Deus existe?

2009 julho 3

Por Pe. Rodrigo Polanco, Secretário Acadêmico da Faculdade de Teologia da PUC–Chile

Tradução: Wagner Marchiori

O livro que apresentamos é fundamentalmente uma transcrição literal de um debate sobre a pergunta que dá título a esta obra: Deus existe?, cujos protagonistas foram o então cardeal Joseph Ratzinger e o filósofo Paolo Flores d’Arcais. O diálogo ocorreu no teatro Quirino, em Roma, em 21 de fevereiro de 2000, dentro do contexto do Jubileu convocado por João Paulo II pela ocasião do segundo milênio da encarnação do Verbo de Deus.

O debate, como era de se esperar, suscitou muito interesse antes mesmo de sua realização: o teatro estava repleto de público e ficaram mais de duas mil pessoas do lado de fora que conseguiram acompanhar o diálogo com a ajuda de um amplificador improvisado.

O motivo do interesse? Em primeiro lugar, os debatedores: o cardeal Joseph Ratzinger, então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Conhecido por sua competência em temas filosóficos e teológicos e, particularmente, porque um de seus maiores interesses foi precisamente poder penetrar e compreender melhor a cultura atual e suas dificuldades em aceitar a mensagem cristã; e, mais especificamente, são conhecidos seus numerosos trabalhos acerca da possibilidade e necessidade da fé em um Deus pessoal que possa fundamentar a cultura e a ética no mundo contemporâneo. Hoje é nosso Santo Padre Bento XVI, cujo magistério se viu claramente influenciado por estas preocupações. Esperavam-se, então, de suas reflexões bons aportes ao debate atual.

O outro debatedor era Paolo Flores d’Arcais, filósofo e jornalista, nascido em Udine, Itália, em 1944. Ele se reconhece como ateu e é, na atualidade, uma referência intelectual no âmbito da cultura europeia contemporânea. É, além disso, fundador e diretor da revista Micromega, que publicou este diálogo (foi publicado também na França pela editora Payot et Rivage e, na Alemanha, pela Wagenbach Verlag). Flores d’Arcais é um decisivo impulsionador dos valores cívicos da democracia e da igualdade. Seu ateísmo significa, para ele, “simplesmente considerar que tudo se passa aqui, em nossa existência, finita e incerta. E, portanto, são importantes os valores que se elegem e a própria conduta” (p. 30). Pode-se perceber, de imediato, que entre esses dois expoentes há pontos em comum apesar de uma diferença fundamental, o que augurava um debate que não decepcionaria.

O diálogo – e esta é a segunda razão do interesse do livro –, que foi muito bem moderado por Gard Lerner (um jornalista italiano judeu), se desenvolveu de maneira intensa, muito honesta, às vezes de forma incisiva, mas sempre com respeito à opinião do outro e em sincera busca pela verdade. Ao longo do debate foram saindo os clássicos argumentos contra a existência de Deus e que foram permitindo ao cardeal Ratzinger colocar com muita claridade, não somente a realidade da existência de Deus, mas também por que é hoje necessário e, sobretudo, racional (isto é, adequado a uma razão moderna) crer em Deus.

O diálogo – transcrito integralmente no livro – é aberto, fundamentalmente, com uma colocação de Flores d’Arcais que se tornará o fio condutor do debate, pois é justamente o núcleo da discussão sobre a existência de Deus. Afirma Flores d’Arcais que a fé deve aceitar – seguindo a São Paulo em seu escândalo para a razão e àquilo que se atribui a Tertuliano, credo ut absurdum (”creio porque é absurdo (o que creio)”) – que é digna de respeito, tem direito a uma cidadania , mas não é exigível nem pode ter a pretensão de ser aceita pela razão, já que “suas verdades” não podem ser demonstradas pela razão e que, inclusive, isso não foi pretensão do cristianismo primitivo que se considerava uma religião à margem da razão. Esta é uma afirmação que talvez muitos cristãos, à primeira vista, subscreveriam.

Pois bem, a partir dessa mesma observação, o cardeal Ratzinger começa sua exposição demonstrando, com dados históricos, exatamente o contrário. O cristianismo desde suas origens considerou-se como uma religião e uma fé que certamente não era absurda e que, além disso, devia dar razão de sua esperança. A primeira carta de São Pedro diz precisamente estais sempre dispostos a todos os que vos pedem dar razão de vossa esperança (1Pe 3,15). Os cristãos devem, então, estar em condições de demonstrar o sentido profundamente racional de suas convicções. De fato, o cristianismo primitivo triunfou sobre as religiões pagãs de seu entorno justamente por sua reivindicação de racionalidade. Apresentou-se, inclusive, como filosofia, isto é, como resposta à busca da verdade, do logos do mundo. Já no ano 150, Justino, filósofo e mártir cristão, fundava em Roma uma escola de formação cristã, onde se podia aprender a refletir a fé entendida como filosofia verdadeira. Sua conversão, longe de afastá-lo da filosofia, o fez verdadeiramente filósofo. Certamente, ao entender o cristianismo como a filosofia perfeita, a filosofia que leva à verdade, “não se entendia, então, como uma disciplina acadêmica puramente teórica, mas também, e antes de tudo, desde uma perspectiva prática, como a arte de viver e morrer retamente à qual só se pode chegar à luz da verdade”. Além disso, a pergunta pela verdade, pelo “logos” das coisas, era a pergunta da filosofia e não das religiões pagãs da época.

A convicção básica da Antiguidade (e creio que também nossa) era que no mundo existe uma racionalidade sobre a irracionalidade – o mundo, a vida, cada um de nós mesmos não somos um absurdo – e, por isso, uma religião, qualquer que seja, mostrar-se-á adequada e verdadeira na medida em que se apresente como vera religio, isto é, como verdade universal e fundante. E dessa verdade se deduz também a natureza do homem e, portanto, seu dever moral. De fato, “o que a lei supõe realmente, as exigências que o Deus único coloca para a vida do homem e que a fé cristã traz à luz, coincide com o que o homem, todo homem, leva escrito no coração, de maneira que o considera bom quando aparece diante dele. Coincide com o que é bom por natureza” (Rom 2,14). Na base dos direitos humanos universais – nascidos em contexto cristão e desde o cristianismo – está precisamente a convicção de uma verdade comum – o homem – e um fundamento último: Deus. Essa foi sempre a pretensão do cristianismo, que nasce não tão somente da Revelação, mas também da racionalidade das coisas que existem.

E o debate continua se desenvolvendo, sempre em forma de diálogo e com oportunas reflexões de Paolo Flores d’Arcais em que apresenta suas considerações, sejam factuais ou filosóficas, para não aceitar as verdades e a pretensão do cristianismo. Por exemplo: sendo Deus o “Totalmente Outro”, pode alguém pretender realmente conhecê-Lo? Não são todas as religiões aproximações igualmente válidas, já que não se pode nem sequer se aproximar por analogia àquilo que Deus é? Porque é necessário que haja um sentido para a vida? Não bastaria que cada um encontrasse um sentido particular para sua vida, ainda que seja absurdo para outro? Porque deve haver um único sentido?

Neste ponto do diálogo aparece um elemento crucial na exposição de Flores d’Arcais: se o cristianismo – diz ele – se visse a si mesmo como uma religião que é escândalo para a razão (ou seja, não racional), não haveria problemas, porque uma fé assim somente pediria à sociedade que a respeitasse e não tentaria se impor na sociedade, isto é, não seria missionária. O problema para Flores é se – ao contrário – a “fé católica pretende ser o sumário e o cume da razão, ser o sumário e o cume de tudo aquilo que é mais característico do homem”, ou, em palavras do Concílio Vaticano II, se o mistério do homem somente se esclarece no mistério do Verbo Encarnado (GS 22), então é essencial (ao cristianismo) seu interesse em propagar esta “Boa Nova” (já que o bem é difusivo por si próprio), mas, ao mesmo tempo, é inevitável o risco de que mais tarde caia na tentação de se impor. O cardeal Ratzinger está, evidentemente, totalmente de acordo em que é preciso evitar o perigo de tentar se impor. A fé apela sempre à consciência e à razão, o ato de fé é necessariamente um ato que nasce da liberdade e de haver reconhecido a Deus que se revela e oferece a salvação, mas sempre é oferecimento livre.

Mas o motivo da missão e da evangelização, isto é, este elemento essencial da fé católica, “nasce do fato que nós, os crentes, cremos que temos algo que dizer ao mundo, a todos, que a questão de Deus não é uma questão privada…, pelo contrário, estamos convencidos de que o homem necessita conhecer a Deus, estamos convencidos de que em Jesus apareceu a verdade e a verdade não é propriedade privada de alguém, mas que tem de ser compartilhada, tem de ser conhecida”. Novamente o tema da verdade e da razão.

À continuação o tema se desenvolve em diversos matizes e se chega assim a um novo passo na reflexão de nosso atual Santo Padre. Havia dito que a fé católica é racional e que, como verdade, é necessário que todos a conheçam; passa, agora, a discutir com Flores a “novidade cristã de Deus”. A Bíblia nos apresenta um Deus que está além do Deus da filosofia, isto é, um Deus pessoal que é amor. O mundo vem da razão – logos –, mas esta razão é pessoa, é amor – isto é o que é característico e próprio do cristianismo. Isso também não é absurdo, mas supera o alcance da razão por si mesma. Com esta afirmação (segundo o cardeal Ratzinger quando ainda era um professor universitário) aparece o conceito de criação, tão próprio do cristianismo. O mundo é positivo, é bom e é fruto do amor. É, então, bom viver nele. Portanto, o mundo tem uma direção e medida porque é fruto do Criador que se expressa nele. E, se é fruto do amor, está transpassado pelo amor e a liberdade de acolher esse mesmo amor (cf. J. Ratzinger, Introdução ao Cristianismo). E de onde concluímos isso? Simplesmente de que Deus é como se manifesta. Deus não pode se manifestar como não é. Em termos filosóficos, estamos falando de analogia entis e, mais em particular, da analogia amoris.

O que é a fé, então? Não é simplesmente um saber, mas uma forma de se situar frente ao mundo, frente a toda a realidade, é a orientação de toda a vida humana, o que é somente possível em virtude de um sentido que a sustente. E esse sentido “não se pode construir, somente se pode receber” (ibid). Isso é a fé: aceitar o dom da revelação que fundamenta gratuitamente nossa vida, é o compreender a existência como resposta ao Logos que tudo sustenta. É aceitá-Lo e nEle confiar. E isso é totalmente contrário ao “irracional”. Efetivamente, é aproximar-se ao fundamento, ao sentido da vida e esse fundamento não pode ser – para o homem – outra coisa que não a verdade. Um sentido que não fosse verdade seria um sem-sentido. A fé, no fundo, nos faz compreender autenticamente o mundo, isto é, entendê-lo e fazê-lo próprio.

Mas esse compreender – e isso é essencial para o conceito de fé – é fundamentalmente um encontro com Deus-amor, é uma relação pessoal, é uma aceitação livre de Deus como Deus, é deixar Deus ser Deus. A fé sustenta não somente que Deus é Logos, mas que, além disso, esse Logos, essa Razão, é liberdade, é amor criador e pessoa. E, portanto, “o supremo não é o mais geral, mas o particular; por isso a fé cristã é, antes de tudo, opção pelo homem como ser irredutível que aponta à infinitude” (ibid). Deus não só conhece, mas que também ama, é criador porque é amor. É um Deus para o qual nada é demasiadamente pequeno e, portanto, um Deus que entra em relação com todo ser humano de modo pessoal.

Neste ponto as posições se aproximam. Para Flores d’Arcais, o ser humano, ainda na opção “desde o desencanto” – que é a opção do pensamento ateu (em contraposição à opção “desde a fé”)* – deve igualmente escolher entre uma vida com a primazia do EU (solitário) ou do TU (do encontro que soma) para orientar toda sua vida, ainda que seja sua efêmera vida. E aí, no amor ao próximo, há a possibilidade do encontro entre crentes e ateus. E isso é o que permite, desde a Antiguidade, a convivência pacífica na mesma polis entre os que pensam diferente.

O diálogo não pode seguir além de duas horas e meia que já dura, mesmo ainda tendo deixado muitos temas e perguntas sem tratamento e, mais ainda, havendo deixado muitas questões colocadas no meio do debate que suscitaram novas perguntas e dão incentivos para pensar e aprofundar nas próprias convicções. Com que gosto haveríamos seguido escutando – ou lendo – este diálogo elevado! De qualquer maneira, o livro ainda nos agrega dois textos complementares ao debate e em torno dos mesmos temas. Um, do cardeal Ratzinger, intitulado A pretensão da verdade colocada em dúvida. E outro, de Paolo Flores d’Arcais, chamado Ateísmo e verdade. Como se pode apreciar a partir destes títulos, o tema Deus é, no fundo, um tema sobre a verdade e, finalmente, um tema religioso, mas, ao mesmo tempo, metafísico. E religioso porque metafísico.

Em síntese, um interessante livro sobre um tema extremamente atual que mostra, uma vez mais, o amor à verdade de nosso Santo Padre Bento XVI, sua confiança no diálogo com o outro que pensa diferente e, também, seu respeito pelas opiniões contrárias; assim como sua amplíssima cultura e profundidade para tratar temas atuais. Por outro lado, Paolo Flores d’Arcais deixa uma grata impressão de homem inteligente, aberto e que advoga, de maneira muito aguda, as características e perguntas do ateísmo contemporâneo. Um livro que ajuda a pensar e a pensar também a própria fé, porque “todo o que crê pensa; pensa crendo e crê pensando (…). Porque se o que se crê não se pensa, a fé é nula” (Sto Agostinho, De praedestinatione sanctorum 2, 5 em Fides et Ratio 79).

* Para Flores d’Arcais a postura ateia considera que “tudo se joga aqui, em nossa existência, finita e incerta”, isto é, ser ateu consiste em ser o homem do desencanto e do finito. (N. T.)

Laicismo até no futebol?

2009 julho 2
por Rafael Vitola Brodbeck

Essa foi demais. Agora, jogadores cristãos (católicos ou protestantes) não podem mais demonstrar sua fé em Jesus Cristo. É o recado da Fifa, insatisfeita com a oração que os integrantes da Seleção Brasileira fizeram após a vitória contra os EUA na final da Copa das Conferações.

Ressalte-se que a Fifa foi pressionada pela Associação Dinamarquesa de Futebol, e a Dinamarca é um dos países em que o laicismo se faz mais presente. Aliás, não só o laicismo (excluindo totalmente a fé das manifestações públicas), como também um cristianismo em franca decadência e um crescente número de seitas declaradamente satânicas. O dirigente da Associação Dinamarquesa foi taxativo: “A religião não tem lugar no futebol.”

Hmm, então um jogador que gosta da esposa pode mandar beijo para ela; um atleta que gosta de pagode pode sambar; um boleiro mais palhaço pode fazer uma gracinha; mas quem é cristão não pode rezar? Poder, até pode, desde que faça em casa. A fé não pode ser exercida em público. Mas a falta de fé pode! O não-cristão tem mais direitos do que o cristão? O ateu tem privilégios em relação ao religioso? O jogador de futebol, se crente for, deve deixar sua fé em casa, deve ser hipócrita, fingir que não crê em nada, esquecer-se de Deus? Cristão não pode ser: mas pensar uma coisa (crer) e fazer outra (não crer) pode? É a institucionalização da hipocrisia!


(Jairzinho fazia o gol, corria para o canto do gramado, se ajoelhava e fazia o sinal da cruz. Bons tempos em que ele ele e o tcheco Petras, inventor do gesto, podiam fazer isso em paz sem a patrulha politicamente correta. Foto: Rodolpho Machado)

O laicismo, não contente em expulsar Cristo do poder público, O está tirando até mesmo das diversões populares. Justamente desse esporte que leva o povo à alegria, povo esse que é religioso em sua enorme maioria. Pode-se agradecer a qualquer um por uma vitória esportiva, menos a Deus…

Recife: do vinho para o vinagre?

2009 julho 1

Como todo mundo já sabe (com direito a notícia extremamente porca do Estadão), o Papa aceitou a renúncia de dom José Cardoso Sobrinho, agora arcebispo emérito de Olinda e Recife, e nomeou para seu lugar dom Fernando Saburido, até então bispo de Sobral (CE).

Dom José, sabemos, foi e continuará sendo um herói católico. Fez o que tinha de fazer, enfrentou intriga, calúnia, a inimizade de padres e jornais vermelhos, e até a incompreensão de uma ou outra figurinha no Vaticano, no melhor estilo “eles não sabem o que dizem” (e não sabiam mesmo. Estou falando do bispo Fisichella). O que podemos esperar do sucessor? Pela repercussão da decisão do Papa…

Vejamos o que diz o padre Edvaldo Gomes. Esse daí, como lembra o Jorge Ferraz, concelebrou com um anglicano e recebeu sanção da Santa Sé:

Foi uma extraordinária nomeação. Eu vejo como uma grande graça de Deus. No centenário de Dom Hélder Câmara não poderíamos ter uma notícia mais feliz. É uma pessoa nossa, humilde de origem e de convicção e que deu o testemunho de um excelente relacionamento com todo clero e com o povo. É um homem fraterno, humano. O clero sentiu quando ele saiu para Sobral e alimentou a esperança de que ele voltasse. Era um desejo nosso, tanto que tínhamos nos manifestado através de uma carta para a a nunciatura.

Agora, o padre João Carlos, que ainda segundo o Jorge foi afastado por ter uma concubina e “se entrincheirou” na paróquia, tendo sido necessário a dom José entrar com uma ação de reintegração de posse:

Eu acho que o povo de Pernambuco tem realmente que comemorar. Minha frase pra Dom José é “Já vai tarde”. O povo de Pernambuco está de parabéns porque recebeu um pastor. Saburido é um homem de Deus, é um pastor, tem preocupações reais com a Igreja, com as pastorais, com seu rebanho, é alguém comprometido com o povo. Espero que dom Fernando corrija todas as aberrações que esse cidadão cometeu em todos os sentidos e que dê um rumo pastoral à Arquidiocese.

Se padres dessa laia comemoram assim, o que podemos esperar? Claro que Deus opera maravilhas em quem se deixa levar por Ele. Dom Fernando pode ser o bispo santo de que Recife precisa para continuar a obra de dom José. Ele pode decepcionar aqueles que esperam ser reabilitados com carta branca para voltar a cometer suas sandices nas paróquias da Veneza brasileira.

Mas, para quem comenta o caso do aborto na menina de 9 anos e diz um negócio como

Ele [dom José] faz as coisas com responsabilidade e conhecimento do Direito Canônico. Mas eu sou mais pastoral. Eu deixaria de lado a política canônica e ficaria do lado da defesa da vida.

a única conclusão é de que vamos precisar rezar muito, muito, muito para que o sucessor de dom José esteja à altura…

Eméritos e eméritos

Só mais um comentário sobre dom José. Outro dia, fui me confessar na Igreja da Ordem, a mais antiga de Curitiba. Quando me ajoelhei, em vez de ouvir o reitor, monsenhor Luiz, reconheci a voz do nosso emérito, dom Pedro Fedalto. Que felicidade ver que um bispo emérito não abandona suas tarefas de pastor de almas! Que diferença para um Clemente Isnard ou um Carlo Martini, que depois de eméritos gastam seu tempo escrevendo livros contra a doutrina da Igreja… tenho certeza que dom José continuará, como arcebispo emérito, atuando de forma firme na defesa da Igreja, do Papa e da doutrina católica, e isso apesar do ódio que muitos lhe dirigem, pois ele tem a coragem do verdadeiro discípulo de Cristo.

Bento XVI e a fé adulta

2009 julho 1
por Pedro Ravazzano

O Santo Padre, na homília durante as primeiras vésperas da festa de São Pedro e São Paulo, nos presenteou com palavras de pura sabedoria e amor, mais uma vez mostrando como, de fato, escorre mel desse rochedo. Como ainda não saiu a tradução em português, tomo a liberdade de colocar o pequeno trecho traduzido pelo Marcelo Coelho para o seu blog Cooperador da Verdade:

Nas últimas décadas a expressão “fé adulta” se tornou um slogan difundido. Na maioria é usado em relação à atitude daqueles que não prestam mais atenção ao que a Igreja e seus Pastores dizem, em outras palavras, aqueles que escolhem por si mesmos em que crer e deixar de crer, numa espécie de “self-service da fé”. Expressar-se contra o Magistério da Igreja é mostrado como uma espécie de “coragem”, quando na verdade não é preciso muita coragem, porque quem faz isso pode estar certo de que receberá apoio público.

Ao contrário, é preciso coragem para aderir à fé da Igreja mesmo se ela contradiz a “ordem” do mundo contemporâneo. Paulo chama esse não-confirmismo de “fé adulta”. Para ele, seguir os ventos do momento e as correntes do tempo é um comportamento infantil.

Por isso, faz parte de uma fé adulta se dedicar à defesa da inviolabilidade da vida desde o seu início, consequentemente se opondo ao princípio da violência, principalmente na defesa dos mais indefesos. Faz parte de uma fé adulta reconhecer a indissolubilidade do casamento entre um homem e uma mulher, de acordo com o que foi ordenado pelo Criador e reestabelecido por Cristo. Uma fé adulta não segue qualquer corrente aqui e ali. Ela permanece firme contra os ventos da moda.

O Santo Padre consegue na sua homília fazer um alerta brilhante; primeiro, novamente, destaca o poder do relativismo, heresia que destrói as mentes, já que faz imperar paradoxos que não passariam em nenhum ambiente que fizesse valer a busca pela Verdade. Além disso, o Sumo Pontífice atenta para outro fato de extrema relevância; o progressismo doutrinário estipulou um politicamente correto religioso que pretende fazer uma antípoda entre a Igreja e Cristo, como se estivéssemos falando de duas realidades distintas e não essencialmente relacionadas. A dissociação da mensagem da Igreja e do Magistério dos ensinamentos de Jesus, como se a doutrina católica fosse secundária e diferente das primitivas heranças deixadas por Cristo, é fruto do relativismo.

Dentro desse politicamente correto religioso, ter uma “fé adulta” é, justamente, afrontar a Igreja e romper com os ensinamentos magisteriais. Primeiramente, vale frisar que um católico fiel tem por obrigação intelectual acreditar na instituição divina da Igreja, do papado, da Eucaristia etc. Reconhecendo a clareza dessas premissas, ou seja, que são ensinamentos deixados diretamente por Cristo, a oposição a elas é desleal e impossível para o crente; alguém, por acaso, poderia rechaçar a herança do Amado alegando amá-Lo? O relativismo entra nesse momento e “permite” que católicos se digam católicos mesmo não acatando ensinamentos da Igreja Católica.

O interessante do raciocínio do Vigário de Cristo sobre a fé adulta é que atinge em cheio o que vinha se tornando comum nas comunidades; desrespeito ao Magistério e à Igreja. O irônico de tudo isso, e que o Papa percebeu, é que no mundo atual a grande coragem não se encontra em se submeter aos ventos relativistas que corrompem os ensinamentos doutrinários moldando-os ao bel prazer; não, ao contrário, qual o mérito de deformar a Verdade com os pressupostos pessoais e individuais? A coragem se encontra em nadar contra a maré da crise, do modernismo, da imoralidade, abraçando por completo os ensinamentos de Cristo contidos na Sua Igreja. Enquanto o politicamente correto religioso adapta a Verdade aos homens, o politicamente incorreto religioso, ou seja, a fidelidade e honestidade, adapta os homens à Verdade.

Avacalhação litúrgica em Blumenau

2009 junho 29
por Marcio Antonio Campos

Hoje, dia de São Pedro e São Paulo, conto aqui um episódio que revela no que se transforma quem não segue o que o Papa, sucessor de Pedro, diz, seja diretamente, seja por intermédio de seus subordinados na Cúria Romana.

Na noite do domingo retrasado, dia 21, fui com minha namorada à paróquia onde costumamos assistir missa quando estamos em Blumenau. Para nossa surpresa (não apenas nossa, aliás), estava tudo escuro e fechado. Dada a hora, só nos restou ir à catedral de Blumenau, que teria missa começando meia hora mais tarde. Fomos com o pé atrás, pois o pároco da catedral é o padre João Bachmann, que já conhecíamos de outros carnavais: em uma missa a que fomos em sua antiga paróquia, há alguns anos (era sétimo dia de um parente de um amigo da família de minha namorada), os abusos litúrgicos foram extremos, a ponto de, após a consagração, o padre João substituir praticamente todo o restante da Oração Eucarística por uma música de uma dupla sertaneja que estava lançando um CD.

Mas, antes do relato sobre a missa na catedral, vale a pena recordar algumas palavras do nosso saudoso Papa João Paulo II.

Por isso, sinto o dever de fazer um veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebração eucarística. Constituem uma expressão concreta da autêntica eclesialidade da Eucaristia; tal é o seu sentido mais profundo. A liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios. O apóstolo Paulo teve de dirigir palavras àsperas à comunidade de Corinto pelas falhas graves na sua celebração eucarística, que tinham dado origem a divisões (skísmata) e à formação de facções (’airéseis) (cf. 1 Cor 11, 17-34). Actualmente também deveria ser redescoberta e valorizada a obediência às normas litúrgicas como reflexo e testemunho da Igreja, una e universal, que se torna presente em cada celebração da Eucaristia. O sacerdote, que celebra fielmente a Missa segundo as normas litúrgicas, e a comunidade, que às mesmas adere, demonstram de modo silencioso mas expressivo o seu amor à Igreja. (Ecclesia de Eucharistia, 52; negritos meus)

O próprio Concílio Vaticano II, que tantos padres muderrrrninhos distorcem para justificar suas aberrações litúrgicas, já era bem claro a respeito do modo correto de celebrar a missa:

ninguém mais, mesmo que seja sacerdote, ouse, por sua iniciativa, acrescentar, suprimir ou mudar seja o que for em matéria litúrgica. (Sacrosanctum Concilium, 22, negritos meus)

Nossos temores foram confirmados logo no início da missa, com a bateção de palmas no canto de entrada. E logo veio aquele irritante “Em nome do paaaaaaaaaaai, em nome do fiiiiiiiiiiiilho…”, o que é claramente proibido. Aqui, o permitido é apenas fazer o sinal da cruz enquanto o padre canta “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, a que respondemos, cantando, o “amém”. Mas, para o padre João, não bastava errar cantando aquele “em nome do paaaaai” apenas uma vez; o sacerdote estendia o canto, pedindo várias repetições, apenas para mostrar seus dotes de animador de auditório com frases do tipo “agora, mais uma vez”, “estendendo os braços”… isso se verificou várias vezes ao longo da missa.

Para quem promove esse tipo de coisa, usar o “glória, glória, ao Pai criador, ao Filho redentor e ao Espírito, glória” é fichinha. Mas o que a Igreja diz a respeito?

O Glória é um antiquíssimo e venerável hino com que a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus e ao Cordeiro. Não é permitido substituir o texto deste hino por outro. (Instrução Geral do Missal Romano, 53, negritos meus)

E assim seguiu a missa, entre cantoria (sempre com muitas palmas e as frases de incentivo do padre), inclusive com cantos fora dos momentos determinados: no meio da oração eucarística, após o memento dos mortos, o padre João puxa um “Com minha Mãe estarei”. É um hino lindo, mas não no meio da oração eucarística! Não podia faltar o Pai Nosso de mãos dadas e o pedido para que o povo rezasse, junto com o padre, algumas orações exclusivas do sacerdote. Aliás, o que é que a Igreja diz sobre isso?

Entre as partes da Missa que pertencem ao sacerdote, está em primeiro lugar a Oração eucarística, ponto culminante de toda a celebração. (…) O carácter “presidencial” destas intervenções exige que elas sejam proferidas em voz alta e clara e escutadas por todos com atenção. (Instrução Geral do Missal Romano, 30 e 32, negritos meus: ora, se devemos escutar o padre, é porque não podemos ficar rezando junto com ele)

E aí veio a hora da comunhão, com aquela horda de ministros extraordinários. Há incontáveis trechos de documentos da Igreja que regulam a participação desses leigos. Vamos citar aqui apenas alguns:

O ministro extraordinário da sagrada Comunhão poderá administrar a Comunhão somente na ausência do sacerdote ou diácono, quando o sacerdote está impedido por enfermidade, idade avançada, ou por outra verdadeira causa, ou quando é tão grande o número dos fiéis que se reúnem à Comunhão, que a celebração da Missa se prolongaria demasiado. (Redemptionis Sacramentum, 158)

Ah, mas tinha muita gente na igreja? Sim, tinha. Mas não o suficiente para que a comunhão demorasse demais se apenas o diácono e o padre João distribuíssem a Eucaristia. Vejam o que diz outro documento:

Para não gerar confusão, devem-se evitar e remover algumas práticas que há algum tempo foram introduzidas em algumas Igrejas particulares, como por exemplo:
— o comungar pelas próprias mãos, como se fossem concelebrantes;
(…)
o uso habitual de ministros extraordinários nas Santas Missas, estendendo arbitrariamente o conceito de “numerosa participação”. (Instrução acerca de algumas questões sobre a colaboração dos fiéis leigos no sagrado ministério dos sacerdotes, artigo 8, negritos meus)

Ou seja, não se pode alegar o número de pessoas presente todo domingo para justificar o uso dos ministros extraordinários; a presença numerosa precisa ser incomum para haver essa justificativa.

Além disso, os ministros extraordinários estavam levando o Santíssimo Sacramento em recipientes de vidro (ou cristal, não tive como saber). Vá lá que Blumenau tenha vários fabricantes de cristal, mas novamente a Igreja é clara a respeito dos vasos sagrados:

reprove-se qualquer uso, para a celebração da Missa, de vasos comuns ou de escasso valor, no que se refere à qualidade, ou carentes de todo valor artístico, ou simples recipientes, ou outros vasos de cristal, argila, porcelana e outros materiais que se quebram facilmente. (Redemptionis Sacramentum, 117, negritos meus)

E, após a bênção final, o padre João resolveu expor o Santíssimo Sacramento no ostensório e passar com Jesus Sacramentado pela Igreja. Até aí tudo bem. O problema foi que, em vez de as pessoas se ajoelharem, de o coral entoar um belo canto eucarístico, o que aconteceu? As pessoas se aglomeravam no corredor central, querendo a todo custo deixar sua impressão digital no ostensório (e o padre aparentemente não se opunha a isso), enquanto outras simplesmente iam embora para conseguir tirar o carro antes dos outros (a saída do estacionamento da catedral é um tanto complicada mesmo).

Surpresa? Nem tanto. Afinal, se as pessoas tratam o sacrifício do Calvário de modo irreverente (melhor dizendo, são levadas a tratar assim a Missa por padres relapsos), como é que vão se portar com reverência durante a exposição do Santíssimo?

Aliás, o padre ainda anunciou que no próximo dia 1.º ele iniciará a celebração, toda primeira quarta-feira do mês, da “Missa carismática”. Ele não detalhou muito, mas acho que dá pra imaginar. Mais palmas, mais cantos, gente gritando xalandricáxalandricáalalaiêalalaiê pelos cantos, essas coisas. Engraçado… pra que precisamos inventar Santas Missas “especiais”, categorizar o sacrifício de Cristo?

O pior é que a catedral apenas eleva ao quadrado, ou ao cubo, práticas que minha namorada e eu vemos também em outras paróquias daquela diocese. E eu, obviamente, já reclamei ao bispo. Troquei e-mails com dom Angélico Bernardino por um tempo. Ele me dizia que na diocese de Blumenau não se toleravam abusos litúrgicos e que os padres recebiam formação constante. Mas os abusos continuavam acontecendo, e eu continuava lembrando-o disso. Dom Angélico, inclusive, foi o responsável por trazer o padre João, o campeão do abuso litúrgico em Blumenau, para a catedral… agora dom Angélico é emérito, e foi substituído por dom José Negri. Duvido que ele não saiba da bagunça litúrgica que o padre João promove. Mas por via das dúvidas estamos atrás dele também.

Nesse ano sacerdotal, precisamos mesmo rezar muito pelos padres. Para que nossos sacerdotes sejam santos e reverentes para com o Santo Sacrifício da Missa. Não precisa celebrar em latim ou no rito tridentino (embora fosse bom); bastava respeitarem as normas da Igreja à qual eles juram obediência. Já teríamos um aumento de reverência sem precedentes.

Hoje é dia de festa para os Legionários de Cristo!

2009 junho 28
por Rafael Vitola Brodbeck

No dia de hoje, 29 de junho, comemoramos o aniversário da aprovação definitiva, por João Paulo II, das Constituições dos Legionários de Cristo, no ano de 1983.

Fundada em 1941, a congregação seguiu todo o caminho canônico normal para ter suas Constituições, sua lei maior, aprovada.

O Papa aprovou pessoalmente as Constituições, avocando para si tamanha responsabilidade, em face da confiança que depositava no padre Marcial Maciel, LC, fundador, e nos padres legionários, bem como em todo o Regnum Christi.

Abaixo um pequeno resumo histórico da Legião e do Reino:

10 de março de 1920 – nasce Marcial Maciel Degollado em Cotija de la Paz, Michoacán, México.

Maio de 1934 – Marcial descobre o chamado de Deus a ser sacerdote.

3 de janeiro de 1936 – Marcial sai de casa rumo ao seminário.

19 de junho de 1936 – Marcial recebe o chamado a ser fundador na capela do seminário menor de Veracruz, então na Rua de Atzcapotzalco, México, DF.

3 de janeiro de 1941 – Fundaçao da Apostólica Missional dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus, nos porões emprestados de uma casa na rua Turín 39, México, DF. Esta data é considerada o dia da fundação da Legião de Cristo.

26 de novembro de 1944 – Ordenação sacerdotal de Marcial Maciel na antiga Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, na Colina do Tepeyac, México, DF.

12 de junho de 1946 – Primeira audiência do padre Marcial Maciel, LC, com Pio XII, em Roma.

Setembro de 1946 – O primeiro grupo de futuros legionários chega à Espanha para iniciar os seus estudos na Universidade Pontifícia de Comillas.

25 de maio de 1948 – A Santa Sé concede a aprovaçao canônica: o Nihil obstat.

13 de junho de 1948 – Ereção canônica dos Missionários do Sagrado Coração e da Virgem das Dores (Legionários de Cristo) pelo bispo de Cuernavaca, monsenhor Espino y Silva.

Outono (do hemisfério norte) de 1950 – Inauguração do Colégio Maior dos Legionários de Cristo, em Roma. Atualmente esta casa é a sede da direçao geral dos Legionários de Cristo e do Regnum Christi.

Fevereiro de 1954 – Fundaçao da primeira obra de apostolado dos Legionários de Cristo: o colégio Cumbres (Cidade do México).

Outono (do hemisfério norte) de 1956 – Início da “Grande bênção”, período de purificação para a congregaçao, no qual o fundador foi desterrado de Roma por causa de acusações infundadas.

6 de fevereiro de 1959 – Fim da “Grande bênção”. A partir deste ano o padre Maciel empreende a fundação do movimento de apostolado Regnum Christi.

1964 – Abertura da Universidade Anáhuac na cidade do México.

6 de fevereiro de 1965 – A Santa Sé concede a aprovação definitiva da congregação por meio do Decreto de Louvor (Decretum laudis).

Junho de 1966 – Fundação do primeiro colégio Mão Amiga, de educação subsidiada para os mais necessitados na Cidade do México.

1970 – Paulo VI confia aos Legionários de Cristo um extenso território de missão na ribeira maia de Quintana Roo, México.

29 de junho de 1983 – Aprovação definitiva das Constituições da Legião de Cristo.

1990 – Primeira edição do libro do padre Marcial Maciel, LC: A formação integral do sacerdote católico.

3 de janeiro de 1991 – João Paulo II ordena 60 novos sacerdotes legionários de Cristo na basílica vaticana de São Pedro, na celebração do 50.° aniversário da fundação da Legião de Cristo.

1991 – Fundação do Pontifício Colégio Internacional Maria Mater Ecclesiae, ao serviço dos bispos para a formação de sacerdotes diocesanos.

15 de setembro de 1993 – Ereção do Ateneo Regina Apostolorum (Roma). João Paulo II lhe concederá posteriormente o título de Pontifício.

4 de janeiro de 2001 – João Paulo II recebe em audiência na Praça de São Pedro os Legionários de Cristo e os membros do Regnum Christi que acudiram a Roma para comemorar os 60 anos da fundação.

26 de novembro de 2004 – O padre Maciel celebra o seu 60.° aniversário de ordenação sacerdotal. Com esta data o Santo Padre João Paulo II concede o decreto da aprovação definitiva dos Estatutos do movimento de apostolado Regnum Christi, emitido pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e para as Sociedades de Vida Apostólica, e a carta apostólica com forma de motu proprio com o qual se confia à congregação dos Legionários de Cristo o cuidado e a gestão do Instituto Pontifício Notre Dame de Jerusalém, na cidade de Jerusalém.

2005 – O Pe. Maciel decide declinar a sua reeleição como diretor geral por motivos de idade e pelo desejo de ver em vida florescer a congregação sob a direçao do seu sucessor. Sucede-lhe no cargo o padre Álvaro Corcuera, LC.

2006 – A primeira comunidade de legionários chega às Filipinas para continuar o trabalho que o Movimento Regnum Christi já estava fazendo. E na última semana de junho chegaram a Seul os membros da primeira comunidade legionária na Coréia do Sul.

2008 – Morre o padre Marcial Maciel, LC, e é enterrado em Cotija de La Paz, sua cidade natal, no México.

Gaystapo agora vira suas baterias contra o Opus Dei

2009 junho 27

Entre os jornalistas não há quem não conheça o site Observatório da Imprensa. Alguns idolatram aquela turminha, que na verdade não passa de um bando de esquerdistas que fica “urubusservando” os jornais e exercendo aquela curiosíssima “tolerância” típica das esquerdas: pau em quem pensa diferente (isso pode ser comprovado por um amplo espectro de pessoas, desde os antigrevistas da USP até os milhões de mortos pelos regimes comunistas).

Especialmente o chefão do Observatório, Alberto Dines, é obcecado em relação ao Opus Dei, dizendo em mais de uma ocasião que a Obra “domina” as redações brasileiras. O que é curioso, porque a grande imprensa brasileira é um tanto anticatólica, fato que não condiz com a infiltração que Dines acusa. Aliás, Diogo Mainardi uma vez pediu a Dines a lista de jornalistas brasileiros vinculados ao Opus Dei, e até hoje estamos ouvindo o som de grilos. Dines, covarde, correu do desafio alegando que não era de ficar delatando pessoas. Ah, conta outra.

Pois bem, no dia 23 o Observatório publicou um texto de Leandro Colling chamado Opus Dei ataca homossexuais e os jornais dizem amém, mais uma tentativa da Gaystapo para calar quem pensa diferente dos esquerdistas e gayzistas. Qual é o problema, para Colling? Há algumas semanas, o professor Carlos Alberto di Franco publicou o artigo Totalitarismo e intolerância, expondo aquilo que a gente, na verdade, já sabe: a tentativa do governo federal de empurrar goela abaixo dos brasileiros a aceitação de um comportamento antinatural.

Pois bem, o tal Leandro Colling teve um piti e, depois de ser ignorado por alguns dos jornais que publicaram o texto de Di Franco (o Estadão publicou a reclamação de Colling na internet; a Gazeta do Povo publicou um artigo de Toni Reis, líder dos GLBT e outras letras assemelhadas), resolveu publicar o ataque no Observatório.

O texto de Colling é de uma torpeza impressionante. Apela para informações pessoais sobre Di Franco, como o fato de ele ser numerário do Opus Dei. Praticamente exige que os jornais ressaltassem esse fato ao publicar os artigos do professor. Fala de celibato e cilício, coisas que absolutamente não têm nada a ver nem com o artigo de Di Franco, nem com sua qualificação profissional (que é o que lhe habilita a escrever artigos na imprensa, e não o fato de ser numerário). Carl Sagan já dizia que o ataque ad hominem é um dos jeitos de mascarar pobreza de argumentos. Lendo o texto de Colling, vemos como o falecido astrônomo norte-americano tinha razão.

E lendo os comentários dá para perceber também aquela “tolerância” da qual eu falei no começo deste post. Os poucos que demonstram alguma sensatez são malhados pelos outros comentaristas, que falam da Universidade de Navarra, mas ignoram que um levantamento do anticlerical El País mostrou que essa é a melhor universidade da Espanha.

O mais curioso é que eu tenho aquela leve impressão de que nem passaria pela cabeça dos “tolerantes” do Observatório da Imprensa dar ao Opus Dei uma chance de se defender, caso a prelazia o solicitasse…

Modelos de carta ao pároco ou reitor pedindo Missa em latim

2009 junho 26
por Rafael Vitola Brodbeck

O Latim exprime de maneira palmar e sensível a unidade e a universalidade da Igreja. (Sua Santidade, o Papa João Paulo I. Discurso ao Clero Romano)

Reverendo Padre,

Rogamos a sua bênção!

A Missa no rito romano conforme o Missal de São Pio V (dita “Missa tridentina” ou “forma extraordinária do rito romano”) começa a ser celebrada de modo mais generoso Brasil afora. Todavia, não é só a “Missa tridentina” que é celebrada em latim. Muitos não se dão conta, mas o rito reformado por Paulo VI e João Paulo II, que atualmente é o normativo na Igreja Latina, a Missa que normalmente temos nas nossas paróquias, também é em latim. Sim, pode-se celebrar a chamada “Missa nova” em latim. E o Papa vem pedindo que se o faça!

A fim de exprimir melhor a unidade e a universalidade da Igreja, quero recomendar o que foi sugerido pelo Sínodo dos Bispos, em sintonia com as directrizes do Concílio Vaticano II: exceptuando as leituras, a homilia e a oração dos fiéis, é bom que tais celebrações sejam em língua latina; sejam igualmente recitadas em latim as orações mais conhecidas da tradição da Igreja e, eventualmente, entoadas algumas partes em canto gregoriano. (Sua Santidade, o Papa Bento XVI. Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, 62)

Nesse sentido, peçamos aos bispos a “Missa tridentina” em uma igreja da diocese, mas também tenhamos a “Missa nova” celebrada, em cada igreja, ao menos uma vez por semana em latim. O idioma da Igreja Ocidental não deve ficar restrito à forma tradicional da Missa romana: o rito reformado, pós-Vaticano II, também deve valorizá-lo, conforme pede o Santo Padre.

Essa “Missa nova” em latim não precisa de autorização formal do bispo, eis que é a Missa normativa no rito romano, é o mesmo rito romano reformado, atual, em uso, apenas com mudança da língua.

A Missa se celebre quer em língua latina ou quer noutra língua, contanto que se usem textos litúrgicos que têm sido aprovados, de acordo com as normas do direito. Excetuadas as Celebrações da Missa que, de acordo com as horas e os momentos, a autoridade eclesiástica estabelece que se façam na língua do povo, sempre e em qualquer lugar é lícito aos sacerdotes celebrar o santo Sacrifício em latim. (Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Instrução Redemptionis Sacramentum, 112)

Basta que o senhor, reverendo padre, queira celebrá-la. A língua oficial para a celebração da Santa Missa e de todos os atos litúrgicos, no rito romano, em ambas as formas, tradicional (tridentina) e moderna (renovada), é o latim. O Concílio Vaticano II, ao contrário do que muitos pensam, não aboliu o uso do idioma latino, antes o incentivou.

Salvo o direito particular, seja conservado o uso da Língua Latina nos Ritos latinos. (Concílio Ecumênico Vaticano II. Constituição Sacrosanctum Concilium, 36, § 1)

Há, isso sim, uma permissão para que a missa seja oferecida em vernáculo, i.e., nas línguas nacionais dos vários países. Pode-se, além disso, dizer determinadas partes da Missa em latim e outras em vernáculo.

A Língua Latina é a língua própria da Igreja Romana. (Sua Santidade, o Papa São Pio X. Encíclica Inter Pastoralis Officii)

O uso da Língua Latina é um claro e nobre indício de unidade e um eficaz antídoto contra todas as corruptelas da pura doutrina. (Sua Santidade, o Papa Pio XII. Encíclica Mediator Dei)

Que o antigo uso da Língua Latina seja mantido, e onde houver caído quase em abandono, seja absolutamente restabelecido. – Ninguém por afã de novidade escreva contra o uso da Língua Latina nos sagrados ritos da Liturgia. (Sua Santidade, o Papa Beato João XXIII. Encíclica Veterum Sapientia)

Providencie-se que os fiéis possam juntamente rezar ou cantar em Língua Latina as partes do Ordinário que lhes competem. (Concílio Vaticano II. Constituição Sacrosanctum Concilium, 54)

Em face do exposto, pedimos:

a) que V. Revma. celebre, em sua igreja, ao menos semanalmente, a Missa em latim segundo a forma ordinária (rito romano moderno, de 1970, de Paulo VI e João Paulo II, pós-conciliar);

b) que V. Revma. celebre, em sua igreja, se houver procura dos fiéis, ao menos quinzenalmente, a Missa em latim segundo a forma extraordinária (rito romano tradicional, tridentino, de 1962, de São Pio V e do Beato João XXIII, pré-conciliar);

c) que, em certas solenidades e em alguns domingos, algumas dessas Missas em latim, quer na forma ordinária, quer na extraordinária, sejam cantadas, para maior enlevo espiritual dos fiéis.

Estamos à disposição para indicar onde conseguir missais para o altar e também para o povo, tanto na forma ordinária, quanto na extraordinária.

Novamente, suplicando a sua bênção,

(assinatura)

Versão mais simples:

Reverendo padre,

Em união com o Santo Padre, o Papa Bento XVI, em sua Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, número 62, e com a Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em sua Instrução Redemptionis Sacramentum, número 112, escrevo para solicitar que seja celebrada, em sua igreja, a Santa Missa conforme o rito pós-conciliar, uso romano moderno, oriundo da reforma de Paulo VI e João Paulo II, em latim, ao menos uma vez por semana.

Não estou falando da Missa conforme o uso pré-conciliar, segundo o Missal de 1962, que recentemente foi autorizada pelo Papa, mas sim das cerimônias atuais, celebradas após o Concílio. Apenas que em latim, conforme autorizado pelo Código de Direito Canônico e pelos Papas.

Salvo o direito particular, seja conservado o uso da Língua Latina nos Ritos latinos. (Concílio Ecumênico Vaticano II. Constituição Sacrosanctum Concilium, 36, § 1)

Obrigado pela atenção.

Rogo sua bênção,

(assinatura)

Hoje é dia de São Josemaría Escrivá!

2009 junho 26
por Marcio Antonio Campos

E nada melhor para honrar a memória do fundador do Opus Dei que ir à Santa Missa, que ele considerava centro e raiz da vida interior. O site do Opus Dei tem a lista de todas as missas que serão celebradas em honra ao santo. Se a sua cidade ainda não está na lista, continue verificando que a relação é atualizada constantemente.

Ano Sacerdotal: multiplicam-se as iniciativas

2009 junho 25

Por ocasião do Ano Sacerdotal, várias iniciativas apostólicas são levadas a cabo por diferentes instituições.

Os Legionários de Cristo e o Regnum Christi, por exemplo, criaram um site específico para promover o Ano Sacerdotal, com vídeos, testemunhos e orações.
Pode-se ver, pelo site, um vídeo vocacional: YouTube Preview Image

E o Diretor Geral dos Legionários e do Regnum Christi, padre Álvaro Corcuera, LC, escreveu uma carta com tal motivo, na esteira do legado deixado pelo fundador, padre Marcial Maciel, LC.

Por sua vez, também o Opus Dei, mediante seu prelado, dom Javier Echevarría, mandou uma mensagem com o tema do Ano Sacerdotal.

Enfim, os Arautos do Evangelho dedicam boa parte do seu site ao tema, com entrevistas, conferências e documentos.