Derrapadas do padre Fábio/Fashion de Melo

2009 maio 26
by Rafael Vitola Brodbeck

chargefabio
(arte: Emerson H. Oliveira)

Mais uma vez, o padre Fábio vai para a frente das câmeras com seu discurso “humano demais”, como diz um de seus hits. No Programa do Jô, o priest star desfila seu rosário de idéias tresloucadas e heterodoxas. Se, por um lado, há muita coisa boa em suas palavras, há também uma montanha do que não presta.

Começa que o padre estava disfarçado de leigo. Sim, com um terno bem cortado, gravata combinando. Mas, clergyman? Batina? Que é isso… coisa “ultrapassada”, de religião retrógrada. O Papa deve ser retrógrado, então, com sua inseparável batina branca que tanto o simboliza. O padre Fábio de Melo se esqueceu de que justamente por sermos “humanos demais” precisamos de símbolos. E a batina é um dos mais significativos e profundos. Ainda que não quisesse usar sempre, que ache que nos seus shows um terno caísse melhor, não seria a ocasião de, ao menos diante de um programa com tanta audiência, usar a roupa apropriada para um sacerdote?? Não precisaria, aliás, nem abrir a boca. Bastaria apresentar-se lá de batina, que seria uma silenciosa pregação, e das mais eloquentes – com todo o aparente paradoxo que isso indique.

Outros padres já foram ao Programa do Jô. Lembro de um frade franciscano: de hábito! Do padre Lodi: de batina! Do padre Léo: de clergyman! Todos vestidos de padre! Mas o padre Fashion de Melo é como o seu nome: fashion. É um padre-agente-secreto, escondido atrás de seu terno bem cortado. E isso que o padre Fashion, ops, padre Fábio, se diz discípulo do padre Léo, e ambos da mesma congregação, os dehonianos…

De que o padre Fábio atraia pessoas a Cristo não há dúvida, mas será que todas as pretensas conversões são realmente conversões? Não basta virar fã e comprar todos os discos. Conversão importa em adesão à verdadeira doutrina. Mas como aderirão à doutrina se o padre Fábio, junto de pérolas realmente bastante piedosas e de frases positivas de motivação, prega justamente o contrário da doutrina católica? No Programa do Jô, o padre Fábio defendeu que seja necessário ter tido uma experiência amorosa antes do sacerdócio, esquecendo a multidão de santos com vocação precoce, inclusive São João, o apóstolo que Jesus amava. Se o padre quis apenas falar em maturidade emocional, e não em namoro, sexo e beijo na boca, ele foi, no mínimo, ambíguo.

Em outra situação, deixou que o Jô proferisse seus habituais absurdos contra a Igreja, pregando uma liturgia mais oba-oba. E o padre Fábio, com sua bela gravata, quieto, como que compactuando. Não fez como o padre Lodi, que, diante das provocações do obeso apresentador, falou abertamente: “defender o aborto é nazismo!” Outra bobagem “jo-soarística” das grandes, passada em silêncio pelo padre, foi a de que ninguém foi cristão exceto Cristo, e que São Francisco foi o que chegou mais perto. Quer dizer, então, que a única virtude a ser imitada é a pobreza? Os milhares de santos e beatos não significam nada? Nem o fundador do instituto do qual o padre Fábio é professo, o padre João Dehon, em processo de beatificação, foi cristão? Que ingratidão, padre Fashion!

Enfim, o Jô Soares, em mais uma de suas demonstrações estéreis de erudição (ele chama trompetista de jazz para ele, Jô, se exibir de seu conhecimento musical; chama ator para ele, Jô, falar de seus textos para teatro que são muito bons etc; chama padre para ele, Jô, se achar teólogo), proferiu uma das maiores besteiras do ano: a Igreja Católica defenderia que o sexo é só para procriação. Mas o pior não é isso: o padre Fábio, em vez de discordar, apenas respondeu que “hoje isso está mudando, a Igreja mudou a sua doutrina nesse ponto.” Opa, opa, peraí, caceta! Nem a Igreja está mudando, porque a doutrina não muda, nem a Igreja ensina que o sexo é só para reprodução. A Igreja nunca ensinou isso. O ensino da Igreja sempre foi esse: o sexo tem dois fins, o procriativo e o unitivo (prazer, amor do casal etc). E o procriativo é o fim primário, ou seja, sempre deve estar presente, ainda que não necessariamente consciente, o que implica em que a pessoa estar aberta à vida sempre que tem relações, não utilizando pílula, camisinha etc. Se alguém, em alguma época da história eclesiástica, resolveu achar que “fim primário” é o mesmo que “fim exclusivo”, isso é falha de interpretação dessa pessoa, não da Igreja. O ensino da Igreja não está mudando para que, agora, se aceite o fim unitivo; ele sempre foi aceito!!! Na ânsia de defender a Igreja, o padre-cantor-da-moda-cheio-de-fãs-e-escritor-de-livros-de-auto-ajuda só piorou a situação. Não se defende a verdade com condescendência, mas com a própria verdade.

Há ainda um outro episódio lamentável da entrevista. O padre Fábio definiu a Missa como um banquete, um “comer com os amigos”. Nada de “sacrifício da Cruz tornado presente”, “atualização do Calvário”. Missa é Ceia. Onde ele leu isso? Só pode ser no Boff que ele cita. Pois Papa algum, Concílio algum (nem Trento, nem o Vaticano II) definem a Missa desse modo. Missa também pode ser banquete, em um sentido acidental e secundário. O que a define é o caráter de sacrifício. Das duas, uma. Ou o padre Fábio não sabe doutrina, e, por isso, não poderia dar pregações públicas, ir a programas como o do Jô Soares. Ou ele sabe, mas esconde para ser politicamente correto. De qualquer forma, está errado.

Isso talvez ponha por água abaixo o argumento dos que afirmam que o que importa é que o padre Fábio de Melo traga pessoas à Igreja. Ora, que Igreja? Converter pessoas a uma doutrina pela metade é converter de fato? Levar as pessoas para uma Igreja e dizer que o que ela prega não é o que ela prega, e o que ela não prega é o que ela prega, não seria propaganda enganosa? As pessoas estão indo para a Igreja Católica mesmo, aquela Igreja que sempre ensinou o mesmo, em relação ao sexo também, ou à Igreja Católica que o padre Fábio diz existir?

Uma entrevista relativista, feita como palanque para o Jô atacar a Igreja Católica. E o padre Fábio caiu como um patinho. Talvez por pensar como o apresentador. Isso não soaria estranho. Afinal, o padre Fábio de Melo é o mesmo que cita Boff como um grande teólogo. É o mesmo que diz que a teologia católica é soberba e precisa “se abrir”. É o mesmo que troca o clergyman pelo terno, e a batina pelas calças apertadinhas. É o mesmo que reclama do assédio das fãs que o acham bonito, mas que alimenta, ainda que não queira, esse assédio com suas roupas fashion, suas sobrancelhas aparadas, seu olhar de galã… é o mesmo que diz que não é necessário ser católico, que religião não importa, que um protestante não precisa se converter à Igreja Católica. O mesmo relativista de sempre.

Ninguém é contra o padre Fábio, ou nega alguns frutos de seu apostolado, ou mesmo é um seu perseguidor. Estamos é no dever de denunciar seus equívocos teológicos, vendidos como se doutrina católica fossem! Quantos não foram enganados, e agora pensam exatamente como o padre Fábio (e, logicamente, contrariamente ao que ensina a Igreja)? Ninguém aqui é melhor que o padre, mas é cristalino que ele defende heresias. Não o estamos “julgando”, como faziam os fariseus, mas analisando objetivamente os fatos.

Querem mais uma prova? Confiram alguns trechos:

é que eu acho, minha gente, que a religião mais importante do mundo é a que Jesus ensinou: é o amor. (perto dos 4:49)

se nós somos cristãos, não importa que você seja evangélico, que eu seja católico…não importa! O que importa é que a gente descubra o essencial que Jesus nos ensina. (5:23)

Eu não vou ficar dizendo: “a sua religião está errada, a minha está certa…” Não! (5:45)

Calma que tem mais!

É igual à gente querer evangelizar os índios, que às vezes têm uma vida muito mais saudável do que nós, uma vida muito mais divina do que nós! (3:22)

… ah, aquela pessoa se converteu ao protestantismo, que pena! Peraí… se aquilo que ela está acreditando faz bem ao coração dela, se Deus está ali presente, se Jesus está agindo mais no coração dela através da voz do pastor do que da minha, vamos dar graças a Deus que ela encontrou um pastor que falasse ao coração dela. (3:50)

Pausa para vomitar.

156 Responses leave one →
  1. 2010 janeiro 8
    Luiz permalink

    Parece-me que o Pd está falando de Jesus, do principal mandamento e o segundo semelhante ao invéz de religião, igreja, etc. Não está correto?

  2. 2010 janeiro 11
    maxmilianno permalink

    Esse blog é tendencioso.
    A censura come solta, discordou, o comentário é eliminado.
    publica espinafrando alguém, como é sistemático o ataque ao Padre Fábio de Mello.
    Quando se discorda da opinião do moderador, este moderador parcial, veta o comentário.
    Parabéns a liberdade no blog veritatis???
    Padre Fábio Mello, continue com sua pregação, se parar vai fazer muita falta.
    Agora se o veritatis acabar, nem os carolas de plantão vão perceber.

  3. 2010 janeiro 12
    Ricardo permalink

    Bem, eu não sou um fã do Pe Fábio de Melo, pelo contrário, mas creio que muitas coisas ditas, ou mal-ditas foram pronunciadas de tons meio dúvidosos, pois bem:
    -Se Jesus chegasse a vcs e aparecesse como um esmolé, deixaria de ser Jesus?
    Não, então só porque o Pe. FM, não usa a batina constantemente ele não deixa de ser Padre não é?, isso é só detalhe e um detalhe que não influencia em nada.
    Uma das maiores críticas que eu faço aos nossos irmãos protestantes é o fato deles não se contentarem em somente realizarem os seus cultos doutrinarios, ainda perdem o tempo em discultir qual igreja é melhor e esses assuntos de certa forma “chatos”. Tenhos amigos protestantes e passamos o tempo falando de Jesus Cristo e analisando nossas igualdades e é tão bom verificar que mesmo sendo diferentes temos algo mesmo que pequeno igual, Amamos a Deus da mesma forma.
    em relação ao ecumenismo, eu creio num Deus que veio a terra para unir os seres, torná-los iguais, mas o homem ante a isso resolveu mudar, ser individual, dono do saber, ser melhor, e começoa a se separar.
    Não creio que a igreja ensine essa doutrina de afastamento, somos todos irmãos em Cristo e como irmãos devemos ser unidos.
    Na minha casa tenho uma irmã evangélica, às vezes paramos e cantamos as canções da igreja dela e ela canta as canções da minha (católica) e sentimos juntos a presença de Deus nessa hora, não perco meu tempo em discutir se ela está no caminho errado ou empurrar minha opinião na cabeça dela, muitas vezes faço coisas erradas e ela vem e me repreende, aí vou na minha igreja e me confesso e vejo que o que ela disse era a coisa certa a fazer e muitas vezes aconteçe o contrário, não sei como é resolvido esse caso da confissão na igreja dela, além do mais, não é necessario saber, eu não participo da igreja dela, eu tenho que seguir a minha não é.
    - Se vcs creem que Deus é amor e que os homens são sua imagem e semelhança, porque não ao inves de procurar erros milimétricos nos outros, tentarmos encontra essa imagem de Deus que existe em cada um, creio que o mundo seria um lugar melhor.
    Fico muito triste quando encontro essas coisas na internet, pois se analizarmos, o resultado foi a contenda entre irmãos da mesma religião (creio eu) e sabemos que Deus não é um Deus de contenda, não é?
    Voltando ao Pe. em questão, não sei dizer se ele fala as coisas certas ou erradas, mas creio que se fossem tão vergonhosas assim a Igreja já teria dado um jeito. Ou é a hora de escrevemos um novo post e começar a criticar a propria Igreja por deixar ele falar essas coisas? Acredito que não. A Igreja sabe o que faz, afinal Ela é Santa.
    Abraços.

  4. 2010 janeiro 15
    José Maria de F. Campos permalink

    Eu nunca fui e nem sou favorável a padre-artista e padre excursionista. Acho que essa gente expõe demais a Igreja Católica em troca de fama e dinheiro. E Jesus ensinou que quem fizer suas obras para ser visto pelos homens já recebeu a recompensa. – Quer ser artista seja, mas deixe o nome da Igreja em paz. – Quer ser padre compositor e cantor, seja, mas componha e cante na Igreja para a Igreja, não se massificando em adesão ao marketig. – Jesus também ensionou: “Não jogues pérolas aos porcos, eles as pisarão”. – Essa estória de “evangelizar pela música”, seja padre ou seja leigo, é pura balela, eufemismo de quem quer viver na moleza e enganando a sí e aos outros dizendo que está servindo a Jesus. Música não evangeliza ninguém, quem evangeliza é missão. O mais que a música pode fazer é servir de ferramenta para alegrar a missão. – Vamos tirar essa máscara, gente! A coisa já foi longe demais!

  5. 2010 fevereiro 5
    alexandre permalink

    e falar e fassio mais ele prega a palavra de deus e nao fica falando mau da igreja dos outros como tem gente ai que gosta de fofoca cuidada da vida de vcs e dexa a dos outros em paz e pra quem nao sabe tunicas (batina) e usados para celebrar uma missa nao praa se apresentar em um programa

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