Conversão de anglicanos… Não são quaisquer fiéis!

2009 outubro 21

Com o recente anúncio da conversão dos anglicanos tradicionalistas da TAC e do restabelecimento do diálogo com os anglo-católicos oficialistas da Forward in Faith, algumas idéias nos vêm à mente.

Não são simplesmente novos católicos. Não são quaisquer fiéis. São excelentes fiéis, muito bem formados, acostumados a ler a Bíblia, conhecedores da Tradição Apostólica a tal ponto que se convenceram de que, por ela, só se pode ser católico apostólico romano.

São bispos e padres acostumados a pregar doutrina sólida, não qualquer vento relativista. Com experiência missionária, com aquela gana, que ainda se mantém nas comunidades protestantes, de levar o mundo para Cristo.

Fiéis, padres e bispos que amam tanto a Cristo e a Igreja que tiveram a coragem de romper com sua comunidade protestante. E que amam, além disso, uma liturgia bem celebrada, com características medievais, dado que o antigo rito inglês de Sarum está bem enraizado em seus ofícios.

Não nos esqueçamos também que a TAC já era uma dissidência do anglicanismo oficial de Cantuária, por considerá-lo liberal. Ou seja, não vamos receber ex-anglicanos, agora católicos, relativistas, progressistas, modernistas. Pelo contrário: teremos em torno de 400 mil novos católicos plenamente ortodoxos, defensores da liturgia, que preservam batinas, casulas, sobrepelizes, incensos, latim, vernáculo bem traduzido, versus Deum, que fazem missões, que não querem manter os povos na ignorância, mas levá-los à adoração de Jesus Cristo, que são devotíssimos da Virgem Maria de Walsingham, que enfrentaram o secularismo de sua própria denominação anglicana a ponto de criarem outra, a Traditional Anglican Communion, e, por fim, se converterem ao catolicismo romano. Fiéis, padres e bispos, e suas esposas e filhos, que vivem o cristianismo dentro e fora das paredes dos templos, e que são absolutamente contra o modernismo, o aborto, o “casamento” gay, a ordenação de homossexuais e de mulheres.

Recebemos não apenas 400 mil almas, mas 400 mil grandes soldados dispostos a lutar por Cristo, 400 mil verdadeiros apóstolos da tradição, da fidelidade ao Magistério, da liturgia correta, da ortodoxia, inimigos do relativismo, do secularismo, do laicismo. Bem próprio do pontificado de Bento XVI.

Com tantos católicos de meia-tijela, que querem fazer uma religião a seu próprio gosto, ou, como se disse do presidente Lula, “católicos à sua maneira”, não podemos senão nos regozijar com essa benfazeja notícia.

Uma lufada de ar fresco!

14 Responses leave one →
  1. 2009 outubro 21

    Se é verddade o que você diz, coitado deles que ao chegarem aqui encontrarão esta nova igreja conciliar. Não notarão diferença nenhuma com o anglicanismo.
    Deus tenha misericórida desta almas aparentemente voltadas para a verdade,

    Sandro de Pontes

  2. 2009 outubro 21
    Teresa permalink

    Sabe qual é minha impressão? o Papa quer encher a Igreja de gente boa, realmente fiel como um meio de expulsar o que não presta e não vai aguentar a presença de tanta tradição. Ele atrai os bons anglicanos, os bons ortodoxos, os lefebristas… e assim, ao invés de expulsar os maus, parece pretender sufocá-los com a presença dos bons e assim os os primeiros perderiam seu espaço e … ou se converteriam, ou seriam como que espremidos pra fora. É uma boa tática, parece mesmo uma ideia do Espírito Santo. Tomara que dê certo. Deus seja louvado. Tomara que em breve os catolicos que hoje não encontram onde rezar, onde assistir missa, onde confessar, onde ouvir a doutrina católica, possam também se dirigir a igrejas ex-anglicanas, ex-ortodoxas, ex-lefebristas, até que as igrejas católicas voltem a ser visivelmente católicas.

  3. 2009 outubro 21
    João Marcos permalink

    De fato, uma ótima notícia. Aliás, a segunda em sequência aqui no blog (já que a CNBB também deu um bom exemplo, em relação aos parlamentares que sofreram sanç~ioes pelo seu posicionamento prío-vida).

    Agora, dei uma olhada hoje nos jornais, e a notícia tá sendo dada de forma panfletária, pra variar: “Igreja católica recebe sacerdotes casados”, e só depois explica que são sacerdotes anglicanos…

    Ainda estou esperando a publicação do dcoumento no site do Vaticano.

    É, alguns bons frutos do CVII estão sendo colhidos. Pra quem disse que a Igreja ia afundar com Bento XVI, parece que estão enganados.

    Té mais

    João Marcos

  4. 2009 outubro 21
    João Marcos permalink

    Teresa,

    Não acho que seja uma tática de “sufocamento”. O mesmo Papa Bento XVI que atrai os bons anglicanos, os bons ortodoxos, os lefebristas, é o mesmo que, a pouco tempo, aprovou os estatutos da Comunidade Canção Nova.

    Creio eu que a idéia é buscar aproximar todos à luz da Verdade, para que a própria Verdade se faça ensinar e compreender. Além disso, me parece que Bento XVI quer arrumar a casa, já que com as divisões existentes fica bem difícil qualquer ação evangelizadora.

    Por outro lado, é fato que os “católicos de IBGE”, se não se converterem, vão acabar saindo. E, na boa, JÁ VÃO TARDE! Particularmente, to cansado de “sou católico, mmmaaaaassss…..”.

    Té mais.

    João Marcos

  5. 2009 outubro 22
    Leandro Salvagnane Correia permalink

    Gente, o importante aqui é que estamos vivendo a história!
    Daqui a algumas décadas o pessoal vai se lembrar (queira Deus) de 2009 como o ano do maior retorno à Casa de irmãos que outrora não contemplavam Cristo de maneira plena.
    E, sim, que estes novos convertidos tenham tanto amor à Igreja que sirvam de exemplo para os relativistas, radtrads, pieguistas, protestantes e também os “católicos de IBGE” (adorei este termo criado pelo João Marcos), cada qual em sua deficiência de abraçar a plenitude do Cristianismo (pois, é claro, não são farinha-do-mesmo-saco, mas todos ainda estão no erro).

  6. 2009 outubro 22
    Pedro Rocha permalink

    Sr. Sandro de Pontes

    Se pensarmos dessa forma, São Dimas, São Longino e o centurião não teriam se convertido, pois a Graça lhes tocou no momento de maior dor na Igreja: Jesus traído por um dos seus e abandonado pelo Papa e todos os bispos (exceto São João, evidentemente), Nossa Senhora transpassada de dores, os insultos e blasfêmias que ecoavam no alto do morro “da caveira” e tudo mais que lemos nos Evangelhos e na “Paixão segundo o cirurgião”, de Pierre Barbet.

    Na História da Igreja, crises sempre existiram, sendo que estes ex-hereges conhecem muito bem o que é estar afastado de Pedro, assim como eu, “ex-lefebrista”. As desculpas para burlar o dogma da Infalibilidade Pontifícia e a agonia de não ter respostas para tudo por não estar “sobre a rocha de Pedro invencível” – Roma locuta, causa finita – são muito inquietantes.

    Exemplo: se “em Portugal preservar-se-á o Dogma da Fé” (Nossa Senhora de Fátima), como a Missa Nova, “heretizante” como aprendi no meio ao qual pertenci, foi adotada por todas as dioceses? Fiz essa pergunta a um dos sacerdotes mais inteligentes que conheci, “levebrista” à época e hoje pertencente à Adm. Apostólica como eu, e ele não teve resposta (a única dúvida que tive na minha vida sobre Religião que ele não conseguiu responder).

    Demos graças à Deus por eles, assim como muitos, converteram-se à Cristo, a despeito de minha própria indignidade e de muitos outros católicos, clérigos ou leigos.

  7. 2009 outubro 23
    Augusto Primo permalink

    Com o “regresso” dos melquitas à 200 anos atrás e agora os anglicanos à comunhão com a Igreja Católica e a liberação do rito tridentino a liturgia forma uma aparência parecida com a que era antes do cisma de 1054 e do Concílio de Trento. Temos hoje o rito bizantino (melquita), antioquina (maronita), tridentino, paulino, ambrosiano, galicano e outros que não conheço, e agora teremos oficialmente o uso anglicano. Realmente é um momento interessante na história da Igreja e nos deixará um cenário muito diversificado e intenso em relação a tradições e ritos.

    Deus seja louvado.

    Obs. : Este mesmo comentário postei no blog Igreja Una numa matéria em o autor do mesmo aborda a questão da incorporação do Uso Anglicano nos ritos oficiais da Igreja.
    Este é o link se quiserem ver a matéria: http://igrejauna.blogspot.com/2009/10/patrimonio-anglicano.html

  8. 2009 outubro 24

    Realmente é motivo de muito regozijo tal notícia, que iria agradar em muito o eminente cardeal John Henry Newman. A TAC está de parabéns, em mante viva esta chama de Tradição e amor. Quando falo de Tradição, falo como o Rafael menciona, dentro do que a Igreja ensina, sem lefebvrismos e deturpações.
    A Igreja não é culpada por maus católicos ou católicos frios. Realmente, me chateia e até causa desânimo se olhar as pessoas. Às vezes é muito desanimador. Católicos não são sempre tão “avivados” e empolgados em disseminar a própria Fé como deveriam. Mas como disse o Rafael, é uma lafada de ar fresco neste ar desanimador e de falta de empolgação em muitos “católicos”.

    Amo a Tradição, no sentido do que diz o Veritatis e do que os santos defenderam. Creio que é na volta desta Tradição, com amor empolgado aos valores da Fé católica, que muitos jovens encontrariam sentido e vida na Fé e não precisariam se apostatar. O modernismo e o liberalismo são sim uma praga, assim como o terceiro desta tríade maldita, que é o relativismo, e o remédio para esta tríade do mal é o amor a Deus e a Igreja (os evangélicos tendem a separar Deus e a Igreja, como se fossem Órgãos separados, mas creio que são um só. Se Cristo é o Cabeça, então tem que ter um corpo, que descende da Cabeça).

    De novo, parabéns a TAC e aos anglicanos que voltam. Esse é o espírito.

  9. 2009 outubro 24
    Edem de Almeida permalink

    É evidente que os liberais anglicanos se ressentem do fato e vão procurar minimizar o acontecido. É comum aos liberais de todos os campos de atividade – religioso, político, científico, filósofico -, como estratégia, passar a impressão que é outro lado que está mudando, se tornando liberal, quando um membro seu passa para o lado conservador.

    Hoje o pastor anglicano no Brasil, Aldo Quintão, no G1 (site da Rede Globo) afirma que ao receber essa comunidade anglicana a Igreja Católica estaria abrindo brechas em sua própria estrutura para repensar alguns dogmas. Com o acolhimento dessa comunidade estaria vindo, a reboque, posições modernistas já consolidadas em todas as correntes do Anglicanismo. Ou seja, os membros da TAC seriam a favor “do estudo das células-tronco, dos métodos contraceptivos, não totalmente contra o aborto em situações de anencefalia e de estupro”.

    Quem poderia me informar se a afirmação desse anglicano é verdadeira?

    Embora nos sinais exteriores se identifique com o catolicismo, conforme bem descreveu Rafaele Vitola, a TAC já estaria afetada pela convivência liberal com o protestantismo em assuntos de moral?

  10. 2009 outubro 25
    Rafael Vitola Brodbeck permalink

    Edem, isso é besteira desse anglicano. A TAC foi formada justamente por anglicanos descontentes com o liberalismo moral e doutrinário. Foi fundada exatamente para manter posições pró-vida, antiaborto, anti-células-tronco embrionárias.

  11. 2009 outubro 26
    Edem de Almeida permalink

    Prezado Rafael,

    Grato por sua delicadeza em responder.

    Cresci com muito contato com os Salesianos na cidade de São Paulo. Certa vez no Instituto Teológico Pio XI, onde era comum protestantes estudarem certas matérias, um pastor já maduro, no horário do café, comentou que uma ótima fiel de sua igreja havia se convertido ao Catolicismo e brincou: assim não dá, nós lhes mandamos o melhor e vocês só nos retribuem com tranqueiras – reclamando dos tipos mais estranhos que deixavam de ser católicos para se tornarem evangélicos.

    Abraço.

  12. 2009 novembro 8

    “Enviai senhor operários para a vossa messe, pois amesse é grande e poucos são os operários”.
    Que os nossos irmãos sejam bem vindos, mas que se mantenha a doutrina da Santa Igreja.

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