Pensamento puritano contamina CNBB

2009 setembro 27
by Rafael Vitola Brodbeck

A Igreja não condena os jogos de azar. Só condena o erro específico daqueles que abusam dos mesmos, quer por colocar todo o seu dinheiro nos jogos, gastando até o que não possuem, quer por explorarem os jogos com artifícios que não permitam haver ganhador.

Por isso, a legalização de bingos e, no futuro, quem sabe, cassinos, no Brasil, é um assunto que não necessita do parecer da CNBB. Mas a conferência quer dar seu pitaco. Sempre. Em toda situação jurídica, política, a CNBB se faz presente. Sem embargo, nos assuntos religiosos, espirituais, ou em ações mais firmes em defesa da vida, demonstra timidez.

Para assuntos que lhe competem, a CNBB ou se omite ou é fraca. Quando se tratam de temas estranhos à sua missão, todavia, notas oficiais são dadas a torto e a direito. Muitas dessas notas, aliás, contrariam a doutrina católica: dando aval ao MST e a teses socialistas, apoiando o desarmamento do cidadão de bem e afrontando a legítima defesa pregada por santos e pelo Catecismo, e, agora, condenando algo que a Igreja não condena: os jogos de azar.

Não se invoque que alguns se viciam nos jogos. O abuso não tolhe o uso. Proíba-se o abuso, não o mero uso. Se a Igreja não condena, por que a CNBB condena? Por que a CNBB age de modo inverso? Será para manter sua “tradição”? Sim, tradição, pois se a Igreja manda sobriedade no culto litúrgico, muitos Bispos fecham os olhos para os incontáveis erros na Missa, isso quando não promovem. Se a Igreja diz para traduzirem decentemente os textos do Missal, a CNBB, mediante um artifício de D. Clemente Isnard, OSB, confessado por ele próprio, faz uma tradução porca do texto. Se a Igreja estimula o latim nos ritos, a CNBB ignora. Se a Igreja autoriza o rito antigo, a CNBB finge que não é com ela. Se a Igreja condena a TL, a CNBB deixa-a solta no Brasil, de mãos dadas com o progressismo e o secularismo que tanto mal fazem à Terra de Santa Cruz.

O texto da nota da CNBB, que pode ser encontrado aqui, expressa uma linguagem marxista. Claro que eu não espanto, vindo de quem vem… O problema dos jogos, diz a CNBB, é a opressão. Sim, tudo é opressão, opressor, oprimido…

Ser Papa não deve ser fácil. Os Bispos brasileiros estão em visita ad limina, e os discursos do Papa a eles são sempre no sentido de recuperar a visão católica na Igreja Católica do Brasil. Mas o Romano Pontífice fala e muitos Bispos não escutam.

Em tempo, a nota condena também a facilidade dos novos divórcios, e, por isso, a CNBB deve ser cumprimentada.

9 Responses leave one →
  1. 2009 setembro 27
    Domingos Sávio permalink

    A CNB do B não vai instituir o dia do “GRITO” contra o jogo no Brasil,não?

  2. 2009 setembro 28
    Rodrigo Leandro permalink

    Rafael, concordo que a CNBB deveria ser tão enfática em assuntos importantes, como na condenação ao aborto, na defesa do casamento natural entre 1(um) homem e 1(uma) mulher!
    Agora, também acho que este blog não deveria se meter em picuinhas e criticar todo e qualquer pronunciamento da CNBB! Não é porque a Igreja não condena os jogos de azar que um blog de apostolado como este deveria fazer uma defesa tão acalorada de tais jogos! Não cabe esta defesa aqui!

  3. 2009 setembro 29
    Rafael Vitola Brodbeck permalink

    Não estamos defendendo os jogos. Estamos, COM A IGREJA, A DESPEITO DA CNBB, defendendo a licitude moral dos mesmos, e denunciando a CNBB.

  4. 2009 setembro 29
    Rafael Vitola Brodbeck permalink

    http://www.zenit.org/article-22802?l=portuguese Excelente!

  5. 2009 setembro 29
    Pedro permalink

    Eu concordo com a CNBB em relação aos jogos. Evidentemente não pelos motivos que levam a CNBB a se manifestar em relação a isso, puramente terrenos…

    Concordo também que ela deveria se preocupar com coisas mais importantes do que isso, como a lei de Deus ou o sobrenatural… e parar de meter o bedelho em questões políticas.

    Eu sou contra a abertura de cassinos e bingos, mesmo esse último em Igreja…

    Mas jogos entre amigos, valendo dinheiro, isso não me parece problema…

    É apenas uma opinião…

  6. 2009 setembro 30
    Leonardo permalink

    O problema com o jogo é o mesmo com qualquer vício. “Não nos é proibido beber do vinho que nos alegra o coração”, agora, se vira vício e escraviza, aí, é pecado grave e um mal complexo! A CNBB deveria imbuir-se, para atacar todos os vícios juntos, de exigir o fortalecimento da nossa educação, inclusive, para a formação moral, ausente ou quase totalmente arruinada. Se não fizer isso com urgência poderá acontecer duas coisas: os marxistas, via senador Buarque, vereador Challita e outros aderentes iludidos tomarem o controle da formação geral do povo com desconsideração da moral cristã ou os traficantes robustecerem cada vez mais o estado paralelo, inclusive, com simpatia para muito mais além da sua vizinhança.

  7. 2010 março 4

    O autor do artigo tem se empenhado tanto em combater o marxismo na Igreja que vê marxismo em tudo. Sou anti-marxista, tomista convicto, formado filosoficamente em Anápolis e devo dizer que o autor equivoca-se ao afirmar que o texto use tal linguagem.
    Em nenhum lugar o texto usa a palavra “opressão” ou dela derivada. Fala, sim, de “exploração”, com a preocupação da integridade da pessoa, da famíla e do Estado. A preocupação é de evitar a ocasião de pecar e de viciar-se. O mesmo texto dá um parágrafo razoável sobre a questão da redução do prazo do divórcio no Brasil, novamente, sem cunho marxista.
    Peço que o autor reveja seu conceito de Igreja, visto que o Direito Canônico estabelece as Conferências Episcopais. O erro dos membros não elimina a validade da Instituição, no caso, a CNBB.
    Neste Ano Sacerdotal devemos pensar se o Cura D’Ars seria a favor ou contra a j0gatina combatida pela CNBB, ele que não aceitava sequer os bailes…
    Sugiro, para uma compreensão clara de meu pensamento sobre a CNBB, a criteriosa lietura de meu artigo do mês passado em http://pemarcelogm.spaces.live.com/blog, intitulado “Infiltração comunista”. O artigo deste mês dá fundamentos metafísicos para o agir humano.

  8. 2010 março 4

    Quero ainda dar minha bênção aos leitores e colaboradores que dela puderem aproveitar. Que Deus abençoe a todos.

  9. 2010 março 4

    Neste artigo uma coisa é evidente, a CNBB tem muito entusiasmo com broblemas sociais, já nem parace um instituição eclesiartica.
    Quem sabe se mudar o nome CNBB para PNBB partido nacional dos bispos do brasil, ficará completa.

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