Novo documento da Santa Sé contra os abusos na Missa

2009 outubro 22

O Cardeal Cañizares entregou ao Papa ontem, 21 de outubro, uma cópia em latim do documento Compendium Eucharisticum, para ajudar os sacerdotes, ao redor do mundo, a celebrar mais piedosamente a Santa Missa.

Trata-se de uma coleção de materiais de estudo, orações e meditações, com o fim de que se promova um adequado culto litúrgico, impedindo os abusos na Missa. Desta vez, entretanto, ao invés de listar os erros e condená-los, são propostas reflexões que, se tomadas a sério, induzem a uma mentalidade mais coerente com o mistério celebrado, com a sacralidade que aquelas normas tanto pretendem resgatar.

No compêndio, fala-se das duas formas, igualmente dignas, do rito romano, e são transcritos os Ordinários da Missa, em latim, nessas mesmas duas formas. Também o Ofício da Solenidade de Corpus Christi, nas duas formas, em latim, é anexado, além de Missas votivas da Eucaristia, hinos e cânticos gregorianos, ladainhas, e o Rito da Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento.

As preces antes e depois da Missa, e as orações ao vestir os paramentos também estão lá, bem como excertos do Decreto sobre a Eucaristia do Concílio Ecumênico de Trento, da Imitação de Cristo, do Código de Direito Canônico, do Código de Cânones das Igrejas Orientais, e do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. Igualmente, comentários sobre as quatro orações eucarísticas da forma ordinária estão presentes.

Tomara que os padres brasileiros leiam e, os que ainda não fazem, passem a celebrar com a dignidade que requer não uma festa profana, tampouco uma mera reunião religiosa, mas o Santo Sacrifício da Missa, que torna a Cruz real e substancialmente presente sobre o altar. Que o latim seja valorizado, bem como toda a nossa rica tradição, e que a forma extraordinária seja disseminada na Terra de Santa Cruz, ao lado de uma forma ordinária cada vez mais fiel às rubricas.

11 Responses leave one →
  1. 2009 outubro 22
    Teresa permalink

    Quando li o título, fiquei alegre. Quando li a primeira frase, fiquei esperançosa. Mas quando li a segunda ” …para ajudar os sacerdotes…” , desanimei. Os sacerdotes que não celebram direito não querem ajuda. Vão ignorar esse documento como fizeram com a Redemptiones Sacramentum. Se não houver uma forma mais coercitiva, não creio que nada funcione. Se os fiéis fossem fiéis poderiam ser essa força coercitiva, mas as ovelhas estão dispersas e desinformadas. Eu tambem não entendo como o Papa sozinho poderia exigir e fazer valer suas ordens, ele que é um chefe de Estado sem poder de policia, sem tropas e com boa parte dos “aliados” contra si, mas, na base do “novo documento pra ajudar…” – desculpe minha falta de esperança – mas acho que cai no vazio, vira letra morta, é ignorado, desprezado e talvez ridicularizado, como já vi acontecer.

  2. 2009 outubro 23

    Caro Rafael, Laudetur Dominus!

    A Teresa tem razão. Um documento não é a solução de problema nenhum, pois a Igreja tem “dois mil anos de documentos” e eles são ignorados por aqueles que preferem dar atenção aos seus gostos pessoais na hora de celebrar o Santo Sacrifício.

    Documentos só são efetivos quando são respaldo de pessoas de carne e osso (e intelecto!) enviadas pelo próprio papa. O [i]Summorum pontificum[/i] só têm dado frutos porque existe há décadas a comissão [i]Ecclesia Dei[/i] para fazê-lo valer. E mesmo assim, existem [b]bispos[/b] que menosprezam o Motu Proprio, e ainda dizem que seus irmãos no episcopado encarregados de aplicá-lo, ou que são a favor do documentos, são [i]carreiristas[/i]!

    Um documento é uma ferramenta, que será totalmente inútil sem algum operário que a utilize…

    Pax et Salutis

  3. 2009 outubro 23
    Renato permalink

    Ué pessoal do Veritatis!

    Vocês poderiam começar a reclamar da Cançaõ Nova e dos seus líderes: Esse movimento o que mais faz é trazer abusos para a Santa Missa.

  4. 2009 outubro 23
    Antonio Benedito de Castro permalink

    Realmente Tereza, se há alegria por um lado, há tristesa por outro, mas não pode haver desesperança pois quem conduz a igreja é o Espirito Paráclito, que há de suscitar em tempo oportuno padres santos que contagiarão a outros mais. Não fiquemos esperando que os contaminados pela maldita TL se junte a nós. Busquemos isso sim rezarjmos mais implorando que o Senhor da messe envie mais operarios.

  5. 2009 outubro 24
    Pedro permalink

    Olá, todos (as)! A Paz do Senhor esteja convosco.

    Li sobre os seus comentários. Respeito por demais a posição de cada um, sobretudo, do Santo Pontifície, mas estamos, penso eu, numa igreja retrógada. “Se o Espírito Paráclito sopra onde quer” “Ele” se manifesta em cada um sem que neguemos a nossa maneira de ser, nossa espontaneidade e nossa maneira de conduzir. Onde se encontra o respeito de nós cristãos católicos verdadeiros para com as religiões afro-brasileiras e as de raízes indígenas.

    obs.:
    1) Jesus ontem, hoje e sempre “Ele foi fruto do seu tempo”, e nós, não deveríamos ser fruto do nosso tempo?
    2) Jesus rompeu com os paradígmas da época. Devemos continuar mantendo rituais que as vezes não atingem a “massa ” de fiéis?
    3) Fala-se muito em respeito para com o diferente, com relação a esta proclamação papal onde se encaixa o diálogo ecumênico e a inculturação? Por que temos que ser a Igreja “dona” da verdade?

    Olorum, kolofe axé! (Que Deus te abençoe!)

  6. 2009 outubro 25
    Teresa permalink

    Caramba, Pedro, de que planeta vc veio? eu leio o Veritatis a três anos antes de ter coragem de mandar uma opinião. Admito que pessoas mais inteligentes e versáteis que eu o façam antes, mas , me desculpe, ou vc nunca leu o site, ou vc está debochando dos que neles escrevem ou o lêem. Leia mais sobre Liturgia e sua importância, sobre os erros e desvios e consequências que atigiram a Igreja nos últimos anos em matéria litúrgica e o que isso tem a ver c/nossa fé e “nossa realidade” (gostou da expressão né?). Depois, aí sim, depois de se aprofundar no assunto, conhecendo melhor a ótica dos que apresentam opiniões tão divergentes da sua, vc pode até argumentar e quem sabe nos convencer. Mas, por favor, poupe-nos dos chavões inculturativos e revolucionários no estilo Tche Guevara, isso não convence mais ninguém, nem os indios nem os afro (futuros evangélicos, se a Igreja Católica oficializasse seu discurso requentado).
    Também respeito sua opinião, só queria que vc entrasse no debate c/ armas de verdade e convicção e não de forma superficial e/ou debochada. Aliás respeito e concordo c/ parte de sua opinião pois quando vc diz “Devemos continuar mantendo rituais que as vezes não atingem a massa de fiéis?” com certeza não, vc tá certo, devemos urgentemente nos afastar desses rituais modernos cheios de folclore e folia, distanciados das verdades teológicas que a liturgia deveria expressar, pois isso a muito ficou provado que não atinge a “massa de fiéis” , apenas os esvazia, os dispersa e lança aos lobos oportunistas prontos pra se fartarem da superficialidade de suas convicções. Urgente, amigo, me perdoe se te julguei erradamente mas fica o convite: una-se aos que buscam a Verdade da Liturgia, pois é a Verdade e não a novidade, que realmente liberta.

  7. 2009 outubro 25

    Prezado pedro, Laudetur Dominus!

    Perdoe-me, mas você deve estar equivocado em alguns pontos. Primeiramente, como é que você pode respeitar a posição do sumo pontífice e taxar a Igreja que ele governa de “retrógrada”? São atitudes incoerentes, pois “retrógrada” é um adjetivo que não convém à Igreja. Não pertence à Ela ser “retrógrada” ou “progressista”, e sim apenas ser “a mesma de sempre”. É da natureza dela, pois ela é divulgadora da palavra de Deus e Deus não muda. O Espírito sopra aonde quer, mas isso não quer dizer que ele o faça de maneira desordenada e leviana!

    De onde você tirou a idéia de que ser fiel à tradição é um desrespeito aos de descendência afro ou aos indígenas? Quer dizer que a única forma de respeito que você conhece é imitar os costumes do outro?

    Quanto aos tópicos que você coloca:
    1) Jesus não foi um “produto do seu tempo”, pois Deus não pode ser produto. Deus é a causa de todas as coisas, e não é causado por nada. Você acredita que Jesus é Deus? Se não acredita, por que ainda diz “nossa Igreja”? A Igreja do papa, à qual eu também pertenço, acredita que Jesus é Deus e que esse não é um conceito negociável.

    2) Jesus não rompeu com nenhum paradigma. Pelo contrário, ele veio ensinar o caminho para ser perfeitamente coerente com eles, e não apenas promovê-los da boca pra fora. Essa coisa de romper paradigams é nada mais que um slogan, que não diz absolutamente nada. Além do mais, os rituais não são feitos “para a massa”, eles são feitos para Deus.

    3) Que que o diálogo ecumênico tem a ver com liturgia? Outra, inculturação, como se pôde entrever acima, não é a aceitação passiva de elementos das outras culturas sem discernimento se são apropriados ou não para o culto a Deus. Se não é apropriado, não pode ser absorvido pela Igreja. Sempre que a Inculturação foi feita, foi assim. E por último, essa coisa de “Igreja ‘dona’ da verdade” é outro slogan criado pelos inimigos da Igreja. A Igreja não é dona da verdade e sim guardiã dela.

    Procure não basear sua opinião em slogans. E procure ter uma visão mais madura, longe dessa infantilidade de “igreja retrógrada”, “quebrar paradigmas”, “ser produto do tempo”, etc. Slogans não te dão uma visão realista da situação.

    Pax et Salutis

  8. 2009 outubro 26
    Magna permalink

    Caro Captare, só uma correção em seus argumentos:
    “Você acredita que Jesus é Deus? Se não acredita, por que ainda diz “nossa Igreja”? A Igreja do papa, à qual eu também pertenço, acredita que Jesus é Deus e que esse não é um conceito negociável.”

    Deixo a resposta do próprio Papa Bento XVI quando afirma que a Igreja não é nossa, mas de Deus.

    “Dizendo isso, Paulo mostra saber bem e nos dá a entender que a Igreja não é sua e não é nossa: a Igreja é o Corpo de Cristo, é “Igreja de Deus”, “campo de Deus”, edificação de Deus, … “templo de Deus” (1 Cor 3, 9.16).” (Papa Bento XVI)
    Recomento que leia o documento > http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=PAPA_SANTASE&id=pss0177

    “a Igreja não é nossa, mas sua Igreja, a Igreja de Deus” (cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado vaticano)
    http://www.zenit.org/article-22674?l=portuguese

    E para completar um de seus argumentos:
    “A Igreja não é dona da verdade e sim guardiã dela”
    … e sim (única) guardiã dela.

    Ao Pedro, deixo as mesmas palavras de conselho da Teresa:”Leia mais sobre Liturgia e sua importância”, pois a Igreja é de Cristo, e não nossa. A Santa Missa, como deixou claro Captare é “eles são feitos para Deus”

  9. 2009 outubro 27

    Cara Magna, Laudetur Dominus!

    Toda palavra dentro de um discurso é relativa a um contexto, fora do qual o sentido aparece quase sempre errado. Quando disse “minha Igreja”, ou “Igreja do papa”, não usei o termo em sentido de posse, ou de domínio. Aliás, isso está bem claro na minha mensagem. É como uma criança que diz “minha família”, “minha escola” sem ser dono de nenhuma das duas.

    Não se apresse em corrigir um pessoa antes de prestar bem atenção ao que ela disse e antes de ter certeza de que entendeu bem o contexto do discurso dela. Caso contrário você vai estar superestimando as palavras em si, correndo o risco de cair no legalismo, que era atitude típica dos fariseus da época do Senhor. E hoje é atitude típica dos protestantes e dos sedevacantistas.

    Você está no caminho certo, que é não se calar ao ver erros, principalmente contra a Santa Igreja serem propagados. Mas não se apresse em achar erros em todo lugar.

    Pax et Salutis

  10. 2009 outubro 28
    Magna permalink

    Caro Captare,
    Deves saber que o VS não é somente lido por pessoas que conhecem (ou procuram retamente conhecer) a doutrina cristã, de pessoas que tem um excelente domínio da língua portuguesa, mas o contrário dela.

    Digo que quando você deu esta afirmação, pensei logo nas interpretações equivocadas dos protestantes, ou de não-cristãos. Pois como você próprio afirmou que “É hoje é atitude típica ” deles. Tanto é que completei seu argumento com “… e sim (única) guardiã dela.” Para que os protestantes ou não-cristãos observassem que é somente a Igreja católica, que é a Igreja de Cristo, a única guardiã da verdade.

    Mas não nego que esta expressão “Igreja do Papa”, nunca ouvi. Quem sabe pelo pouco tempo que tenho me convertido ao catolicismo e deixado de ser apóstata.

    Penso que é preciso ter cuidado a utilizar estas expressões. Pois é devido que expressões como “a nossa Igreja” está sendo muitíssimo valorizada, e que vemos as autoridades eclesiásticas fazerem o que querem na Igreja de Deus.

    Procuremos observar os mandamentos divinos e preceitos da Igreja para honra e glória d’Aquele que tomamos por decisão seguir.

    No mais, retiro-me feliz pela afirmação, e espero permanecer assim:
    “Você está no caminho certo, que é não se calar ao ver erros, principalmente contra a Santa Igreja serem propagados.”
    E concluo: não se calar= adquirir inimigos. Ou melhor dizendo: descobre-se os inimigos, antes “amigos”.

    Salve a Igreja de Cristo, a Igreja Católica!

  11. 2009 outubro 29

    Cara Magna, Laudetur Dominus!

    Entendo sua preocupação. Nessa caso, obrigado pela advertência. Tomarei mais cuidado em deixar o contexto bem claro em meus próximos comentários.

    O que você disse sobre ser recém-convertida é interessante. E é também um testemunho muito pertinente aos tempos que a Santa Romana Igreja atravessa. Por dois motivos: porque você ilustra bem como certas confusões podem acontecer na mente dos recém-conversos, e por causa da consciência que você adquiriu, apesar de ter voltado há pouco tempo à verdade.

    Concordo com você: “não se calar= adquirir inimigos”. Adquire-se muitos! Mas também adquire-se verdadeiros amigos no sentido mais profundo desta palavra.

    Pax et Salutis

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