Bento XVI e a fé adulta

2009 julho 1
by Pedro Ravazzano

O Santo Padre, na homília durante as primeiras vésperas da festa de São Pedro e São Paulo, nos presenteou com palavras de pura sabedoria e amor, mais uma vez mostrando como, de fato, escorre mel desse rochedo. Como ainda não saiu a tradução em português, tomo a liberdade de colocar o pequeno trecho traduzido pelo Marcelo Coelho para o seu blog Cooperador da Verdade:

Nas últimas décadas a expressão “fé adulta” se tornou um slogan difundido. Na maioria é usado em relação à atitude daqueles que não prestam mais atenção ao que a Igreja e seus Pastores dizem, em outras palavras, aqueles que escolhem por si mesmos em que crer e deixar de crer, numa espécie de “self-service da fé”. Expressar-se contra o Magistério da Igreja é mostrado como uma espécie de “coragem”, quando na verdade não é preciso muita coragem, porque quem faz isso pode estar certo de que receberá apoio público.

Ao contrário, é preciso coragem para aderir à fé da Igreja mesmo se ela contradiz a “ordem” do mundo contemporâneo. Paulo chama esse não-confirmismo de “fé adulta”. Para ele, seguir os ventos do momento e as correntes do tempo é um comportamento infantil.

Por isso, faz parte de uma fé adulta se dedicar à defesa da inviolabilidade da vida desde o seu início, consequentemente se opondo ao princípio da violência, principalmente na defesa dos mais indefesos. Faz parte de uma fé adulta reconhecer a indissolubilidade do casamento entre um homem e uma mulher, de acordo com o que foi ordenado pelo Criador e reestabelecido por Cristo. Uma fé adulta não segue qualquer corrente aqui e ali. Ela permanece firme contra os ventos da moda.

O Santo Padre consegue na sua homília fazer um alerta brilhante; primeiro, novamente, destaca o poder do relativismo, heresia que destrói as mentes, já que faz imperar paradoxos que não passariam em nenhum ambiente que fizesse valer a busca pela Verdade. Além disso, o Sumo Pontífice atenta para outro fato de extrema relevância; o progressismo doutrinário estipulou um politicamente correto religioso que pretende fazer uma antípoda entre a Igreja e Cristo, como se estivéssemos falando de duas realidades distintas e não essencialmente relacionadas. A dissociação da mensagem da Igreja e do Magistério dos ensinamentos de Jesus, como se a doutrina católica fosse secundária e diferente das primitivas heranças deixadas por Cristo, é fruto do relativismo.

Dentro desse politicamente correto religioso, ter uma “fé adulta” é, justamente, afrontar a Igreja e romper com os ensinamentos magisteriais. Primeiramente, vale frisar que um católico fiel tem por obrigação intelectual acreditar na instituição divina da Igreja, do papado, da Eucaristia etc. Reconhecendo a clareza dessas premissas, ou seja, que são ensinamentos deixados diretamente por Cristo, a oposição a elas é desleal e impossível para o crente; alguém, por acaso, poderia rechaçar a herança do Amado alegando amá-Lo? O relativismo entra nesse momento e “permite” que católicos se digam católicos mesmo não acatando ensinamentos da Igreja Católica.

O interessante do raciocínio do Vigário de Cristo sobre a fé adulta é que atinge em cheio o que vinha se tornando comum nas comunidades; desrespeito ao Magistério e à Igreja. O irônico de tudo isso, e que o Papa percebeu, é que no mundo atual a grande coragem não se encontra em se submeter aos ventos relativistas que corrompem os ensinamentos doutrinários moldando-os ao bel prazer; não, ao contrário, qual o mérito de deformar a Verdade com os pressupostos pessoais e individuais? A coragem se encontra em nadar contra a maré da crise, do modernismo, da imoralidade, abraçando por completo os ensinamentos de Cristo contidos na Sua Igreja. Enquanto o politicamente correto religioso adapta a Verdade aos homens, o politicamente incorreto religioso, ou seja, a fidelidade e honestidade, adapta os homens à Verdade.

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  1. 2009 julho 3
    Hugo permalink

    Parabéns Pedro…
    Os seus artigos sempre nos enriquecem, e sempre nos levam a uma reflexão objetiva e de crescimento…
    Um abraço…
    Fique na paz…

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