Itinerário para leitura da Bíblia Sagrada

2010 março 20
por Leandro Martins

A Palavra de Deus é o esteio que deve sustentar a vida do Cristão. É imprescindível alimentar-se dela, a fim de nutrir o espírito. São Paulo a compra a uma arma ( Ef 6,17), no conjunto da armadura que o Cristão deve ostentar na luta contra o mal.

A Igreja sempre venerou e estimulou a difusão da Palavra de Deus, com efeito, declarou por ocasião do Concilio Vaticano II:

“A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo. Sempre as considerou, e continua a considerar, juntamente com a sagrada Tradição, como regra suprema da sua fé; elas, com efeito, inspiradas como são por Deus, e exaradas por escrito duma vez para sempre, continuam a dar-nos imutavelmente a palavra do próprio Deus, e fazem ouvir a voz do Espírito Santo através das palavras dos profetas e dos Apóstolos. É preciso, pois, que toda a pregação eclesiástica, assim como a própria religião cristã, seja alimentada e regida pela Sagrada Escritura. Com efeito, nos livros sagrados, o Pai que está nos céus vem amorosamente ao encontro de Seus filhos, a conversar com eles; e é tão grande a força e a virtude da palavra de Deus que se torna o apoio vigoroso da Igreja, solidez da fé para os filhos da Igreja, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual. Por isso se devem aplicar por excelência à Sagrada Escritura as palavras: «A palavra de Deus é viva e eficaz» (Hebr. 4,12), «capaz de edificar e dar a herança a todos os santificados», (Act. 20,32; cfr. 1 Tess. 2,13)”. (DEI VERBUM, n.21)

Com a finalidade de incentivar a leitura das Sagradas Escrituras, apresentamos como sugestão, um itinerário a ser seguido, de modo a facilitar o entendimento sistêmico da Bíblia. Tal itinerário baseia-se na obra vivamente recomendada do saudoso Dom Estêvão Bettencourt, intitulada: Para Entender o Antigo Testamento (Editora Santuário, 7ª edição, 1990).

É preciso que o cristão aprenda a trama, o fio central da Escritura, e tenda ao conhecimento de todos os livros sagrados; saiba nutrir-se de cada um” (D. Estêvão Bettencourt in: Para Entender o Antigo Testamento, p.260).

Para o Novo Testamento a sequência de leitura proposta é:

Evangelhos segundo: Mateus, Marcos, Lucas, em seguida os Atos dos Apóstolos, depois o Evangelho segundo S. João e suas cartas (1º,2º e 3º João). Na sequência as Cartas Paulinas: 1º e 2º Tessalonicenses; Gálatas, 1º e 2º Coríntios, Romanos, Filemom, Colossenses, Efésios, Filipenses, 1º Timóteo, Tito, 2º Timóteo, Hebreus. Em seguida as Epístolas Católicas: Tiago,1º e 2º Pedro, Judas e por fim o Apocalipse de São João.

Para o Antigo Testamento a sequência de leitura proposta é:

Gênese, Êxodo, Números, Josué, Juízes, 1º e 2º Samuel, 1º e 2º Reis, 1º e 2º Crônicas, Esdras, Neemias, 1º e 2º Macabeus, Rute, Tobias, Judite e Ester. Na sequência os profetas: Amós, Oséias, Isaías, Naum, Habacuque, Ezequiel, Miquéias, Sofonias, Jeremias, Baruque, Ageu, Zacarias, Malaquias, Daniel, Abdias, Joel e Jonas. Em seguida livros sapienciais: Jô, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico e os Salmos (estes podem ser lidos livremente intercalado com a leitura dos demais livros tanto do Novo quanto do Velho Testamento). Terminando com a leitura de Levítico e Deteuronômio.

Visitadores apostólicos da Legião terão encontro com o Secretário de Estado do Vaticano

2010 março 17

Está marcada para o dia 30 de abril a reunião entre os Bispos responsáveis pela Visitação Apostólica aos Legionários de Cristo e o Secretário de Estado do Vaticano, o Cardeal Tarcisio Bertone.

Os relatórios da Visitação Apostólica já foram entregues em março, contendo suas observações de tudo o que viram e ouviram entre os Legionários e membros do Regnum Christi, bem como as suas sugestões.

Especula-se que a Santa Sé convocará um Capítulo Geral Extraordinário.

Rezemos pela Legião, para que continue a dar frutos positivos para a Igreja, e consiga passar santamente pela tribulação que parece estar se encerrando.

Como dizia São Josemaria Escrivá aos membros do Opus Dei, em um período difícil de sua caminhada e esperando qual figura canônica lhe seria dada: “de nossa Mãe, a Igreja, nada nos virá de mau.”

Fonte: CNA/EWTN News

Conversões anglicanas: agora é a vez do Canadá

2010 março 16
por Rafael Vitola Brodbeck

Depois do anúncio de conversão da TAC americana e da TAC australiana, além de outros grupos anglicanos, ligados ou não a Cantuária, chega a vez da TAC canadense anunciar sua intenção de se unir a Roma e pedir a criação de um Ordinariato nos termos da Anglicanorum Coetibus.

Que grande Quaresma estamos vivendo, com frutos de conversão em massa. E de bons católicos, ardorosos em seu apostolado, profundos em sua mística, fervorosos em sua piedade, zelosos em sua liturgia (cujos traços são bastante ligados ao rito medieval praticado na Inglaterra).

http://www.catholicculture.org/news/headlines/index.cfm?storyid=5737

Agora é oficial: TAC australiana pede admissão na Igreja Católica e criação Ordinariato

2010 março 15
por Rafael Vitola Brodbeck

Já tínhamos noticiado o anúncio da TAC australiana, juntamente com anglicanos “oficialistas” também da Austrália, integrantes do Forward in Faith, de conversão à Igreja Católica. Agora é oficial: os “bispos”, clérigos e fiéis pediram, em carta à Santa Sé, a sua admissão na Igreja e a criação de um Ordinariato Pessoal Anglicano Católico para a Austrália, na esteira do já solicitado Ordinariato Pessoal Anglicano Católico para os Estados Unidos.

Algumas palavras sobre modéstia e recato

2010 março 15
por Aline Rocha Taddei Brodbeck

Os profetas, os doutores da Igreja, os Padres, e todos os santos sempre aconselharam os fiéis a se vestirem com pudor e modéstia. O modo como nos vestimos é um reflexo de nossa vida íntima. O exterior reflete o exterior, diz o adágio. O modo como nos vestimos, nossa aparência, o tipo de vestuário que utilizamos, são como mensagens que enviamos aos outros, dando informações preciosas a nosso respeito: nossas intenções, nossas particularidades, nossas crenças mais profundas, nosso estilo de vida. O recato no vestir é, pois, uma mensagem poderosa que mandamos a todos: somos sérios, consideramos importante a castidade, queremos agradar a Deus, e consideramos que o corpo não deve ficar tão exposto. Não deixa, pois, o jeito de nos vestirmos, de ser um verdadeiro apostolado silencioso, influenciando a todos, e mostrando princípios importantíssimos que informam o ser humano. E se esse recato vai acompanhado da beleza das vestes e da elegância, isso é mais benéfico ainda, pois estamos deixando bem claro que se pode ser modesto, ter pudor, sem parecer uma “Maria-mijona”, pode-se ter recado e amor pela castidade exterior, sem que tenhamos um aspecto “apagado”.

Evidentemente, não há um código católico de vestimenta. E isso nem seria possível, pois a Igreja trabalha com princípios, não com listas de “pode” e “não pode”. As circunstâncias nos fazem aplicar os princípios do pudor aos casos concretos. Claro que não há aqui qualquer relativismo: a moral é absoluta, o pudor é objetivo. Mas a aplicação desse pudor varia conforme a cultura, o tipo de evento, a combinação entre as roupas, o corpo da mulher que o veste, e até mesmo, a “postura” e o temperamento da pessoa.

Igualmente evidente, todavia, que algumas roupas são, em geral, imodestas. Shorts muito curtos, minissaias, decotes profundos, blusas que não cobrem a barriga, calças justíssimas sem a devida cobertura, transparências indevidas, não são adequadas à mulher recatada. Não há um código, repetimos, nem uma lista. Mas a aplicação dos princípios à realidade concreta nos diz isso. É uma conclusão inevitável: certas roupas podem ser pudicas ou não conforme as circunstâncias, porém outras na maioria das vezes (ou na totalidade) são imodestas. O melhor critério para esse discernimento é a formação da consciência e a diária pergunta, diante do espelho: “Será que agrado a Deus com essa roupa?”

Enfim, é bom perceber que nem toda roupa imodesta é esteticamente feia, e nem toda roupa modesta é sempre bela e elegante. É possível, assim, ser imodesta e brega, imodesta mas esteticamente bonita e na moda, bem como modesta e brega, e modesta com elegância. No conflito entre a modéstia e a imodéstia, deve aquela sempre prevalecer, ainda que a custas de parecer brega, embora o ideal seja a busca de conjugar a modéstia com o vestir contemporâneo: noutros termos, ser recatada mas na moda, preservar o pudor porém mantendo a elegância.

Não ao pudor, sim ao incesto

2010 março 13
por Evelyn de Souza Mayer de Almeida

Nossa sociedade caminha a passos largos para o inferno. Que isso não é novidade, você sabe.  Porém, como bons cristãos  que tentamos ser, é impossível não nos escandalizarmos com algumas cenas que vemos.

Recebi hoje uma notícia via email que me deixou enojada: A modelo Cristina Mortágua, ex do jogador Edmundo, fez um ensaio sensual com seu filho de 15 anos. Isso mesmo: ensaio sensual com o filho de 15 anos. As fotos foram realizadas para  a coluna “Retratos da Vida”, do jornal Extra. A mesma afirmou que estava bem mais enxuta que a Madonna e que tinha o seu “Jesus Luz” em casa. Será que eles estão querendo (ou já estão) protaganizar a versão Jocasta e Édipo brasileiros?

Os despudorados de nossa sociedade poderão me chamar de moralista. Não tô nem ai! O fato é que esta atitude demonstra total falta de moral e pudor, além de um desrespeito à família, insituição sagrada criada por Deus para que homem e mulher cumpram com amor a doce missão dada por Deus: multiplicar, crescer, educar os filhos na fé, fazer do lar uma Igreja doméstica.

Além de demonstrar falta de pudor, a modelo incentiva, mesmo que “sem querer”, o incesto. Denota-se isto ao ler sua frase que tem o seu “próprio Jesus Luz” em casa. Ora, o modelo Jesus Luz é namorado da Madonna e não filho. Estaria então a modelo Cristina tendo relações com seu filho tal qual a Madonna tem com seu namorado? Conseguem perceber, leitores deste blog, que ao soltar esta frase na imprensa, Cristina Mortágua demonstra total falta de consideração com a educação familiar, com a hierarquia familiar, com os limites que pais têm por obrigação a dar aos seus filhos? Que ao fazer estas fotos ela incentiva ao incesto?

Não, eu não estou exagerando. Este assunto precisa ser pensado e levado a sério. É chocante imaginar e ver que uma mãe de família não se incomoda em denegrir a maternidade, dom único que o Senhor deu a toda mulher. É lamentável ver que um jornal pôde  fazer fotos deste tipo, sem se importar com os  valores éticos e morais de seus leitores. É nauseante ver que esta mulher acha normal beijar seu filho na boca e ficar semi nua em fotos como se isto fosse “artístico”. Não! Isso não é arte! Até porque a Igreja, detentora da Verdade, também é Mestra da Arte. Se lembrarmos dos grandes pintores e artistas que pintaram quadros que até hoje nos emocionam; se lembrarmos dos artistas que esculpiram as grandes Catedrais que até hoje são visitadas; se pensarmos nas imagens produzidas com delicadeza e primor que até hoje ninguém conseguiu fazer igual; nas letras das músicas e nas melodias mais doces, bem construídas, então saberemos que na arte também há um espaço considerável para o pudor. E a arte com pudor possui beleza. Esta arte que a tal modelo está querendo nos convencer não traz beleza, mas vergonha, escândalo!

Nossa sociedade precisa urgentemente resgatar os valores básicos e essênciais de boa vivência. É salutar ter pudor, modéstia. Mas se ela não quer nem viver a castidade, algo tão necessário para honrar a Deus e ao próximo, como viverá o pudor? Percebem que estas atitudes que temos que ver é fruto desta sexualidade depravada que estão nos impondo como correta, benfazeja, atitude de liberdade? Que a libertinagem sexual está levando o homem para o inferno, tornando-o um animal no cio que não se preocupa mais com a vida eterna, mas sim em sanar seus desejos sexuais, desejos estes que passam e não edificam, não transformam em nada?

Esta coluna conseguiu, (in)voluntariamente, trazer a seguinte mensagem: Não ao pudor, Sim ao incesto.

Espero que os leitores deste jornal se manifestem. E desejo ardentemente que esta modelo desperte, pois o próprio Jesus afirmou que quem motiva o escândalo era melhor que nem tivesse nascido (e por essas palavras a gente já faz ideia do peso do julgamento para os escandalosos!!!). Rogo ao Senhor, também, que este menino consiga descobrir urgentemente os valores morais e éticos, que consiga perceber o quanto o pudor embeleza a alma do ser humano e que a santidade também é fruto do respeito ao que Deus criou, principalmente à família.

Plena aplicação da Dominus Iesus em novo livro do Papa

2010 março 12

É o que diz o Cardeal Cañizares, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, durante uma intervenção em um congresso de estudo justamente sobre a declaração “Dominus Iesus”, organizada, em Roma, pelo Ateneu Pontifício Regina Apostolorum, dos Legionários de Cristo.

O novo livro é a segunda parte de “Jesus de Nazaré”, e mais detalhes podem ser vistos no site da agência Zenit, também ligada aos Legionários e ao Regnum Christi.

Onde estão os direitos humanos na China?

2010 março 12
por Evelyn de Souza Mayer de Almeida

Fiquei estarrecida nesta manhã do dia 04 de março ao me deparar com um notícia: um menino chinês de apenas dois anos foi liberto das correntes que o prendia a um poste. Sim: o garoto era preso a um poste por correntes, ficando sem banho e sem comida. A idade dele? Dois anos.

O pequeno Cheng Jindan foi tirado do post em frente ao Shopping onde ficava preso por alguns professores que lhe deram banho, roupas e uma bolsa de estudo numa escola de Jingmiao, Pequim. Os pais alegaram que o prendiam, pois precisavam trabalhar. Sua irmã, Cheng Jinhong, também foi tirada das ruas. Porém a família acabou de ganhar outro neném! Será que a China prestará algum tipo de assistência?

É óbvio que a atitude dos pais é extremamente desconexa. Jamais, em são consciência, um homem pode agir assim. Contudo, parece que entre os chineses não há uma linha tênue entre o sentimento e a razão. Há apenas pessoas que agem feito animais irracionais, ou então robos programados para certas atitudes. Poderia ter sido um ato num momento de desespero? Talvez. Mas o fato é que nada, nenhum desespero ou coisa do tipo, pode ser maior que a razão.
Se levarmos em consideração a ditadura comunista chinesa, certamente esta família não terá assitência nenhuma, até porquê, você sabe, a China tem uma política de filho único. Pais que geram mais de um filho precisam pagar multas altíssimas se os quiser registrar, além de ficarem mau vistos na sociedade por não obedecerem as regras.

Também não é novidade que a China trata as crianças com total desdém. Há vídeos aos montes na internet retratando casos de crianças em orfanatos presas umas às outras, sentadas em “banquinhos-penicos”, onde ali fazem suas necessidades e passam o dia todo. Se a criança é do sexo feminino, então, aí é que a assitência é bem menor. Lembro-me de um dos vídeos que vi em que uma garota de dois anos tinha sido colocada em um quarto para morrer. É isso mesmo que você leu: colocada para morrer. Estava doente, e como era menina, não se preocuparam em salvá-la. As cenas eram tão estarrecedoras que eu sentia náuseas. Além do mais, o desprezo era tamanho que a menina nem nome tinha. Era apenas um corpo ocupando um espaço. Já não tinha forças para chorar, devido a fome e a sede que sentia, fora o sentimento de desprezo que a acompanhava.

Você também deve saber que na China o aborto é quase que obrigatório, já que lá ele é liberado. Se engravidar mais de uma vez, aborta-se. E quem não quer abortar, tem que esconder a criança ou pagar multas caras. Então é comum em alguns pontos da China encontrarmos crianças e bebês mortos nas ruas, nos becos, perto de rios. Não se incomodam com isso. E por quê? Porque a vida e o direito que esta tem não interessa aos comunistas. E não dê créditos às desculpas esfarrapadas de que a China criou esta lei por ser um país populoso demais. Os Chineses não tiveram foi criatividade para aproveitarem seu espaço, agricultura, pecuária para abrigar todo o povo.E com esta falta de assistência, acabou que o povo já não tinha mais o que comer, não tinha trabalho, ficando mais fácil aos Comunistas criarem uma lei que impeça inocentes de nascer a gastar com o que realmente importa.

Parece-me que o fato que aconteceu com esta criança é um tanto raro na China. Ou talvez este país, para ficar “bem na foto” (já que por ter sediado uma Olimpíada, passou ainda mais a ser foco das atenções mundiais, além de alguns avanços que há 20 anos o país vem passando, colocando até – segundo alguns críticos – medo nos EUA), passou a agir humanamente em casos drásticos. Não sei. A notícia não dizia que a criança ficou com a família, muito menos que os pais foram presos. Apenas cuidou de informar que a criança não estava mais presa às correntes. Ficou liberta fisicamente, mas os cárceres que deve carregar em sua alma só Deus sabe. Toda a carência, sentimento de rejeição, toda a dor da solidão, toda a sensação de desprezo é algo que o homem por si só não poderá suprir. Só o amor de Deus poderá acudir todas as necessidades espirituais e emocionais deste e de todas as crianças chinesas que passam por esta situação.

Fico me perguntando onde estarão os direitos humanos na China. Se o Comunismo não prevê direitos, acho que minha pergunta não tem razão de ser. Porém, o dia que a China se deixar Cristianizar, nem será preciso reinvindicar os direitos. Naturalmente eles aparecerão…

Tempo de Conversão

2010 março 6
por Evelyn de Souza Mayer de Almeida
“Seguir Jesus no deserto quaresmal é, portanto, condição necessária para participar da sua Páscoa, do seu ‘êxodo’.” Papa Bento XVI, em sua homilia na Missa de Quarta-feira de Cinzas.
Quaresma é tempo de retomar o caminho à Verdadeira Vida. Você sabe que somos a Igreja Militante, aquela que caminha rumo a Eternidade e que para tanto este caminho é doloroso, difícil, exige muito empenho, disciplina, amor.

O Papa Bento XVI, em sua homilia na Missa de Quarta-feira de Cinzas, afirmou que somos pó, mas amados. O que isso quer dizer? Que não somos APENAS pó, mas também. Que somos falhos, que podemos nos perder se andarmos pelas próprias pernas somente, que viemos do barro e nossa carne tornará a ele. Contudo, ele afirmou que também somos amados. E ser amado é mais que ser meramente pó e assim viver. Quer dizer que Deus não nos deixou a mercê de vivermos como se fôssemos reles animais bípedes, mas sorpou em nós o Sopro da Vida; deu-nos o Seu Espírito Santo. Quaresma é momento de vivermos em plenitude a ação deste Santo Espírito recebido no Batismo, no ruah. Quaresma é tempo de pedir perdão a Deus e lutar a não tornar a pecar, a não exarcebar a Chaga de Seu Precioso Coração, é momento de refletir sobre a caminhada rumo a Eternidade (ou seja, analisar, refletir sobre o que temos feito, se temos nos dedicado a seu Reino, se estamos cumprindo suas determinações exposta pelos Apóstolos em Seu Evangelho).

Lembro-me de um Padre em minha cidade natal que afirmava: “Todos têm a Páscoa que merece”. A princípio, parece um tanto dura esta frase. Como assim a Páscoa que mereço? Então Cristo não morreu por mim igual morreu por todos?
A resposta é: sim, Cristo morreu por mim igualmente como morreu por cada um. A questão é que Ele não me privou de um direito: ser livre. E com a minha liberdade faço o que bem entender. E se entendo que viver a Quaresma de qualquer modo, apenas para cumprir um preceito, é bom, logo, terei uma Páscoa à altura da minha preparação: medíocre, sem intimidade, sem vivência, sem preparação para a Sublime Páscoa, aquela que será Eterna. Veja: a referência que o Padre fez não foi tão somente desta Páscoa aqui, mas da vindoura, aquela que não tem fim.
Portanto, o caminho de conversão não se dá apenas na Quaresma, e sim ao clarear de um novo dia. E apesar dos dias prefixados, Quaresma é todo dia para aquele que busca diariamente mudar, salvar-se, converter-se. Os dias estipulados nos ajudam a meditar com mais profundidade os mistérios da Salvação, servem de um ponta-pé inicial, mas nunca terminam no Domingo Ramos. Prosseguem por toda a vida àquele que crê e busca o Reino de Deus e a sua Justiça em primeiríssimo lugar.

Se você ainda não começou a viver sua Quaresma, comece, mas por favor, não termine. Prossiga. Viva-a até o último suspiro seu. Depois… ah… depois… Páscoa Eterna. E neste dia lembraremos como valeu a pena cada espinho.

Jorge Ferraz e o materialismo da Campanha da Fraternidade

2010 março 4

Excelente postagem do Jorge no Deus lo vult:

Ano passado, eu escrevi um post aqui no Deus lo Vult! onde eram apresentadas algumas estatísticas sobre o texto-base da Campanha da Fraternidade de então. Este ano, agora que a CNBB disponibilizou a versão eletrônica do texto da CF/2010, eu posso fazer a mesma coisa.

As oitenta páginas do referido documento podem ser baixadas aqui, no site da CNBB. Ao contrário de certas análises de conjunturas que andam circulando internet afora, até onde me conste este é um documento oficial da Conferência, sim.

Eis aqui as estatísticas. A metodologia utilizada é trivial: a caixa de pesquisa do Acrobat Reader. Quando as expressões aparecem “puras”, é porque a busca foi feita por elas ipsis litteris; quando aparece “e derivados”, é porque consultei pelo radical (p. ex., ‘arrepend’, o que engloba tanto ‘arrependimento’ quanto as formas verbais ‘arrependei-vos’, ‘arrependi-me’, ‘arrepender’, etc.).

Os resultados são os seguintes:

* “Jesus”: 37 ocorrências (“Nosso Senhor”, uma única ocorrência, na oração da CFE).
* “Católica” e “católicos”: 8 ocorrências.
* “Conversão” (e derivados): 7 ocorrências.
* “Oração”: 5 ocorrências (sendo duas vezes no título “oração da CFE 2010″, a do índice e a da página correspondente).
* “Caridade”: 4 ocorrências.
* “Esmola”: 3 ocorrências.
* “Pecado” (e derivados): 2 ocorrências.
* “Jejum”: 2 ocorrências (e recomendo que vejam quais são!!).
* “Virgem Maria” (a pesquisa foi feita por “Maria”): 2 ocorrências (“Nossa Senhora”, nenhuma).
* “Arrependimento” (e derivados): 2 ocorrências.
* “Sacramento”: 2 ocorrências.
* “Papa”: 2 ocorrências.
* “Magistério”: 1 ocorrência.
* “Penitência”: nenhuma ocorrência.
* “Eucaristia”: nenhuma ocorrência.
* “Missa”: nenhuma ocorrência.
* “Sacerdote”: nenhuma ocorrência.
* “Calvário”: nenhuma ocorrência.
* “Cruz”: nenhuma ocorrência.
* “Trindade”: nenhuma ocorrência.
* “Santificação”: nenhuma ocorrência (“santificar” tem duas, no comentário sobre o Pai Nosso).
* “Redenção” (e derivados): nenhuma ocorrência (“Redentor” aparece uma única vez, numa nota de rodapé, em referência – pasmem! – a um livro sobre Martin Luther King, chamado “O Redentor Negro”! Está à página 55).
* “Confissão” (sacramento): nenhuma ocorrência (há duas referências a “confissão”, na expressão “Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil”, com as maiúsculas por conta da CNBB).

Em contrapartida:

* “Economia (e derivados): 142 ocorrências.
* “Solidariedade” (e derivados): 81 ocorrências.
* “Pobre” (e derivados): 75 ocorrências.
* “Direito(s)”: 74 ocorrências.
* “Terra”: 64 ocorrências.
* “Trabalho”: 56 ocorrências.
* “Social” (e derivados): 54 ocorrências.
* “Política” (e derivados): 39 ocorrências.
* “Mercado” e “Mercadoria”: 30 ocorrências.
* “Desenvolvimento”: 29 ocorrências.
* “Povo”: 27 ocorrências.
* “Miséria”: 12 ocorrências.
* “Exploração” (e derivados): 11 ocorrências.

Isto é sintomático. No segundo grupo, a palavra que menos aparece é “exploração”; mesmo assim, ela aparece mais do que todas as palavras do primeiro grupo, à exceção de “Jesus”. E até mesmo “política” aparece mais do que “Jesus” neste documento!

Coisas absolutamente fundamentais para qualquer texto que se pretenda servir para o tempo quaresmal, é inexplicável a total ausência de palavras como “Missa”, “Eucaristia” e “Confissão”. Que espécie de preparação para a Páscoa pode ser feita sem que se fale na Santa Missa? Sem que se fale em comunhão eucarística, em confissão dos pecados, em arrependimento? Sem que se fale na Virgem Santíssima? A conclusão é inevitável: este texto não serve para a Quaresma. Não pode servir, porque não trata de temas espirituais. Fica perdido no naturalismo, na horizontalidade, na materialidade estéril – e passa longe das necessidades espirituais dos fiéis católicos.

A julgar por este texto-base, parece ser opinião da CNBB que a Igreja deve, durante a Quaresma, falar mais em exploração do que em oração. Deve falar mais em miséria do que em pecado. Mais em trabalho que em conversão. Mais em política do que em Nosso Senhor.

E isto é muito triste. Se o sal perde o sabor, para quê ele servirá? Até quando suportaremos esta campanha da materialidade, que nega toda a riqueza espiritual do tempo da quaresma, soterrando a piedade católica sob uma profusão de temas naturalistas estéreis? Usquequo, Domine…?