Bater ou não bater palmas na Missa fará diferença em nossa vida espiritual?

2009 outubro 9
by Rafael Vitola Brodbeck

Sim, fará. Lembram do ditado “lex orandi, lex credendi”? A lei da oração é a lei do que se crê?

Nossas atitudes na Missa refletem o que cremos a respeito dela, o conceito que da Missa temos. Assim, uma atitude pouco relacionada com o aspecto sacrifical da Santa Missa mostra que não temos assim tanta convicção de que seja realmente um sacrifício. Às vezes temos essa idéia de que é um sacrifício apenas no discurso, sem aprofundar realmente as conseqüências dessa fé.

“Eis o meio mais adequado para assistir com fruto a Santa Missa: consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes diante do altar como o faríeis diante do Trono de Deus, em companhia dos santos anjos. Vede, por conseguinte, que modéstia, que respeito, que recolhimento são necessários para receber o fruto e as graças que Deus costuma conceder àqueles que honram, com sua piedosa atitude, mistérios tão santos.” (São Leonardo de Porto Maurício. Tesouro Oculto)

Reflitam nas palavras de São Leonardo de Porto-Maurício, sobre o melhor modo de assistir a Missa: como se estivéssemos indo ao Calvário. Não fui eu quem disse!

Tudo, na Missa, deve se ordenar para o essencial. Nada deve fugir a isso, sob pena de esquecermos que a Missa é um sacrifício.

A melhor forma de transmitir a Fé Católica, a Tradição e, principalmente, aquilo que é a Santa Missa, ou seja, seu caráter sacrifical tanto esquecido pela desobediência do princípio descrito no parágrafo anterior, é a fiel observação de certas normas, expressas nos documentos eclesiais e nas rubricas dos livros litúrgicos. No rito romano, os livros por excelência, onde se encontram os formulários da Missa e o modo de oferecê-la, são o Missal Romano e o Pontifical Romano, ambos restaurados e reformulados após o Concílio Vaticano II, para

“exprimirem mais claramente as realidades sagradas que significam” (Constituição Apostólica de Sua Santidade, Paulo VI, “Missale Romanum”, de 3 de abril de 1969)

O uso adequado dos paramentos, o correto oferecimento da Missa, e a obediência irrestrita às rubricas não devem ser causa para que pensemos estarmos atrelados a uma forma fria de religiosidade. Pelo contrário, essa fidelidade, por apontar para o sacrifício, a ele se ligar, e por melhor demonstrar ao povo esse caráter da Santa Missa – eis a razão do seguimento de certas normas – dá a legítima idéia de submissão, piedade e unção, além daquilo que é mais substancial: protege a Missa de falsos conceitos daquilo que ela não é, e inculca na mente dos católicos e dos não-católicos aquilo que ela é – um verdadeiro e real sacrifício, o mesmo do Calvário, oferecido por Cristo para o perdão dos nossos pecados.

24 Responses leave one →
  1. 2009 outubro 9
    Antonio Benedito de Castro permalink

    Não adianta ficarmos olhando os desacertos cada vez mais graves que vemos, pois não há uma verdadeira catequese em nenhum lugar e continuará não havendo enquanto não buscarmos a nos encher de Cristo e passarmos a participar da Santa Missa tendo a consciência de estarmos no monte calvario e buscando a se identificar com aquelas mulheres, S. João e Nossa Senhora.
    A verdadeira catequese só se dará a partir do testemunho; imaginemos S. João celebrando a Eucaristia, o amor de Cristo mais que as palavras emanava de todo o seu ser, vemos isso hoje? Não fiquemos pois lamentando, vamos buscar nós mesmo a fazer de forma correta, não importando que outros não façam. Nossa Mãe do Ceu há de despertar em nosso sacerdotes um amor a Eucaristia como um Cura D´Ars um padre Pio.

  2. 2009 outubro 10
    Magna permalink

    Caro Antônio, não seja radical, dizer que “não há uma verdadeira catequese em nenhum lugar ” é um absurdo! Há poucas, mas pela graça de Deus, há!
    Se não houvesse, estaríamos perdidos! Se acaso tens consciência do que acontece no Santo Sacrífico da Missa (que é melhor forma de aprender o catecismo, a doutrina cristã; pois la´tem tudo o que precisamos crer, esperar e operar), e procura vivenciá-lo em todos os âmbitos de sua vida, saiba que tiveste ou procurou ter uma verdadeira catequese, pois não saberia por si mesmo.

  3. 2009 outubro 10
    João Marcos permalink

    No catecismo, asim está escrito:

    “VI. O BANQUETE PASCAL

    1382 A missa é ao mesmo tempo e inseparavelmente o memorial sacrifical no qual se perpetua o sacrifício da cruz, e o banquete sagrado da comunhão no Corpo e no Sangue do Senhor. Mas a celebração do Sacrifício Eucarístico está toda orientada para a união íntima dos fiéis com Cristo pela comunhão. Comungar é receber o próprio Cristo que se ofereceu por nós.

    1383 O altar, em tomo do qual a Igreja está reunida na celebração da Eucaristia, representa os dois aspectos de um mesmo mistério: o altar do sacrifício e a mesa do Senhor, e isto tanto mais porque o altar cristão é o símbolo do próprio Cristo, presente no meio da assembléia de seus fiéis, ao mesmo tempo como vítima oferecida por nossa reconciliação e como alimento celeste que se dá a nós. “Com efeito, que é o altar de Cristo senão a imagem do Corpo de Cristo?” – diz Santo Ambrósio; e alhures: “O altar representa o Corpo [de Cristo], e o Corpo de Cristo está sobre o altar”. A liturgia exprime esta unidade do sacrifício e da comunhão em muitas orações. Assim, a Igreja de Roma ora em sua anáfora: Nós vos suplicamos que ela seja levada à vossa presença, para que, ao participarmos deste altar, recebendo o Corpo e o Sangue de vosso Filho, sejamos repletos de todas as graças e bênçãos do céu”.

    A missa não é só banquete e não é só memorial do sacrifício de Cristo, mas os dois, simultaneamente. Sendo assim, vejo que não dá para pender nem para “festa no apê” e nem para “velório”, com o perdão das expressões propositadamente fortes.

    A missa possui duas partes, que por mais que sejam inseparáveis, são bem distintas: Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística. Na primeira, é visível que predomina o louvor e o ensino; já na segunda, é patente a predominância do caráter sacrifical. Sendo assim, a primeira parte pode ser caracterizada por expressões de festa de um banquete, bem como a segunda pode ser caracterizada por um maior recolhimento.

    Na Liturgia da Palavra, considerando uma questão de ordem cultural em relação aos cantos usados (não falo de aberrações, mas de cantos tradicionais como “Te amarei”, “Hoje é tempo de louvar a Deus”, “Deixa a luz do céu entrar” e congênes) que são apropriados à realidade brasileira, as pessoas se unem aos cantores não só com as vozes, mas também com as palmas. É apenas uma expressão de alegria delas em estar participando da santa missa. Não vejo nenhum problema quando fazem isso, e não me parece haver nenhuma afronta ao princípio de que só se pode fazer na missa o que está previsto, pois este princípio, por mais rígido que seja, não é absoluto.

    Quer ver um exemplo de como isso não é absoluto? dá muma olhada no youtube, nos vídeos da visita do Para Bento XVI à África e vc vai ver que teve missa em que utilizaram vários tambores, e, ao que se sabe, tambor não é um instrumento acolhido em norma para ser usado em missa.

    Logo, na liturgia da palavra, não haveria problemas quanto as palmas.

    Já na liturgia eucarística, por ter uma índole maior de recolhimento, as palmas não caberiam, pois não seria expressão da “alegria contrita”. Aí, vale a deixa para os músicos tomarem cuidado com os cantos, principalmente do grande amém e do santo, os mais “agitadinhos” ultimamente, que poderiam ser substituídos por outros mais lentos.

    Eu, por uma questão pessoal, não gosto de bater palmas na missa. Mas não posso negar que diversas pessoas que conheço batem palmas nos cantos e aproveitam tanto quanto eu, ou até mais. Deveria se tolher essa expressão das pessoas que assim melhor participam da missa?

    Dá até para trazer aqui aquela discussão do terço na missa: a mim me incomoda muito ver uma pessoa rezando terço na missa, pois acho que a pessoa está desperdiçando aquele momento com uma belíssima oração mas que serviria para outro momento. Porém, devo respeitar, já que subjetivamente é melhor para a fé dela.

    Ninguém pode me obrigar a bater palmas na missa. Mas será que posso tolher quem assim faz, sendo que participando dessa forma produz mais frutos? Não estou relativizando as coisas, mas, na boa, palmas não ofendem ninguém (e duvido que ofendam a Deus, quando a pessoa está de corpo e alma na missa).

    Respeito sua opinião, mas só posso concordar em se tratando da liturgia eucarística.

    Té mais

    João Marcos

    PS: se teve algum erro de concordância ou gráfico, me perdoem, estava apressado na hora que escrevi.

  4. 2009 outubro 10
    Antonio Benedito de Castro permalink

    Magna, refiro-me a catequese sobre a missa, será que missa em que as normas liturgicas são desrespeitadas? Em meus setenta anos, somente uma vez ouvi uma catequese em que o cardeal D. Eusebio nos ensinava como se identificar com aquelas mulheres e S. João junto a Cruz durante a santa missa. Tenho visto isso sim: parafernalias sonora, a guisa de coro em volume demasiado, celebrante sem os paramentos adequados, estica~se a liturgia da palavra e na liturgia eucaristica é aquela correria etc.
    A unica maneira de haver uma verdadeira catequese eucaristica é quando os nossos exemplos falarem mais alto que nossas palavras, é o que com um pequenino grupo temos procurado fazer.

  5. 2009 outubro 10
    Magna permalink

    João Marcos,
    Tanto a “alegria contrita”, como “tristeza contrita”, vale para do início até o término da Missa. Não é ter um alegria contrita em determinado momento, e em outra, uma extravagante. Há momentos de alegria contrita, por exemplo o”Glória” nos recorda a adoração dos anjos, reis magos, os pastores ao Menino Jesus.
    Saiba que quando o Menino Jesus nasceu, os reis magos O adoraram de joelhos, isto é ou não “alegria contrita”?!

    E quanto és um tanto contraditório: tu dizes que “incomoda muito ver uma pessoa rezando terço na missa”, mas não se incomoda que “batam palmas”, um ato que mais distrai as pessoas. E além do mais, tu não podes reconhecer que esta pessoa aproveita mais a Santa Missa que você. Mas supõe que as que batem palmas, sim. Meu Deus, francamente!
    Será que se incomodaria também saber que esta recomendação veio de um Papa santo, meu caro: São Pio X. Leia o Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã.
    Leia também as Excelências da Santa Missa, aqui: http://www.saopiov.org/2009/08/as-excelencias-da-santa-missa.html
    João Marcos queres ver os frutos quando batem palmas e tocam tambores:

    http://www.youtube.com/watch?v=yS0pQSJOne8/ http://www.youtube.com/watch?v=YAb9uHCOZE0&feature=related / http://www.youtube.com/watch?v=Ijt29CE6bsA&feature=related

    Quem sabe com estas leituras e deprimentes vídeos saberá fazer uso de adequadas disposições da alma e do corpo para assistir ao Santo Sacrifício da Missa.

    Caro Antônio, compreendi o que escreveu. É um exemplo do que agora vemos no comentário de João Marcos. Percebe-se que falta a ele e a muitos, um verdadeiro catecismo sobre a Santa Missa.

    Há lembrei-me, tem outro livro, este: O catecismo da Santa Missa: http://sacerdotibus.blogspot.com/2009/05/c.html. Excelente!

    Rezemos sempre para este “pequenino grupo” se multiplique, sr. Antônio!

  6. 2009 outubro 11
    Gabriel permalink

    Acredito que cada momento da celebração se pede uma atitude, no cântico de entrada e de glória, se pede alegria por estarmos reunidos para a ceia do senhor e pelo Cristo que perdoa os nossos pecados; no momento da consagração, se pede silêncio, em sinal de temor e respeito ao Cristo que se fez corpo, sangue, alma e divindade na hóstia consagrada.
    Na minha opinião, a citação de São Leonardo de Porto-Maurício, diz respeito, talvez, ao contexto da sua época; hoje em dia, como o bem-aventurado Papa João Paulo II pediu, é a Nova Evangelização, que abrange a todos nós, leigos…se a citação de São Leonardo de Porto-Maurício fosse seguida à risca, provavelmente a Igreja seria uma Igreja de velhos, não só velhos de corpo, mas de coração.
    Certamente, Deus não quer ver pessoas celebrando a tristeza, mas sim a alegria.

  7. 2009 outubro 12

    A paz de Cristo a todos!
    Realmente, as palmas não combinam com a Santa Missa.
    Além do texto de são Leonardo, poderia incluir um outro do são Pio de Pietrelcina, que não tenho em mãos no momento, mas que dizia que devemos ter na santa Missa a mesma atitude que Nossa Senhora e são João tiveram no Calvário. Festa? Nem pensar!
    Quanto à oração do terço durante a Missa, lembro de uma conversa que tive com meu pároco sobre isso.
    Ele dizia que reparou que uma pessoa sempre rezava o terço durante a Missa e pediu que um seminarista fosse conversar com ela, repreendendo-a.
    Eu disse a ele: “Quer dizer que com tantas pessoas conversando bobagens e rindo dispersas durante a Missa, o seminarista foi chamar a atenção de quem estava rezando?????”

  8. 2009 outubro 12

    Gabriel,

    S.S João Paulo II acreditava na realidade sacrificial da Missa, como qualquer católico deveria – o contrário é o mais genuíno protestantismo. O Servo de Deus disse: “A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica.(16) O que se repete é a celebração memorial, a « exposição memorial » (memorialis demonstratio),(17) de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se actualiza incessantemente no tempo. Portanto, a natureza sacrificial do mistério eucarístico não pode ser entendida como algo isolado, independente da cruz ou com uma referência apenas indireta ao sacrifício do Calvário (n. 12, itálicos do original)”

    Quatro pontos tornam as palmas inapropriadas:

    1 – A Missa é Sacrifício, Calvário, e como tal pede um espírito e uma alegria dignos da Celebração. As normas litúrgicas, na prática, surgem, justamente, para regular a Liturgia e impedir deformações, mas bebem no sentido sobrenatural da Missa, o fato dela ser Sacrifício. Ninguém bateria palmas no Calvário, se a Missa é Calvário, logo…

    2 – As palmas no Brasil têm um sentido meramente humano, de uma alegria mundana. Em tribos da África as palmas são usadas em festividades sacras, ou seja, há a compreensão de que funcionam como sinal do sagrado. Aqui batemos palmas diante de um bolo de aniversário e em músicas de axé. Comparemos as palmas com a genuflexão. Alguém se ajoelha diante de um bolo de chocolate ou quando está contente? Não, e quem fizesse isso seria tachado de louco. Em suma, as palmas no Ocidente não são símbolos sacros, externalizam uma alegria de caráter meramente mundano. Ademais, isso é tão certo que quase sempre, para não dizer todas as vezes, que quando se colocam palmas nas Missas estas são acompanhadas da deformação de cânticos como o Glória e o Sanctus, onde a letra é modificada – o que não é permitido – para encaixar um ritmo animado.

    3 – Mesmo as palmas sendo sinais do sagrado, como ocorre em certas tribos africanas, elas só podem ser inculturadas na celebração em terras de missão. O Brasil já é católico fazem séculos, 500 anos especificamente. O Brasil NÃO É terra de missão, tirando algumas regiões amazônicas. Se o povo tem uma fé deformada, relativizada e açucarada, nada disso justifica a deformação, relativização e açucaramento da Missa.

    4 – E, por fim, o quarto ponto. Inculturação apenas com aprovação da Congregação para o Culto Divino. Essa Congregação aprovou, por exemplo, as palmas na missões inseridas nas tribos africanas onde as palmas sãos agradas, mas absolutamente não no Brasil.

  9. 2009 outubro 12
    Antonio Benedito de Castro permalink

    É isso mesmo caro Wilson, S.Pio de Pietrelcina nos dá como um roteiro que nos norteiam o espirito que devemos buscar a ter ao participarmos da Santa Missa. É um esforço bem dificil em meio a tanta balbudia, mas faço de contas que não consegui chegar mais perto da Cruz, barrado pela chusma de fariseus em festa, fico de longe tentando a ver e sentir com Meu Senhor sua entrega por mim.

  10. 2009 outubro 12

    Excelente texto, Rafael. Acredito que mesmo que tivesses postado somente a citação de São Leonardo de Porto Maurício já teria valido a leitura.

    O que me surpreendeu foi ler nos comentários que há padres que censuram quem reza o Terço na Missa, e que há pessoas que se incomodam com essa atitude! É realmente algo assustador! Muito mais porque eu observo que nas Missas no Rito Ucraniano que existem por aqui os fiéis estão sempre, e absolutamente sempre, rezando o Terço antes do início da Missa. Eu mesmo já fui admoestado por não ter essa prática, que reconheço é muito bela e piedosa.

    Recordo-me agora das palavras do Padre Álvaro Calderón que dissera que “assistir o drama da Paixão sem reação é pecado! Não se pode assistir calado uma Missa que pretende ignorar o Crucificado, que canta alegremente diante da sua dor, que põe as mãos não consagradas em tudo o que há de mais sagrado”.

    Não esqueçamos também, do que dissera o venerável Papa João Paulo II, em sua Encíclica Ecclesia de Eucharistia de que “temos a lamentar, infelizmente, que sobretudo a partir dos anos da reforma litúrgica pós-conciliar, por um ambíguo sentido de criatividade e adaptação, não faltaram abusos, que foram motivo de sofrimento para muitos.”

  11. 2009 outubro 12
    João Marcos permalink

    Magna

    1) Quanto a questão do terço, vc não entendeu o que escrevi: quis apenas relembrar um outro debate, neste blog mesmo, em que se abordou a questão de ser subjetivamente ou objetivamente mais proveitoso determinados atos na missa. Objetivamente, é melhor que a pessoa preste atenção do início ao fim na missa; subjetivamente, pode ser mais proveitoso que a pessoa reze o terço ou bate palmas nos cantos.

    Sobre me incomodar vendo alguém rezar o terço na missa, isso é uma questão PESSOAL, só que eu NUNCA vou chegar na pessoa e lhe tolher este direito. Se assim ela aproveita melhor, que faça.

    Conheço muito bem as palavras de São Pio X quanto a oração do terço na missa. E, de fato, não tinha mesmo como dizer o contrário, já que, com a liturgia toda em latim, nem todos aproveitavam, pela barreira linguística, dos frutos da missa. Aí o terço ganha força e de fato se torna um poderoso instrumento durante a celebração da missa. Contudo, considerando a possibilidade da missa em vernáculo, se torna desnecessário a oração do terço na missa, já que é possível a todos compreender o que ali se celebra.

    Certas coisas possuem sua importância em sua época, e depois, em função das novas realidades, são revistos para atender os novos desafios. Compare o documento Tra le Solicitude, de São Pio X, como quirógrafo sobre os cem anos desse mesmo documento, feito pelo Papa João Paulo II, e vc verá a grande diferença. Para se ter alguns exemplos, em 1903, data do citado documento, as mulheres não podiam cantar na missa e não era permitido o uso de piano, mas apenas o órgão. Ao longo do século XX essa orientação foi mudando, chegando a 2003, quando o Papa João Paulo II faz uma releitura daquele documento para atender os dias atuais.

    2) Quanto a questão dos tambores, bem, como mencionei, dá uma futucada no Youtube e verá que teve missa na África com o Papa Bento XVI em que foi usado uma orquestra só de tambores.

    Importante: não sustento abusos na liturgia e nem erros, até porque a liturgia bem celebrada é a melhor catequese para as pessoas. Contudo, o que eu não admito é o excesso que querem empregar na missa, tanto de ordem modernista como de ordem tradicionalista.

    Tem que se fazer a missa de sempre, só que olhando para a realidade das pessoas que lá estão, pois a liturgia perfeita glorifica a Deus e edifica os fiéis.

    Por fim, dobre a sua língua em relação ao que eu sei e aprendi sobre a santa missa e sobre qualquer outro aspecto da doutrina católica, e quando falar, fale diretamente. Não vou admitir que vc insinue que eu não procuro conhecer a fé que vivo, ou que eu desrespeite a liturgia. Procuro ser fiel as sagradas escrituras, ao magistério e a tradição da Igreja, só que eu não pretendo, como vc claramente demonstra, defender um “legalismo” e um “tradicionalismos” rad-trad que nem a própria Igreja defende. Me desculpe, mas seu excesso de ortodoxia é pernicioso à Santa Igreja.

    Té mais

    João Marcos

  12. 2009 outubro 13
    Antonio Benedito de Castro permalink

    Rafael e Luiz Fernando, é isso aí! Relembrando o historico da celebração antes do concilio de Trento vemos hoje se repetir os mesmos desacertos aos quais se foi nescessario apor regras rigidas. O que vemos hoje na pratica, é uma anticatequese que induz o fiel a uma superficialidade, a missa que deveria leva-lo a uma interiorização que o leve a um sincero arrependimento vendo que a missa é o tornar presente o Cristo que se imola pelo seus pecados, foge-se para uma supeficialidade de gestos etc.
    Se participar da missa com o espirito de um S. Leonardo, de um padre Pio, vai levar a um igreja de velhos, a balbudia de pessimo gosto vai nos levar onde? é o que acontece com os cultos protestantes, cada um faz de seu geito e hoje são mais de trinta mil geitos. Obedeçamos pois ao magisterio, caso contrario estariamos indubitevelmente colocando o Cristo de lado pois Ele afirmou: “Quem vos ouve a Mim ouve, quem vos despresa a Mim despresa”

  13. 2009 outubro 13
    Magna permalink

    João Marcos,

    O proveito de assistir a Santa Missa se encontra na união com sacerdote para o sacrífico. Esta união precisa ser vivamente espiritual, interna. Seja rezando o Terço ou não. Pois se fosse assim, “objetivamente” diga-me alguém que é analfabeto, portanto será que ele aproveitaria menos a celebração?
    Vi que seu argumento foi um disparate: dizer que se incomada mais que alguém reze o terço que aquelas que batem palmas, pois sabemos bem que é um ato que mais distrai as pessoas.
    Outro engano seu: por exemplo, eu não sei latim, mas pergunte cada ato da Santa Missa que lhe responderei tranquilamente. É através desses atos que nos uninos com maior profundidade ao sacerdote; palavras jamais poderão traduzir mais vivamente um gesto. Num só gesto se contêm uma infinidade de palavras.

    Para você, aproveitar a Santa Missa significa o quê? Responder a tudo?
    No próprio vernáculo, há uma imensidão de católicos que nem sabe o que é a Santa Missa.

    Observe o que tu dizes: “Tem que se fazer a missa de sempre, só que olhando para a realidade das pessoas que lá estão”, por exemplo, na África, a realidade é bem diferente daqui. Sobre a questão dos tambores o Pedro Ravazzano explicou muitíssimo bem.
    E tu continua… “pois a liturgia perfeita glorifica a Deus e edifica os fiéis”. Acaso viu os vídeos que eu postei, veja se aquilo edificou alguém?

    E digo eu, quem és tu para me fazer dobrar a língua, tu que através da suspeita, esta praga que “grita pérfidas insinuações aos ouvidos asnos, desviando-os da verdade” foi afirmando algo que “vc insinue que eu não procuro conhecer a fé que vivo, ou que eu desrespeite a liturgia”.
    Por acaso eu disse que o seu não saber é culpável, é propositável?
    A conclusão foi tua, não minha!

    E outra, só queria saber onde foi “claramente demonstra, defender um “legalismo” e um “tradicionalismos” rad-trad”. Só pelo fato de não concordar contigo sobre a questão das palmas (que foi um disparete com relação aos que rezam o terço!), dos tambores, dos vídeos que demonstram um abuso litúrgico, dos livros que indiquei?!
    E terminar dizendo que isto é “excesso de ortodoxia”. Francamente!

    É triste vê alguém que não aceita críticas e termina agindo como um adolescente.
    Falei diretamente, e falo de novo…!

  14. 2009 outubro 13

    Eu participo do grupo de louvor da S. Miguel aqui em Marília porque amo cantar e louvar a Deus, mas de forma ordeira e correta. Amo coral e música clássica e daí dá pra ser ver que tenho uma certa aversão a canções agitadonas na igreja. Aliás, por mim, não teria mesmo, nem mesmo bateria (com algumas exceções porque uma bem tocada ajuda na espiritualidade).

    Mas infelizmente, o que muito se constata, é o distanciamento que muitos católicos tem da profundidade da própria Fé. Muitos dizem que os católicos são desgarrados. Eu não nego isso. Infelizmente, parece ser verdade. Na Igreja que tem a melhor teologia, a melhor História e melhor doutrina, há também pessoas das mais desinteressadas, apáticas e distantes do aprofundento da Fé. Muitos católicos sairiam ganhando aprendendo com os evangélicos o amor que eles tem pela fé deles, amando e se dedicando profundamente à Fé católica. O esmorecimento e desinformação da Fé católica é algo totalmente indigesto.

    Aí muitos vivem na superficialidade da Fé. Quantos não sabem nem o abecedário da Fé, do catecismo, sendo presas fáceis para qualquer seita? Quantos tem um amor tão quente à Fé quanto um bloco de gelo? Não é uma crítica mas uma crítica construtiva. Amemos a Fé, amemos os ensinos, a espiritualidade da Igreja, o latim, o canto gregoriano, heranças eternas da Igreja de Cristo. Lembrem-se: não é o mundo que tem que influenciar a Igreja mas a Igreja que tem que influenciar o mundo.

  15. 2009 outubro 13
    João Marcos permalink

    Exatamente, não é o mundo que tem de influenciar a Igreja. Contudo, se os recursos desenvolvidos ao longo dos anos, e principalmente no século XX, podem ser úteis, porque não usá-los?

    Não é qualquer tipo de música que pode entrar na Igreja, mas há cantos modernos que podem ser bem usados nas missas. E olhar tudo e ficar com o que é bom.

    No quirógrafo do Papa João Paulo II no centenário do Moto Proprio Tra le solicitudini, lemos alguns trechos interessantes sobre isso:

    “10. Dado que a Igreja sempre reconheceu e favoreceu o progresso das artes, não é de se
    admirar que, além do canto gregoriano e da polifonia, admita nas celebrações também a
    música moderna, desde que seja respeitosa do espírito litúrgico e dos verdadeiros
    valores da arte. Portanto, permite-se que as Igrejas nas diversas Nações valorizem, nas
    composições destinadas ao culto, “aquelas formas particulares que constituem de certo
    modo o carácter específico da música que lhes é própria”(27). Na linha do meu
    Predecessor e de quanto se estabeleceu mais recentemente na Constituição
    Sacrosanctum concilium(28), também eu, na Encíclica Ecclesia de Eucharistia, procurei
    abrir espaço às novas formas musicais, mencionando juntamente com as inspiradas
    melodias gregorianas, “os numerosos e, frequentemente, grandes autores que se
    afirmaram com os textos litúrgicos da Santa Missa”(29).

    11. O século passado, com a renovação realizada pelo Concílio Vaticano II, conheceu
    um desenvolvimento especial do canto popular religioso, do qual a Sacrosanctum
    concilium diz: “Promova-se com grande empenhamento o canto popular religioso, para
    que os fiéis possam cantar, tanto nos exercícios de piedade como nos próprios actos
    litúrgicos”(30). Este canto apresenta-se particularmente apto para a participação dos
    fiéis, não apenas nas práticas devocionais, “segundo as normas e o que se determina nas
    rubricas”(31), mas igualmente na própria Liturgia. O canto popular, de facto, constitui
    um “vínculo de unidade, uma expressão alegre da comunidade orante, promove a
    proclamação de uma única fé e dá às grandes assembleias litúrgicas uma incomparável e
    recolhida solenidade”(32).

    12. No que diz respeito às composições musicais litúrgicas, faço minha a “regra geral”
    que são Pio X formulava com estes termos: “Uma composição para a Igreja é tanto
    sacra e litúrgica quanto mais se aproximar, no andamento, na inspiração e no sabor, da
    melodia gregoriana, e tanto menos é digna do templo, quanto mais se reconhece
    disforme daquele modelo supremo”(33). Não se trata, evidentemente, de copiar o canto
    gregoriano, mas muito mais de considerar que as novas composições sejam absorvidas
    pelo mesmo espírito que suscitou e, pouco a pouco, modelou aquele canto. Somente um
    artista profundamente mergulhado no sensus Ecclesiae pode procurar compreender e
    traduzir em melodia a verdade do Mistério que se celebra na Liturgia(34). Nesta
    perspectiva, na Carta aos Artistas escrevo: “Quantas composições sacras foram
    elaboradas, ao longo dos séculos, por pessoas profundamente imbuídas pelo sentido do
    mistério! Crentes sem número alimentaram a sua fé com as melodias nascidas do
    coração de outros crentes, que se tornaram parte da Liturgia ou pelo menos uma ajuda
    muito válida para a sua decorosa realização. No cântico, a fé é sentida como uma
    exuberância de alegria, de amor, de segura esperança da intervenção salvífica de Deus”
    (35)(Ed. port. de L’Osserv. Rom. n. 18, pág. 211, n. 12).

    Portanto, é necessária uma renovada e mais profunda consideração dos princípios que
    devem estar na base da formação e da difusão de um repertório de qualidade. Somente
    assim se poderá permitir que a expressão musical sirva de modo apropriado a sua
    finalidade última, que “é a glória de Deus e a santificação dos fiéis”(36).
    Sei ainda que também hoje não faltam compositores capazes de oferecer, neste espírito,
    a sua contribuição indispensável e a sua colaboração competente para incrementar o
    património da música, ao serviço da Liturgia cada vez mais intensamente vivida. Dirijolhes
    a expressão da minha confiança, unida à exortação mais cordial, para que se
    empenhem com esmero em vista de aumentar o repertório de composições
    que sejam dignas da excelência dos mistérios celebrados e, ao mesmo
    tempo, aptas para a sensibilidade hodierna.

    13. Por fim, gostaria ainda de recordar aquilo que São Pio X dispunha no plano prático,
    com a finalidade de favorecer a aplicação efectiva das indicações apresentadas no Motu
    proprio. Dirigindo-se aos Bispos, ele prescrevia que instituíssem nas suas dioceses “uma
    comissão especial de pessoas verdadeiramente competentes em matéria de música
    sacra”(37). Onde a disposição pontifícia foi posta em prática, não faltaram os frutos.
    Actualmente, são numerosas as Comissões nacionais, diocesanas e interdiocesanas que
    oferecem a sua contribuição preciosa para a preparação dos repertórios locais,
    procurando realizar um discernimento que considere a qualidade dos textos e das
    músicas. Faço votos a fim de que os Bispos continuem a secundar o esforço destas
    Comissões, favorecendo-lhes a eficácia no âmbito pastoral(38).
    À luz da experiência amadurecida nestes anos, para melhor assegurar o cumprimento do
    importante dever de regulamentar e promover a sagrada Liturgia, peço à Congregação
    para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos que intensifique a atenção, segundo
    as suas finalidades institucionais(39), aos sectores da música sacra litúrgica, valendo-se
    das competências das diversas Comissões e Instituições especializadas nesse campo,
    como também da contribuição do Pontifício Instituto de Música Sacra. É importante, de
    facto, que as composições musicais utilizadas nas celebrações litúrgicas correspondam
    aos critérios enunciados por São Pio X e sabiamente desenvolvidos, quer pelo Concílio
    Vaticano II quer pelo sucessivo Magistério da Igreja. Nesta perspectiva, estou
    persuadido de que também as Conferências episcopais hão-de realizar cuidadosamente o
    exame dos textos destinados ao canto litúrgico(40), e prestar uma atenção especial
    avaliação e promoção de melodias que sejam verdadeiramente aptas para o uso
    sacro(41).

    14. Ainda no plano prático, o Motu proprio do qual se celebra o centenário, aborda
    também a questão dos instrumentos musicais a serem utilizados na Liturgia latina.
    Dentre eles, reconhece sem hesitação a prevalência do órgão de tubos, sobre cujo uso
    estabelece normas oportunas(42). O Concílio Vaticano II acolheu plenamente a
    orientação do meu Predecessor, estabelecendo: “Tenha-se grande apreço, na Igreja
    latina, pelo órgão de tubos, instrumento musical tradicional e cujo som é capaz de trazer
    às cerimónias do culto um esplendor extraordinário e elevar poderosamente o espírito a
    Deus e às coisas celestes”(43).
    Deve-se, porém, reconhecer que as composições actuais utilizam frequentemente modos
    musicais diversificados não desprovidos da sua dignidade. Na medida em que servem
    de ajuda para a oração da Igreja, podem revelar-se como um enriquecimento precioso. É
    preciso, porém, vigiar a fim de que os instrumentos sejam aptos para o uso sacro,
    correspondam à dignidade do templo, possam sustentar o canto dos fiéis e favoreçam a
    sua edificação”.

    Os trechos são longos, mas é possível ver que a questão do canto na missa possui uma amplitude muito grande. A moldura que separa o que pode do que não pode é larga, admitindo tudo o que possa favorecer o espírito de oração e aproveitamento dos fiéis, com os mesmos efetivamente participando do que estão fazendo.

    A profunda mudança que o Concílio Vaticano II trouxe na liturgia visava a atender desafios inexistentes em épocas anteriores. Infelizmente, tem gente que abusa, mas tem muita coisa boa sendo feito.

    Graças a Deus, eu só não consigo aproveitar bem uma missa, vendo aqui apenas a parte musical, quando ela está recheada de microfonia e/ou com uma música muito ruim. Sendo a música boa, seja o canto gregoriano, seja um coral, uma orquestra ou até mesmo um simples power trio (guitarra, baixo e bateria), aproveito muito. A questão é que a música executada seja efetivamente uma arte, e não um barulho.

    Alguns exemplos de músicas que misturam elementos da música moderna e da música antiga:

    http://www.youtube.com/watch?v=2tXFyhqJwTo – Ressuscitou (Comunidade Shalom). Serve de canto de entrada.

    http://www.youtube.com/watch?v=A2OoqfQiiq0 – Kirie Eleison (Comunidade Shalom). Serve, por óbvio, como ato penitencial.

    http://www.youtube.com/watch?v=Ces33BuESG0 – Gloria a Deus nas Alturas (Eliana Ribeiro). Hino de Louvor.

    http://www.youtube.com/watch?v=iD1XDMaYYOE – Belíssimo Esposo (Comunidade Shalom). Essa musica é uma Oração de Jorge de Nicomedia, monge bizantino que viveu no séc. IX, na atual Turquia. Feche os olhos e imgine essa música tocada no momento da adoração da cruz na sexta-feira santa.

    http://www.youtube.com/watch?v=Czd5FBpgfis – Toma e Come (Diego Fernandes). Comunhão.

    Esses são alguns exemplos de músicas modernas que tranquilamente servem com dignidade a santa missa, na linha preconizada acima pelo Papa João Paulo II.

    Té mais

    João Marcos

    PS: Magna: eu sei aceitar críticas, só que, para a mesma ser construtiva, deve partir de alguém que trate o outro como um igual, e não como um superior dotado de um pretenso catolicismo mais católico que o próprio Papa.

    Vi os vídeos postados, e ali sim é abuso, pois evidentemente faz um gesto de sincretismo religioso. Me lembra muito o “padre” Pinto.

    Leia o Estudo 79 da CNBB, e vc vai entender melhor como é tratado no Brasil a questão da música litúrgica. Lembro que cabe a conferência espiscopal de cada país, em atenção as peculiaridades de cada nação, estabelecer normas para os cantos.

    Meu posicionamento está colocado. Agradeço ao pessoal do Veritatis por manter aberto esse canal de comunicação, permitindo o debate. Por mais que as rugas e os problemas acontecçam, pelo menos o objetivo é um só: glorificar a Deus e edificar os fiéis pela santa missa.

  16. 2009 outubro 13

    Caro Emerson,

    devo dizer que fiquei desconcertado com algumas de suas assertivas.

    O que queres dizer com a Igreja que tem a “melhor” teologia, “melhor” doutrina? Não seria correto dizer que a Igreja Católica possui a verdadeira teologia e verdadeira doutrina? Como é possível que se coloque isso numa escala valorativa?

    E não seria mais verdadeiro dizer que os católicos “sairiam ganhando” se aprendessem a possuir mais fé, mais conhecimento e a ter mais amor pela Igreja com os mestres católicos, com os grandes místicos católicos, com os santos e mártires do que com os “evangélicos” (imagino que esteja falando dos protestantes e afins)? Além disso, estes últimos têm amor pelas suas igrejas respectivamente, o que é bem contrário do que dissera Santo Agostinho de que se tem o Espírito Santo na medida em que se ama a Igreja, veja bem, a Igreja de Cristo, que bem sabemos qual é, não é mesmo? ;)

  17. 2009 outubro 16
    Magna permalink

    João Marcos, vou exercitar a paciência, na esperança que exercites o bom senso.
    Por partes…

    1º “Dado que a Igreja sempre reconheceu e favoreceu o progresso das artes, não é de se admirar que, além do canto gregoriano e da polifonia, admita nas celebrações também a música moderna, DESDE que seja respeitosa do espírito litúrgico e dos verdadeiros valores da arte. ”
    Aí percebe-se um clara advertência “desde”. Entre esta música moderna “sujeita à restrições”, eu prefiro aquela (canto gregoriano e polifonia) que não tem nenhuma advertância, restrições, é plenamente livre… segura que agrada a Deus como convêm.
    Por quais razões vou querer algo que terá que passar por “critérios” para saber se é adequada ou não. Ser humano gosta de complicar!E das muitas vezes, é vaidade mesmo.

    2° “Pio X formulava com estes termos: “Uma composição para a Igreja é tanto
    sacra e litúrgica quanto MAIS se aproximar, no andamento, na inspiração e no sabor, da melodia gregoriana, e tanto MENOS é digna do templo, quanto mais se reconhece disforme daquele MODELO SUPREMO”.

    Se existe um “modelo supremo”, agradável ao Bom Deus, e portanto muito agrada a mim, por que razões vou querer um inferior? Francamente!
    Tu envia este vídeo http://www.youtube.com/watch?v=Ces33BuESG0 “Glória a Deus nas alturas”. E tem ainda a capacidade de supor que isto aqui se aproxima da melodia gregoriana? Faça-me o favor!
    Este mesmo glória em que os anjos tremem diante de Deus! Isto que é uma música para termos o “temor santo” diante do “Senhor dos Exércitos”?! Além de uma péssima qualidade musical, com elementos próprios do Rock’n Roll, esta arte disforme que o próprio Papa Bento XVI quando Cardeal afirmou”O rock é expressão de paixões elementares que, em grandes reuniões de música, assumiram caracteres culturais, isto é de contraculto, que opõem ao culto cristão.” E também citou a música pop como “um culto industrializado de banalidades”
    E quantas banalidades tem feito os ditos “artistas cristãos” em nome de Deus. Uma baita pseudo-piedade que próprio vídeo demonstra.

    3º “Somente um artista profundamente mergulhado no sensus Ecclesiae pode procurar compreender e traduzir em melodia a verdade do Mistério que se celebra na Liturgia”
    É isto aqui http://www.youtube.com/watch?v=Czd5FBpgfis que tu supõe “traduzir em MELODIA a verdade do Mistério que se celebra na Liturgia”.
    Esta melodia mais parece uma reunião de jovens católicos num lual!

    4º “Actualmente, são numerosas as Comissões nacionais, diocesanas e interdiocesanas que oferecem a sua contribuição preciosa para a preparação dos repertórios locais, procurando realizar um discernimento que considere a qualidade dos textos e das músicas. Faço votos a fim de que os Bispos continuem a secundar o esforço destas Comissões, favorecendo-lhes a eficácia no âmbito pastoral.”
    “Conferências episcopais hão-de realizar cuidadosamente o exame dos textos destinados ao canto litúrgico(40), e prestar uma atenção especial avaliação e promoção de melodias que sejam verdadeiramente aptas para o uso
    sacro”
    Sabia que aquele vídeo que postei antes, e que tu acusa de “sincretismo religioso” foi realizado com um belo sorriso complacente por um Bispo Diocesano?

    5º “Dentre eles, reconhece sem hesitação a PREVALÊNCIA do órgão de tubos” …“Tenha-se grande apreço, na Igreja latina, pelo órgão de tubos, instrumento musical tradicional e cujo som é capaz de trazer às cerimónias do culto um esplendor extraordinário e elevar poderosamente o espírito a Deus e às coisas celestes”

    Se existe um instrumento que é PRIVILEGIADO em relação aos demais (há óbvia razão para isto, pois não dispersa o espírito compenetrado nas pessoas para o Santo Sacrifício) e que “capaz de trazer às cerimónias do culto um esplendor EXTRAORDINÁRIO e elevar poderosamente o espírito a Deus e às coisas celestes”. Por que razãos farei o quanto for possível para que outro instrumento (principalmente guitarra, baixo, bateria) ganhe mais aceitação popular, e não este? É muita má vontade!

    6º “a questão do canto na missa possui uma amplitude muito grande. A moldura que separa o que pode do que não pode é larga, admitindo tudo o que possa favorecer o espírito de oração e aproveitamento dos fiéis, com os mesmos efetivamente participando do que estão fazendo.”

    A amplitude se faz quando o “modelo supremo (quem disse que era SUPREMO foi um Santo Papa Pio X- canto gregoriano” é ignorado, é inferiorizado, e passa-se a aderir a outros modos não-supremos. Aí, uma infinidade de escolhas “artísticas” que será preciso rigoroso critério para assemelhar-se aquele supremo.

    7º “A profunda mudança que o Concílio Vaticano II trouxe na liturgia visava a atender desafios inexistentes em épocas anteriores.”
    Desafios ou vaidades? Adesão as idéias do mundo moderno! Triste ingenuidade!

    8º Pelos vídeos que me enviou, realmente não sei que critérios tu utiliza para dizer o que é Arte, e o que é barulho. Que contradição!

    9°”Esses são alguns exemplos de músicas modernas que tranquilamente servem com dignidade a santa missa, na linha preconizada acima pelo Papa João Paulo II.”
    Na linha preconizada pelo Papa? ou por tu?!

    10º”eu sei aceitar críticas, só que, para a mesma ser construtiva, deve partir de alguém que trate o outro como um igual, e não como um superior dotado de um pretenso catolicismo mais católico que o próprio Papa.”

    Por acaso a tua crítica, aquele disparate com relação ao pessoas que rezam o terço e as pessoas que , para tu, não distrai as outras com palminhas, que estas aproveitam MAIS a Santa Missa que aquelas: foi construtivo?as tratou como uma igual? ou não como um superior dotado de um pretenso catolicismo? Faz-me rir rapaz!

    Se é ser-se”superior”, pelo fato de não concordar contigo. Muito confortável, não? Depois, vem serpentinamente com suspeitas, conclusões precipitadas, enquanto eu, demostrei através de tuas argumentações absurdas a falta de bom senso que obscurecia o teu espírito. Haja paciência!

    11º “Leia o Estudo 79 da CNBB”
    A (CNBB) “É aquele setor da Igreja que trocou o Crucifixo, que é eterno, pela foice e pelo martelo, que são apenas velhos”
    Lerei este “Estudo 79″, mas espero também, que leia os livros dos santos padres e homens santos que indiquei.

    12º”Agradeço ao pessoal do Veritatis”
    Agradeça mesmo a eles que se posiciona contra ao seu pensamento, pelo menos é o que tenho lido, vide:”Aos que tanta questão fazem de bater palminhas na Missa, deixo um conselho: procurem uma festinha de aniversário de criança. Dessas com bastante brigadeiro, guaraná, língua-de-sogra e balão-surpresa” e “Ficar alegre não significa bater palmas. Quem bate palminhas sempre que está alegre ou é bebê ou tem problemas mentais.”(Rafael Vitola Brodbeck )
    em http://www.salvemaliturgia.com/2009/09/palminha-de-sao-tome-pra-quando-papai.html
    E tem também no site um artigo favorável ao terço durante a Santa Missa, com recomendações papais e de homens santos.

    Será que essas frases acima soaram altivas? Se não souber o que é ironia, sim.

    Mas como foi justo eu ir de encontro, principalmente, ao seu argumento absurdo, então, a mim é julgado “superioridade”.

    13º “Glorificar a Deus e edificar os fiéis pela santa missa”
    Correto, mas a maneira que Deus quer (se eu já sei qual é o “modelo supremo” palavras de São Pio X, procuro ter apreço por ele, tenho mais o DEVER de divulgá-lo – o canto gregoriano), e não devido a nossas vaidades (aquilo que é apreciável aos sentidos) ou deficiências (por exemplo, desconhecer o latim), pois elas podem muito bem, com boa vontade dos católicos fiéis à Igreja, de ser superadas! Pois é somente na Igreja Católica que é possível ouvi este precioso canto, que outro lugar haveríamos de apreciá-lo? As canções dos vídeos que enviou já fazem “sucesso” nos programas de tv, rádios, shows…
    O Canto Gregoriano é possível ouvi-lo onde?

    Será que acontecerá um dia de ver os protestantes incentivando este canto aos seus fiéis, enquando os próprios católicos não?

  18. 2009 outubro 16
    João Marcos permalink

    Magna:

    Na boa, vc possui uma visão restritiva em relação à música na missa. Vc é o total oposto dos modernistas: enquanto os modernistas rompem com a tradição e querem tocar a algazarra na missa, vc sustenta um imobilismo na história da música na Igreja.

    Sua opinião não aceita o novo naquilo que pode ser útil. Em vez de avaliar tudo e ficar com o que é bom, prefere a cômoda posição de não avaliar o que surge de novo e que pode ser tão bom como o que é antigo. Prefere estagnar a evolução da música na Igreja para atender a um mero gosto pessoal.

    O Concílio Vaticano II, desenvolvendo a questão da maior participação das pessoas na missa, coloca que “Para assegurar esta eficácia plena, é necessário, porém, que os fiéis celebrem a Liturgia com rectidão de espírito, unam a sua mente às palavras que pronunciam, cooperem com a graça de Deus, não aconteça de a receberem em vão (28). Por conseguinte, devem os pastores de almas vigiar por que não só se observem, na acção litúrgica, as leis que regulam a celebração válida e lícita, mas também que os fiéis participem nela consciente, activa e frutuosamente”. (SC 11)

    Além disso, “A santa mãe Igreja, para permitir ao povo cristão um acesso mais seguro à abundância de graça que a Liturgia contém, deseja fazer uma acurada reforma geral da mesma Liturgia. Na verdade, a Liturgia compõe-se duma parte imutável, porque de instituição divina, e de partes susceptíveis de modificação, as quais podem e devem variar no decorrer do tempo, se porventura se tiverem introduzido nelas elementos que não correspondam tão bem à natureza íntima da Liturgia ou se tenham tornado menos apropriados”. (SC 21)

    A realidade muda, e a Igreja enfrenta desafios que não enfretava antes. Tanto é assim que, por diversas vezes, diversos documentos magisteriais são relidos por outros papas, para atualizar seu conteúdo.

    Se assim não fosse, a orientação de São Pio X no Motu Proprio Tra le Sollicitudini em relação a proibição do piano e do canto feminino (considerando que, neste escrito, a mulher era considerada incapaz do canto) não se desenvolveria. Só que, em matéria de liturgia, há um profundo desenvolvimento.

    Tem coisas na liturgia que não podem mudar, mas existem muitas outras que podem mudar e que mudam, e que aos poucos foi sendo colocado. Antes, só se podia o canto gregoriano; agora, podem outros cantos, até mesmo para que todos possam cantar e saber o que estão fazendo.

    Não há que ser suprimido o canto gregoriano, até porque seria um absurdo. Porém, há que se reconhecer que as outras formas de canto podem se revelar tão produtivas quanto.

    Se o seu gosto não permite outras músicas que não seja o canto gregoriano, e nem outros instrumentos que não seja o órgão de tubos, tudo bem, é um problema seu. Agora, não imponha seus gostos aos outros, mormente quando a própria Igreja passou a permitir outras formas de cantos e outras formas de instrumentos.

    Eu, por exemplo, prefiro missa com canto coral, com músicas em bom português, valendo-se só de um piano ou teclado. Aproveito bastante também a que utiliza mais instrumentos, desde que bem tocados.

    Aproveito também missa com canto gregoriano, porém que o órgão de tubos não fique tocando harmonias com excesso de acordes diminutos e com progressões em acordes diminutos, que vão dando aflição e fazem até algumas pessoas passarem mal (e pode ter certeza que a pessoa não está possuída).

    Se vc não concorda com o que eu digo, é um direito seu. Vá na missa que mais lhe agrade, no local que melhor lhe convém. Só não imponha os seus gostos quando há possibilidade de se fazer com decoro a missa valendo-se de diversos recursos.

    Essa é uma exigência de bom senso para com as outras pessoas.

    Té mais

    João Marcos

    PS1: talvez seja vaidade minha o que penso, porém seu posicionamento pode ser igualmente vaidoso, pautado num hermetismo que não mas existe na Igreja.

    PS2: Sobre a função do canto na missa, assim diz o IGMR, nos parágrafos 103 e 104: “Entre os fiéis, exerce sua função litúrgica o grupo dos cantores ou coral. Cabe-lhe executar as partes que lhe são próprias, conforme os diversos gêneros de cantos, e PROMOVER A ATIVA PARTICIPAÇÃO DOS FIÉIS NO CANTO. (…) Mesmo não havendo um grupo de cantores, compete ao cantor dirigir os diversos cantos, COM A DEVIDA PARTICIPAÇÃO DO POVO” (caixa alta meu). Espero que, ao menos com isso, vc reconheça o valor dos cantos que lhe mostrei, que atingem com primor esse fim.

  19. 2009 outubro 16
    João Marcos permalink

    Outra coisa: a opinião que vc falou do Papa Bento XVI sobre o rock: primeiro, essa opinião foi emitida enquanto ele era cardeal, e é apenas uma opinião; segundo, a opinião dele está consignada num livro de liturgia, e pertence a um trecho que ele fala sobre liturgia.

    O então Cardeal Ratzinger, em seu livro sobre liturgia fala com todas as letras que seja excluído o rock da Igreja.

    Só que devemos primeiramente dizer que um livro escrito por um cardeal, por mais que tenha peso de autoridade, não é a voz da Igreja, e pode ser debatido e até criticado. É assim que se constrói o conhecimento.

    O Rock nasceu nos anos 1950, fundindo 3 ritmos: blues, country e jazz. Apenas na década de 1960 é que ele foi apropriado pelos movimentos que pregavam o “sexo, drogas e rock’n roll’. Ou seja, o estilo “rock” surgiu como qualquer outro, da própria evolução da música, porém foi desvirtuado, chegando ao ponto de ser utilizado como meio satânico. Mas, enfatize-se que, a contrário do canto gregoriano, que nasceu no seio da Igreja, e por natureza é canto sacro, o rock, como diversos outros estilos, não é sacro nem profano por natureza, adquirindo essa característica apenas na sua forma de utilização. Situação parecida é a do canto coral, que não nasceu como sacro, mas que é amplamente utilizada pela Igreja.

    A argumentação do então cardeal gira não com relação às origens do estilo rock, mas com relação aos efeitos produzidos por quem utiliza esse meio. Por mais que se tente fazer uma distinção entre rock e roqueiros, é patente que o problema do rock são os roqueiros que deturpam o rock, trazendo ele para o lado satânico. Por natureza, o rock não é satânico, mas apenas uma evolução natural da música que foi deturpada com o passar do tempo.

    Ao buscar fazer uma música cristã católica no estilo rock, apenas se está usando mais um recurso musical. Demonizar um estilo musical pelos seus efeitos pode gerar uma consequência séria: numa visão macro, poderiam começar a demonizar até mesmos símbolos cristãos utilizados de forma errada. Ora, mais gritante que a polêmica que gera a utilização pelo papa do crucifixo invertido não há. Sabemos que se usa assim para relembrar o martírio de São Pedro, que foi crucificado de cabeça para baixo, por sua própria vontade, já que dizia ser indigno de morrer como seu mestre. Sabemos, porém, que a cruz invertida também é utilizada em diversos rituais satânicos. E aí, o papa deveria parar de usar a cruz invertida? É óbvio que não.

    Guardando as devidas proporções com esse exemplo extremo, o mesmo se passa com o rock. Ele não é satânico, profano ou sacro, depende de sua utilização.

    Agora, quanto a conveniência de se tocar rock na liturgia, aí entra outra situação. Na liturgia se exige cantos mais leves. Um pop rock poderia ser tocado num canto de entrada, por exemplo, ou até mesmo no Hino de Louvor, pelo exemplo que dei acima, já que é uma forma de rock em que o som é mais leve . Um Hard Rock ou heavy Metal já não seria conveniente.

    Aliás, “rock” é uma expressão muito ampla ara esse gênero musical, que vai do Rythm and Blues até o Death Metal e o Rock Progressivo. São mais de 20 variações do gênero “rock”. Não dá para colocar tudo no mesmo saco. Por outro lado, diversas outros estilos< às vezes, usam uma "intenção rock". A mistura é tão grande que é difícil identificar estilos puros, sem influência de outros.

    O Papa Bento XVI, por esse livro publicado ainda como cardeal, tem a opinião da exclusão do rock do meio católico. Porém, hoje, essa posição pode ser alterada. Se o Papa, usando de sua autoridade como sucessor de Pedro, se manifestar, em nome da Igreja, contrariamente ao rock, tudo bem, seja acatada pela obediência, Roma locuta, causa finita est. Porém, enquanto sua opinião estiver estagnada na sua época de cardeal, não possui força de norma, mas apenas de opinião. E, enquanto opinião, pode ser criticada, e isso não é nenhum desrespeito, mas uma forma de se debater o assunto para se chegar a um posicionamento definitivo da Igreja. Lembremos que as mulheres não podiam cantar em 1903 na Igreja, por serem consideradas incapazes para tal ofício (§13, Tra Le Sollicitude, São Pio X). Depois de muito tempo, foram aceitas.

    E pode ter certeza que, antes de qualquer proibição com relação ao rock católico, vai haver uma grande pesquisa e estudo, como em todo documentos da Igreja há. Creio eu que seria proibido apenas na liturgia, mas aceito em âmbito pastoral e missionário.

    O rock católico é muito útil para a evangelização, posto que atinge justamente aqueles que estão mergulhados no satanismo. Não é fazer proselitismo, mas anunciar través do rock a verdade do Evangelho de Cristo. É mais um recurso que, se bem usado, pode trazer muitos bons frutos.

    Reconheço a utilidade do rock católico para o anúncio, até porque eu mesmo me aproximei mais da Igreja através da música e de boas guitarras distorcidas de diversas bandas católicas, tais como Vida Reluz, Rosa de Saron, Adriana, Eliana Ribeiro, Dunga, Comunidade Shalom, Missionário Shalom, entre outras (repare que nem todas são rock, mas que possuem músicas com intenão rock).

    Não desqualifico em hipótese alguma o Papa Bento XVI (Cardeal Ratzinger na época). Ele possue muitos bons argumentos, porém de ordem causal que olha apenas os ramos do assunto, que não são válidos se for olhar a matéria sobre o enfoque da origem do estilo e sobre a utilização do estilo.

    Como a questão ainda está no âmbito das opiniões e do debate, me reservo no direito de não concordar com a exclusão do rock na Igreja, mas apenas sua limitaão em se tratando de liturgia.

    Melhor escutar rock católico, com letras falando de Deus, do que escutar outros tipos de rock que honram a Satanás.

    Té mais

    João Marcos

  20. 2009 outubro 16
    João Marcos permalink

    Outras citações interessantes:

    “É desejo ardente na mãe Igreja que todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente e activa participação nas celebrações litúrgicas que a própria natureza da Liturgia exige e que é, por força do Baptismo, um direito e um dever do povo cristão, «raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido» (1 Ped. 2,9; cfr. 2, 4-5). Na reforma e incremento da sagrada Liturgia, deve dar-se a maior atenção a esta plena e activa participação de todo o povo porque ela é a primeira e necessária fonte onde os fiéis hão-de beber o espírito genuìnamente cristão. Esta é a razão que deve levar os pastores de almas a procurarem-na com o máximo empenho, através da devida educação” (SC 14).

    “Para fomentar a participação activa, promovam-se as aclamações dos fiéis, as respostas, a salmodia, as antífonas, os cânticos, bem como as acções, gestos e atitudes corporais. Não deve deixar de observar-se, a seu tempo, um silêncio sagrado” (SC 30)

    “Não é desejo da Igreja impor, nem mesmo na Liturgia, a não ser quando está em causa a fé e o bem de toda a comunidade, uma forma única e rígida, mas respeitar e procurar desenvolver as qualidades e dotes de espírito das várias raças e povos. A Igreja considera com benevolência tudo o que nos seus costumes não está indissolùvelmente ligado a superstições e erros, e, quando é possível, mantem-no inalterável, por vezes chega a aceitá-lo na Liturgia, se se harmoniza com o verdadeiro e autêntico espírito litúrgico.

    “Mantendo-se substancialmente a unidade do rito romano, dê-se possibilidade às legítimas diversidades e adaptações aos vários grupos étnicos, regiões e povos, sobretudo nas Missões, de se afirmarem, até na revisão dos livros litúrgicos; tenha-se isto oportunamente diante dos olhos ao estruturar os ritos e ao preparar as rubricas” (SC 37-38).

    “A música sacra será, por isso, tanto mais santa quanto mais intimamente unida estiver à acção litúrgica, quer como expressão delicada da oração, quer como factor de comunhão, quer como elemento de maior solenidade nas funções sagradas. A Igreja aprova e aceita no culto divino todas as formas autênticas de arte, desde que dotadas das qualidades requeridas” (SC 114)

    A questão é muito mais ampla, e não comporta visões reducionistas, que podem chegar até mesmo a negar a reforma litúrgica promovida pelo CV II.

    Que se tolham os abusos, mas sabendo que a liturgia mudou, sem perder a sua essência.

    Té mais

    João Marcos

  21. 2009 outubro 17
    Magna permalink

    João Marcos,

    1º “Em vez de avaliar tudo e ficar com o que é bom, prefere a cômoda posição de não avaliar o que surge de novo e que pode ser tão bom como o que é antigo. Prefere estagnar a evolução da música na Igreja para atender a um mero gosto pessoal.”

    Se nós já sabemos o que é bom, o que é MAIS agradável a Deus, que ocupa o “primeiro lugar” pois o próprio Santo Papa Pio X afirmou que é o “modelo SUPREMO”, é ilógico dizer que “pode ser tão bom COMO o que é antigo”.

    2º “Prefere estagnar a evolução da música na Igreja”
    Quer dizer que achas que a Missa Tridentina é estagnada devido ao Canto Gregoriano?
    “para atender a um mero gosto pessoal.”

    Mero gosto pessoal? faz-me rir!
    João Marcos, se soubesse o quanto foi muita disciplina, uma graduação para apreciar este canto (justo eu que era amantíssima de rockabilly!), e que não nego que o apreço se deu por saber que mais agradava ao Bom Deus.

    3º”Antes, só se podia o canto gregoriano; agora, podem outros cantos, até mesmo para que todos possam cantar e saber o que estão fazendo”

    João Marcos seja franco, qual outro local nós vamos apreciar o Canto Gregoriano se não for na Santa Missa, ele que é próprio para a Liturgia? Encontramos o Canto Gregoriano, por exemplo, em mosteiro. Aqui na minha cidade nem há! Mas essas músicas que antes citou (algumas delas eu até apreciei) encontramos em todo lugar: tvs, rádios, shows, encontros etc.! Tenha um mínino de bom senso para vê o quanto é necessário e urgente divulgar esta jóia preciosa da nossa Madre Igreja, elogiados até por ateus, judeus, ortodoxos e protestantes.

    4º”Não há que ser suprimido o canto gregoriano, até porque seria um absurdo. Porém, há que se reconhecer que as outras formas de canto podem se revelar tão produtivas quanto.”

    Em nenhum momento, eu não reconheci que algumas composições modernas não são produtivas. Por exemplo, duas cantoras católicas modernas que me fascinam uma pela sua voz, e outra pela sua sonoridade musical: é Maria do Rosário e Irma Kelly Patrícia, as conheci na internet. Mas nem todas as suas canções me agradam).
    Porém dizer”tão produtivas quanto” é novamente sem razão sobre o que disse o próprio São Pio X, “modelo supremo”. Observe o que ele escreveu: “A Igreja reconhece o canto gregoriano como PRÓPRIO da liturgia romana. Portanto, em igualdade de condições, ocupa o PRIMEIRO LUGAR nas ações litúrgicas” (Sacrasanctum Concilium, 116).

    “O Canto Gregoriano – diz o citado documento de Pio X – é o canto próprio da Igreja romana, o ÚNICO que a Igreja herdou dos antigos Padres. Conservando-o cuidadosamente no decurso dos séculos em seus códigos litúrgicos, a Igreja o prescreve de modo exclusivo em algumas partes da sua Liturgia, e, como seu, o propõe diretamente aos fiéis. Estudos recentíssimos restituíram-no à sua integridade e pureza”.”

    5º”Se o seu gosto não permite outras músicas que não seja o canto gregoriano, e nem outros instrumentos que não seja o órgão de tubos, tudo bem, é um problema seu. Agora, não imponha seus gostos aos outros, mormente quando a própria Igreja passou a permitir outras formas de cantos e outras formas de instrumentos.”

    O Canto Gregoriano tem privilégio! Não é questão de ser “meu gosto musical”. Impor o Canto Gregoriano, eu? Quer ir de encontro ao próprio São Pio X que afirmou ser o” primeiro lugar”?! “Igreja passou a permitir ” Sim, mas bem que os católicos poderíamos , com boa vontade, introduzi-lo na Liturgia. Mas não é que vemos com frequência. É muita má vontade não querer introduzi-lo em algumas partes da Santa Missa, e quando há, é bem, mais bem tímida.

    6º “Eu, por exemplo, prefiro missa com canto coral, com músicas em bom português, valendo-se só de um piano ou teclado.”

    Somente não concordo com um ponto: “em bom português”. Gostaria que alguns cânticos fossem em latim, língua ofical da Igreja.

    7º”que vão dando aflição e fazem até algumas pessoas passarem mal”
    Essa foi demais! hahaha. Quer dizer que aquele som da guitarra não causa nenhum agitação? a bateria não é um som nem um pouco desconcertante, além de uns “xaxados” que quase sempre ouço no canto de entrada aqui na paróquia que freqüento, totalmente sem harmonia com a procissão de passo lento e firme do sacerdote com seus ministros em direção ao altar, ao sacrifício. E por aí vai…
    De qualquer modo eu prefiro sem instrumentos, e quando há, um bem suave para não distrair.

    8º”na missa que mais lhe agrade”
    João Marcos não devemos pensar assim, já ouvir várias vezes esta frase. Devemos ir na Santa Missa que mais agrada a Deus. Naquela em que não há profanações, que há o devido respeito a Majestade, Justiça e Misericórdia Divina.
    Que o sacerdote faça o uso adequado dos paramentos litúrgicos. Naquela em que se permita o latim, o Canto Gregoriano, em que não se proíba a comunhão na boca e de joelhos… enfim. Se eu encontrar esta e puder ir, irei.

    9º”PROMOVER A ATIVA PARTICIPAÇÃO DOS FIÉIS NO CANTO”
    Por que razões não podemos fazer com que eles aprendam também do Canto Gregoriano?

    10º Leia isto daqui, é bem interesante – http://www.zenit.org/article-9803?l=portuguese
    “O canto gregoriano deveria regressar» Entrevista com Valenti Miserachs Grau, presidente do Instituto Pontifício de Música Sacra.

    11º”Demonizar um estilo musical pelos seus efeitos pode gerar uma consequência séria”
    Citarei o efeito que é consequência do ritmo, e claro, também de sua origem. Acredita mesmo que é possível samba-cristão sem sambar, sem rebolar. Caso sim, não é samba!? um Arrocha-cristão? Metal-cristão, (que é um tormento!)? Merengue-cristão? Tango-cristão? Um psy-trance- cristão? e por aí vai… Há estilos que são expressamente mundanos. Nem cito profano, pois profano é aquilo que não é sacro, que não se trata de questões religiosas. E que é permitido qualquer cristão ouvir.
    Mas há pessoas que querem “cubrir com um véu de piedade” esses infames gêneros musicais. Mas não me enganam. E preciso ter mas muito bom senso.

    12º”O Papa Bento XVI, por esse livro publicado ainda como cardeal, tem a opinião da exclusão do rock do meio católico. Porém, hoje, essa posição pode ser alterada.”
    Pode, mas ainda não foi. O Papa ainda sustenta sua opinião negativa sobre o Rock e a música Pop.

    13º “Melhor escutar rock católico, com letras falando de Deus, do que escutar outros tipos de rock que honram a Satanás.”
    Melhor é eu procurar escutar minhas apreciadas músicas medievais, e não confunda com as malditas”celtas, new age e companhia”.

    14º”Que se tolham os abusos, mas sabendo que a liturgia mudou, sem perder a sua essência.”
    Perder, não chegaria a afirmar; mas que obscureceu, isso sim.
    Esperemos pela “Reforma da Reforma”blog.veritatis.com.br/…/reforma-da-reforma-noticiada-por-tornielli-confirmada-por-jornal-catolico-americano/

    Contudo, volto a dizer: O Canto Gregoriano precisa ser introduzido na Santa Missa, não ingnorado, não reduzido. Mas posto no seu lugar de destaque, como próprio Papa Bento XVI afirmou”É a música oficial da Igreja Católica”.
    Algumas canções que me enviou são de qualidade, e em alguns momento da Santa Missa, adequadas. Porém, outras que não se encaixam na Liturgia, mas em reuniões de grupos, encontros, passeio, enfim…

    Por fim,
    João Marcos creio nas suas boas intenções, não duvido com relação ao amor que possui ter pela Santa Missa. Somente não aceitei aqueles seus argumentos anteriores, os vi como um absurdo.

    Rezarei para que sempre procures aprofundar na Fé Católica, assim como peço que faças por mim. E que procure divulgar o precioso Canto Gregoriano, para que as pessoas possam conhecê-lo, amá-lo e aprendê-lo.

    Por fim, deixo as seguintes disposições de Pio XI (Constituição Apostólica “Divini cultus”, de 20 de dezembro de 1928)

    4.ª) Para que o povo volte a tomar parte ativa no culto litúrgico, deve-se-lhe devolver o uso do Canto Gregoriano, no que a ele corresponde, a fim de que alternem suas vozes com as dos sacerdotes e cantores.
    5.ª) As Autoridades eclesiásticas promovam a instrução litúrgico-musical do povo, fazendo com que sejam ensaiados nas Escolas, Confrarias e outras Associações os cantos litúrgicos; devendo as Comunidades de Religiosas, de irmãs e senhoras piedosas prestar-se com alegria a consegui-lo em seus respectivos institutos de educação e de ensino.

    Que Jesus Cristo seja sempre louvado!

  22. 2009 outubro 17

    Prezado Luís Fernando, concordo ipsis literiis com o que disse, só disse de uma maneira para os evangélicos entenderem. É claro que sei que a Igreja é uma e a verdade também. Em nenhum momento quis elencar uma escala de valores, como se a Igreja fosse uma questão de escolha. Somente quis enfatizar isso para os evangélicos.

  23. 2009 outubro 17

    Outra coisa, em nenhum momento quis dizer que os católicos “sairiam ganhando” imitando evangélicos. Longe disso. Lembra-se daquele ditado “ah! Se os nossos soldados fossem tão dedicados à nossa causa como nossos inimigos às deles”? É por aí. Não falei em imitar a espiritualide protestante mas a mesma dedicação e ardor que eles tem a deles, ou não será que é admirável, mesmo estando erradas e equivocadas, a dedicação que as TJ tem em sair de casa em casa?
    Quantos católicos não estão nem aí para a profundidade da fé? Concordo contigo e amo a Idade Média, aliás, sou apaixonado por essa época. É claro que os católicos sairiam ganhando excepcionalmente mais imitando a dedicação à Fé de uma S. Maria Goretti ou um Pier Giorgio Frassati. A espiritualidade católica é única e verdadeira. O protestantismo esfarelou as verdades em vários caquinhos por aí.
    Em suma, o que invoco é apenas a maior profundidade e amor dos católicos à sua fé. Quantos até torcem o nariz ao se falar em missa em latim, achando que é coisa de outro mundo? Quantos ouviram falar das “Controvérsias” de S. Francisco de Sales? Quantos conhecem Patrística? Sem dúvida, tudo isso é infinitamente melhor que qualquer coisa protestante.

  24. 2009 outubro 17

    Para resumir todo este assunto, penso o seguinte: “o que qualquer santo católico faria numa hora dessas? O que S. Pio de Pietrelcina acharia desta missa, etc”? É assim que penso, por isso, concordo 100% com o Rafael. Apesar de muita coisa boa da CN, ela em parte traz também alguns momentos alguma superficialidade para os jovens, que saíriam ganhando muito mais ouvindo canto gregoriano.

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