Carta aberta ao padre Fábio de Melo
Publicada no blog Exsurge
Reverendíssimo Pe. Fábio de Melo,
Em primeiro lugar, conceda-me a sua bênção!
Escrevo-lhe para fazer algumas observações e questionamentos a respeito das suas colocações durante uma entrevista recentemente concedida ao Programa do Jô.
Caso não saiba, algumas das suas declarações geraram grande indignação entre os católicos. Sobretudo nos blogs e sites católicos multiplicaram-se as críticas e manifestações de repúdio a algumas de suas posições expressas na citada entrevista. Sem dúvida, houve diversas respostas adequadas e enriquecedoras; contudo, parece que essas felizes colocações soçobraram ante uma avalanche de afirmações imprecisas, imprudentes e, em alguns casos, incorretas.
Uma das suas primeiras assertivas, que a mim causou muito espanto e preocupação, foi a de que “precisamos nos despir dessa arrogância de que nós somos proprietários da verdade suprema”. De fato, “donos” da verdade nós não somos. Mas nós a conhecemos! A Verdade é Cristo, e não há outra. Afirmações da natureza desta que o senhor proferiu induzem as pessoas a crer que a verdade é relativa ou até mesmo que não existe. Quando, na realidade, nem uma coisa nem outra procedem. Foi à Igreja que Cristo confiou a missão de ensinar e zelar pela Verdade. Quando, muitas vezes, pessoas imbuídas de um espírito de falso ecumenismo admitem que todo aquele que prega diferente da Igreja está “certo dentro da sua realidade” está-se falseando a autêntica Doutrina, segundo a qual a verdade é objetiva, acessível, única, eterna (vide Tomás de Aquino, in De Veritate). Outrossim, ao falar em uma “verdade suprema”, subentende-se que há uma ou mais verdades inferiores, submissas. O que não é também correto. Se existe uma, e somente uma, verdade, não há porque falar em verdade “suprema”. Fazendo uso de uma associação lógica, se – como diz o adágio latino –ubi Ecclesia, ibi Christus (onde está a Igreja, aí está Cristo); e se Cristo é a Verdade (Jo 14,6); então a Verdade está na Igreja. Por acaso é arrogante, feio ou pecaminoso apontar aos homens aquilo que eles às apalpadelas procuram há séculos? Se os homens estão sedentos de Verdade não podemos nós saciar-lhes mostrando onde ela se encontra?
E como explicar que, ao falar da condição adâmica do homem, o senhor tenha adotado a interpretação modernista segundo a qual a historicidade das Escrituras fica reduzida ao nível das histórias da carochinha?! Dizer que Adão é uma imagem simbólica, metafórica, “fabulesca”, não faz parte da Doutrina Católica! O fato de a linguagem empregada no livro de Gênesis ser recheada de simbolismo não elimina o fato de que os acontecimentos nele narrados tenham se dado no tempo e no espaço tal como foram escritos. A interpretação literal complementa e enriquece a hermenêutica que se pode fazer a partir dos símbolos. Não é assim que ensina a Igreja?
Depois o senhor falou que durante muito tempo “nós (subentenda-se: Igreja) fomos omissos”. Parece-me que essa omissão se referia às questões ecológicas. Pelo amor de Deus, padre! A missão da Igreja é salvar a Amazônia ou salvar as almas? Que conversa é essa de “cristificação do universo”? Por que dar atenção a isso quando tantas almas se perdem na imoralidade, na heresia, na inércia espiritual?
Em seguida, veio aquela colocação, esdrúxula e totalmente nonsense, de que a Igreja – que se considerava barca de Pedro – após o Concílio Vaticano II passou a se enxergar como Povo de Deus. Devo informar-lhe que a Igreja permanece sendo barca de Pedro, e o povo de Deus é – por assim dizer – a tripulação desta barca. Onde é que houve mudança na compreensão da eclesiologia?
Entre as críticas feitas pelos blogueiros, salientava-se a sua posição – no mínimo, omissa – quando o apresentador Jô Soares comentou que achava um absurdo que a Igreja considerasse que o matrimônio servia apenas à procriação. Pergunto: por que o senhor não afirmou, como ensina a Igreja, que o matrimônio tem duas finalidades: a unitiva e a procriativa? Por que não disse que, sim, o amor dos esposos importa e ele é – ou, pelo menos, deve ser – expresso pela unidade (de pensamento e de vontade) que os cônjuges demonstram em todas e cada uma de suas ações? Era tão simples desfazer a argumentação errônea do entrevistador e, ao mesmo tempo, aproveitar para instruir as pessoas segundo a Sã Doutrina! Pior que não ter ensinado no momento oportuno foi o senhor afirmar que “o nosso discurso já mudou”! Diga-me, padre Fábio, acaso a doutrina imutável da Igreja perdeu a sua imutabilidade? O senhor crê, convictamente, que a Igreja está, dia após dia, se amoldando à mentalidade atual? Não seria missão da Esposa de Cristo formar na sociedade uma mentalidade cristã, isto é, fomentar um novo modo de pensar e de viver que esteja impregnado do perfume de Cristo? Ou é o contrário: o mundo é que deve catequizar a Igreja?
Em outro momento da entrevista o senhor afirmou que não “conseguia” celebrar a missa todos os dias? Não lhe parece estranho, e prejudicial, que a sua “agenda” não permita que o senhor celebre todos os dias a Eucaristia? Qual deve ser o centro da vida do sacerdote: o altar ou o palco? E quanto ao breviário? A sua “agenda” permite que o senhor o reze diariamente (considerando que não fazê-lo é pecado grave para o sacerdote)?
Depois veio a pergunta: “o senhor teve experiências sexuais antes de ser padre?” Creio que um homem que consagrou (frise-se o termo: consagrou) sua sexualidade a Deus não deveria expor sua intimidade diante do público. Mas, já que a pergunta indecorosa foi feita, a resposta que esperei foi algo no sentido de fazer o interlocutor entender que aquela questão era de ordem privada; que não convinha ser tratada em público. Em resumo: algo como “não é da sua conta!”. Porém, que fez o senhor? Respondeu que teve, sim, experiências sexuais precedentes, mas “às escondidas”! Caro padre Fábio, o senhor acha que convém dar uma resposta deste tipo? Isso não induziria as pessoas a pensar que não existem padres castos (considerando que muitos confundem castidade com virgindade)? Isso não estimularia as pessoas a crer na falácia segundo a qual todo jovem já teve, tem ou deve ter experiências sexuais que precedam a sua decisão vocacional?
O senhor comentou, ainda, que “para a gente ser padre, a gente tem que ter amado na vida. É impossível (grifos meus) fazer uma opção pelo celibato, pela vida consagrada, se eu não tiver tido uma experiência de amar alguém de verdade.” O senhor acha, realmente, que o homem que nunca amou uma mulher não sabe amar? Baseado em que o senhor diz isso? Que dizer então do meu pároco que, tendo ido para o seminário aos 11 anos, nunca namorou? Ele é menos feliz por causa disso? Menos decidido pelo sacerdócio? Não creio que isso proceda.
O que se viu nessa malfadada entrevista à Rede Globo foi a apresentação de um comunicador, um cantor, um filósofo, um homem qualquer. Pudemos enxergar Fábio de Melo. E só. O padre passou desapercebidamente. De comunicadores, cantores e filósofos, já basta: nós os temos em número suficiente! Precisamos de padres! Padres que são, sim, homens por natureza; mas que tiveram sua dignidade elevada pelo caráter impresso no sacramento da Ordem. Homens que não são “como quaisquer outros” porque receberam a graça e a missão de agir in persona Christi. Temos carência de ver padres que ajam, falem e - até mesmo - se vistam em conformidade com a sua dignidade sacerdotal.
Creio que muitos destes desdobramentos que eu estou expondo não foram sequer imaginados pelo senhor no momento em que concedeu a entrevista, e enquanto respondia às perguntas. Contudo, o ônus de quem se expõe à opinião pública é, exatamente, suportar os possíveis mal-entendidos que se geram quando as palavras são compreendidas de modo diverso da intenção e da mentalidade de quem as proferiu. Espero que tudo que eu falei aqui tenha sido realmente um grande mal-entendido… Sempre cabe, contudo, esclarecer os desentendimentos mais graves que possam prejudicar não só a sua imagem, mas a da Igreja como um todo. Um ensino errado pode levar uma alma à perdição.
Perdoe-me, sinceramente, a franqueza e, talvez, a dureza em alguns momentos. Mas eu precisava lhe expor as minhas dúvidas, impressões e inquietudes com relação a essa entrevista. Se o senhor se dignar me responder esta carta, ainda que de modo breve, sucinto, ficaria imensamente grato. Despeço-me rogando mais uma vez a sua bênção e garantindo-lhe as minhas orações em favor de seu sacerdócio e de sua alma.
Gustavo Souza, indigno filho da Santa Igreja Católica
Obs. do autor: Esta carta foi encaminhada ao e-mail que consta como contato do reverendíssimo padre Fábio de Melo no seu site. Estou no aguardo da resposta…





Espere, antes que fale, não estou dizendo que o padre não fale coisas boas e que não atinja os corações. E nem que Deus não esteja com ele. Aliás, enquanto sacerdote no seu ministério, nas coisas sagradas e nos sacramentos, nem temos o direito de criticá-lo, pois o Espírito Santo nunca retira o Seu Selo. E se não tivesse falado a um público difuso, a sua comunidade ou o seu bispo é quem teria que admoestá-lo à parte. Porém, quando falou difusamente sem estar consonante com a Doutrina e o Magistério, feriu o catolicismo de todos nós e pode ser até que desviou almas do caminho da Verdade. Se falou difusamente, deu direito à nossa defesa também difusamente. Então, que cada padre ou bispo que fale para a TV, não fale bobagens ou não relativize nossa fé. Jesus disse do admoestado que não se corrige diante da Igreja, que seja tratado como anátema. Assim como São Paulo disse para averiguarmos tudo e ficarmos apenas com as coisas boas. Só que, quando na órbita da Igreja ou relacionado à Igreja, que é nossa Mãe, aí, emerge-se nossa responsabilidade como membros de uma família e de um Corpo que tem Cabeça e princípios para se manter em união, assim como, coerente, para receber novas adesões.
na resposta que o Pe. Fábio deu à tal carta aberta, me estarrece que ele continua defendendo que, para ser bom padre, tem que ter “amado antes”, numa alusão claríssima a ter fornicado. Para ele, o postulante a celibatário tem que ter um direito de escolha que, na realidade, não lhe dá esacolha nenhuma, já que fica cingido a ter uma experiência sexual prévia antes de esolher pelo celibato.
Existem muitos bons padres que não precisaram fornicar antes de escolher o celibato, mas já entraram no seminário virgens e assim se mantiveram.
Creio que isso foi um grandissíssimo desserviço à Igreja e a Deus.
Por fim, “a fé da Igreja é anterior à fé do fiel, que é convidado a aderir a ela” (CIC 1124). Logo, só é possível seguir a fé em Jesus Cristo de forma plena e segura aderindo à fé da Igreja.
Té mais
João Marcos
Ando muito preocupado com o aumento do número de pessoas que estão passando para a Igreja Evangélica.Minha Igreja Católica está acabando. Sinceramente, é assustador esse grande aumento de evangélicos.A Igreja Católica precisa fazer algo urgente para não deixar que mais católicos saem da igreja.Muitos Padres pedófilos e agora o próprio irão do Papa um carrasco de crianças, ele deveria ser expulso para servir de exemplo. Meu Deus, peço socorro e misericórdia, salve a Igreja Católica.
Antonio,
O cenário que você´”supostamente” denuncia é grave.
Mas saiba: A sua situação é ainda, desgraçadamente, a pior possível.
Olegário.