Bento XVI e a proximidade dos Legionários de Cristo

2009 julho 12
by Rafael Vitola Brodbeck

Com a morte de João Paulo II, alguns setores eclesiásticos não tardaram em decretar o fim dos Legionários de Cristo, já que o falecido pontífice era tido por protetor do fundador da congregação, o sacerdote mexicano Marcial Maciel. De fato, Bento XVI, sucessor do Papa polaco, reformou um dos pontos das Constituições da Legião, o que foi interpretado como realização da “profecia” dos inimigos dos legionários. Mais tarde, quando a Santa Sé pediu que o Pe. Maciel, LC, se abstivesse de todo e qualquer ministério público, as mesmas vozes se alegraram em sua falsa interpretação.

O que havia de verdade nisso tudo?

Em primeiro lugar, cabe ressaltar que as Constituições dos Legionários de Cristo foram aprovadas, definitivamente, em 1983, por João Paulo II. E todos os teólogos decentes ensinam que a aprovação definitiva de uma regra de instituto religioso é “fato dogmático”, cuja negação seria, por via indireta, um questionamento da infalibilidade pontifícia. Assim, continuam os teólogos – inclusive o celebrado Pe. Penido –, revestido de infalibilidade o fato dogmático – não só o dogma –, não se o pode negar. Desse modo, as Constituições não foram aprovadas por ser João Paulo um amigo de Maciel, e sim como um ato solene e infalível do Papa, Soberano e Romano Pontífice, Vigário de Cristo, Sucessor de Pedro, detentor das chaves, aquele que tem o poder de ligar e desligar na terra, ligando e desligando no céu. Não havia, então, um só ponto sequer das Constituições dos Legionários que não estivessem em profunda harmonia com o Evangelho. Ninguém poderia opor as Constituições, uma vez aprovada de modo definitivo, ao depósito da fé: a aprovação, infalível que é, o impede.

Bento XVI, como qualquer Papa, pode reformar o que quiser, tendo autoridade para tal. E o fez, de fato, com as Constituições, para melhor adequar a uma nova realidade. Eis o sentido da reforma. Não se pode ver a reforma como uma correção de algo que estava equivocado. Se assim o fosse, João Paulo II teria errado em sua aprovação definitiva, e a teoria dos fatos dogmáticos “vai para o saco”. Tanto a aprovação de João Paulo II quanto a reforma de Bento XVI estão na mesma linha: atos soberanos para o bem da Igreja.

E a ambos os Legionários anuíram com igual alegria.

Quanto ao outro fato, não se tratava, como diziam os detratores, de uma pena. O convite ao fundador foi resultado do arquivamento do processo. E não há pena decretada sem processo. Nulla poena sine iudicio. A renúncia a que se convidava Pe. Marcial Maciel, LC, a toda manifestação pública, se dava porque rumores de supostos delitos – um dos quais se veio a confirmar mais tarde, como sabemos – estavam fortes demais a ponto de impedir, ao menos, um procedimento investigatório, e a saúde de Maciel não suportaria algo desse calibre. Para apaziguar os ânimos, a solução encontrada foi esse caridoso pedido da Igreja, a que o Pe. Maciel, que já não era diretor-geral da congregação por ter renunciado, livre e espontaneamente, ao cargo, prontamente aceitou, como sempre fez.

De outra sorte, não só João Paulo II era amigo do Pe. Maciel – tendo-o convidado para a Assembléia Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Formação Sacerdotal, como perito, encomendado a ele a criação de dois seminários para a formação de sacerdotes diocesanos, e presenteado a Legião com a direção de um centro de pastoral em Israel, entre outras provas de amizade. Desde Pio XII até Bento XVI, todos os Papas foram próximos dos Legionários. Quando ainda Purpurado, o Cardeal Ratzinger muitas vezes se dirigiu, com afeto e delicadeza, aos padres da Legião e aos leigos e padres do Regnum Christi, movimento que aos legionários é ligado.

Por ocasião do infeliz fato envolvendo o Pe. Maciel, em que se constatou que teve um momento de fraqueza, vindo a nascer-lhe uma filha, as mesmas vozes se rejubilaram em satânico gozo. Mas o Papa, a pedido do Pe. Álvaro Corcuera, LC, sucessor do Pe. Maciel no governo da Legião, decretou uma visita apostólica, com o intuito de aparar as arestas necessárias para que a congregação continue a ser fiel a seu carisma – infalivelmente aprovado e garantido.

Não só isso. O Papa prometeu à Direção Geral dos Legionários de Cristo e do Movimento Regnum Christi gestos eficazes de proximidade e amizade.

Na recente viagem de Bento XVI à Terra Santa, por duas vezes, essa promessa se concretizou de modo contundente.

Uma delas foi a bênção dada pelo Papa, de modo solene, à pedra fundamental do Centro Magdala para Peregrinos, que será construído e dirigido pelos Legionários de Cristo às margens do Mar da Galiléia, a 6km de Cafarnaum. Desta pouco se falou, infelizmente. Quando é para “malhar” os Legionários, parte da imprensa, inclusive alguns da chamada mídia católica, se mostra sempre presente.

A segunda foi a realização do encontro com muçulmanos, judeus e cristãos, noticiada e transmitida pela TV. O que poucos sabem é que esse encontro, realmente histórico, foi sediado no Pontifício Instituto Notre Dame de Jerusalém, uma das obras de apostolado dos Legionários de Cristo. Mais sobre o instituto se encontra aqui.

A Legião de Cristo e o Regnum Christi não estão tão fora da Igreja quanto alguns querem, nem a memória do Pe. Marcial Maciel, LC, tão em desgraça quanto alguns torcem.

7 Responses leave one →
  1. 2009 julho 17
    Elaine permalink

    Desejo sempre mais que a congregação cresça e faça muitos frutos como tem feito até hoje !!!!!!
    Amo a congregação

  2. 2009 setembro 24
    Emanuel permalink

    Os Legionários de Cristo estão sendo perseguidos por que é a única congregação católica do mundo que ousou fazer de Jesus o centro da vida de uma pessoa e não Maria e os santos como quer a Hierarquia de Roma (Papa, bispos e cardeais).
    Está na hora dos legionários se levantarem, de dizerem basta a essa corja de bandidos, com mentiras do diabo, levantadas por fanáticos cristãos cheios de ódio, para destruir a congregação e assim os católicos serem perpetuados a terem uma igreja centralizada num papa, Maria e santos, que nunca sequer, nenhum deles, resolveram os conflitos da alma de milhões de católicos no mundo, porque só Jesus e sua Palavra, podem salvar o homem, mais ninguém!
    Deus abençõe a todos os Legionários de Cristo, lhes dê vitória contra essas mentiras contra o Pe. Marcial Maciel, LC, em nome de Jesus! Profetizo a vitória deles, em nome de Jesus!
    O Pe. Marcial Maciel, LC foi um homem de Deus! e no dia do Juízo Final os perseguidores, articuladores, o papa e sua hierarquia que quer uma igreja segundo ela mesma e não como a Palavra de Deus quer, vão pagar muito caro nas chamas de fogo, enquanto verão o Pe. Marcial Maciel subir com Jesus no firmamento!
    Se a Legião de Cristo é uma obra de Deus dentro da igreja católica, ai daqueles que querem acabar com ela, sejam papas, bispos, inimigos, ou seja quem for, pois vão enfrentar a IRA DE DEUS e seria melhor para tais que nunca houvessem nascido!

    Se a Legião de Cristo acabar, então que os ex-legionários se reúnam ao redor da bíblia, orem, peçam a intervenção do Espírito Santo e fundam uma nova igreja, fundamenta únicamente em Jesus e na Bíblia, a Palavra de Deus.
    Então os inimigos de Jesus Cristo dentro da igreja católica verão que não se acaba com uma Obra de Deus fundamentada únicamente em Jesus e serão esmagados e suas mentiras pisoteadas por Aquele que está sentado no Trono.
    E Deus fará com eles o que jamais fez em momento algum da história humana, pescadores em massa de milhões de almas para Jesus Cristo, uma coroa de glória nas mãos de Deus.

  3. 2009 setembro 24
    Rafael Vitola Brodbeck permalink

    Emanuel,

    Aprecio tua defesa da Legião e muito do que dizes é verdade, mas que história é essa de fundar nova Igreja? A única Igreja é a católica, e os legionários são o que são justamente por sua fidelidade ao Papa e à Igreja.

    Além disso, a fé não está baseada somente na Bíblia, mas na Bíblia e na Tradição, interpretadas pelo Magistério.

    Existem mentiras contra o Pe. Maciel, LC, claro, mas é verdade que pecou e teve uma filha. Apesar disso, foi um homem de Deus.

    Ah, e não precisas “profetizar” nada. Até porque profetas não atacam a Igreja.

    Se a Legião um dia for dissolvida pelo Papa, aceitaremos e obedeceremos como a vontade de Deus.

    Queres defender a Legião e o Pe. Maciel? Ótimo, então comece sendo um bom católico, não pregando doutrinas protestantes.

    Sou um filho espiritual do Pe. Maciel, membro do Regnum Christi. Portanto, falo com isenção: não é desse tipo de defesa que precisamos.

  4. 2009 outubro 30

    Espero que com a Graça de Deus tudo se resolva e os Legionários de Cristo juntamente com o Regnum Christi possam continuar seus apostolados que tanto bem tem feito às almas, da qual sou testemunho pessoal.

    Omnes cum Petro et sub Petro ad Christum!

  5. 2009 novembro 5
    Nathalia permalink

    Que consolo ao coração de um membro esta matéria e estas defesas em favor da Legião e do Regnum Christi. O tempo passa e os ataques não cessam, infelizmente.
    Que o julgamento do Pe. Maciel seja guardado a quem compete fazê-lo. Quanto a nós, enquanto pudermos, seguiremos firmes no nosso carisma e na nossa missão permanecendo humildes e obedientes. Nós, assim como foi nosso paradoxal fundador, não somos nada mais do que bem aventurados instrumentos de uma obra que é de Cristo e somente d’Ele. É somente pela vontade de Deus e por suas mãos que tudo se realiza e se transforma em Bem.

  6. 2009 dezembro 20

    Com a globalização em tempos de internet, fica mais fácil divulgar notícias construtivas e destrutivas sobre pessoas, principalmente pessoas públicas. Todos os santos sem dúvida alguma tiveram momentos de fraquezas que hoje desconhecemos dado a morosidade na ” informação” da época em que viveram. Padre Maciel sempre dizia que antes do santo faz-se necessário formar o “homem” dentro de cada um. Para quem conviveu e guarda um acervo epistolário de Marcial Maciel, como é meu caso, pode afirmar que este homem lutou bravamente contra sua natureza e ainda que tenha caído muito, deixou-nos sua obra. ” Não importa cair mil vezes se amamos a luta e não a queda”. Devo muito de minha formação a este homem e amigo.

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