O medo da “febre hondurenha”

2009 setembro 29
by Taiguara Fernandes

O Governo Brasileiro do Senhor Luís Inácio Lula da Silva continua interferindo em Honduras, metendo o bedelho onde não é chamado. O nosso Presidente acusa o governo interino de Honduras de “golpe de Estado” – o mesmo acusam os totalitaristas Chavez, Morales e Castro’s.

Estranhas companhias para falar-se em liberdade… Afinal, quem é Hugo Chavez para exigir “liberdade em Honduras”, quando não dá liberdade aos seus? Quem são os Castro’s para exigirem democracia, quando Cuba é, sem dúvida, uma dos maiores exemplos de como não ser democrático?

E que “golpe” estranho este de Honduras! Porque, geralmente, os “golpes de Estado” fecham o Congresso e demovem os juízes… Mas em Honduras não foi assim; foi exatamente o inverso. Em Honduras ocorreu um peculiar “golpe de Estado” que foi apoiado pelo Congresso Nacional (os legítimos representantes do povo), referendado pela Suprema Corte de Justicia (a guardiã da Constituição) e levado a cabo pelo Exército, a mando da Suprema Corte.

E mais: em Honduras o “golpe de Estado” foi feito sob o amparo da Constituição; afinal, a Constituição Hondurenha, em seu artigo 239, diz que quem queira perpetuar-se no poder – como queria o Manuel Zelaya – deverá ser demovido do cargo imediatamente.

Ora, que “golpe” acontece com o apoio do Congresso Nacional e da Suprema Corte de Justicia e sob o amparo da Carta Magna nacional? E que governo golpista convoca novas eleições para os próximos de seis meses, em obediência à Constituição? Que governo golpista obedece à Constituição?

Nenhum golpe ocorre desta maneira. Porque não houve golpe em Honduras.

O que houve em Honduras foi a concretização de algo que já estava disposto na Constituição: a deposição de quem queira perpetuar-se no cargo e a convocação de novas eleições. Está na Constituição Hondurenha. Não há golpe, mas, sim, a efetivação da norma constitucional.

Lula e Zelaya noivos

Lula e Zelaya noivos

Golpe queria dar o oportunista do Manuel Zelaya, quando pretendeu passar por cima da Constituição de Honduras, tentando prolongar seu mandato ad infinitum, à maneira chavista. Zelaya é o verdadeiro golpista, felizmente deposto. E é a esse aspirante a “novo Chávez” que Lula tem dado guarida numa embaixada brasileira, permitindo ainda sua utilização para que Zelaya instigue a revolta contra o Governo interino – um governo legítimo, pois fundado num dispositivo da Constituição nacional.

A interferência do Governo Lula em Honduras, dando “hospedagem” (nas palavras do Presidente) a Manuel Zelaya – o verdadeiro golpista, pois quis passar por cima da Carta Magna do país – é absurda e vergonhosa. Não só isso: é uma violência contra Honduras, um desrespeito a sua soberania, manifestada na sua Constituição – a mesma Constituição que dispõe sobre a deposição de Zelaya.

Mas qual seria a intenção de Lula e dos demais totalitaristas latino-americanos ao interferir em Honduras? Por que Chávez, que não pensa duas vezes antes de violar a liberdade dos venezuelanos, está de repente tão preocupado com a “liberdade” em Honduras? Por que os Castros, que repugnam qualquer relance de democracia em Cuba, de repente se preocupam tanto com o “mandato democrático” de Zelaya? Por que Lula – que disse não querer interferir na Bolívia quando Morales estatizou as refinarias da Petrobrás – interfere de maneira tão desesperada em Honduras? Por que atitudes tão contraditórias, todas motivadas pelo mesmo evento?

É medo da “febre hondurenha”.

Quando os escravos do Haiti proclamaram sua independência em 1791, houve um medo generalizado de que outros escravos fizessem o mesmo nas outras colônias, seguindo o exemplo haitiano: era a “febre haitiana”.

Agora, que os socialistas latino-americanos tentam instaurar aqui uma nova União Soviética, a UNASUL; agora que Chávez promove sua reeleição ad infinitum e Lula até cogitou um terceiro mandato, aparece Honduras, a pequena República de Honduras, depondo um Presidente oportunista, aspirante a “novo Chávez”, que queria manter-se no cargo para todo o sempre. E sem voltar atrás; afinal, só fizeram valer o que está na sua Constituição.

Que temor a atitude dos hondurenhos deve ter provocado – e provocou – nos socialistas latino-americanos!

Assustaram-se diante da possibilidade de que outras populações fizessem o mesmo. Chavéz se assustou. Lula se assustou. Morales e os Castro’s se assustaram. Quem queria a UNASUL, nova URSS, atemorizou-se.

Honduras é um mal exemplo para os socialistas. Honduras não pode continuar, tem de se dobrar. Honduras tem de aceitar o totalitarismo de Zelaya a qualquer custo. Caso contrário, se Honduras não aceitar, se Honduras resistir, terá dado um grande exemplo, terá realizado um grando feito, que atrasará g0randes passos do projeto comunista para a América Latina – o único lugar do mundo em que essas bobagens ainda parecem surtir algum efeito.

Precisamos rezar muito por Honduras. As eleições em Honduras, para manter a democracia, serão em Novembro. Mas eu temo que até lá, em desespero, o Brasil, ou a Venezuela, ou seja lá quem for, atente contra Honduras e contra sua soberania – pois contra a Constituição daquele país já atentaram, ao dar guarida a Zelaya. Precisamos rezar por Honduras: seu exemplo vale para todos nós.

Em meu Blog, publiquei duas cartas que escrevi, uma ao Presidente Lula, de repúdio às suas intervenções ilegítimas em Honduras, e outra ao Presidente interino do país, Roberto Micheletti, pedindo desculpas, como cidadão brasileiro, pelas ações do nosso Governo. Estimulo todos as escreverem também. Afinal, é preciso manifestar nossa discordância com os rumos que tem tomado este país nas mãos do Presidente Lula: é demais que este Governo jogue o nome do Brasil na lama por sua ideologia burra e totalitária. No mesmo post em que estão as cartas, explico como é possível enviá-las aos Presidentes.

Rezemos por Honduras, meus caros. Que a Virgem de Guadalupe interceda por aquele pequeno país. Se Honduras resistir, a “febre hondurenha” pode gerar conseqüências indesejáveis aos comunistas – mas sumamente desejáveis para nós.

2 Responses leave one →
  1. 2009 setembro 30
    João Marcos permalink

    Além do desrespeito à constituião de Honduras, nosso querido Lula está desrespeitando o art. 4º, IV da nossa Constituição, que dispõe que o Brasil se rege nas relações internacionais pelo princípio da não-intervenção.

    Bem poderia ser um caso de impechment do Lula… mas, ao contrário do Collor, o Lula tem apoio no Congresso… aí já era…

  2. 2009 setembro 30
    Taiguara Fernandes permalink

    Não só o princípio da não-intervenção, como também o da auto-determinação dos povos: se Honduras não tem o direito de determinar o que lhe compete na sua Constituição, tê-lo-á Lula por Honduras?

    []s!

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