Lefebvrianos desafiam o Papa

2009 junho 22
by Rafael Vitola Brodbeck

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X está desafiando Roma?

Parece que sim. Embora as excomunhões de seus bispos, sagrados por dom Marcel Lefebvre, tenham sido levantadas, a Santa Sé já deixou claro inúmeras vezes que seu status canônico ainda pendia de regularização. Noutros termos, a FSSPX não existe para a Igreja enquanto instituição juridicamente erigida. Não goza a Fraternidade de personalidade jurídica na Igreja.

Enquanto for mantida essa posição – e, no dizer de Roma também, isso depende de aceitação dos ensinos do Concílio Vaticano II como parte do Magistério, diferenciando-os do modernista “espírito do Concílio” –, a Fraternidade não poderá ordenar sacerdotes, sob pena de suspensão dos mesmos.

Roma relembrou essa diretriz por ocasião do comunicado da FSSPX, que marcava para o dia 27 de junho ordenações sacerdotais em Zaitzkofen, cidade próxima a Regensburgo, na Alemanha. Vejam o comunicado da FSSPX e a resposta de Roma, reiterando que as ordenações na Alemanha são ilícitas.

O que faz a Fraternidade, a partir disso? Desmarca as ordenações, aguardando novas instruções da Santa Sé? Não! Mantém as ordenações! Finca o pé! Resiste! Quer diálogo, mas, enquanto Roma faz concessões, a FSSPX continua a viver como se o Papa não existisse, com absoluta independência. Hoje recebemos notícia mais grave: a FSSPX ordenou novos padres!. A Fraternidade não só mantém as ordenações para o dia 27 de junho, à revelia de Roma, como, na última sexta-feira, dia 19, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, já ordenou, pelas mãos de dom Bernard Tissier de Mallerais, 13 novos padres em Winona, Minnesota, nos Estados Unidos. Se a ordenação na Alemanha, anunciada pelos meios de comunicação e ciente Roma, já era ilícita, o que não se dirá dessa ordenação norte-americana verdadeiramente levada a cabo às escondidas, ou “por debaixo dos panos”, tomando a todos de surpresa?

A FSSPX apunhala pelas costas a Bento XVI, a quem afirmam fidelidade. Anos em uma situação canonicamente irregular, com um cisma prático, levam a pensamentos e ações assim.

Lamentável. Quando tudo indicava que a situação iria se resolver com a Fraternidade e teríamos padres “tomisticamente” formados e combativos contra o modernismo, a auxiliar o Romano Pontífice, a FSSPX joga no fogo… gasolina!

12 Responses leave one →
  1. 2009 junho 23
    Fernando permalink

    E quem foi que disse que essas ordenações nos Estados Unidos foram “às escondidas”, e que o papa não sabia? Só porque você não sabia, ninguém sabia?

    É impressionante como esses conservadores burocráticos, como vocês do Veritatis, perdem tempo. Se o papa levantou as excomunhões não era para paralisar a Fraternidade. Como o próprio Fellay disse, só quem está reclamando dessas ordenações são os bispos alemães liberais. Em Roma ninguém reclamou, ninguém pediu para cancelar. O comunicado da Sala de Imprensa, do sabotador de discursos papais, o Pe. Lombardi, apenas serve para acalmar a ansiedade dos bispos alemães. Mas não dá nenhuma ordem de cancelamento, nem nada.

    Engraçado é como o Veritatis está em comunhão ideológica com os hereges progressistas alemães quando se trata da Fraternidade. Haja perda de tempo. Por que você simplesmente não espera para ver o que é que vai acontecer com a Fraternidade, em vez de ficar dando corda aos liberais? É preciso muito despeito ou má-fé para não enxergar que na verdade está é se desenhando uma vitória estrondosa do tradicionalismo católico. Ficar esperneando agora só vai dar motivos para o veritatis virar motivo de riso depois – se é que já não é.

    Dizer que o papa foi apunhalado pelas costas é de uma leviandade… Como é que tu sabes? Só pq o incontrolável e na corda-bamba Pe. Lombardi publicou uma notinha? Disso você já concluiu toda uma história triste? Esqueceu das punhaladas desse padre?

  2. 2009 junho 23
    Renato Lima permalink

    Nenhuma surpresa…

    causaram as ordenações sacerdotais da Fraternidade Sacerdotal São Pio X em Winona, Estados Unidos, aos que conhecem o mínimo de sua vida. As mesmas já estavam oficialmente previstas no calendário acadêmico 2008-2009 do seminário Saint Thomas Aquinas e seu convite estava disponível a qualquer um que se interessasse a diligentemente esclarecer notícias comumente imprecisas da blogosfera pouco inteirada. Também outros meios católicos noticiavam com razoável antecedência a realização das ordenações, de modo que não poderiam nunca ser consideradas “às escondidas” ou “por debaixo dos panos” [1, 2, 3].

    As ordenações de Winona seguem a mesma política adotada pela Fraternidade em relação às ordenações de Zaitzkofen e Ecône: “Quando, em 21 de janeiro de 2009, Roma retirou o decreto de excomunhão de 1988 contra os quatro bispos da Fraternidade, o Santo Padre certamente tinha em vista uma medida de vida e não de morte”, explicou o reitor do seminário alemão, padre Stefan Frey. “Não podemos simplesmente dizer agora, ‘parem de respirar’. Nós precisamos respirar. E, definitivamente, se o Papa foi tão bom ao retirar as excomunhões, significa que ele não quer que agora morramos”, recentemente declarou Dom Bernard Fellay. Sua Excelência ainda afirmou que “o problema é apenas na Alemanha. Em Roma há simpatia por estas ordenações, mesmo se dizem que é ilegal e não está de acordo com o Direito Canônico. Disseram-nos que estamos em um estado intermediário no qual podemos falar de paz, no qual Roma pode também observar-nos”.

    O que surgiu como surpresa a alguns se deve ao fato dos bispos americanos e suíços não terem se juntado ao episcopado alemão em seu “escândalo farisaico”, consequentemente, não atraindo os olhos da mídia anti-católica ávida em atacar a Igreja. Entretanto, o que surpreende na verdade são aqueles que inconscientemente acabam apoiando, por um suposto zelo, a postura de boicote sistemático dos bispos germânicos ao Papa Bento XVI.

  3. 2009 junho 23

    Que o Pe. Lombardi, SJ, seja o sabotador dos discursos papais, todos sabemos. Que ele mete os pés pelas mãos também. Que as ordenações nos EUA estavam previstas no calendário do seminário da FSSPX americana, igualmente.

    Mas a pergunta que não quer calar é: num ano de conversas, de aproximações, de mostras claríssimas de abertura por parte da Santa Sé à Fraternidade, qual a intenção de continuar a viver de modo paralelo?

    Reconheço que a Fraternidade, no dizer de D. Fellay, “precisa respirar”, mas um adiamento nas ordenações até o perfeito reconhecimento canônico, que, pelo ritmo das conversações, não tardaria, seria o ideal.

    Vejo boa vontade nas palavras de D. Fellay, mas a FSSPX é um balaio de gatos, com grupos de todas as tendências, e os norte-americanos, em muitos aspectos, estão entre os mais radicais.

    A ordenação de Winona pode não ter sido secreta, mas foi bem discreta, pegando, sim, a todos de surpresa (exceto os próprios tradicionalistas radicais).

  4. 2009 junho 23

    Aliás, em relação das punhaladas do Pe. Lombardi, não as esquecemos, não. Tanto que, em inúmeros posts, pedimos a renúncia do desastrado jesuíta.

  5. 2009 junho 23

    Por outro lado, os Bispos alemães, que se opuseram às ordenações da FSSPX por lá, cobram da Fraternidade a obediência que eles mesmos não exercem.

    Boa parte do episcopado alemão é de contestadores, modernistas, progressistas, esquerdóides, descrentes no diabo, dessacralizadores da liturgia, em suma, desobedientes ao Papa. Mas quando é a FSSPX quem desodebece, os Bispos pedem obediência, arvoram-se em defensores do Papa.

    Mantemos a crítica à atitude da FSSPX de ordenar os padres nesse momento, mas que esses Bispos alemães não têm moral nenhuma, isso não têm!

  6. 2009 junho 24
    Tiago Martins permalink

    Salve Maria!
    Eu acho que teremos um Antipapa em nossos tempos, daqui a pouco um desses bispos sedevacantistas se acha no direito de ocupar o trono de Pedro se auto proclama Papa.

  7. 2009 junho 24

    Tiago,

    1. Os Bispos da FSSPX não são sedevacantistas. Podem não estar em perfeita comunhão com Roma, mas não negam que Bento XVI seja Papa.

    2. Os Bispos que são sedevacantistas estão fora da FSSPX e alguns deles já foram eleitos, sim, “Papas”. Ou seja, não é “em breve”, mas já temos vários Antipapas, inclusive um Pio XIII.

  8. 2009 junho 24
    Albert permalink

    Tiago Martins,

    Você está desorientado.

  9. 2009 junho 24
    Diogo permalink

    Se estão a reclamar das ordenações realizadas pela Fraternidade, alegando que ela ainda não possui status jurídico na Igreja, então, daqui a pouco, vão mandar que a mesma fraternidade pare de distribuir todos os sacramentos, pare as pregações, as missas e tudo o mais, ou seja, que morra. Afinal, um grupo que não possui status para ordenar sacerdotes, muito menos o possui para realizar nenhuma das outras atividades que ele já exerce. A remoção das excomunhões não foi para “engessar” ou “matar” a fraternidade. Acho que não era isso que o Santo Padre tinha em mente com esse grande e generoso ato. No texto do decreto de retirada das excomunhões não estava escrito: retiramos as excomunhões, agora parem tudo pois continuam fora da lei. Antes, foi dito que era um primeiro passo na aproximação, cujos passos seguintes dependeriam das discussões teológicas. Aguardemos!

  10. 2009 junho 24

    Diogo, que o ato do Papa foi generoso, isso é evidente. Como igualmente evidente que não se quer que a FSSPX “viva sem viver” ou, nas sábias palavras de D. Fellay, “pare de respirar”. Ok, Missas, pregações, atividades apostólicas. Mas, ordenações? Criação de novos padres irregulares? Uma coisa é tolerar padres irregulares enquanto se espera sua regularização, ou em vias de regularização, melhor dizendo. Outra é aprovar que continuem a gerar mais padres antes da dita regularização. A FSSPX poderia ter sido mais prudente.

  11. 2009 junho 24
    Renato Lima permalink

    Que os movimentos ”carismáticos” sejam sabotadores da Tradição Católica Apsotólica Romana, todo mundo com um pouco de bom senso sabe. Que os ”carismáticos” metem os pés pelas mãos também. Que os erros teologicos deste movimento já eram previstos dentro da Igreja Católica, igualmente.

    Mas a pergunta que não quer calar é: Em um momento onde muitos católicos começam a ver os erros escândalossos desse movimento, e cada vez mais apoiar o tradicionalismo, qual é a intenção de muitos ainda verem este movimento como reponsável pelo crescimento do catolicismo (cadê a prova), e apoiar os seus erros teologicos?

  12. 2009 junho 26
    Tiago Martins permalink

    Rafael, desculpe pelo comentário equivocado
    e obrigado pela correção.
    A Paz de Cristo!

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