos que formam o ethos cultural que não se pode desprezar. Fazê-lo seria aderir ao positivismo comteano.
De outra sorte, não acho que se deva dissociar fé e rodeio. A simples presença de Nossa Senhora em tais eventos é um sinal da religiosidade, ainda que cultural, no meio do povo simples. Não devemos dissociar, e sim aproveitar o momento para colocarmos em ação técnicas de apostolado que sejam mais eficazes. Os ginetes (no RS, peão é outra coisa) fazem tanta questão da imagem da Aparecida: prova de que, pelo menos culturalmente, o sagrado ainda se faz presente, e, mais ainda, nítido símbolo de que as tais provas são plenamente compatíveis com a Civilização Cristã.
“De las corridas de Toros
P. ¿Las corridas de Toros como se usan en España son prohibidas por derecho natural? R. Que no lo son; porque según en nuestra España se acostumbran, rara vez acontece morir alguno, por las precauciones que se toman para evitar este daño, y si alguna vez sucede es per accidens. No obstante el que careciendo de la destreza española y sin la agilidad, e instrucción de los que se ejercitan en este arte, se arrojare con demasiada audacia a torear, pecará gravemente, por el peligro de muerte a que se expone.
P. ¿Están prohibidas las corridas de Toros por derecho eclesiástico? R. Que aunque Pío V prohibió las corridas de Toros con penas gravísimas, las permitieron después para los seglares Gregorio XIII, y Clemente VIII, quitando las penas impuestas por aquel Sumo Pontífice, pero mandando fuesen con estas dos condiciones; es a saber, que no se tuviesen en día festivo, y que se [432] tomasen por aquellos a quienes incumbe, todas las precauciones necesarias, para que no sucediese alguna muerte. Por lo que con estas dos condiciones son en España lícitas para los seglares las corridas de Toros. A los Clérigos, aunque se les prohiba el torear, no se les prohibe la asistencia a las corridas. Con todo les amonesta su Santidad se abstengan de tales espectáculos, teniendo presente su dignidad y oficio para no ejecutar cosa indigna de aquella, y de éste.
P. ¿Pecan gravemente los regulares que asisten a la corrida de Toros? R. Que sí; porque obran en materia grave contra el precepto impuesto por Pío V. Los Caballeros de los Ordenes Militares no son comprehendidos en este precepto por no ser verdaderos religiosos, y así quedan excluidos por Clemente VIII. La excomunión impuesta contra los regulares que asisten a dichas corridas, según la opinión más probable, sólo es ferenda.
P. ¿Está prohibida a los regulares la asistencia a las corridas de novillos? R. Que no; porque sólo se les prohibe la asistencia a las de Toros, y por este nombre no se entienden los novillos; y también porque en la corrida de éstos el peligro de muerte es muy remoto. Mas no pecarán los regulares si vieren torear desde las ventanas de sus casas; o de otra parte pasando por ella casualmente; pues esto no es asistir a la corrida. Pecarán, por el contrario, si asisten desde alguna ventana del circo aunque sea entre celosías, y no haya peligro de muerte; porque siendo la prohibición absoluta, debe absolutamente observarse.
P. ¿Son lícitas fuera de España las corridas de Toros? R. Que no; lo uno porque la moderación hecha por Gregorio XIII, y Clemente VIII, sólo habla con los seculares y clérigos existentes en España. Lo otro, porque los de otras naciones, o ya sea por no tener la agilidad de los Españoles, o por no ser tan diestros en este ejercicio están expuestos al peligro a que no están estos. Como quiera que sea, la prohibición de Pío V debe regir fuera de España.”
(Marcos de Santa Teresa. Compendio Moral Salmaticense, según la mente del Angélico Doctor; Pamplona: Imprenta de José de Rada, 1805, Tratado diez y seis. Del quinto precepto del Decálogo, Capítulo único. Del homicidio. Punto once)
Vê-se que:
1. As touradas não são proibidas por direito natural. Logo, não são pecado, por si.
2. A única proibição às touradas é de direito eclesiástico, e para os clérigos. A razão dessa proibição está no tipo popularesco de espetáculo e no ambiente pouco propício a sacerdotes.
3. A análise da moralidade das touradas NÃO se dá pela “crueldade” aos animais, e sim pela potencialidade de risco ao ser humano (é com o toureiro, não com o touro, que se importa a moral). Mesmo que proibida fosse, então, a razão não seria pela pretensa crueldade.
4. O comentário acima vale para outras provas semelhantes.





“É como a história do cigarro: não gosta, ok, mas não me venham dizer que é pecado, porque não é.”
Atentar contra a própria vida é pecado.
Uma vez que o cigarro contenha tantas substâncias tóxicas e uma vez que é comprovado cientificamente que não existe benefício algum para a saúde daqueles que fumam cigarro, fica claro que é um atentado à vida em “doses homeopáticas”.
Dessa forma, não deixa de ser pecado.
Diferente da bebida alcóolica que, moderadamente, pode causar alguns benefícios, como, por exemplo, o vinho que pode ser muito útil para o coração, a cerveja para quem tem pedras nos rins, etc.
Não existe um “nível seguro” para o uso do cigarro, como existe para o vinho, cerveja, etc.
Uma vez ingerido, o mal que o fumante está fazendo a si mesmo (e aos outros, o que é pior!) é muito grande.
Dessa forma, pessoas que visitam países que permitem o uso de drogas ilícitas não cometem pecado ao ingerí-las?
Se o cigarro não é pecado, a cocaína, maconha, ecstasy também não são.
“Ah, mas o problema dessas drogas é que elas financiam o tráfico, violência, guerra…”
Então, se legalizar, tudo bem?
Não!
Logo, é pecado.
Eu nunca disse que, se legalizar as drogas, ficaria tudo bem. E o cigarro só é condenado por seu abuso. Está no Catecismo.
Leia antes de sair taxando de pecado aquilo que nem a Igreja diz que é.
Se o laxismo é ruim, o rigorismo também o é.
Sugiro: http://ultramontano.blogspot.com/2007/10/o-uso-do-tabaco.html Aqui se mostra a moralidade/imoralidade do tabaco, álcool e entorpecentes.
A tourada pode até não ser pecado por si mesma, mas creio que da forma como é feita, estocando o animal com inúmeras espadas até que ele caia morto, por mero prazer, não me parece algo que se possa dizer neutro ou bom. Com a argumentação utilizada, acaba-se legitimando a matança de golfinhos por mera diversão, e até mesmo rinha de galo e cães.
Sinceramente, a morte de animais pelo mero prazer sádico de ver sangue (já que não se aceita mais o duelo de humanos a um bom tempo) é uma crueldade. Matar animais para servir de alimento é normal, agora matar animais por mero prazer de ver sangue jorrando, isso é nojento.
Ao homem foi dado o direito, ou melhor, o poder-dever de submeter toda a criação a si, e isso exige responsabilidade. Destreza, cavalheirismo e demais qualidades podem muito bem ser demonstradas com meios incruentos.
Hoje, vejo com muito bons olhos a pesca esportiva, em que o sujeito demonstra sua habilidade, pega o peixe, tira a foto e o devolve para a natureza.
Quanto ao rodeio, não há matança de animais, porém podiam ver uma outra forma de fazer o animal pular que não fosse apertar o saco dele!
Té mais
João Marcos
Usar de crueldade para com os animais por puro prazer sádico não é pecado?
Onde estamos,meu Deus!!!????
Caro senhor Rafael,vejo que seu horror ao “puritanismo”,está fazendo o senhor pender para o lado da imprudência.
Realmente é nojento e asqueroso maltratar animais por puro prazer, vaidade e ostentação.
No caso do rodeio, o peão não põe sua vida em risco ao subir no touro? Não seria a mesma história dos esportes radicais que atentam contra a vida?
Rafael, quanto ao tabaco, onde se encontra tal citação no Catecismo?
Caríssimos,
“Feio, nojento, asqueroso etc” não são justificativas para condenar rodeios, touradas etc como eventos essencialmente imorais. O politicamente correto tem como característica ser extremamente subjetivista na sua análise. Claro que a impressão pessoal de cada indivíduo é relevante para cada indivíduo, entretanto, dentro da sua…individualidade. A moral parte não de uma cartilha de certo e errado, mas de princípios que devem ser aplicados, por isso que a Igreja Católica é o mais poderoso baluarte da moralidade no mundo.
Eu posso considerar a tourada violenta e você pode achar o rodeio asqueroso, mas não podemos colocar impressões pessoais, originadas de uma expressão própria, reflexo de educação e contexto, como imperativo universal. Os valores trabalhados nesses eventos são bravos, dignos e honrados, importantíssimos no mundo moderno, acostumado com uma ótica cor de rosa, sensibilizada, pouco viril, da realidade. O domínio dos animais – através da morte ou da força – tem uma carga simbólica impressionante. O que mais incomoda o politicamente correto é o ethos que permeia esses festejos; um espírito de coragem, valentia e virilidade, virtudes tão subvalorizadas num mundo acostumado com o relativismo galopante!
E quem disse que é por puro prazer sádico?
É pela tradição!É pela cultura! É pela arte!
Segundo o dicionário, “sadismo” significa: “prazer como o sofrimento alheio” (de forma que “prazer sádico” é redundância)
Numa tourada, ou numa caçada, o prazer não está no sofrimento do bicho, está no esporte, na emoção de atirar, na companhia dos amigos, na beleza dos movimentos da capa e da espada do toureiro.
Se o prazer estivesse simplesmente no sofrimento do bicho não haveria diferença em assistir uma tourada e assistir a um boi no matadouro. Mas sabemos muito bem que a platéia dos dois “espetáculos” é bem diferente….
Além do mais, ficar se preocupando demais com sofrimento de bicho é coisa de comunista-verde do greenpeace.
Entre a vida de um animal e a cultura de um povo, eu me ergo pela cultura!
Olá João Marcos, eu não sou peão de boiadeiro mas sou fã do esporte e gostaria de lhe esclarecer sobre o que se faz para o touro e o cavalo pular. Eles utilizam uma espécie de cinta, chamada sedém, que é colocada no “vazio” do animal, esse “vazio” é como se fosse as “axilas traseiras” do cavalo ou do boi. Alguns argumentam que isso causa cócegas, é mentira, porque o sedém é apertado neste local do animal e o que está apertado não causa cócegas, para isso deveria estar levemente frouxo. Mas o testículo do animal não é apertado, pois se isso acontece o animal não sairia do lugar por causa da dor que sente ou ficaria “louco”, se batendo. Se você reparar bem (na tv fica difícil, é melhor ir no rodeio) os testículos dos animais estão soltos e você os vê balançando enquanto o animal pula. Quando é usado uma égua, ela pula igualmente e sendo que a égua não tem testiculo como então ela pularia? É o que eu disse acima, o sedém é colocado no “vazio” (”axilia traseira”) do animal. Creio que causa dor sim mas é desproporcional ao que os anti-rodeio disem por aí.
Quanto aos argumentos do senhor Rafael Vitola sobre a moralidade da tourada, discordo completamente. Muito bem lembrou o amigo João Marcos dizendo que “ao homem foi dado o direito, ou melhor, poder-dever de submeter toda a criação a si, e isso exige responsabilidade.” Claro que é cruel maltratar os animais por puro prazer, claro que é cruel regozijar-se com o derramamento de sangue do touro, é insanidade. E o bom senso que devemos ter em relação aos costumes e práticas? Não é preciso um documento eclesail para me dizer o que é cruel ou não. E a civilização cristã da Idade Média tinha sim muitos costumes bárbaros, tanto que, naquela época era aceita pela Igreja a luta corporal no caso de não se saber quem era o culpado ou a vítima num caso de crime (li isso no livro “A História que não é Contada” do professor Felipe Aquino), quem morresse era o culpado, porque admitia-se naquela época que Deus defenderia o inocente e deixaria morrer o agressor!
E quanto a pesca esportiva, também sou admirador deste esporte.
Abraço.
Dizem que o touro morre com honra nesses eventos, mas antes desejaria que desse umas boas chifradas no traseiro do toureiro :p
Uma coisa é matar para comer ou para defender-se. Outra é avacalhar com o bicho por puro prazer. E sem esse papo de quem não gosta de touradas é comunista, sem generalizações.
Caro Pedro Ravazzano:
Sua ótica foi perfeita.
Lembrou-me o artigo “Relativismo e Modernismo de 29/10. Na verdade eu até escrevi um comentário a ele e só depois percebi que não estava no blog e não poderia mandá-lo. Ia mandá-lo agora mas ele não tem muito a ver com o tema das touradas, não se encaixaria bem nesse espaço. Se puder me diga como lhe mandar o desabafo que escrevi (e/ou como comentar artigos que não estão no blog).
E parabéns, louvo a Deus pela sua percepção tão aguda e acertada. Escreva sempre.
Augusto, valeu pelos esclarecimentos.
Aos demais:
Coragem, valentia e virilidade, de fato, são virtudes subvalorizadas. Mas a pergunta é: não tem outra forma de alcançá-las sem a matança de animais?
Ainda bem que não questionamos a possibilidade de matança de seres humanos para se alcançar coragem, valentia e virilidade, que a história demonstrou ser mais uma prova de bestialidade do ser humano do que valorização de virtudes.
Quanto à destreza: será que é preciso atirar em rapozas para se demonstrar habilidade? Não bastaria um comum esporte como o tiro ao alvo, na modalidade de “pratos” sendo lançados no ar para que o atirador os acerte?
Voltando à coragem, valentia e virilidade: será que tais virtudes não podem ser alcançados por meios incruentos?
Não sou nenhum comunista (abomino isso), nem ecobobo. Contudo, urge que entendamos a responsabilidade de não sacrificar a natureza a troco de mero prazer sanguinário.
E nem se argumente a questão de cultura, pois tem muita pornografia por aí tachado de cultura, e até abusos contra símbolos religiosos (como um desenhor de uma genitália masculina feita com a utilização de rosários), e que ninguém aqui ousaria dizer que e cultura.
Cultura sanguinária é cultura de um povo primitivo e bestial.
Deve-se, sempre, lutar contra esses abusos contra a criação de Deus, até porque assim também estaremos cuidando da raça humana.
É muita falta de sensibilidade, que me faz inclusive questionar se as atitudes de defender a vida humana não contradizem com o desprezo das outras formas de vida, já que toda a criação foi submetida à responsabilidade do ser humano.
Té mais
João Marcos
PS: so falta agora pleitearem a volta dos “duelos” para resoler os conflitos particulares.
João,
Claro que não é NECESSÁRIO usar de tais procedimentos para o cultivo das virtudes. Mas é CONVENIENTE. No caso das touradas, é algo próprio da cultura ibérica. Eu desenvolvi bem isso no corpo do artigo. A licitude da tourada é tanto pela finalidade, quanto pela questão cultural, quanto, enfim, pelo cultivo das virtudes. Os três devem estar juntos. Olhar isoladamente cada motivo não nos dá o panorama completo.
Quanto à pornografia, não é por alguns acharem que ela é cultura que, por isso, se torna. Até porque é imoral. Já a tourada, bem vimos pelos documentos DA IGREJA, que não é. A comparação não procede. A tourada é, INDISCUTIVELMENTE, própria da alma espanhola.
Enfim, o duelo é imoral em si mesmo. E também não se pode comparar um touro a um ser humano. O fato de levantares essa hipótese é um desrespeito para conosco.
João Marcos, não há de que.
Eu resolvi ver uns vídeos de tourada na internet, não sabia que eram tão cruéis assim. Sabia que era horrível, mas não tanto. E é claramente demonstrado nas imagens, que o prazer está em perfurar o animal e fazê-lo sangrar até morrer. Pois o animal é perfurado com lanças até enfraquecer, perdendo sangue – e numa das imagens que eu vi o touro teve uma hemorragia, vomitando poças de sangue na arena -, e quando o animal perde toda a força o toureiro o mata com um punhal ou ou faca (sei lá que trem é aquele), no outro vídeo os toureiros tiraram as lanças do animal e cortaram-lhe as orelhas ainda vivo !!! É lógico que a vida de um animal é incomparável à vida de um ser humano, é claro que eles não são como nós, não tem alma. Mas me digam, qual é o valor de torturar e matar um animal que sequer sabe que existe? O animal nem sabe quem ele mesmo é, não sabe o que esta acontecendo, o ser humano que esta ali, sim, esse sabe o que está fazendo.
A tourada poderia muito bem consistir nas provocações e esquivas dos toureiros às investidas do touro. Seria um show realmente, de destreza e arte, mas não é só isso, é matar o animal que lhes causa prazer, é ver o sangue escorrer que lhes causa prazer.
Se quer mostrar que é macho defenda sua esposa, seus filhos, entregue sua vida por eles se necessário. E não venham com esse papo de que quem não gosta destas coisas é politicamente correto e boiola (ótica cor de rosa como disse o Pedro Ravazzano). Não vem não. Porque eu sou muito macho e não preciso matar um animal pra provar isso, aliás macheza não se mostra, não se prova, se possui.
É no mínimo incompreensível a aprovação da Igreja referente a estas coisas. O papa João Paulo II e seu sucessor, o atual papa, Bento XVI apóiam a ala honesta do ambientalismo, não os comunistas verdes (nada de Al Gore, menosprezo ele) mas os ambientalistas sérios. É estranho (pra não dizer ridículo) a Igreja defender uma árvore e se calar diante da tortura de um touro. Árvore não sente dor, touro sente.
Augusto,
Só uma coreção: os animais possuem alma, sim. A diferença é que a alma animal desaparece quando este morre, ao contrário da alma humana.
Rafael,
Entendo seus argumentos, seus fundamentos embasam bem seu posicionamento. Contudo, isso não me impede de considerar inadmissível hoje, com a evolução dos direitos de terceira geração, a tourada, e lançar um olhar sobre aquilo que não era bem compreendido no âmbito cultural em tempos passados.
Outra coisa: é fato que não estou comparando um touro a um ser humano. A vida humana prevalece sobre qualquer outra formna de vida, e a proteção de outras formas de vida devem ser orientadas à preservação da vida humana. Agora, o sacrifício de um animal só é admissível quando orientado à satisfação da alimentação do ser humano ou em caso de pesquisas científicas (e, nessa última, é altamente questionável isso). O sacrifício animal para mero deleite sanguinário não é, nem de longe, necessário e conveniente.
Pode até ter alguma conveniência para a cultura espanhola a tourada, como bem era conveniente a escravidão no Brasil colônia e império. Isso não significa que o que seja conveniente será sempre conveniente, até porque o entendimento sobre as coisas evoluem, e odemos muito bem descobrir que algo é incoveniente à luz de novos elementos cognitivos.
Hoje, não tem como se dizer que é conveniente, para a formação moral de um indivíduo, um espetáculo sanguinário e de morte, que mais revela a bestilidade e primitividade do ser humano do que suas virtudes.
Té mais
João Marcos
Té mais
João Marcos